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Codinome Beija-Flor

Summary:

Jade e Juana apaixonadas, só isso

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Era fim de tarde, a brisa fria da cidade de São Paulo penetrava os ossos de Jade, fazendo a albina estremecer sob o moletom escuro. Havia ido diretamente para o estágio após a faculdade, apenas queria chegar em casa e descansar o resto do dia.

Abriu a porta da frente, deixando o molho de chaves em cima do armário perto da entrada e retirando suas botas, ficando apenas de meias brancas no chão de mármore.

— Meu bem? — Chamou, obtendo um dramático grunhido aparentemente vindo da sala, seus lábios se curvaram em um sorriso dócil.

Exatamente onde imaginava, uma figura estava em uma posição estranha no sofá de veludo, quase de cabeça para baixo. Juana, sua namorada, estava assistindo uma série particularmente violenta sobre canibalismo, nem desviando o olhar da televisão.

— Ei. — Jade reclamou, formando um beicinho exagerado com a falta de atenção e se jogando em cima dela, ouvindo o sofá ranger baixo com o peso adicional, ou talvez fosse só um resmungo da namorada. — Cadê meu beijo?

— Aff, sai pra lá. — Juana provocou, mas colocou ambas as mãos no rosto de Jade e beijou suas bochechas pálidas antes de selar seus lábios. — Tá com gosto de sal. — Juana resmungou, franzindo o nariz ao se afastar. — Você correu o caminho inteiro de volta pra casa, foi?

Jade riu, baixo, e enterrou o rosto no pescoço da namorada. A pele morena de Juana estava quente, contrastando com o frio que ainda teimava em ficar grudado nos ossos da albina.

— É. — murmurou contra a clavícula dela. — O metrô 'tava mó zuado, preferi andar.

— Você tem uns parafusos a menos. — Juana apertou os braços ao redor do corpo de Jade, puxando-a para mais perto, e por um instante o barulho da televisão — ossos estalando, gritos abafados — pareceu distante demais para importar. Jade suspirou, os olhos semicerrados, sentindo o coração desacelerar aos poucos.

— Você jantou? — perguntou, depois de um longo minuto de silêncio macio.

— Não. Tava esperando você.

Jade ergueu a cabeça, fitando o rosto levemente bronzeado de Juana — o olho castanho e o branco que brilhavam com o reflexo da TV, a boca que ainda carregava um resto de batom borrado, os cílios grossos. Seu coração, que enfim havia se acalmado, deu um tropeço bobo.

— Mentirosa. — Jade acusou, mas sem veneno, só um sorriso preguiçoso no canto da boca. — Tem embalagem de salgadinho na mesa de centro. Eu vi quando entrei.

Juana riu, descarada, e deu de ombros. — Isso não é jantar. É petisco. São coisas diferentes.

— Ah, claro. E o que eu como? — Jade arqueou uma sobrancelha clara, não se movendo um músculo enquanto sentia as unhas dela arranharem de leve em meio ao carinho nas costas, provavelmente deixando listras vermelhas com o quão sensível é sua pele albina. Não que Jade realmente se importasse.

— Eu, ué. — respondeu Juana, num tom debochado, mas com um sorriso sujo que entregava a intenção.

Jade revirou os olhos, rindo contra o pescoço dela. — Isso não é jantar. É petisco. São coisas diferentes.

— Para de me imitar! — Reclamou, beliscando a cintura de Jade, fazendo-a rir mais.

— Tá doendo. — Jade gemeu, fingindo um sofrimento exagerado enquanto enfiava o rosto nos seios dela, como um gato procurando o lugar mais macio para deitar. — Você é uma namorada terrível, sabia?

— A pior do mundo. — Juana completou, orgulhosa, enquanto os dedos se enroscavam nos fios brancos e curtos de Jade, desfazendo os nós do dia. — E mesmo assim você ainda 'tá aqui.

— Masoquismo. — Jade murmurou, os lábios roçando o tecido fino da camisa de Juana.

— Amor. — Juana corrigiu, rindo baixo enquanto os dedos deslizavam do cabelo de Jade para a nuca fria, traçando círculos lentos na pele arrepiada. — Você precisa de uma dose diária de mim. Faz bem pra sua saúde.

Jade bufou, mas não negou. Em vez disso, afundou mais o rosto ali, sentindo o calor que escapava da namorada como um cobertor invisível. O cheiro de Juana — algo entre baunilha e aquele sabonete de alfazema que ela usava religiosamente — preenchia cada respiração de Jade, afogando o gosto metálico da rua, do concreto, da correria.

Seus olhos estavam quase se rendendo ao sono quando a mão da namorada se entrelaçou com a sua e imediatamente sentiu uma mordiscada na pele. — AI! Que isso, garota?

Juana riu, os dentes afiados já deixando a marca vermelha no dorso da mão de Jade.

— É que você tava muito quieta. — Juana justificou, passando o polegar sobre a mordida como um pedido de desculpas silencioso. — Tô com fome de verdade e você não coopera.

Jade arrancou a mão com um dramático beicinho, inspecionando a marca com os olhos semicerrados. — Vai virar hematoma. Você sabe que minha pele é um cu.

— Vai ficar bonito. — Juana rebateu, puxando-a de volta pelo capuz do moletom. — Combina com você. Tudo marcado.

— Você já me morde sempre mesmo. — Resignada, Jade colocou o rosto no pescoço dela, beijando a pele ali. Dessa vez, a mão de Juana acariciou seus cabelos mais uma vez, gentilmente penteando os fios.

Naquele sofá, Jade adormeceu com a bochecha esmagada no corpo da namorada, se ela acidentalmente encontrasse uma foto dela mesma de boca aberta no próprio celular... Bem, valia a pena.

Notes:

Corrido só pra dizer que eu fiz algo pra jusperweek ok 💔