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Os dedos de Katsuki batiam impacientemente sobre o volante.
A playlist que tocava servia como trilha sonora de seus pensamentos, que longe dali vagavam. Conferiu o relógio em seu pulso mais uma vez, soltando um suspiro pesado, e passou a mão pelos cabelos, tentando arrumar o corte bagunçado, mas já estava impaciente.
Despertou de seus pensamentos, quando sentiu o celular vibrar no bolso. Quando desbloqueou a tela, percebeu se tratar de mensagens do grupo de alunos da antiga 1A. A verdade é que a turma decidiu marcar uma confraternização. Com a vida de heróis agitada e as grandes demandas, eles não conseguiam se reunir com tanta frequência, mas queriam mudar esse hábito. E com a notícia de que um dos ex-alunos conseguiu conquistar um lugar no top três, só aumentou os motivos para fazer um encontro geral da turma.
A maioria das mensagens era apenas alguns avisando que haviam chegado no restaurante combinado, além de algumas fotos com boa parte da turma já reunida. Bakugou guardou o celular no bolso novamente e revirou os olhos.
— Aquele cabelo de merda… — reclamou.
Tinha combinado de buscar o ruivo, mas Eijiro estava atrasado, como sempre.
Estava prestes a ligar para Kirishima quando ouviu leves batidas na janela do seu carro. O loiro destrancou as portas e o mais alto entrou.
— Cara, o seu carro novo é um máximo! — disse o ruivo, afoito.
— Você ‘tá atrasado. — disparou Katsuki, observando o ruivo fechar a porta e colocar o cinto.
— Nossa, Kats. Isso é tudo ansiedade para me ver? — Kirishima riu, não notando que as bochechas do loiro ganharam uma tonalidade avermelhada.
— Vai sonhando. Você ficou enchendo o saco ‘pra ver meu carro. Ainda disse que queria ser o primeiro a andar. — cruzou os braços.
— Não ouvi você reclamando, tanto que cá estou eu. — piscou maroto para Bakugou, que desviou o olhar. — Esse carro é uma beleza, não me admira você se gabar tanto dele.
— Podemos ir? Daqui a pouco um dos idiotas começa a ligar. — revirou os olhos, já dando partida no carro.
— Verdade. Vou ligar pro Midoriya e avisar que já estamos indo buscar ele. — disse, pegando o celular do bolso.
Katsuki parou o carro de uma vez.
— Como é que é? — disse com os olhos arregalados em descrença.
— Buscar. O. Midoriya. — repetiu pausadamente, procurando o nome do esverdeado na lista de contatos.
— Como assim, Eijiro? Por que a gente vai buscar o Deku? — Bakugou olhava para o ruivo incrédulo, ainda esperando ser algum tipo de pegadinha.
— Eu ofereci carona. Ele me ajudou muito em umas coisas da agência esses dias, acho que nada mais justo. E você sabe que as linhas de metrô nesse horário são péssimas. — respondeu, já clicando no número de Midoriya e levando o celular ao ouvido.
Katsuki apenas bufou irritado e voltou a dirigir. Um beicinho involuntário surgiu em seus lábios, algo que não passou despercebido pelo ruivo, que precisou segurar o riso.
Kirishima começou a conversar com Izuku e o assunto estava rendendo mais do que deveria. Aquilo estava estragando completamente os planos do loiro.
A verdade era que Katsuki e Eijiro não tinham um relacionamento qualquer. Desde a época da U.A, ambos sempre foram muito próximos, mas houve um pequeno distanciamento logo no início de suas carreiras como heróis profissionais. Todos da turma começaram muito cedo, principalmente por terem se destacado nas grandes batalhas. Então no começo foi algo muito novo, uma rotina agitada logo de cara e demorou um pouco até que todos se adaptassem completamente. Mas agora, sete anos depois, suas rotinas estavam mais estáveis. E a reaproximação de ambos foi tão natural quanto da primeira vez, mas agora com sentimentos mais claros.
Bakugou não conseguia dizer quando começou a se sentir atraído pelo ruivo, talvez porque se sentisse assim desde o início. Eijiro sempre foi gostoso, mas agora ele desafiava completamente a sua sanidade mental. Kirishima mais parecia uma montanha de músculos, mas ainda com sua personalidade de um golden retriever. O ruivo também cresceu bastante, chegando a ficar alguns centímetros mais alto que o próprio loiro. Katsuki deveria ter ficado com raiva, mas talvez esse detalhe tenha aumentado ainda mais o seu tesão. A ideia de namorar Kirishima atormentava sua cabeça diariamente. Seu foco sempre foi sua vida como herói profissional, mas a vontade de ter Eijiro ao seu lado se tornava cada vez maior. E talvez seu maior desejo no momento.
Eijiro também não ficava muito atrás. O ruivo sempre admirou o loiro por sua coragem e ambição, e essa admiração só aumentou com o passar dos anos. Bakugou era másculo, como o próprio Kirishima diria. Ele amava o loiro, e tinha consciência disso. Passou a secar o corpo de Katsuki mais do que o normal e constantemente se pegava olhando para o mais velho com uma cara de bobo apaixonado, isso segundo seus amigos. A verdade é que tudo sobre Bakugou o deixava maluco. Eram tantos anos de paixão reprimida que Eijiro não conseguia se segurar. O que mais queria era beijar, abraçar e mimar Katsuki todos os dias. Queria ser dele e também queria que ele fosse seu. Mas não sabia como o loiro pensava, já que suas prioridades eram o trabalho como herói e o reconhecimento que tanto treinou para conquistar.
Desde que voltaram a conversar constantemente, ambos não conseguiam mais conter aquilo que sentiam há tanto tempo. O desejo que tinham um pelo outro.
Era tão explícito que chegava a ser ridículo.
“— Vem cá, quando você e o Bakugou vão começar a namorar? — disse Ashido em uma das noites que saíram juntos depois de uma patrulha.
Kirishima se engasgou com a bebida.
— Do que você ‘tá falando? — o ruivo sentiu suas bochechas corarem.
— “Do que você ‘tá falando?” — Sero debochou, tentando imitar a voz de Eijiro. — Qual é, cara. Todo mundo sabe que você e o Bakugou possuem uma paixão e um tesão muito doido um pelo outro.
— Vocês se olham como se fossem se comer a qualquer momento. — acrescentou Kaminari. — As vezes tenho medo de estar sendo entrosa.
— Kaminari, menos. — o ruivo diz, envergonhado. — Mas acho que ele não sente o mesmo.
— Ah, sério?! — Mina jogou o corpo para trás, em descrença. — Kiri, anjo da minha vida, Katsuki Bakugou gosta de você e não é de hoje. O simples fato de você ser a exceção dele em absolutamente tudo já comprova esse fato, afinal, sabemos como nosso menino kacchan se comporta. E vocês se chamam pelo primeiro nome!
— Eu tenho medo, gente — Eijiro soltou um suspiro cansado. — A prioridade dele sempre foi a vida como herói e todos sabemos o quanto ele se dedicou todos esses anos.
— Assim como ele amadureceu muito a forma de pensar. — disse Ashido, tentando tranquilizá-lo. — Confia em mim, a intuição feminina nunca falha. Se declara ‘pra ele!
— Quem vai se declarar?
Era Jirou. E ao lado dela estava Katsuki.
Ambos tinham saído da mesa para buscar algumas bebidas.
— Do que vocês idiotas estão falando? — Bakugou perguntou, sentando-se ao lado de Eijiro.
— Apenas dando uns conselhos. — Mina piscou na direção do ruivo.
Kirishima sentiu as orelhas esquentarem.
— Tá a fim de alguém, senhor Red Riot?
— Haha, muito engraçada. — ele tentou desconversar. — Querem pedir mais batata?”
Mas o que Eijiro não notou naquele dia foi o olhar curioso de Bakugou direcionado a si. Poderia até mesmo dizer que com uma pitada de ciúmes.
Ok, uma pitada muito grande. E esse cenário tinha voltado para a mente de Bakugou por algum motivo.
Talvez medo. Talvez insegurança.
Talvez aquela sensação horrível que lhe rondava há semanas.
E se tivesse perdido Kirishima?
Fazia alguns minutos desde que o ruivo encerrou a ligação com Midoriya. O loiro começou a sentir seus dedos tremerem sobre o volante, o pensamento de Eijiro estar gostando de outra pessoa que não ele o consumindo. Sabia que era um pensamento egoísta quando ele mesmo vinha sendo covarde por todos esses anos, mas não conseguia evitar.
— Ei, Eijiro. — decidiu cortar o silêncio.
— Oi, Kats, pode falar.
— Você… você ‘tá gostando de alguém?
Eijiro não pôde evitar de se engasgar com a própria saliva.
— Como?
— ‘Tá a fim de alguém, caralho?
— Por que, você ‘tá?
— Eu tô.
— Oi?
— É.
— Eu conheço?
— Até demais.
O peito de Eijiro apertou e uma sensação horrível começou a tomar o seu corpo.
De repente o celular de Kirishima começou a tocar. Foi quando o ruivo voltou a prestar atenção no caminho e notou que estavam no ponto que tinha combinado de buscar Izuku.
— Bakugou, para o carro.
— Bakugou? — disse, um tanto ofendido.
— Bakugou, encosta o carro aqui, por favor. — instruiu o loiro enquanto atendia a ligação. — Sim, Midoriya, estamos aqui na frente. Pode vir.
— Bakugou? Que porra é essa, Eijiro? — disse Katsuki, virando para o ruivo.
Kirishima abriu a boca para responder, mas foi interrompido quando Izuku abriu a porta do carro.
— Kacchan e Kirishima, boa noite! — saudou. — Obrigado pela carona, não precisava.
— Que isso Mido bro, não é nada!
— Você podia ter recusado, você sabe, né? — murmurou Bakugou, voltando a dirigir.
— Eu sei. — disse o esverdeado, sorrindo. Ele conhecia o jeito do amigo.
Durante o trajeto, Eijiro e Izuku conversavam sobre alguns projetos e parcerias. Red Riot já tinha feito participações especiais em algumas aulas do professor, e foram um sucesso. Os alunos adoravam Kirishima, tanto os mais novos quanto os mais velhos. Aquilo não surpreendeu Katsuki.
Ficaram alguns segundos em silêncio, quando Bakugou sentiu um olhar pesado sobre si.
Eijiro.
Não foi preciso muito para saber do que se tratava.
“Agora?”
“Sim”
Fazia alguns meses que havia desabafado com o ruivo sobre a ideia de chamar Midoriya para sua agência. Apesar de não admitir, Eijiro sabia que Katsuki tinha um carinho pelo amigo de infância. Principalmente depois de tudo que passaram juntos. E Kirishima disse que o ajudaria nesse processo.
— Nerd, então…— respirou fundo. — Como andam as coisas lá na U.A, pretende largar o emprego?
— As coisas andam bem, eu gosto de ser professor. — sorriu. — Os alunos têm melhorado cada dia mais, assim como os nossos métodos de ensino. E você Kacchan, algum recruta novo?
— Não. E sobre isso, eu queria te perguntar…— travou.
Num impulso, o loiro olhou para Kirishima. O mais novo apenas o encorajava com o olhar.
— Queria saber se você quer entrar…— fez uma pausa. — Se você quer entrar para a minha agência.
O carro ficou em silêncio por alguns segundos.
— Sério?
— Claro que é! Tenho cara de quem brincaria com uma merda dessa?!
Foi possível ouvir a risada abafada de Eijiro.
— Estou surpreso, confesso.
— E eu mais ainda por ter tido essa ideia.
— Katsuki! — Eijiro o repreendeu, mas não conseguia evitar a risada que ameaçava escapar de seus lábios.
— Kacchan, eu agradeço o convite. Mas eu não me vejo deixando meu posto de professor por enquanto. — disse, calmo.
— Tudo bem, eu entendo. Mas se mudar de ideia… você sabe.
— Pode deixar, e obrigado por entender.
O silêncio voltou a se instaurar. Bakugou olhou de relance para Kirishima, que possuía um pequeno sorriso nos lábios. O ruivo pareceu notar e virou o rosto em direção ao loiro. Seu olhar dizia algo como “ei, estou orgulhoso de você”. E isso fez Katsuki voltar a prestar atenção na estrada novamente, agora segurando um sorriso nos lábios.
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Assim que chegam na sala privada que reservaram no restaurante, todos da turma começaram a gritar com a chegada dos três.
— Olha só, agora sim a turma está completa! — diz Kaminari, se levantando de seu lugar.
— Antes tarde do que nunca. — Ashido complementa.
Bakugou resmunga, mas se deixa ser abraçado por Denki que logo parte em direção a Eijiro e Izuku. O loiro cumprimenta rapidamente cada um e se senta ao lado de Todoroki. Pouco tempo depois Kirishima está sentado à sua frente.
Kaminari logo começa um discurso agradecendo a todos pela presença e enfatizando que deveriam se reunir mais vezes. Também ressaltou que era um dia de comemorar, já que Shoto Todoroki havia alcançado o top 2 de heróis do Japão. A turma brindou e as conversas entre as mesas começaram a voltar gradativamente. Katsuki apenas petiscava algumas coisas enquanto bebia um suco de laranja, já que estava dirigindo.
O grupo rendia bastante assunto. Afinal, uma mesa que tinha Eijiro Kirishima e Denki Kaminari estaria longe de ser quieta. Mas o loiro notou que Midoriya não prestava atenção na conversa, já que seu foco se encontrava em outra mesa.
— Vai ficar olhando igual um tonto ou vai falar com ela? — Bakugou disparou de repente, fazendo Midoriya engasgar com a água.
— Oi?
— A bochechas, vai lá falar com ela.
— Eu… — Izuku começou a gaguejar.
— Ei, múmia! — Katsuki gritou para Shinso. — Troca de lugar com o Deku rapidão.
— Kacchan, que isso, para! — o esverdeado sussurrou, desesperado.
— Levanta essa bunda, caralho. — o loiro sussurrou de volta. — Vem cá, preciso falar umas coisas com você. — voltou a falar com Shinso novamente.
Hitoshi apenas deu de ombros e se levantou, trazendo sua bebida junto. Midoriya lançou um último olhar desesperado para Bakugou que apenas mandou ele ir logo. Shinso não demorou a se juntar à mesa.
— Decidiu dar uma de cupido? — comentou irônico, dando um gole em sua bebida.
— Se até o cara de idiota conseguiu uma namorada, o Deku também consegue. — deu de ombros. — Só tem que parar de ser bunda mole e se declarar.
— QUE ISSO, CALÚNIA?! — disse Denki, ofendido. — Amor, me defende. — olhou para Kyoka.
Jirou apenas riu do namorado e fez um carinho em sua cabeça.
— Às vezes é bom seguirmos nossos próprios conselhos, né, Bakugou? — disse Ashido, aparecendo na mesa de repente e ficando entre Kaminari e Kirishima.
— O que você está insinuando, olhos de guaxinim? — fulminou a rosada com o olhar.
— Pense o que quiser. — sorriu, marota. — Isso vale para você também, Kiri.
— Então você está gostando de alguém. — Bakugou concluiu. Foi mais um pensamento alto do que realmente uma constatação.
— Bem…é, talvez. — voltou a comer seu curry, mas agora com as bochechas um pouco avermelhadas.
De repente, o celular de Kirishima vibrou. O ruivo olhou para o aparelho e sorriu quase que no mesmo instante.
— Pessoal, eu vou lá fora rapidinho, já volto. — levantou da mesa e seguiu para a saída.
Os amigos continuaram conversando, mas Katsuki não prestava atenção.
Eijiro estava apaixonado por alguém e não era ele.
Será que foi a pessoa que mandou mensagem? O ruivo sorriu assim que leu, então poderia ser.
A quanto tempo eles estavam conversando? Por que Kirishima nunca disse nada para ele? Por que todos pareciam saber menos ele? Será que Kirishima não confiava nele?
Tinha perdido Eijiro para sempre?
— Bakugou, ‘tá tudo bem?
O loiro saiu de seus pensamentos ao sentir o toque de Kyoka em seu ombro.
— Ashido…que mensagem foi aquela que o Eijiro recebeu? — olhava para a mais nova como se ela pudesse oferecer a resolução para os seus problemas.
Mina ficou em silêncio por alguns segundos.
— Eu não consegui ver direito, mas acho que é do cara que o Kirishima está conversando. — ela suspirou. — Acho que ele vai se declarar pro Kiri hoje depois do jantar.
Ashido notou o momento que os olhos de Bakugou se arregalaram e seu olhar pareceu perdido. Ela sorriu.
— Tem algo que você queira falar para ele?
— Sim. Na verdade muitas coisas, mas eu não sei como.
— Só diga o que está no seu coração ou realmente pode ser tarde demais.
Katsuki pareceu ponderar por alguns segundos, mas se levantou e saiu da sala rapidamente.
— Quem é esse cara que o Kirishima ‘tá conversando que eu não estou sabendo? — Sero perguntou, confuso.
— Sei lá, eu acabei de inventar. — Ashido riu.
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Kirishima conversava animadamente com Fat Gum pelo telefone. Se tudo desse certo, ele finalmente conseguiria abrir a própria agência.
— Depois eu te encaminho os dados certinho, mas o lugar é grande e bem localizado. Vai dar certo, garoto. — dizia Fat Gum do outro lado da ligação.
— Muito obrigado mesmo, Fat! — o ruivo se despediu do mais velho e encerrou a chamada.
Eijiro não conseguia segurar o sorriso em seu rosto. As coisas estavam começando a dar certo.
Passou um tempo encarando o céu estrelado, enquanto deixava o vento gélido balançar seus cabelos.
— EIJIRO!
Despertou de seus pensamentos ao ouvir uma voz familiar lhe chamando de longe. Só uma pessoa tinha liberdade para chamá-lo assim.
— EIJIRO!
Se virou quando percebeu que se tratava de Katsuki. O loiro corria em sua direção e quase tropeçou na calçada.
— Katsuki, oi, aconteceu alguma coisa?
— Eijiro não sai com ele, por favor.
O ruivo franziu o cenho.
— Como? Do que você ‘tá falando, Katsuki, eu não-
— Eu gosto de você, Eijiro. Há dez fodidos anos.
Tudo pareceu ficar em câmera lenta para Kirishima. Ele não escutava mais nada, além do próprio som do coração acelerado.
— Você…
— Eu sei que tem a possibilidade de eu estragar tudo entre a gente. Mas quando a chiclete falou que você estava conversando com um cara…eu não aguentei. — o loiro falava, ofegante. — Sei que posso estar soando egoísta ‘pra caralho agora, mas eu de verdade não me importo, Eijiro. Não quando se trata de você. Desculpa por te querer apenas para mim. Por querer ser seu, assim como eu quero que você seja meu. Desculpa por te achar gostoso e querer-
Katsuki não conseguiu terminar de falar. E que bom que não conseguiu.
Caso contrário, seus lábios não estariam colados aos de Eijiro nesse exato momento. Um beijo que tirou seu ar e que durou alguns segundos, mas que foi o suficiente para Bakugou derreter sobre os braços de Kirishima.
— Eu que peço desculpas agora, mas precisava fazer isso. — o ruivo sorriu e acariciou as bochechas do loiro, que o olhava surpreso. — Eu não estou conversando com ninguém Katsuki, você sempre foi o único para mim desde que eu tinha quinze anos.
— Mas a mensagem…
— Era o Fat. Ele queria me ligar pois tinha novidades sobre um dos espaços que eu estava olhando para abrir minha agência. E pelo visto, vai dar certo. — disse calmo, tentando tranquilizar Bakugou.
— Primeiramente, eu vou matar aquela olhos de guaxinim desgraçada. — rangeu os dentes. — E em segundo lugar…— olhou para Eijiro, com aquele olhar doce guardado apenas para o ruivo. — Parabéns, Ei, você merece.
— Obrigado, Kats. — sorriu e beijou o nariz do mais baixo.
— Então…você gosta de mim?
— E o cara que você estava falando mais cedo no carro era eu? — disse, puxando Katsuki pela cintura e colando seus corpos.
— Provavelmente. — o loiro se aproximou ainda mais, passando os braços envolta do pescoço de Kirishima.
— Ei, Katsuki. — fez uma pausa. — Eu te amo.
Bakugou deixou seus olhos vagarem pelo rosto do ruivo.
— Eu também te amo, Eijiro.
E assim, deram início a outro beijo.
Exploravam a boca um do outro com calma, as línguas se entrelaçaram de uma maneira gostosa e lenta, arrancando suspiros de ambos os rapazes. Kirishima vez ou outra apertava a cintura do loiro e fazia carinho pelas suas costas, enquanto Bakugou puxava os cabelos de sua nuca.
De vez em quando se separavam minimamente para recuperar o ar, mas logo voltavam a colar seus lábios mais uma vez.
No meio desses beijos, Bakugou sentiu o celular vibrar, mas decidiu ignorar. Mas quem quer que estivesse ligando para ele, era bastante insistente. O loiro se separou de Eijiro, totalmente contra sua vontade, e olhou as mensagens na tela de bloqueio.
— Aconteceu algo? — Kirishima perguntou, enquanto Katsuki voltava a juntar seus corpos.
— A chiclete perguntando se tínhamos morrido aqui fora. — o ruivo riu enquanto abraçava Bakugou. — Eles estão chamando porque pediram a conta.
— Então é melhor a gente ir, certo? — ofereceu a mão para o mais velho.
— Tá. — aceitou de prontidão. — Mas você vai voltar comigo, ouviu, Red?
— Claro, Blasty. — piscou maroto.
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Katsuki deixou escapar um gemido quando foi prensado contra o carro.
O som do gemido veio baixo, quase engolido pelo próprio fôlego, mas foi o suficiente para acender algo ainda mais perigoso no olhar de Kirishima.
A rua perto da casa de Bakugou estava silenciosa, iluminada apenas por postes espaçados e pela luz distante da cidade. Ninguém por perto. Nenhuma interrupção. Só os dois e tudo o que tinham acumulado ao longo do dia inteiro.
Katsuki puxou Eijiro pelo colarinho e o beijou de com força, com pressa, com uma necessidade que já tinha passado do ponto de ser ignorada.
O impacto contra o carro fez o metal vibrar levemente. As mãos de Kirishima desceram direto para a cintura de Katsuki, firmes, possessivas, puxando-o mais para perto como se qualquer espaço entre eles fosse insuportável. E talvez fosse mesmo.
Os corpos se encaixaram quase instintivamente, como se já soubessem exatamente onde pressionar, onde provocar. O atrito arrancou outro som de Katsuki, mais audível dessa vez
Eijiro começou a descer os beijos pelo pescoço do loiro, dando a devida atenção a área. Em reação, o mais velho friccionava ainda mais as ereções, arrancando gemidos baixinhos de Kirishima, que começou a marcar sua pele. O ruivo parecia um homem faminto.
E foi nesse desespero que acabou mordendo Katsuki um pouco mais forte, chegando a sentir um leve gosto metálico na boca. Eijiro estava prestes a se desculpar, mas chegou a conclusão de que não era necessário ao ver os olhos nublados do e a forma como ele mordia os lábios.
— Você gostou, não é? — cantarolou, com um sorriso enorme no rosto.
— Cala a boca. — Bakugou soltou, ofegante, e levou os lábios de Kirishima novamente até seu pescoço.
Eijiro soltou uma risada abafada, mas continuou a marcar o loiro, dessa vez aplicando uma força sob medida, que arrancou sons maravilhosos de Katsuki.
Ficaram um tempo nisso até Kirishima voltar sua atenção para a boca de Bakugou. O beijo foi mais faminto, mais voraz. Os sons molhados preenchendo o silêncio da rua vazia.
— Ei, Kats. — Eijiro disse entre o beijo. — Eu tenho uma pergunta.
— Depois. — voltou a buscar a boca do ruivo.
— É uma pergunta séria. — segurou o riso ao ver a expressão irritada do amante.
— O que pode ser mais sério do que a gente transar agora? — cruzou os braços, visivelmente irritado.
— Os bancos da sua porshe são acolchoados, né? — disse de um jeito manhoso, distribuindo pequenos selinhos na mandíbula do loiro.
Algo na mente de Katsuki pareceu explodir.
Bakugou apenas afastou Kirishima de si e abriu a porta de trás do carro, jogando o mais alto no banco e ficando por cima dele antes de ligar o veículo, e trancar a porta novamente.
Voltaram a se beijar quase que no mesmo segundo. Devido a posição, ficou mais favorável para Katsuki esfregar as ereções. O encaixe foi tão bom, que fez ambos cortarem o beijo para gemer em apreciação.
O loiro continuava com os movimentos no colo de Eijiro, mas seus beijos desceram para o pescoço do ruivo, sendo sua vez de marcar a área. Kirishima suspirava alto enquanto tirava as roupas do loiro com a ajuda do próprio.
Os tecidos foram jogados em lugares aleatórios do carro, eles não se importavam com aquilo no momento. A única necessidade sendo sentir o corpo um do outro, sem nenhuma camada de roupa para atrapalhar o contato.
Katsuki soltou um gemido um tanto quanto alto quando Eijiro uniu suas ereções em uma punheta ritmada. Isso fez com que Bakugou apoiasse a cabeça no peitoral do ruivo, enquanto se deixava levar pela sensação daquelas mãos enormes em seu pau.
— Eijiro…— ele suplicou.
— O que foi, amor? ‘Tá gostoso? — o ruivo aumentou a velocidade dos movimentos. — Ah, merda, Katsuki…
O mais velho apenas voltou a capturar os lábios de Kirishima. O beijo agora era mais desleixado devido aos gemidos que constantemente escapavam. Bakugou começou a sentir seu baixo ventre formigar.
— Eiji, por favor… — ofegou.
Eijiro notou que Katsuki apontava para um dos compartimentos do carro. Com um pouco de dificuldade, se desvencilhou do loiro e conseguiu alcançar o local.
De lá, o ruivo retirou um tubo de lubrificante e um pacote de camisinha.
— Desde quando você tem isso guardado? — perguntou, confuso.
— Desde que eu sonhei que transava com você nesse carro.
— Mas você comprou ele ontem?
— Exatamente.
— Você não existe…— disse, com um sorriso preguiçoso nos lábios.
Voltaram a se beijar enquanto Eijiro se ocupava em abrir o lubrificante. Espalhou uma boa quantidade nos dedos e ajeitou Bakugou em seu colo.
Introduziu o primeiro aos poucos, sempre medindo as reações do loiro. Assim que acrescentou o segundo, as costas de Katsuki arquearam e um gemido manhoso preencheu o carro.
— Ah, merda… — Bakugou praguejou.
Kirishima começou a fazer movimentos de tesoura dentro do mais baixo, que aos poucos relaxava.
Em um momento específico, Eijiro sentiu Katsuki rebolar em seus dedos e seu buraco contrair. O ruivo mordeu os lábios e soltou um gemido, imaginando como seria estar dentro do loiro. O simples pensamento fazendo seu pau fisgar.
— Kats, você vai me apertar assim quando for meu pau dentro de você, hm? — aproveitou para inserir um terceiro dedo.
A única reação de Bakugou foi gemer alto e jogar sua cabeça para trás em deleite.
Kirishima aproveitou a posição para abocanhar um dos peitos fartos do loiro, arrancando um choramingo do próprio.
— Você é tão gostoso, amor…— chupou um dos mamilos. — Vai gozar ‘pra mim?
Katsuki soltou um som que mais parecia um miado.
— Ah, Eiji. Por favor…
— Oi meu amor, pode falar. — estocou mais forte com os dedos, arrancando um grito de Bakugou ao atingir sua próstata.
— Caralho! — gritou ao ter aquele ponto estimulado mais uma vez. — Me fode, Ei… — sussurrou.
— Como, Blasty? Eu não ouvi. — estocou novamente.
— Me fode, Eijiro. Me fode, caralho. — disse, ofegante. — Por favor, Ei…eu preciso sentir…
— Porra, Kats, você me enlouquece, sabia? — Kirishima gemeu.
O ruivo pegou o pacote de camisinha que tinha reservado e o abriu rapidamente, deslizando por todo seu comprimento.
Katsuki se ajustou em seu colo e começou a descer pelo pau de Kirishima lentamente, sentindo o mesmo reorganizar suas entranhas. Afinal, talvez Eijiro fosse um pouco dotado.
Ambos gemeram ao mesmo tempo quando Bakugou chegou até a base. Ficaram um tempo se encarando. Os corações acelerados, as respirações ofegantes e os olhos repletos de luxúria.
Aos poucos, Katsuki começou a cavalgar, sentindo as mãos de Kirishima apertarem ao redor da sua cintura.
— Hm, caralho… — suas mãos desceram para a bunda do ruivo, apertando ambas as bandas. — Você é tão gostoso, tão bom ‘pra mim, Blasty. — gemeu.
Bakugou não soube dizer exatamente o que aquilo causou nele. Mas sabia que tinha aumentado seu tesão em 100%. Foi tão bom ouvir o elogio saindo da voz rouca de Eijiro, que Katsuki se segurou para não gozar ali mesmo.
— Você gosta quando eu falo sacanagens ‘pra você? — Kirishima começou a ajudar Bakugou nos movimentos. — Como você se sente, amor?
— Eiji…
O ritmo das cavalgadas de Katsuki aumentaram. Era possível ver o carro balançando ao lado de fora.
O veículo era tomado pelo cheiro molhado de sexo e o barulho dos corpos se chocando. Além dos gemidos, é claro.
Bakugou encontrou uma posição específica onde sua próstata era quase sempre estimulada, e com a ajuda de Eijiro, começou a se tornar constante.
Ambos estavam no limite. Sentiam seu baixo ventre formigar e gozariam a qualquer momento. Foi sabendo disso, que Kirishima trouxe o rosto de Katsuki para perto e encostou suas testas.
— Eu te amo, Katsuki…
O loiro não pôde evitar de gemer.
— Eiji, eu vou…
— Pode gozar amor, goza ‘pra mim… — fechou os e começou a estocar mais fundo.
As palavras de Kirishima foram o estopim para que Bakugou desabasse, sua visão ficando branca e gozando forte em ambos os abdômens.
Eijiro veio poucos segundos depois, gemendo alto e ainda metendo em Katsuki enquanto gozava.
Ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas tentando normalizar suas respirações. Bakugou se esticou para aumentar a temperatura do ar-condicionado e logo voltou a deitar sobre Kirishima.
O ruivo fazia cafuné nos cabelos loiros quando sentiu Bakugou se remexer repentinamente e olhar para ele.
— Eu te amo, Eijiro. — e selou seus lábios no beijo mais romântico da noite.
