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four between four walls

Summary:

“Porque eu acho que a ideia dessa surpresa foi sua?” ele pergunta, sorrindo, enquanto segura as duas pernas do ômega e as levantam até que os pés estejam suspensos e ele esteja completamente exposto. “Hm? Foi você quem sugeriu se exibir assim para dois alfas?”

“Eu só… só queria que vocês vissem eu e Jisung…” ele revira os olhos quando dois dedos voltam a acariciá-lo, o arrepiando inteiro “Queria que vocês conhecessem esse nosso lado…”

É aniversário de Felix e Jisung, e eles resolvem aproveitar que seus cios combinaram pra fazer uma surpresa para seus alfas.

Notes:

hey, oi :)
finalmente apareci com essa confusão, fruto de algumas noites em claro e imaginação fértil.
se vc for tão longe quanto eu fui, então vai aproveitar :D
por favor ignorem possíveis faltas de coerências, hot não é minha especialidade :p

Work Text:

O cheiro no quarto era tão forte que se tornava impossível ignorar. Não que fosse a intenção de qualquer um dos quatro, muito pelo contrário; os aromas excessivamente adocicados e acentuados deixava tudo mais sensível, mais atrativo, além de servir como uma corrente enrolando e apertando nos pescoços dos dois alfas, os prendendo na visão tão pecaminona logo a frente.

Se no dia anterior alguém os dissesse que eles estariam sentados um ao lado do outro assistindo aos seus ômegas se esfregando e quase se fodendo nas suas frentes, eles teriam rido. E realmente tem um certo teor engraçado; pelo menos, dentro do peito de Minho, uma gargalhada de pura felicidade está presa, sendo contida por um pequeno sorrisinho de canto. Com Chan é diferente, não há sorriso nenhum além do olhar concentrado e carregado, e isso se devia mais à ficha finalmente caindo do que estava acontecendo que qualquer outra coisa.

Jisung ainda vestia apenas sua cueca ridiculamente pequena, justa e branca, deixando suas coxas avantajadas bem marcadas, contraídas enquanto ele está de joelhos e pernas abertas, sentado nos calcanhares, tudo para acomodar no meio delas um Felix excitado demais. Ele sabia que aquela cueca branca, em específico, era a flecha que indicava o caminho da perdição para Minho. E era exatamente dela que o alfa não conseguia tirar os olhos.

Felix, por sua vez, fez exatamente o que Chan adorava: usava suas roupas excessivamente largas e escuras. A camisa preta escondia muito de seu corpo esguio, mas estando erguida e com o cós preso nas costas por um elástico de cabelo, não deixava muito para a imaginação. Em seus quadris estava a cueca favorita de Chan, também larga, caindo pelos lados e revelando muito mais do que deveria cobrir. O lobo interior do alfa uivava por ver seu ômega dentro de suas vestes, tão vulnerável e excitado, louco para pôr os dentes no tecido e rasgar tudo que dificultava sua visão.

E, para a destruição completa dos alfas, Jisung e Felix se beijavam como se a vida deles dependesse daquilo. O pescoço exposto de Jisung brilhava pelo suor do pré-cio, quase como um convite para os caninos de Minho. Seus cabelos eram puxados para baixo, o obrigando a inclinar a cabeça para cima enquanto tinha a boca devorada por Felix – que já estava completamente perdido dentro dos próprios desejos do cio. Depois de tantos anos de convivência, não era tão incomum que os ciclos se combinassem, mas era a primeira vez que aquilo coincidentemente acontecia em seus aniversários – já que tinham apenas uma noite de diferença. Era a noite perfeita para algo diferente e novo.

Felix agarrava os cabelos de Jisung, se inclinando para cima dele, esfregando seus corpos de forma tão necessitada que, se não fosse pelo combinado que fizeram mais cedo, Chan teria interrompido tudo logo no começo para atender aos desejos de seu ômega.

“Preciso que vocês confiem em nós. Nós preparamos uma pequena surpresa, mas vocês tem que cumprir um pequeno combinado, ou não vai dar certo.” Jisung disse, com as mãos juntas em frente ao seu corpo, enquanto observava os alfas sentados no sofá na sua frente.

“Eu estou sentindo o cheiro do Felix” Chan repete agitado pela quarta vez, já que nas primeiras três ele havia sido ignorado. Minho, ao seu lado, se remexia desconfortável. Seu próprio ômega estava na sua frente com roupas curtas demais, o cheiro doce de tangerina um pouco mais acentuado, mas saber que outro ômega no cio estava no quarto ao lado deixava seu lobo confuso, já que ele não era um alfa marcado. Ele queria agarrar as mãos de Jisung e o levar para outro lugar – talvez até as escadas de emergência do prédio e o foder ali mesmo já seria suficiente. “Ele está no quarto? Posso ir até lá?” Chan continua perguntando, uma perna balançando de forma ansiosa. “Ele está…”

“No cio. Sim. Começou ontem de noite, e o meu esta tarde.” No mesmo instante, um grunhido baixo ecoa de Minho, e Jisung sorri. Ele amava o lado ciumento de seu namorado. “Está tudo bem, querido, faz parte da surpresa. Você já vai poder entrar, Chan hyung, mas antes precisamos fazer alguns combinados.”

“Porque o Lix não está aqui também?” ele pergunta, ansioso, seu olhar indo do ômega a sua frente para o corredor e voltando. 

“Se ele estivesse aqui, iria pular em você sem pensar duas vezes. Eu sou o mais consciente para conversar com vocês antes. Então, chega de perder tempo. Vocês topam? Precisam concientizar antes para que isso funcione. Vai sair um pouco do… hm, comum.” o sorriso travesso de Jisung chama atenção de Minho. Ele se inclina para frente e apoia os cotovelos nos joelhos.

“Estou ouvindo.” ele fala, e Jisung sorri ainda mais, dando palminhas e pequenos pulinhos no lugar.

“Yay! Achamos que você seria o mais difícil de convencer. E você, hyung?” 

Chan suspira, e isso faz com que o cheiro de cerejas invada seu pulmão e seu cérebro. Ele precisava fechar os olhos, o silêncio vindo dos quartos o deixava maluco. Felix estava atrás de uma das portas, passando pelos sintomas do cio sozinho, mas estranhamente em silêncio. Sua cabeça tomba para trás, e ainda se controlando para não ignorar tudo e avançar em direção ao ômega, sua voz sai baixa. “Eu topo.”

Jisung comemora mais uma vez. Seu cheiro se intensifica e ele precisa pressionar as pernas, o movimento não passando despercebido pelos olhos atentos de Minho. “Ótimo! Vai ser assim. Tudo que vocês precisam fazer é sentar na cama e assistir. Não podem interromper até que um de nós dê o sinal. Só isso.”

Minho franze o cenho. Chan ergue a cabeça, confuso. “Do que você está falando?”

“Hyung, depois de todas aquelas noites nessa sala, achei que você estaria mais confortável com o que planejamos.” o piscar quase inocente de Jisung deixa Chan mais confuso. “Vocês sabem que eu e Felix temos um relacionamento que não é apenas amizade. Eu já conversei com o Minho sobre isso e sei que Felix conversou com você, hyung, e todos estão cientes e de acordo. Nós só pensamos… que seria um bom momento para mostrar a vocês como isso funciona.”

E foi dessa forma que eles acabaram ali, com Jisung agarrando a cintura de Felix e o ajudando a se equilibrar para não desabar. Os fios loiros grudados na testa e no pescoço, o resto do cabelo preso num coque quase desfeito, deixava Felix numa visão completamente pecaminosa. Ele parecia destruído na própria luxúria, a necessidade de mais toque e alívio enquanto a pele de seu corpo se avermelha; Chan quase consegue sentir o calor que emana dele. 

A camisa e shorts de Jisung estavam jogados no canto da cama, nas extremidades do ninho que Felix trabalhava enquanto o outro fazia os combinados com os alfas. Elas haviam sido descartadas no instante que o loiro o tocou, antes mesmo de beija-lo e posiciona-lo de joelhos na sua frente. Por pouco não ignora a presença de Chan, mas no último instante, ele sorri doce antes de começar a devorar a pele bronzeada do amigo. Chan e Minho precisaram se acomodar na cama por conta, um do lado do outro, quase se atrapalhando e caindo tentando não piscar ou desviar o olhar para não perderem um segundo sequer.

Agora, Jisung também se via a um fio de mergulhar completamente no próprio cio, se sentindo quente e agitado cada vez que seu estômago revirava e a lubrificação escorria por suas coxas, encharcando sua cueca e a deixando transparente – para a completa perdição de Minho, que assistia hipnotizado. 

Quando os dedos levemente calejados deslizam da cintura de Felix até o cós da cueca larga, agarrando o tecido e lentamente arrastando pelas coxas, Chan sente que vai explodir. É demais. Um pequeno vislumbre do membro ereto de Felix se torna visível e as mãos de Chan se tornam incontroláveis buscando por algo para se apoiar, segurar, apertar. Inconscientemente, seus dedos encontram algo firme e se agarra, finca as unhas enquanto simultaneamente morde os lábios e se remexe no lugar, totalmente instigado pela imagem diante de si. Minho desvia o olhar e o encara, surpreso por sua atitude inesperada, mas a ideia de afastar o toque do outro alfa de sua coxa sequer passa por sua mente.

A cueca preta cai nos joelhos de Felix, e ele sequer se dá o trabalho de parar o beijo para terminar de tirar a peça. As mãos de Jisung voltam para a cintura fina, agarrando quando o sente impulsionar para frente, o membro já gotejando sendo pressionado em sua barriga. Minho percebeu, e sentiu uma certa surpresa ao notar como os toques e carícias entre os dois ômegas pareciam familiar demais, certeiros demais. Jisung fazia a mesma expressão de dor e desejo, com as sobrancelhas franzidas enquanto tinha seu cabelo puxado; Felix já sabia que ele gostava daquela pequena dor específica. Quanto à Felix ele não saberia dizer muito, apesar das poucas vezes que já o viu sendo fodido por Chan na sala de estar, ele nunca dedicou muito tempo para prestar atenção no loiro quando tinha o próprio ômega entre suas pernas. Mas, a forma com que ele estava ajoelhado na frente de Jisung, seu corpo quase completamente em cima dele enquanto se entregava aos toques firmes, o fazia ter a vaga lembrança de como ele gostava da brutalidade. 

E Chan deve ter lembrado da mesma coisa, porque o aperto na coxa de Minho se intensifica quando as mãos de Jisung deslizam da cintura até a bunda de Felix, apertando e puxando. Sem racionalizar suas próprias ações, Minho desliza sua perna até que seu joelho se encoste no de Chan, só então atraindo a atenção do mais velho para o que ele não havia percebido antes. Ele não controla um sorriso divertido ao ver o rosto do alfa corar no mesmo instante.

Ainda que fosse um terreno desconhecido e houvesse tanto a ser pensado sobre, algo no fundo da mente de ambos não reconhecia qualquer estranheza na situação. Talvez fosse pelos feromônios fortes ou o ambiente tão sugestivo que os deixavam sensíveis, mas a atração não se limitava apenas aos ômegas. Onorgulho de seus lobos não permitiriam deixar isso ser verbalizado, mas se tornava quase insuportáve manter tudo aquilo internalizado.l 

Ali naquele quarto, naquele momento, não tinha espaço para orgulho ou confusão. Era apenas desejo, puro, promíscuo e mútuo, conduzindo todas as ações.

Foi por isso que, sem desviar o olhar, Minho desfez o laço de seu moletom e abaixou o cós junto da cueca, apenas o suficiente para liberar seu membro já desperto, mas não ousou se tocar. Invés disso, imitou a atitude inesperada de Chan: repousou sua mão na coxa do alfa mais velho, deixando uma sugestão pairar entre eles.

O som alto do beijo molhado, os gemidos e murmúrios, combinado com os cheiros frutosos dos ômegas foram os motivos de Chan não conseguir raciocinar direito. Movido unicamente pela mente preenchida dos feromônios vindo de todos os lados, levou uma mão até o próprio membro dentro da calça, apertando e se esfregando ansiosamente, tendo um pouco de dificuldade de se libertar do tecido. Seus olhos reviram e quase desfocam do que acontecia a sua frente. A outra mão, antes na coxa, vai sem pudor algum até o membro de Minho, o agarrando e bombeando simultaneamente.

“Porra” é a primeira coisa a ser dita naquele quarto, vindo num murmúrio de Minho quando começa a ser estimulado. Seu olhar se torna afiado para os ômegas, alheios ao que acontecia entre os alfas. Ele estava prestes a explodir, e aquela “surpresa” tinha recém começado. Ele não permite que qualquer pensamento racional relacionado à confusão de se sentir atraído por outro alfa o impeça, não naquele momento; sua mão apenas desliza pelas coxas de Chan até alcançar o pulso agitado, substituindo por sua própria mão.

E ainda que a combinação dos sons, cheiros, visão e toques simultâneos deixassem tudo ainda mais sensível, eles escolheram fazer o máximo de silêncio possível, não deixando suas pequenas ajudas serem percebidas, tudo para não interromper o que os ômegas pareciam tão dedicados a mostrar. 

“Droga” a voz rouca de Felix ecoa, quando seus dedos caem dos cabelos de Jisung até sua cueca, presos entre o tecido apertado e a pele quente. Ele olha para o outro com uma expressão brava, afastando seus lábios já inchados. “Porque é tão apertado?” ele precisa fazer certa força para agarrar e puxar para baixo, arrancando uma risada do outro.

“Eu gosto da sensação do aperto, e da marca que fica depois” ele diz, e Felix revira os olhos. Quando a peça chega, com dificuldade, na metade das coxas grossas, ele solta um resmungo.

“Que merda, Jisung, eu vou arrancar isso no dente!” ele esbraveja, e Jisung ri mais, sem qualquer intenção de ajudar o mais novo. Quando a cueca finalmente cai nos joelhos, Felix agarra seu membro, e o riso é instantaneamente substituído por um gemido doloroso pela dor que ele deposita em seus dedos. “Não está mais achando graça?”

“Lix-” ele murmura quando as mãos de Felix começam a trabalhar em si com pressa, não o dando tempo para raciocinar.

“Junta” ele sussurra e Jisung assente, desesperado, entendendo o comando. Sua mão agarra o membro de Felix e o bombeia algumas vezes antes de alinhar com o seu, substituindo a mão de Felix pela sua e começando a trabalhar em ambos. A sensação das peles sensíveis se chocando e sendo estimulados juntos faz Felix ver estrelas, sua cabeça tomba para trás e sua boca se abre, liberando todos os gemidos. “Ah, Sungie-”

Jisung não devia o olhar de seus membros juntos, focado em sua atividade. Ele usa as duas mãos para facilitar, e morde os lábios para conter os gemidos, tentando com toda sua força não se perder nas sensações e deixar seu trabalho desleixado. Assistir aquilo despertava dentro de Minho uma vontade absurda de se posicionar atrás do ômega e o elogiar, dizendo que ele estava indo muito bem, enquanto o fode lentamente para não distrai-lo. Era só uma das coisas que passava pela sua mente.

O quarto abafado fazia o calor dos ômegas se intensificar, principalmente por causa do cio. Jisung estava completamente nu, mas Felix se esforçava para manter a camisa de Chan em si, querendo o cheiro de seu alfa mais perto. No entanto, ele se sentia tão quente que estava quase insuportável com o tecido grudando em sua pele, por isso, ele se apressa em agarrar o cós da camisa e puxar, arrancando de seu corpo. 

Para a surpresa de Chan, ele não joga a camisa em algum canto. Invés disso, ele leva o tecido até o rosto e se esconde nele, respirando fundo o aroma do alfa. Um gemido alto escapa de si e é abafado, e logo em seguida seu quadril se impulsiona contra as mãos de Jisung. Sem tirar o rosto dali, Felix começa a estocar contra o pau do outro, deixando tudo mais intenso. 

Chan e Minho, perdidos na visão de seus ômegas juntos, nem perceberam quando suas mãos aceleraram um no outro, arrancando suspiros. Em algum lugar na racionalidade quase inexistente daquela situação, eles se perguntavam ironicamente quem eram os aniversariantes, já que aquilo parecia um presente enviado dos céus para eles.

A peça escura cai do rosto de Felix, revelando seu rosto corado e sua expressão quase deplorável. Havia algo que despertava o lado mais necessitado e submisso de seu lobo toda vez que deixava o cheiro de seu alfa se impregnar em seus pulmões. As mãos agitadas se agarram nos ombros de Jisung e ele junta seus corpos, pressionando os membros entre suas barrigas enquanto o movimento do ômega nunca diminui. Felix volta a beija-lo, mas é tão difícil com os gemidos e respiração escassa, que eles apenas lambem os lábios um do outro, provando o sabor doce e familiar que os fazia se sentir em casa. Mesmo que não acontecesse com tanta frequência, passar o cio juntos era uma das coisas favoritas de ambos que eles nunca abriam mão; ao menos um dos dias mais quentes eles precisavam estar grudados como estavam agora.

Porém, aquela noite era especial, porque eles poderiam ter um ao outro e ao seus alfas ao mesmo tempo. E lembrar daquilo fez Felix quase gozar no mesmo segundo.

“Sungie- eu não vou aguentar” ele murmura, e Jisung assente mais uma vez, o suor escorria por seu rosto e os dentes marcavam seu lábio pela força que fazia. “Bebê, o sinal, vou dar o sinal- eu preciso do meu alfa”

Jisung levanta o olhar para encarar o brilho nas orbes escuras de Felix. Ele sente que pode derreter ali mesmo, com a visão do ômega da sua vida, seu primeiro amor, tão lindo e tão perdido. Ele sequer cogita não ceder ao seu pedido.

Porém, no momento que ele vira seu rosto para dar o tão esperado sinal, o gemido que se esforçou tanto para segurar escapa alto demais. A visão atinge no fundo de seu ser, deixando seu lobo desesperado, e a lubrificação escorre em abundância por sua coxa. De tudo que ele esperava acontecer naquela noite, ver seu alfa ser masturbado por Chan enquanto ele retribui não estava na lista.

“Puta merda” Felix exclama, acompanhando o olhar de Jisung, e seus quadris respondem instantaneamente, estocando com mais força contra as mãos. “Não- não parem”

E os alfas também sequer cogitam não ceder ao seu pedido. As mãos trabalham com mais rapidez, e dessa vez eles não impedem os suspiros altos. Minho encara Jisung com ferocidade no olhar, sendo atentado pela expressão manhosa de seu ômega, como se implorasse por algo. Chan parecia ser o mais afetado, agarrando o lençol ao seu lado enquanto morde os lábios, desejando mais que tudo devorar cada pedaço de Felix.

Mais ninguém ali tinha forças para aguentar mais. Todos estavam nos limites, por um fio de explodir, e sem espantar ninguém, o primeiro a ceder é Felix. Ele olha nos olhos de Chan com os lábios se abrindo num pedido mudo, e estende a mão para si.

“O sinal é bem simples. Vocês podem agir quando eu ou Felix esticar a mão.”

Era o sinal.

Leva um segundo para que Chan entenda o que significava e ele logo se inclina, a mão de Minho saindo de seu membro. Ele engatinha na cama até que esteja perto suficiente para puxar o calcanhar de Felix, o desvencilhando de Jisung e inclinando-o até que esteja deitado com as costas na cama. Ele dobra as pernas do ômega de forma que seus joelhos estejam erguidos e então as abre apenas o suficiente para enterrar sua cabeça no meio, abocanhando o membro de Felix até a metade de uma vez só. O corpo erguido se curva e a boca se abre num grito sentindo o calor da boca de Chan ao redor de seu pau, seus olhos se fecham e, por instinto, ele agarra os fios escuros do alfa, descontando todas as sensações ali. 

Jisung, encarando o que acontece entre os dois bem a sua frente sem piscar, sente seu corpo entrar em chamas quando o grito de Felix se transforma em gemidos curtos e roucos. De repente, ele se sente sozinho demais, quase abandonado; o lado irracional de seu lobo no cio faz seus olhos lacrimejarem pela negligência, desejando ter um alfa tal qual seu companheiro. 

Mas ele tem, e se em um segundo ele se esquece, no outro ele vira o rosto para a outra extremidade da cama, vendo seu alfa confortável com suas costas encostada na cabeceira da cama, um sorriso pendendo no canto dos lábios. Era só questão de tempo até que ele lembrasse que tinha um alfa disposto a satisfaze-lo logo ao lado, e Minho sabia ser paciente.

Os olhos de corsa brilham pelas lágrimas, um bico grande nos lábios e o pau pulsando por atenção. É tudo que Minho precisa para fazer um pequeno gesto com os dedos, o chamando para si. Fungando, Jisung engatinha até ele, enquanto o alfa se remexe na cama até que esteja com a cabeça deitada nos travesseiros. Jisung para ao seu lado, esperando. 

“Senta” ele diz, e o bico de Jisung aumenta. Mas, sem protestar, ele passa uma perna para o outro lado do corpo grande e senta em seu quadril, se inclinando. “Mais pra cima.”

Jisung para de se mover e o encara, confuso. O som de sucção combinado com os gemidos manhosos de Felix ao fundo deixavam sua mente letárgica. “O que?”

“Senta no meu rosto, bebê.” Minho sorri, e Jisung sente seu peito explodir. Eles nunca haviam feito aquela posição antes, mesmo que Minho pedisse indiretamente, mas o ômega sempre contornava o pedido movido pela insegurança. Aquela era a primeira vez que o alfa verbalizava sua vontade.

“Ah- não, hyung, eu sou pesado, é melhor não- AH!” Minho agarra suas coxas, o puxando com força até que ele seja obrigado a estar na altura de seu peitoral.

“Eu te aviso se precisar de tempo” ele fala, e sorri docemente. Era difícil ver Minho sorrir daquela forma, aqueles eram momentos exclusivos dedicados apenas ao seu ômega. Ele queria dizer como ele não precisava se preocupar com peso, que ele era perfeito e que conseguiria aguentar ter seu ômega se acabando em seu rosto, mas isso daria espaço para Jisung pensar sobre suas inseguranças, e eles não tinham tempo. Jisung estava em seu cio e precisava de total atenção. “Se apoia na cabeceira e vai devagar” ele instrui, e dessa vez, puxa devagar as coxas de seu namorado. 

Ainda que um pouco relutante, Jisung se move até que seus joelhos estejam em cada lado da cabeça de Minho, completamente exposto ao seu olhar. Ele sente a vergonha, mas graças ao cio que tomava conta de si, ela estava escondida atrás de toda excitação e em entusiasmo de fazer algo novo com seu alfa. Ele passa as mãos suavemente por suas coxas e uma onda de lubrificação escapa, escorrendo por sua perna e pingando no peito de Minho fazendo o cheiro de tangerina invadir o olfato do alfa. Minho solta um grunhido alto, se controlando para não avançar e assustar seu ômega.

“Porra, seu cheiro me deixa louco” ele lambe uma gota quando ela chega a altura de seus lábios, o gosto doce tomando conta de seu paladar. A visão privilegiada que tinha naquela posição fazia seu pau se contrair involuntariamente, louco para devorá-lo. “Vem, deixa eu dar a atenção que meu bebê precisa”

Ele inclina a cabeça e passa a ponta da língua no pau de Jisung, o fazendo soltar uma pequena exclamação pela sensação. Movido unicamente pelo desejo, ele usa uma mão para se apoiar na cabeceira e a outra agarra o próprio pau, levando em direção aos lábios de seu alfa. Ao leve contato Jisung já tomba a cabeça para frente, abrindo a boca para tentar respirar melhor. A visão de cima ficaria marcada na sua cabeça por muito tempo, e no fundo ele se questionava porque não tinha feito aquilo antes. Quando metade de seu membro está acomodado na boca quente, a mão desliza de seu pau até o rosto de Minho, segurando sua bochecha como se fosse um carinho agradecido, os olhos nunca se desviando um do outro. A língua começa a trabalhar no que alcança e Minho precisa segurar as coxas do ômega com firmeza para garantir que ele fique no lugar.

“Hyung” ele chama, sussurrando, e se não estivessem tão próximos Minho não teria escutado, já que os gemidos de Felix estavam gradativamente se tornando mais altos. “e-eu não sei… não sei como fazer”

Uma das coisas favoritas na dinâmica entre ambos, e eles descobriram juntos, é que Jisung usava de sua inexperiência com alfas como vantagem para sempre aprender coisas novas – e Minho, como um ótimo complemento, adorava ensinar. 

Ele desliza as mãos das coxas até a bunda, enchendo a palma e impulsionando para frente, como se dissesse que era assim que Jisung deveria fazer. O pequeno incentivo faz a mente do ômega embaralhar, e por puro instinto ele agarra os fios castanhos e bagunçados do alfa com força. Antes que percebesse, já estava tomado pelo calor do cio e investia contra a boca do namorado como se nunca tivesse qualquer insegurança ou dúvida de como fazer.

Na outra extremidade da cama, os cabelos loiros se embaraçavam cada vez que Felix se debatia, descontrolado pela avalanche de sensações que recebia. Em algum momento entre sucções e cabelos puxados, Chan enfiou sem dificuldade alguma dois dedos dentro dele e os dobrava como se buscasse a alma de Felix para arrancar e tomar para si.

“Chan, meu Deus” ele exclamava e se arqueava, alternando entre afundar a cabeça no colchão e levantar o rosto para se deparar com os olhos escuros de Chan lhe encarando enquanto o chupava. “Ah, tão, tão bom…”

O movimento de vai-e-vem da cabeça combinava com os dos dedos, mantendo um ritmo nem muito acelerado, nem devagar – exatamente o que sabia que levava Felix à loucura, mas não ao limite.

Os feromônios que Felix exalava fazia o corpo inteiro de Chan queimar, sua pele suava na ânsia de tomar o ômega para si o mais rápido possível. Ele não conseguia tirar os olhos das reações tão genuínas, hipnotizado pela forma que Felix se entregava aos seus toques.

Então, Felix levanta seu rosto e o encara, os olhos quase fechados pela pressão, e as mãos antes no cabelo do alfa deslizam para seu rosto, arranhando suas bochechas enquanto impulsionava seu quadril para cima, estocando contra a boca que lhe dava prazer. É nesse momento que Chan percebe que ambos não podiam esperar mais, não conseguiriam aguentar mais.

Numa última sucção forte, que faz o ômega pressionar os olhos, Chan o retira inteiro da boca e deixa um selinho na ponta de seu membro e se levanta, ficando de joelhos. Felix não protesta, mas o olha como quem implora por algo mais.

“Porque eu acho que a ideia dessa surpresa foi sua?” ele pergunta, sorrindo, enquanto segura as duas pernas do ômega e as levantam até que os pés estejam suspensos e ele esteja completamente exposto. “Hm? Foi você quem sugeriu se exibir assim para dois alfas?”

“Eu só… só queria que vocês vissem eu e Jisung…” ele revira os olhos quando dois dedos voltam a contornar seu períneo, o arrepiando inteiro “Queria que vocês conhecessem esse nosso lado…”

“Porque?” um dedo ameaça entrar, e ele prende um riso na garganta quando vê Felix resmungar e se remexer abaixo de si. “Acho que tem algo maior por trás disso tudo, não tem?”

Felix estava sendo desmascarado enquanto era provocado, e ele poderia jurar que aquilo era uma espécie de tortura que não esperava receber.

“Coloca, Chan, por favor…”

“Me diga, minha princesa” ele se inclina e sussurra em seu ouvido, com o corpo completamente sobre o ômega e o dedo pressionando sua entrada “qual é o plano de vocês?”

Ele tem quase certeza que pode desmaiar. A cabeça ecoa um zunido alto e a respiração acelera, a lubrificação encharca os dedos de Chan e seu estômago revira, ansiando por algo que estava sendo negligenciado. Uma lágrima escorre por seu rosto e ele soluça.

“N-não tem plano” ele consegue mentir, apesar do desespero, e Chan sorri mais porque sabia que era mentira. “Só queríamos nos divertir…”

“E você está se divertindo agora?”

Seu orifício se contrai, implorando pelos dedos de Chan, e ele resmunga negando. Não, aquilo não era divertido, era torturante e ele só queria que Chan parasse com aquela provocação logo.

“Alfa, me fode” ele implora, e tudo que Chan pode fazer é sorrir, admirando como seu pequeno ômega estava deliciosamente destruído.

E ele decide que a provocação era suficiente. Suas mãos agarram as coxas pálidas de Felix e as força contra sua barriga, apenas para ter uma visão privilegiada de seu pau invadindo o orifício completamente lambuzado de lubrificação. O deslize é fácil, mas nem por isso deixa de ser apertado e quente, e Chan solta um grunhido rouco pela sensação de finalmente estar dentro de seu ômega, os feromônios doces invadindo seus sentidos e deixando sua mente nublada.

Um grito ecoa pelo quarto, simplesmente porque Felix não consegue controlar o alívio de finalmente ser preenchido. Chan não o da tempo para se acostumar, ele impõe um ritmo rápido enquanto sai e entra, conquistando cada centímetro. Uma mão de Felix segura com força nos cabelos de sua nuca, tentando buscar algum apoio mesmo que o loiro já estivesse deitado – a sensação era que iria desabar para além do colchão.

Chan se inclina para baixo, deixando seu rosto pairando sobre o rosto de Felix, seus dedos deixando marcas nas coxas devido a força que usava. A cama se movia devido às investidas brutas de Chan, o barulho alto dos corpos se chocando e os gemidos sôfregos do ômega eram impossíveis de serem ignorados, e foi pensando nisso que Felix lembrou que não eram os únicos ali.

Ele vira o rosto, e apesar de certa dificuldade devido ao corpo grande acima do seu, ele consegue espiar seu amigo do outro lado da cama. A visão que o atinge faz suas costas arquearem e ele se aperta ao redor de Chan, se sentindo ainda mais excitado.

As costas bem definidas de Jisung estavam um pouco curvadas para frente, sua testa apoiada na cabeceira enquanto olhava para baixo, um gemido fino e necessitado escapando de seus lábios. Uma de suas mãos segurava com força a cabeceira enquanto a outra agarrava os fios escuros do alfa deitado sob os travesseiros. E, a parte que sempre deixava Felix com as pernas tremendo e extremamente molhado, era ver a tatuagem grande na lateral de seu corpo – agora, em especial, observar como ela se movia enquanto os quadris trabalhavam para foder a boca de Minho fazia a lubrificação de Felix pingar nos lençóis. 

Era a visão do paraíso, mas queimava como se estivessem no inferno.

“Você vai assistir eles transarem bem atrás de mim enquanto eu te fodo?” Chan rosna, mas Felix não identifica quaisquer tom de ameaça ou raiva. “Você é bem ganancioso, não é?” sua voz está ofegante pela frequência de suas investidas.

Os ombros de Jisung tremem como se ele estivesse soluçando, e Felix nota dois dedos de Minho enterrados dentro do ômega, a lubrificação translúcida escapando pela borda e escorrendo pelo pulso. 

“Ngh, hyung” Jisung geme quando se afunda mais na garganta de Minho “sua boca é tão- tão quente…”

Felix sorri ao ouvir as palavras de seu ômega. As bochechas pintadas de sardas e coradas pelo calor do cio foram decoradas pelos lábios inchados repuxados em um sorriso deleitoso, e ele revira os olhos. Chan observa fascinado, mas também se questionando o que se passava na cabeça do mais novo.

Ao ver o olhar questionador de seu alfa, Felix se inclina para cima até que sua boca esteja rente ao ouvido de Chan. As investidas nunca param e faz seu corpo balançar, mas Chan desacelera apenas para absorver as palavras de Felix.

“O Jisung ama ter seu pau aquecido em uma garganta funda” ele sussurra, e Chan para instantaneamente, pego desprevenido pelas palavras ditas em um tom tão doce. “Normalmente era na minha.”

Os ombros do alfa tensionam, e ele não se move. Felix não consegue ver seu rosto, mas sequer precisa, ele apenas começa a esfregar o nariz perto da glândula de cheiro perto da orelha como se o que tivesse dito fosse algo pequeno e banal.

Mas aquilo fez o lobo de Chan tremer. Ele rosna tão profundo que até mesmo Jisung se arrepia, sentindo uma pressão pela presença do lobo de Chan, e ele desvia a atenção de Minho para olhar para trás bem a tempo de ver Chan se mover rapidamente para meter em Felix, tão fundo que o ômega grita em espanto. 

Desta vez, ele não se dá ao trabalho de ir e voltar dentro de Felix. Ele sentia que estava beirando a loucura, tendo imagens dos dois ômegas se dando prazer, o rosto de Felix enterrado entre as pernas de Jisung enquanto este se contorce na cama, gemendo o nome de seu ômega e implorando para ser fodido logo. A culpa sequer chegava até ele, já que Felix parecia entregar essas imagens por livre e espontânea vontade, como se quisesse ver a reação de seu alfa desejando ter os dois ao mesmo tempo. 

Combinando a loucura por um fio e a leveza na consciência pelos pensamentos mais obscenos possíveis, Chan começa a investir em Felix sem dar tempo sequer para respirar. Ele se afasta apenas o suficiente para tomar outro impulso, vez atrás de vez, indo cada vez mais fundo e atingindo o ponto mais sensível de Felix com força.

E Jisung reconhece a expressão de desespero antes de gozar no rosto de Felix, já o tinha visto incontáveis vezes de incontáveis maneiras. O cenho franzido e olhos arregalados, encarando os olhos de quem o fode como se implorasse por algo, mesmo que sua mente estivesse incapaz de formular qualquer pedido. A boca está aberta e os gemidos se tornam curtos, finos e altos, penetrando os ouvidos de todos ali presentes.

O corpo de Jisung treme com a visão, os dedos de seus pés se fecham e ele sequer percebe quando seu ventre se contrai, indicando que estava chegando em seu clímax sendo estimulado pelos sons e visão de Felix e Chan combinado com seu pau enfiado tão fundo na garganta de Minho. O alfa, já reconhecendo os sinais tão característicos do namorado, segurou em sua cintura e sem assusta-lo o puxou para trás, tossindo um pouco quando teve sua boca livre. Isso chamou atenção de Jisung, principalmente por ter seu orgasmo inusitadamente negado, e ele olha para o mais velho sem entender.

“Ainda não, bebê” Minho sorri e respira fundo, sentindo o peso de Jisung ser depositado em seu peito. “Estamos só começando”

“Mas-” Jisung tenta, mas Minho aperta suas coxas e sorri. Ele se inclina para se sentar, e Jisung desliza o corpo até que tenha o pau do alfa pressionando contra sua bunda. Ele se esfrega algumas vezes, sua lubrificação natural se espalhando pelo membro como se estivesse o preparando.

Minho enterra o rosto no pescoço de Jisung, grunhindo baixinho enquanto sente ser estimulado, se questionando como poderia ficar tão excitado com pouco. Minho e Jisung eram quase extremos opostos: enquanto Minho tinha uma vasta lista de experiências sexuais com outros ômegas, e tivesse um certo apreço por dinâmicas mais precisas – preliminares nunca o tinha chamado muita atenção até conhecer o ômega que estava em cima dele –, Jisung tinha até mesmo vergonha de admitir que Minho era seu primeiro alfa – ele omitiu a informação até o terceiro encontro deles, que foi quando foram pra cama pela primeira vez e se tornou impossível esconder esse fato, já que Jisung não tinha experiências com alfas.

Quando Jisung teve seu primeiro cio, Felix estava ao seu lado. Ele não implorou por um alfa, apenas implorou por ajuda. Jisung tinha péssimas lembranças com os alfas de sua família, o que o fez ficar arredio por muitos anos. Quando Felix o ajudou, ele percebeu que era possível sentir prazer com ômegas e não viu problema em nunca ter um alfa para si. Felix sabia como o satisfazer, sabia onde tocar, o que falar, como se portar, era mais que suficiente.

Mas o tempo passou, e diferente de Jisung, Felix já havia dormido com alguns alfas e sabia o prazer do outro lado da moeda. Desde o início havia um acordo que cada um poderia viver sua vida sexual da forma que quisesse, apesar de Jisung não ver qualquer interesse em ter alguém além de Felix. Era comum para ômegas que os cios se intensificassem mais com o passar dos anos, quanto mais um ômega ficasse mais velho e não tenha procriado mais a necessidade de um alfa se tornava persistente. Jisung sabia disso, sabia que eventualmente sentiria que seus cios ficarem mais difíceis de serem suportados, e quando aconteceu ele chorou no colo de Felix e implorou por perdão, dizendo que ainda se excitava com o ômega, mas seu corpo estava o traindo porque ele não conseguia se sentir satisfeito. Felix o beijou por todo o rosto, acolheu seu choro e disse que sabia que uma hora isso ia acontecer, e se o ômega estivesse disposto, ele ajudaria a encontrar um alfa decente que o faria feliz e apagaria todas as memórias ruins.

Assim, através do seu primeiro amor, Jisung conheceu o alfa mais encantador, gentil e carinhoso que já viu. Minho era tudo que os contos de fadas prometiam e mais um pouco, já que seus defeitos em nada o deixava menos desejável. Ele foi extremamente paciente com Jisung, tão cuidadoso na primeira vez de ambos que ele quase não conseguia acreditar que aquilo era possível. Um ano e alguns meses haviam se passado e, às vezes, ele ainda se pegava pensando como teve tanta sorte em sua vida.

E aquilo foi muito estranho para Minho. Não um estranho ruim, mas algo que ele se pegou curioso para entender. Ele era sim um homem romântico, mas não costumava ser delicado ou tão cuidadoso; era apenas respeitoso com os ômegas que tinha casos. Jisung o despertou um lado que ele não sabia ter, e todos os dias descobria um pouco mais de si graças ao outro – como agora, em que ele não sentia a necessidade de ir direto para o objetivo final, apenas queria aproveitar o tempo e fazer de tudo para dar todo o prazer ao seu ômega. 

Tudo que girava ao redor deles deixava Minho intrigado, e diferente do que esperava, também o deixava com muita vontade de continuar para saber o quanto mais poderia se apaixonar por Jisung. Era incrível como cada dia que passava, ele se apaixonava um pouco mais.

Seus dedos se apertam na pele e Jisung geme baixinho, o som se misturando aos estalos altos dos corpos de Felix e Chan ao fundo. “Minho, eu tô quase… quero sentir você” ele agarra o cabelo do mais velho e aumenta a pressão de sua bunda contra o membro de Minho, arrancando um gemido baixo dele.

“Então senta em mim” ele murmura, raspando os dentes na pele do pescoço, arrepiando o mais novo “senta bem gostoso enquanto escuta seu ômega sendo quebrado ao meio.”

Jisung aperta seu corpo contra o de Minho e para seus movimentos, tremendo com a fala do namorado. Ouvir de sua voz o que estava acontecendo naquele quarto o fez atingir um limite, e ele precisa parar e respirar fundo, concentrando sua mente tão afetada pelo cio para não gozar contra a barriga de Minho.

“Isso te excita pra caralho, não é?” Minho ri fraquinho, acariciando a bunda empinada do ômega. Jisung soluça, seu pau pulsando por atenção. “Eu posso imaginar o quanto você imaginou isso, ser fodido tendo seu ômega logo ao lado, te ouvindo e te vendo. Eu sei a perversidade que você esconde atrás desses olhinhos de corça.”

“Porra, eu vou gozar” Jisung choraminga, tremendo mais. Por impulso do desejo do cio, ele move desajeitadamente seu quadril até que seu pau se esfregue contra a barriga do alfa, e ele solta um gemido choroso.

“Goza, bebê, está tudo bem. Eu faço você gozar de novo depois, enquanto me monta.” Jisung aumenta o ritmo, quase desesperado, e Minho aperta sua bunda o ajudando. “Pode vir, está tudo bem, eu seguro você.”

Jisung descobriu muito rápido o quanto gostava quando seu parceiro – Felix ou Minho – eram vocais, quando conversavam com si, fosse o provocando ou com palavras doces. No entanto, era sempre quando reafirmavam como estava com ele, como o seguraria e como estava tudo bem se libertar, que fazia Jisung atingir os orgasmos mais intensos. Minho descobriu sozinho, e desde então, tem feito bom uso da descoberta.

Com um gemido alto, jogando a cabeça para trás e expondo o pescoço, Jisung deixa o calor do cio o queimar de dentro pra fora e goza na barriga de Minho, parando os movimentos para tremer no colo do namorado. Ele o segura com força, grudando os corpos e beijando em todo lugar que alcançava pela pele de Jisung – pescoço, peitoral, atrás da orelha, queixo, tudo que podia.

É no intervalo de recuperar o fôlego de volta que eles ouvem, do outro lado da cama, o rosnado alto de Chan quando ele finalmente goza dentro de Felix. Minho abre apenas um olho para espiar por cima dos ombros de Jisung, sem nunca parar os carinhos, só para ver os olhos de Felix revirados e a boca aberta em um perfeito ‘O’, um grito mudo preso na garganta enquanto tremia embaixo do corpo grande do alfa. Era uma visão excitante pra caralho, e o pau de Minho pulsa contra a bunda de Jisung, observando como eles eram bonitos juntos. Os feromônios que ambos exalavam era absurdo, tão doce que Minho quase podia sentir em sua língua o sabor de cerejas e tangerinas. Por um segundo ele desejou estar no lugar de Chan – e ele deixaria para sentir a culpa disso em outro momento.

“Eu quero mais” Jisung sussurra encostando a bochecha na de Minho, ainda tremendo pelo recente orgasmo. O cio não o permitia ficar tanto tempo excitado sem sentir a necessidade de ser preenchido. “Minho, por favor, está doendo”

“Me diz onde dói” ele pede, desviando o olhar quando Chan e Felix voltam a se beijar lentamente, o alfa parado na mesma posição e Minho deduziu que era por conta do nó preso dentro do ômega. O cheiro intenso dos feromônios que vinha de ambos deixava sua mente zonza.

“Dentro” Minho assente, mesmo que já soubesse. Ele apenas gostava de ouvir tudo que se passava na cabeça do ômega, principalmente quando ele não conseguia pensar direito ou ter algum filtro. Certa vez Jisung tentou brigar com ele dizendo que ele tirava proveito, mas obviamente a discussão não foi pra frente; Minho tratou de provar como aquilo era proveitoso para ambos, não apenas para si mesmo.

“Assuma o controle. Eu sei que você consegue.” o alfa deixa um beijo delicado em sua bochecha, sorrindo para a expressão pidona do namorado, e volta a deitar sobre os travesseiros. Suas mãos descem pela coxa bem definida até alcançar as mãos que estavam repousadas em sua barriga. Ele entrelaça os dedos nos finos e levemente calejados do ômega. “Vamos, seja um bom garoto para mim.”

O queixo de Jisung treme, levado pela frase de Minho que parecia impregnar em sua mente. Aquela não era sua posição favorita; Jisung ficava cansado muito mais rápido do que gostaria, além de sempre ter a voz da insegurança ressoando o dizendo para não apoiar todo seu peso no corpo do namorado – mesmo que este já tenha deixado bem claro que o peso que erguia na academia quando fazia elevação pélvica já havia ultrapassado o peso do ômega. Porém, aquela noite era especial em tantos níveis que não podia deixar estragar tudo com suas inseguranças, então ele engole em seco e assente, piscando ansioso quando uma das mãos se solta para agarrar o pau atrás de si, fazendo breve movimentos de vai-e-vem antes de levantar o corpo e se posicionar.

Jisung percebeu que, em todas as vezes que transaram durante o namoro, não houve sequer uma vez que Minho não fez a mesma expressão toda vez que penetrava Jisung. Era indescritivelmente apertado e quente, quase como se o ômega fosse virgem em todas as vezes que estavam juntos. Certa vez ele perguntou e Jisung não soube dizer exatamente o motivo, mas contou que era comum que alguns ômegas não tivessem uma dilatação tão vantajosa – ele guardou pra si o medo que sentia no fundo do peito todas as vezes que pensava pelo que teria que passar quando engravidasse, mas sabia que era cedo demais para ter aquela conversa. Casualmente ele comentou que Felix era bem melhor que ele no quesito dilatação, e Minho quase engasgou com a vitamina que tomava na hora.

Ele fecha os olhos com força e respira fundo, sentindo a ponta de seu pau ser esmagada pela pressão que fazia sempre que o invadia. A dilatação natural, principalmente no cio, ajudava bastante mas nunca impedia o leve incômodo, principalmente para Jisung, que precisava morder os lábios e se concentrar no prazer que sentiria depois. Quanto mais Jisung descia lentamente, menos ele conseguia segurar os murmúrios pela ardência de ser penetrado.

Minho abre os olhos e se depara com a expressão de incômodo de Jisung. Nas primeiras vezes que transaram, o alfa insistiu muito para parar no meio, com medo de machucá-lo, mas Jisung garantia que estava tudo bem e era normal, só precisava se concentrar. Eventualmente Minho parou de insistir, mas só quando descobriram juntos que muito melhor que a concentração era a distração da dor, por isso, ele leva a mão livre até o membro de Jisung, que já voltava a endurecer.

Ele esfrega a mão devagar, espelhando o resquício de gozo por toda a extensão para criar uma sensação mais suave, e parece surtir efeito porque Jisung finalmente solta um suspiro afetado. “Tudo bem?” ele pergunta baixo.

Jisung assente. “Sim, eu consigo, está quase passando.” ele desce mais um pouco e rosna pela fisgada que sente. “Droga, Minho, porque você tem que ser tão grosso? Não ria!”

Mas Minho não consegue segurar o sorriso grande. Ele já tinha ouvido aquele comentário, mas em circunstâncias diferentes – soava mais como elogio, e não reclamação. “Ah, bebê, não fale como se você não gostasse.”

“Eu te odeio” ele resmunga, e solta um gemido alto de dor e prazer misturados quando finalmente senta completamente, com o alfa inteiro dentro de si. “Porra, dói, mas é tão bom!” ele tenta se mexer, mas Minho o impede.

“Ainda não, pode machucar. Espera um pouco.” o ômega faz um bico, e como resposta Minho aumenta a velocidade da mão. “Só um pouco, seja paciente. Você planejou toda essa noite, sei que não quer que ela acabe assim.”

“Está doendo aqui” Jisung leva a mão até abaixo do umbigo, indicando o ventre. “quero estar cheio.” ele se inclina devagar, até apoiar uma mão no peito de Minho e a cabeça pairar sobre a sua.

“Cheio?” ele pergunta e Jisung assente.

“De você” ele rebola mais uma vez, lento, suspirando quando a lubrificação finalmente começa a fazer mais efeito e seu corpo começa a dilatar sem que haja risco de se machucar. “Inteiro, até vazar.”

“Puta que pariu, Jisung” ele fecha os olhos de novo, porque a necessidade de foder o ômega parece incontrolável. Jisung sorri, rebolando mais, aplicando um ritmo que o ajudava a aumentar gradativamente. “eu preciso te foder, droga, não fala essas coisas.”

“Você só finge ser durão, mas é tão sensível, amor” ele volta a erguer o corpo, e a mão desliza novamente até encontrar a do alfa, e agora eles tinham ambas as mãos entrelaçadas. “com tão pouco você já está quase perdendo o controle.”

“Você causa isso” ele abre os olhos e percorre por todo o corpo do ômega, o tom de pele bronzeado e brilhando pelo suor, a tatuagem na lateral do corpo e o maldito piercing no umbigo. O piercing que deixava Minho louco, que quase o fez cair de joelhos aos pés do ômega quando se conheceram. “Você é tão gostoso.”

Jisung sorri com os dentes, afetado pelo elogio. Ele amava ser admirado e elogiado, ainda mais quando podia se exibir para o namorado e ele lhe recompensava da melhor maneira possível. Quando sente que está pronto, começa com movimentos devagares de subir e descer, suspirando pelo deslize e o espaço conquistado, agradecendo internamente ao cio por fazer o incômodo passar mais rápido do que das outras vezes. Minho pisca demoradamente, não querendo perder a visão de seu ômega gradualmente se entregando às sensações de se foder em seu pau.

Algumas mechas do cabelo bagunçado de Jisung caem em seus olhos, as bochechas corando pelo calor se espalhando em seu corpo e Minho percebe que não pode mais se segurar. Ele aperta os dedos entrelaçados e levanta o quadril no exato momento que Jisung senta, causando um atrito mais intenso e arrancando um gemido de ambos.

Depois, não há mais espaço para controle. Jisung se sustenta apenas nas mãos de Minho, confiando na força de seus braços para aguentar o peso que ele deposita enquanto toma impulso para quicar, a velocidade aumentando cada vez que Minho vocaliza mais seus gemidos e incentiva o ômega a ir mais rápido. 

Uma gota de suor escorre da lateral do rosto do ômega e desce até chegar em seu peito, onde outra tatuagem menor pintava a pele. Aquele pequeno detalhe explode a cabeça de Minho, que precisa se sentar e leva sua boca direto à tatuagem, lambendo como se estivesse sedento. Ele quase delirava sempre que sentia o gosto salgado do suor misturado ao cheiro forte de tangerina, causando uma sensação agridoce aos seus sentidos.

Sem conseguir acessar seu lado racional, seus caninos se afiam e ele os raspa acima da tinta preta, enviando uma onda de arrepios pelo corpo de Jisung. O desejo da marca era mútuo, mas depois de algumas conversas eles chegaram a conclusão que ainda era cedo demais. Isso não eliminava o instinto primitivo de reivindicar aquele ômega para si na primeira oportunidade.

Jisung agarra os fios de sua nuca, puxando a cabeça do alfa para afasta-lo. Aquilo fazia seu lobo uivar em desprezo, uma marca negada era torturoso para um ômega, mas por vezes ele precisava ser a cabeça racional durante os cios. Era muito mais difícil assumir esse papel quando o cio era de Minho, mas ele tinha conseguido contornar a situação todas as vezes.

“A-amor” ele soluça, buscando a boca de Minho para beijar apesar dos solavancos do corpo enquanto usava todas as suas forças para sentar em seu namorado. “Ainda dói, faz passar, p-por favor”

Dentre as várias coisas que Jisung descobre gostar durante o sexo, uma das que ele nunca teve dúvida era seu apreço por ser manuseado como bem quisessem. Era quase como se ele não tivesse capacidade de fazer algo por conta, sentindo um prazer absurdo em deixar todo seu corpo à mercê de quem o controlava. Por isso, ele sequer pensa em lutar contra quando Minho segura sua cintura e levanta seu corpo, sem nunca sair de dentro dele, e deita suas costas no colchão.

Jisung não tem tempo de prestar atenção no que acontecia ao redor antes de Minho voltar ao ritmo rápido e fundo de suas estocadas, balançando seus corpos e fazendo os ouvidos do ômega serem invadidos pelo som das peles se chocando. As pernas se enrolam ao redor da cintura do mais velho, dando mais acesso para que Minho fosse ainda mais fundo, rosnando baixo cada vez que sentia sua virilha bater contra a bunda do ômega.

De repente, a dor em seu ventre começa a se dissipar, sendo substituída por um revirar quente irradiando por todo seu corpo. Jisung só consegue gemer e afundar a cabeça nos lençóis, tão entregue que no fundo sabe que não aguentará muito tempo. Um grito escapa de sua garganta subitamente quando Minho atinge seu ponto mais sensível e ele agarra os tecidos abaixo de si, sentindo estar por um fio de explodir.

“Você está indo muito bem, querido” ele ouve um sussurro em seu ouvido, acompanhado de um carinho em seu cabelo, e seu corpo treme violentamente quando reconhece a voz. Não era seu alfa que estava o elogiando daquela vez.

Era Felix.

Seus olhos se abrem com dificuldade e ele olha para o lado, as lágrimas que nem havia percebido inundar seus olhos borrando sua visão, mas ainda conseguia distinguir o sorriso doce de seu ômega. Sua boca se abre em puro deleite, o corpo começando a dar espasmos indicando o que estava prestes a acontecer.

“Felix-” ele chama, e Felix sorri ainda mais, acenando com a cabeça. “Felix, eu, eu-”

“Shh, está tudo bem, eu tô aqui.”

Jisung não tem certeza. Aquilo parecia mais um de seus tantos sonhos eróticos em que imaginava ter seu alfa e seu ômega na mesma cama, lhe dando toda atenção que sempre desejou. Ele pisca algumas vezes, as unhas quase rasgando o tecido pela força que descontava, o pau de Minho o fodendo forte e fundo não deixando espaço para que sua mente processe tudo que estava acontecendo. 

O último golpe que quebra Jisung ao meio é no momento que Minho se inclina em sua direção e segura sua mandibula, forçando seu rosto para o lado na direção de Felix, enquanto começa a distribuir beijos por seu pescoço. Felix ainda faz um carinho em seu cabelo que diverge da força com que seu corpo é levado ao limite, e Jisung apenas se entrega. No instante que sente o nó de Minho inchar e o invadir, seu corpo cede e ele finalmente se liberta, encarando o os olhos apaixonados do outro ômega enquanto atinge o melhor orgasmo de sua vida. Leva algumas poucas estocadas fundas até sentir ser preenchido quando Minho também goza, raspando seus caninos em seu pescoço ameaçadoramente.

Quando tem a certeza de que estão presos pelo nó, Minho solta o rosto de Jisung para deslizar a mão por seu pescoço até chegar em sua costela, passando o braço por baixo de seu corpo e o abraçando. Ele afunda o rosto no pescoço do ômega e respira fundo, dividido entre sentir cada mínimo resquício do orgasmo, recuperar a mente e não sufocar Jisung com o próprio peso. A mente do alfa está barulhenta, preenchida com imagens de seu ômega tão entregue para si e gozando enquanto chama por outro ômega. Em outras circustâncias ele provavelmente sentiria ciúmes – ele sempre teve problemas com ciúmes em seus outros relacionamentos – mas, daquela vez, tudo parecia tão certo que tinha a impressão de não fazer sentido sentir ciúmes.

Mesmo quando tinha outro alfa na cama, bem ao seu lado, assistindo ao seu ômega num momento tão íntimo. Mesmo aquilo seria o suficiente para fazer Minho explodir em raiva em outros tempos, mas agora, seu lobo parecia tranquilo demais com a presença do outro alfa. Não havia qualquer ameaça.

Felix não para de fazer carinho nos fios castanhos de Jisung mesmo quando ele involuntariamente fecha os olhos, entregue à exaustão do orgasmo e do cio temporariamente saciado. Observar como Jisung e Minho estavam tão juntos era lindo e enchia o peito de Felix de uma felicidade que ele não achava algum dia ser capaz de sentir, ainda mais por ver o garoto por quem era tão apaixonado começando a amar outra pessoa.

Ele sente um carinho em sua panturrilha e desvia o olhar, se deparando com os olhos intensos de Chan lhe encarando. Ele estava sentado, ainda com o nó inchado e preso em si, e uma das pernas de Felix enrolava sua cintura enquanto a outra estava erguida e apoiada em seu ombro, qual o alfa fazia carinho. De repente, a felicidade que explodia no peito de Felix se dissipa momentaneamente, reparando na expressão carregada do namorado. Ele sabia que tinha muitas perguntas para responder, muitas questões a serem debatidas, e no fundo de sua mente ele queria acreditar que a forma como as coisas haviam corrido naquela noite era um sinal de que não resultaria em finais ruins. Porém, não podia ter certeza disso.

E aquilo estava começando a assustá-lo.

“Tudo bem?” sua voz é rouca e baixa, e ele leva a outra mão até o joelho do alfa de forma carinhosa. Chan não pisca, mas o tempo que leva hesitando para responder faz seu peito apertar.

“Uhum.” ele responde apenas, acenando levemente com a cabeça. Coincidentemente ou não, eles sentem o nó desinchar e Chan se apressa para se desvencilhar de Felix, se afastando até sentar na ponta da cama.

A súbita distância de Chan pega Felix desprevenido, e ele da uma última olhada no casal adormecido ao seu lado antes de também se sentar, ignorando o incômodo no quadril e a sensação do esperma escorrendo e sujando os lençóis. Ele se arrasta até ficar de joelhos atrás de Chan, pousando suas mãos nos ombros largos e desnudos, apoiando o queixo em um dos lados.

“Mesmo? Vou entender se tiver algo te incomodando.” Chan não o olha, sequer se mexe, encarando o chão enquanto bate o indicador no próprio joelho.

“Acho que foi tudo muito repentino, sabe. Não deu tempo de pensar direito antes.” ele diz depois de um tempo em silêncio. “Jisung apareceu todo ansioso propondo algo grande, mas eu não conseguia pensar em outra coisa que não fosse você aqui no quarto, sozinho e com os sintomas do cio. Eu fui mais levado pela preocupação com você que qualquer outra coisa, e…” ele suspira “não sei se isso era o que deveria ser.”

A culpa atinge direto no peito de Felix. Talvez fosse o cio que deixasse sua mente sensível e seus sentimentos confusos, porque normalmente ele era mais racional que emocional, mas seu corpo se tensiona com o medo de Chan ter se sentido usado.

“Eu estava bem. Enquanto Jisung conversava com vocês, eu só estava aqui montando o ninho.” Ele se ajeita e senta ao seu lado, mas com os pés ainda na cama, tentando olhar em seus olhos mesmo que Chan desviasse o olhar. “E se um de vocês negasse, o Jisung iria pra casa do Minho e você ficaria aqui comigo. Você podia negar, Chan…”

“Mas eu não conseguiria.” ele suspira mais uma vez. “Eu não estou culpando você ou o Jisung, eu juro, eu sei que eu podia dizer não e no fim ainda estaria com você.” Ele passa uma mão pelo pescoço, e Felix percebe suas orelhas vermelhas. “Acho que eu só queria mais tempo para pensar, mas a resposta ainda seria sim.”

“Seria?” Felix parece confuso, e quando Chan finalmente o olha, seu corpo se arrepia.

“Eu sei como você ama o Jisung. E sei como ele ama você. Eu nunca seria capaz de ver o ômega por quem sou perdidamente apaixonado sendo afastado do que ele ama.”

Felix pisca algumas vezes, sua cabeça embaralhada com a avalanche de emoções e perguntas. “Eu sei que já conversamos sobre isso, Chan, mas o que aconteceu aqui… Não foi só uma fantasia sexual sendo realizada.”

“Eu sei.” ele acena.

“E você está mesmo bem com isso? Não tem nenhuma parte em você que quer recuar? É totalmente compreensível se você quiser, eu só achei que-”

Chan corta sua linha de raciocínio quando segura o queixo do ômega e o beija, sem aprofundar, mas forte o suficiente para impedir que Felix continuasse pensando daquela forma.

“A gente só vai precisar ter mais daquelas conversas legais e sem filtro que temos depois de transar.” ele diz, sorrindo contra os lábios do ômega. “Mas se te faz feliz, eu sei que eu também serei feliz. E honestamente, deve ser efeito do seu cio e minha cabeça ainda deve estar afetada pelo orgasmo, mas eu não consigo pensar em nenhuma forma que isso não seja uma boa ideia.”

“O que quer dizer?” Felix sussurra, se sentindo mais leve, raspando seus lábios nos do alfa.

“Amor…” ele solta uma risadinha, e suas mãos agarram sua cintura, o puxando para mais perto. “Em que universo um alfa não se sentiria o filha da puta mais sortudo no mundo tendo dois ômegas na sua cama?”

Felix se afasta, a boca aberta em falso espanto, fingindo estar ofendido. Ele da um tapa no peito de Chan, o que arranca uma risada alta do mais velho. “Seu tarado! É nisso que está pensando? Em ter dois ômegas pra você?” Chan continua rindo, ainda apertando a cintura de Felix, mas este cruza os braços ainda fingindo estar indignado. “Caso você tenha esquecido, tem outro alfa nessa brincadeira também, Bang Chan.”

“Bem” ele diz em meio ao riso, e Felix precisa se esforçar para fingir o papel e não derreter ao ver os olhos pequenos quase sumindo por conta do sorriso no rosto do alfa. “acho que isso não me incomoda, o que é surpreendente, e, hm… algo que eu também preciso pensar.”

Felix finalmente desfaz a postura, descruzando os braços e se arrastando até sentar no colo de Chan, uma perna de cada lado. “Não pense que eu esqueci do que vi. Vocês pareciam estar bem parceiros enquanto assistia eu e Jisung.” o rosto de Chan instantaneamente cora, e dessa vez é Felix quem ri. “Vocês dois são um tesão juntos. Acho que essa noite foi melhor do que planejávamos.”

“Eu concordo com isso.” eles ouvem uma terceira voz, e ambos se viram para ver Jisung os observando com olhos cansados, porém sorrindo. “Foi tipo um presente de aniversário pra nós.”

“Vocês dois são ainda mais tarados que nós.” Minho reclama, ainda abraçado a Jisung, espiando o outro casal com apenas um olho enquanto tem seu rosto parcialmente escondido pelo pescoço do ômega. “Nem me sinto culpado por compartilhar o pensamento de Chan de ter dois ômegas. Vocês conseguem ser piores.”

Felix ri ainda mais, e Jisung dá um tapa no braço de Minho, fazendo bico enquanto o rosto cora. “Em nossa defesa” Felix começa “não somos tarados, apenas sabemos apreciar quando dois alfas gostosos se masturbam mutualmente. Ninguém seria louco de não se excitar com isso.”

“Será que podemos mudar de assunto?” Chan pede, escondendo o rosto no peito de Felix, o que aumenta sua risada.

“Será que podemos não ter assunto nenhum?” Minho reclama logo depois, e dessa vez quem ri é Jisung. “Está tudo bem? Alguma dor?” ele sussurra no ouvido do ômega, subitamente preocupado.

“Não, nenhuma dor. Estou ótimo.” ele responde no mesmo tom, virando seu rosto até seus narizes se encostarem. “E você?”

“Não poderia estar melhor.” o alfa deixa um beijo em seus lábios, se mexendo um pouco para ter certeza que o nó havia desinchado. “Mas vou sair antes que machuque.” Jisung acena em concordância e solta um pequeno gemido quando Minho se afasta.

O alfa se levanta e ajoelha no meio da cama, jogando o cabelo suado e bagunçado para trás. Ele respira fundo e olha ao redor, procurando por algo, e esse pequeno momento de distração não passa despercebido pelos olhos de Jisung, que morde os lábios pela visão de seu alfa tão gostoso e nu bem na sua frente.

Ele arrasta um dos pés até encostar na coxa do alfa, chamando sua atenção, e quando Minho percorre os olhos pela perna até chegar nos rosto do ômega sorridente, ele arqueia uma sobrancelha.

“Você é muito gato.” ele murmura, e Minho segura um sorriso e revira os olhos.

“Vou pegar água.” ele responde, e Jisung apenas assente. Quando o alfa sai da cama, ele percebe Felix estirado no colchão, o rosto escondido nas mãos, e Chan já não estava mais ao alcance dos olhos. Ele se arrasta pela cama até deitar a cabeça na barriga de Felix.

“Eu não acredito que realmente fizemos isso.” Jisung é o primeiro a falar quando percebe que estão sozinhos no quarto.

“Acho que o Chan está segurando uma crise existencial para não me preocupar.” o ômega comenta, e Jisung o olha de baixo, preocupado. “Ele disse que estava mais preocupado comigo do que realmente pensando no que ia acontecer.”

“Ele resistiu um pouco, realmente estava preocupado com você.”

“Acho que não foi uma boa ideia.” Felix diz baixinho, e Jisung abraça sua cintura, fazendo carinho perto do umbigo. 

“Vamos conversar com eles. Primeiro a sós, depois nós quatro juntos. Vamos dar um jeito pra isso dar certo.” ele tenta confortar Felix, mas o outro suspira.

“E se não for pra dar certo? E se eles não quiserem? A gente já pediu demais quando falamos do nosso relacionamento e que não queríamos abrir mão… trazer eles pro meio disso pode ser demais.”

“O Chan é tão apaixonado por você, ele faz de tudo pra te fazer feliz. Porque ele negaria isso?”

“Exatamente por isso.” Felix repousa sua mão encima da de Jisung, apertando levemente. “Tenho medo que ele faça isso apenas pra me ver feliz, mesmo que não seja o que ele quer.”

Jisung se apoia em seu cotovelo e olha para Felix de cima, um pouco inquieto.

“Se eles aceitarem fazer isso por vontade própria, significa que não será apenas eu e Minho e você e Chan.” Felix o olha, entendendo o que o ômega quer dizer. “Significa que também será… Eu e Chan, e você e Minho.”

“Já conversamos sobre isso.” Jisung assente. “Quer voltar atrás?”

“Depois de hoje…” ele morde os lábios, seus olhos capturando cada expressão no rosto de Felix. “eu não sei se sou capaz de simplesmente deixar pra lá e desistir. Acho que não consigo voltar atrás.”

“Nem eu.” Felix responde, mas nenhum dos dois sorri. O peso da decisão começando a cair sobre os ombros de ambos, porque tudo dependia da decisão dos alfas, e levados por um desejo de algo maior acabaram em uma situação delicada. 

Porque nenhum dos dois queria abrir mão daquilo, mas precisariam se seus respectivos namorados não aceitassem. Aquilo podia abalar a relação entre todos eles.

Num cômodo não muito distante do quarto, a tensão também era quase palpável entre os alfas. Chan se ocupava em preparar dois sanduíches com geleia de morango, enquanto Minho cortava alguns pedaços de melancia. O silêncio era desconfortável, não porque não queriam estar ali, mas porque ambos queriam falar algo e não sabiam se podiam.

Chan foi o primeiro a tomar coragem.

“Você não é uma ameaça para mim.” ele diz, e Minho para o movimento da faca no meio da fruta, pego desprevenido.

“O que?”

“Digo” ele balança a cabeça, desajeitado. “não me sinto ameaçado por você, sabe. Mesmo depois do que rolou, não sinto ciúmes.” ele não desvia o olhar do que está fazendo, levando tempo demais para preparar dois simples sanduíches. “Meu lobo está estranhamente calmo com você por perto.”

No entanto, Minho o olha com os olhos semicerrados, tentando acompanhar a linha de raciocínio.

“O que quer dizer?” ele volta a cortar a fruta.

“Quero dizer que você não precisa se sentir ameaçado comigo por perto também.”

“Não me sinto.” ele dá de ombros, quase como se estivesse despreocupado. Mas não estava mentindo, e saber daquilo martelava na sua cabeça.

“Ótimo. Porque não acho que vai ser a única vez, e se depender daqueles dois, as coisas podem ficar muito diferentes.”

Um silêncio se instaura na cozinha, apesar da mente de Minho trabalhar acelerada naquilo. Quando ele termina de cortar, larga a faca na tábua e apoia as mãos no mármore.

“Você está ok com isso? Com tudo que aconteceu e tudo que estamos prestes a nos tornar?” ele pergunta, e Chan também para. Ele olha para o alfa, um pequeno sorriso despontando no canto de sua boca.

“Eu quero fazer o Felix feliz. Mas, pra ser sincero…” seus olhos percorrem todo o rosto de Minho, absorvendo os detalhes que assombrariam sua mente quando parasse para pensar sobre suas decisões. “acho que isso também me faria feliz.”

Minho pisca, internamente concordando com Chan. Algo em si dizia que não era uma má ideia, que tinha chances de tudo aquilo dar certo, mas ainda havia questionamentos que rondavam sua mente.

A principal de todas era porque ele se sentia tão atraído por outro alfa, de forma que apenas deixar esse pensamento vir à superfície o assustava? Ele era assim tão mente fechada e com preconceitos enraizados que o impediam de levar aquilo como algo normal?

Mesmo quando Jisung conversou consigo, dizendo que era apaixonado por outro ômega, levou um bom tempo para ele entender que não tinha nada de errado naquilo. Não sobre a questão moral de uma pessoa namorar outra sendo apaixonada por uma terceira, mas em sua cabeça, o que era mais absurdo que aquilo eram dois ômegas juntos. Eles precisaram de muitas conversas – mais especificamente, Jisung precisou ser muito paciente para responder todas as dúvidas e desconstruir os conceitos do namorado de que aquilo era algo errado. Agora, Minho entendia que, realmente, dois ômegas se amando podia ser tão comum quanto um ômega com um alfa.

Agora, se auto-inserir num contexto em que ele, um alfa criado em um ambiente tradicional, estaria se sentindo genuinamente atraído por outro alfa, era quase que demais para sua própria cabeça.

Mas, nem de longe, ele estava negando sentir tudo aquilo. Era apenas uma hesitação, e ele queria acreditar ser comum, como quando alguém sente medo do que é novo. Embrulha o estômago, faz suas mãos suarem e seu peito disparar, mas a vontade de saber até onde pode ir fala mais alto.

Ele observa Chan. Observa mesmo, seus braços muito maiores que os próprios, peitoral bem definido e a pele tão clara que era possível ver as marcas avermelhadas de unhas feitas por Felix. Seus olhos percorrem até o rosto levemente corado, o cabelo em cachos amassados, e o cheiro suave de maresia misturado com cerejas. A combinação inusitada e perfeita. 

Mesmo que ele tentasse, era impossível negar a atração que sentia. E porque tentaria negar? O que o fazia ficar tão hesitante de aceitar como outro alfa mexia consigo? Mesmo Jisung, que poderia ser usado como desculpa, parecia aceitar aquela ideia muito bem.

Levado por uma súbita irritação de toda aquela confusão dentro de sua mente, Minho se desencosta do mármore para andar determinado em direção ao outro alfa, segurando em seu braço com certa força e o virando até que estejam frente a frente. Chan arregala os olhos, pego de surpresa, mas não tem qualquer instinto de afastá-lo quando Minho o prende contra a bancada e avança em seus lábios.

Chan não reage a primeiro instante, sentindo os lábios presos contra os seus, e mesmo sem aprofundar ele podia sentir o gosto doce de tangerina. A lembrança do que fizeram enquanto assistiam aos seus namorados juntos invade sua mente, e é levado pelo súbito calor que sobe em seu corpo que ele segura a cintura do alfa, o trazendo para mais perto. 

Aquele pequeno gesto soa como um sinal na cabeça de Minho, como uma bandeira verde o dando liberdade para continuar. Ok, ele pensa, não sou o único atraído por outro alfa. É recíproco.

Em algum momento entre a realização de ser recíproco e lentamente matar os receios enraizados em sua mente, um dos dois aprofunda o beijo – ninguém saberia dizer quem teve a iniciativa – e o choque das línguas ainda marcadas pelo gosto dos ômegas envia uma rajada de adrenalina por seus corpos, causando uma sensação indescritível. Era surreal como aquilo era tão bom, e parecia tão certo, mesmo sendo inesperado. 

Era verdade que aquela atração havia sido lentamente estimulada a um bom tempo; todas as vezes que tiveram seus momentos de intimidade com seus ômegas na mesma sala, a um sofá de distância, serviu como fagulhas que alimentavam um fogo que parecia queimar naquele momento. Tudo parecia como um acordo silencioso de ser apenas fetiches de assistir e ser assistidos, sem aprofundar muito. 

Aquela noite realmente tinha servido como portas abertas para algo diferente e novo. E tanto Chan quanto Minho estavam dispostos a ir adiante.

Eles se afastam para tomar fôlego, e Minho ainda está de olhos fechados quando Chan aperta os dedos na sua cintura, sem real vontade de afastá-lo.

“O que-” a fala do mais velho é cortada no mesmo segundo.

“Por favor, não pergunta o que foi isso. Não agora.” Minho pede, e vira o rosto para não o encarar. 

Chan segura a risada entre os lábios franzidos, achando graça no visível surto interno que o outro alfa estava tendo.

“Ahm… eu ia perguntar, na verdade, o que você acha de levar os sanduíches e frutas para eles, antes que eles se tornem pequenas ferinhas famintas e nos devorem.” o rosto de Minho cora, e ele o olha de canto de olho. Chan sorri mais. “Nós precisamos conversar, sim, mas acho que a essa altura essa conversa pode esperar.”

Minho pigarreia e concorda, dando um passo para trás e se desvencilhando do toque de Chan. “Hm, tem razão. Temos dois ômegas no cio para alimentar. E se demorarmos mais-”

“Vocês estão aí!” Felix exclama enquanto caminha pelo corredor, indo em direção a cozinha. Quando percebe os dois alfas sem jeito e se afastando mais, um se virando para organizar tudo na bancada e outro começando a revirar armários, seus passos desaceleram. “Está tudo bem? Interrompi algo?”

“Não, meu bem, não interrompeu nada.” Chan diz, ainda de costas. “Está com fome?”

“Faminto. Jisung me mandou pra cá pra ver se estava tudo bem, ele está com um pouco de dor pra levantar.”

“Dor?” Minho se vira pra ele, com dois copos na mão que imediatamente apoia na bancada. “Dor do cio?”

“Hm, não… mais da sensibilidade, sabe.” o rosto de Minho é tomado por preocupação, e Felix nega com as mãos. “Ele não está machucado, hyung, eu conferi. Só está sensível mesmo. Mas mais que isso, ele está com fome.”

Minho assente e se apressa em buscar água gelada, enchendo os dois copos. Chan arruma uma bandeja com os sanduíches e frutas, e Felix vai até o banheiro em busca de duas cartelas de bloqueadores, voltando para deixar na bandeja. Chan encara a cartela com metade dos comprimidos já destacados, e então olha para Felix.

“Vocês ainda estão tomando esses bloqueadores?”

“Tínhamos parado, mas desde que descobrimos que nossos cios seriam juntos e pensamos na noite de hoje, resolvemos voltar a tomar.” ele dá de ombros, abraçando o próprio corpo coberto por um robe azul claro. “Não precisa se preocupar, quase não tem nenhum risco.”

“Tem certeza? Eu li que esses bloqueadores são tão nocivos quanto os inibidores.”

“Isso é matéria sensacionalista para fazer os ômegas procriarem mais. Os estudos avançaram e agora temos muito mais provas que as possíveis complicações são facilmente reversíveis.” ele diz, caminhando na sua frente pelo corredor enquanto os alfas o seguem. “Fiquem tranquilos, ainda vamos ser capazes de ter filhotes, só não precisamos nos preocupar com isso agora.” ele sorri antes de abrir a porta que estava encostada.

Jisung estava sentado na cama encostado na cabeceira, enrolado apenas em uma manta fina de cetim e mexendo no celular, mas larga o aparelho no instante que vê os outros entrando no cômodo.

“Eles fizeram sanduíches e prepararam frutas, não são os alfas mais atenciosos do mundo?” Felix comenta enquanto engatinha até se sentar ao lado do ômega, deixando um beijo em sua bochecha.

“Acho que somos os ômegas mais sortudos que existem.” Jisung sorri, vendo Chan colocar a bandeja na frente de ambos. Minho caminha pelo seu lado da cama e se inclina para si.

“Felix disse que está com dor, quer que eu pegue alguma pomada? Analgésico? Toalha quente?”

“Hyung” ele ri, achando adorável sua preocupação. Suas mãos vão até o rosto do alfa e ele deixa um beijo na ponta de seu nariz. “está tudo bem, de verdade, é só um incômodo chato que sempre sinto. Logo logo já passa.”

“Mesmo?” Jisung assente, ainda sorrindo. “Ok. Então coma bem e descansa.” ele deixa um beijo na testa do ômega, antes de alcançar um pedaço da melancia e levar até a sua boca, o alimentando. “Feliz aniversário, ferinha.”

“Vocês são lindos juntos, mas as vezes são nojentos.” Felix comenta, rindo, e Minho o encara com olhar sarcástico.

Chan está sentado atrás do ômega, abraçando sua cintura e cheirando excessivamente o pescoço agora exposto por conta do cabelo loiro preso num rabo de cavalo. “Feliz aniversário” ele diz, mordendo o lóbulo da orelha e apertando Felix contra si quando ele começa a se debater pela cócega.

Minho acaba focando demais naquela demonstração de carinho, um pouco distraído, mas seu rosto explode em vermelho quando de repente Chan ergue o olhar para si, discretamente, sem nunca deixar de cheirar Felix.

Deus, sua mente poderia entrar em curto circuito a qualquer momento, ele tinha certeza.

Apesar disso, eles passaram longos minutos numa atmosfera calma, observando seus ômegas se alimentarem bem enquanto conversavam sobre coisas banais. Um dos principais assuntos era os bloqueadores que estavam tomando, que servia literalmente como um bloqueio para que o útero do ômega não se fecunde depois do nó do alfa. Aquilo resultava em sintomas do cio mais moderados, o que explicava porque ambos pareciam muito mais consciente do que supostamente deveriam estar sobre os efeitos do cio. Aquela conversa evoluiu para um tópico usualmente sensível que era gravidez, mas a leveza e intimidade que tratavam daquilo fez a conversa fluir tranquilamente. Felix admitiu que pensava em filhotes, e Chan se mostrou animado, porém não teceu nenhum comentário sobre fazerem aquilo juntos. Já Jisung não verbalizou nenhum pensamento sobre ter seus próprios filhotes, apenas aproveitou do momento para fofocar sobre outra ômega de seu trabalho que estava grávida. 

Os sintomas mais fortes do cio voltaram uma hora e meia depois, mas apenas para Jisung – Felix havia cochilado no peito de Chan, que estava concentrado demais no jogo em seu celular para acordá-lo. Nem Minho nem Jisung viram problema em resolver o calor que o ômega sentia ali mesmo, dessa vez num ritmo lento já que Minho insistia na preocupação de não machucar Jisung. Eles transaram devagar, sussurrando obscenidades no ouvido um do outro, e vez ou outra Chan desviava o olhar da tela do celular apenas para observar como Minho parecia foder Jisung tão bem.

Aquela noite poderia trazer muitos pensamentos confusos, mas de alguma forma, todos ali sabiam que tudo aquilo estava caminhando para algo muito melhor do que imaginavam.