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Se você fosse gay.

Summary:

Onde, em uma quase madrugada infernal do verão de janeiro, Ricardo aparece na casa de Leandro apenas (ou não) para questioná-lo a coisa mais estúpida que já ouviu.

Work Text:

Leandro estava sozinho em sua casa, vestindo um traje incomum composto por uma regata preta longa e bermuda curta cinza, com os cabelos mais bagunçados que o normal e extremamente irritado com o verão. Já havia ligado dois ventiladores na direção do sofá em que estava e infelizmente só faziam o ar quente circular mais, transformando aquele muquifo em um forno. Sua conta de luz naquele mês infernal de janeiro viria o dobro de cara e já podia sentir um ódio cumulativo daquela estação só aumentando. Havia, surpreendentemente, aberto todas as janelas do lugar, apelando de vez em quando até para a porta, periodicamente deixando o ar da rua entrar por ela. O que considerava uma boa idéia até escutar a porta abrir em um quase estouro contra a parede, fazendo o pensar que talvez realmente não fosse uma idéia tão boa assim deixa-la destrancada. Para a sua sorte, que já estava de pé e pronto para sacar um bisturi, era Ricardo, suado em suas roupas de academia e ofegante como se tivesse corrido uma maratona.

Era noite, estava quente como o inferno e o infeliz estava treinando antes de aparecer na sua casa como se fossem super próximos, só por causa daquele reencontro de natal naquela maldita casa assombrada entediante que Jorel os enfiou.

Mas não foi tão ruim, já que agora tinha o perdão e uma quase amizade com o homem que secretamente acha gostoso que invade casas no meio da noite para fazer sabe se lá o que – se fosse por suas fantasias seria obsceno.

Decide se aproximar e encarar os olhos verdes em busca de algum indício de necessidade dele estar ali daquela forma, afinal, deveria ter um ótimo motivo para ter corrido até sua casa no meio da noite, mas a única coisa que nota é que ele o analisa de cima a baixo enquanto se recupera. Ele mantém a porta aberta, as mãos nos joelhos e respira com dificuldade, o que demora um pouco a cessar, mas logo ele fecha e tranca a porta atrás de seu corpo, podendo novamente o encarar de cima como ele costumava fazer.

— Leandro, você me pegaria se você fosse gay?

Com certeza não é o que imaginava que ele falaria.

Sente o corpo esquentar um pouco mais, os olhos realmente curiosos o encarando como se fosse urgente. Ainda bem que com aquele calor, qualquer rubor ou suor tinha motivo.

— Que porra de pergunta é essa? Isso é jeito e hora de entrar na casa de alguém?

— Só responde.

— Por quê?

Visto o quão ansioso ele parecia, pensou até em brincar um pouco com ele.

— Porque eu quero saber!

— Não.

— Por que não?

Ele parece um cachorrinho triste e isso o deixa ainda mais atraente por um instante.

— Escuta, se você quer saber se algum homem gay está a fim de você não é mais fácil só perguntar pra ele?

Só podia ser isso, ele estava treinando, algum gay deu em cima dele e agora estava tendo crises existenciais sobre ser atraente o suficiente para atrair outro homem.

— Talvez eu esteja a fim de um homem.

— Oh. — Faz uma pausa mais que necessária antes de prosseguir. Perfeito, um cara enorme e gostoso estava na sua casa, dizendo que gosta de homens e que queria saber se o achava atraente. — Não, eu gostaria de um homem mais másculo que você.

Diria que não.

— O que? Mas eu sou másculo.

— Não o suficiente.

— Como assim não o suficiente? Olha pra mim.

Ele gesticula as mãos sobre o torso naquelas camisas de compressão que Leandro achava uma delícia, e realmente, ele era uma tentação, mas não daria esse gosto para ele – ao menos não ainda.

— É, não o suficiente.

Cruza os braços, dá de ombros e vira de costas, caminhando até o sofá, onde escora seu corpo na parte traseira dele.

— O que é ser másculo para você?

— Talvez seja sobre dominância e não aparência. — Vira novamente em sua direção. — E eu sou gay, Ricardo.

— Ótimo.

Ele é mais rápido do que podia se lembrar e não espera por permissão alguma quando o prensa contra aquele sofá. Sente os lábios salgados bruscamente sobre os seus, buscando abertura para um beijo de verdade, qual não demorou mais que segundos para conceder. Talvez ele fosse tão submisso por escolha, porque suas mãos apertavam seu quadril com força o suficiente para machucar e seus lábios tiravam totalmente seu fôlego naquele beijo quente e bagunçado de forma bastante dominante.

Ele não desgruda de si quando pega o seu corpo no colo, levantando seus quadris e entrelaçando suas pernas ao seu torso, agarrando-o pelas costelas para lhe dar apoio. Com as poucas visitas que havia feito, sabia onde era seu quarto, e por graça de Deus, não havia aberto as janelas daquele cômodo, porque é para lá que ele os levou cegamente, finalmente separando os lábios sufocados para lhe deitar na cama bagunçada e arrancar as roupas de seu próprio corpo, partindo para cima da cama, ficando de joelhos entre as suas pernas abertas.

Precisava de tempo para raciocinar, porque, Deus, como ele era definitivamente mais que o suficiente em todos os aspectos.

— Parece suficiente agora?

Corre os olhos pelo pescoço, trapézio, ombros, bíceps e antebraços e pensa de quais formas vai marcar território ali, a pele suada e sem um único arranhão, mesmo quando pratica um esporte de contato que pode ser considerado agressivo, uma tela em branco prontinha para recebê-lo. Encara por tempo demais aquele peitoral e abdômen, e não pode deixar de olhar no que se sobressai entre aquelas coxas nuas enormes.

— Seria um desperdício se não soubesse usar isso tudo.

Ele sorri convencido, e infelizmente não poderia odiá-lo por ser confiante quando era impossível que alguém tivesse a pachorra de tentar coloca-lo para baixo, afinal, o que é bonito se exalta.

Ele tira as suas roupas, e para por um tempo para olhar o que estava prestes a atacar assim como havia feito. Sabe que ele está olhando para o seu tronco, analisando as tatuagens que chegavam até o início das costelas e os piercings nos mamilos durinhos. Não iria dizer, mas é exatamente onde está acostumado a ganhar essa atenção.

— Você é gostoso.

— Você acha? Vou parecer mais gostoso quando me comer.

Ele sorri de novo, mas dessa vez apoia o próprio peso em seus braços e se inclina em sua direção, selando seus lábios suavemente antes de toma-los com volúpia. Abraça o pescoço, arranhando a nuca, puxando os cabelos curtos e marcando-o com vontade, e ele grunhe em seus lábios quando suas unhas alcançam as costas largas e fortes. Ele se afasta quando ambos precisam de fôlego, mas o menor não deixa de gemer insatisfeito com a distância, passando as unhas pelo peito farto uma última vez como segunda opção.

— Eu tenho um campeonato na próxima semana.

Ele agarra seu pulso com força, mas sua expressão é pacífica demais, até um pouco afetuosa.

— Preocupado com as peguetes na torcida? Porque eu vou te deixar bem mais marcado que isso.

— Você vai estar lá?

— Eu posso pensar sobre.

— Então vai ser o único.

Ele o beija de novo, dessa vez, descendo mais o corpo abaixo do seu para conseguir alcançar as ereções e roça-las. Ele é terno, passando as mãos por toda a sua cintura e mexendo o quadril devagar, uma tortura sedutora para quem tinha tanto desejo quanto Leandro. Mas ele devora seus lábios com volúpia o suficiente para mantê-lo calado sobre suas insatisfações.

Porra, aquele homem grande e suado em cima do seu corpo, roçando aquele pau enorme no seu devagarinho, enquanto deixa seus lábios vermelhos de tanto beija-lo, e ainda dando a entender que era o ficante premium? Muita tentação de uma vez só.

Tenta, com dificuldade pelo peso em cima de si, alcançar a gaveta ao lado da cama, quando não consegue, agradece mais uma vez por Ricardo ser um pacote completo, raciocinando rápido do que se tratava a sua movimentação e tateando a gaveta atrás do lubrificante e camisinha que não tardou em achar.

Agarra sua nuca com antecipação, fincando as unhas o suficiente para faze-lo gemer, afastando os lábios. Consegue ver de relance que ele mela os dedos com uma quantidade exuberante de lubrificação, e sente a mão áspera da calosidade dos treinos se aproximar, dedo por dedo. Tão perto de suas orelhas, geme alto e choroso, aproveitando a proximidade para fazer jus a sua palavra e arranhando, mordendo e chupando o trapézio e ombros. Beija a jugular, lambe a orelha e geme ali, sendo retribuído com grunhidos baixos cheios de tesão.

— Me fode.

Consegue escutar um riso baixo, e geme insatisfeito quando não há mais nada dentro de si. O que vem em seguida, ainda assim é muito melhor.

Ele levanta seu torso, obrigando-o a solta-lo e a voltar a se deitar. Põem a camisinha e procura um travesseiro atrás de si, colocando abaixo da sua lombar e o deixando minimamente mais curvado.

— Eu não sou uma mulher, Ricardo.

Sua resposta é um sorriso, e ele segura seus pulsos e enfia tudo de uma vez, o causando um choque de prazer tão grande que quase goza ali mesmo.

— Serve para homens também. E parece que você gostou.

Apesar de sua lentidão até aquele instante, a partir do momento que põem aquele pau no seu interior ele se mexe, surrando bem fundo, favorecido com aquele bendito travesseiro. Sente seus pulsos arderem com o aperto forte, e geme loucamente com aquela mistura de dor e êxtase. O que é interrompido quando ele grunhe, um quase rosnado, virando seu corpo de bruços. Não imaginava ser possível, mas ele soca ainda mais fundo e mais forte.

É melhor do que qualquer fantasia, sentir a pelve batendo na sua bunda, as mãos ocupadas entre segurar o próprio corpo e puxar o seu cabelo, ora lhe dar palmadas de mão aberta. Mordidas em seus ombros, trocando a tinta de suas tatuagens por marcas dos dentes caninos afiados.

Geme como uma puta quando ele revira seus cabelos com os puxões, fazendo-o forçosamente se arquear o suficiente para que dê selares em seus lábios dificilmente fechados. É erótico para caralho, ele surrando o seu interior bem gostoso enquanto tem a mão cheia do mullet, olhando nos seus olhos e boca patéticamente aberta.

Ele só solta o seu cabelo quando segura o pescoço, sufocando-o minimamente enquanto soca devagar, mas preciso. Ele aperta minimamente, e os grunhidos grossos e atraentes ao pé do seu ouvido indicam que ele está tão perto quanto a si. Sente seu ventre em chamas, o olhar turvo, e aquela mão gostosa de veias proeminentes cercando quase todo o seu pescoço, gradativamente apertando, deixando a beira da loucura e do ápice. Até que gemem em uníssono, Leandro manchando sua fronha escura e Ricardo enchendo a camisinha.

Ele fica algum tempo ainda dentro de si, e agora acaricia o pescoço dolorido, antes de sair e vira-lo de barriga para cima, tirando o travesseiro para o chão e jogando o preservativo usado em uma lixeira próxima.

Estava jogado como um boneco na cama, enquanto o jogador só o observava escorado na parede. E mesmo em seu estado patético, só conseguia pensar nas outras milhares de formas de transar com aquele cara até acabar da exata mesma forma em que estava ou pior.

— Pretende invadir a minha casa de novo?

— Não era minha intenção. Sabe que eu sou mais adepto a convites.

— Eu tenho um convite. Da próxima, entra na minha casa e vem direto pro meu quarto, não precisa falar nada. Me fode sem camisinha e me destrói, entendeu?

— Que fetiche específico, tenho que usar uma roupa de assalto?

— Pode vir até sem roupa, eu realmente não me importo. Apesar de que você ia ficar uma delícia mascarado.