Work Text:
Marvin nunca vai a sex shops. Nunca.
Antes, ele considerava que brinquedos eram coisa de quem não se garante, para alguém cujo sexo é tão sem graça que precisa de algo mais para tornar mais agradável.
Até que ele conheceu Whizzer.
Whizzer tinha alguma variedade de brinquedos. Claro, viciado em sexo e em compras, isso não surpreendia ninguém. E não é como se ele tivesse o Quarto Vermelho do Cristian Grey ou algo do gênero, mas mesmo assim era muito mais do que Marvin sequer achou que existia.
E ele convenceu Marvin a experimentar. Não forçou a barra, obviamente, apenas perguntou se ele queria assistir Whizzer se masturbando com um vibrador e, uau, Marvin rapidamente abandonou seus preconceitos.
Ele ficou sentadinho na cadeira, colocada por Whizzer de frente para a cama deles, sendo ordenado a não se tocar, sob ameaça de ser amarrado. Olhou tudo com os olhos brilhando, babando como um cachorro admirando um frango assado.
Whizzer, um exibicionista nato, se deliciou com toda a atenção que estava recebendo, deixando as pernas bem abertas para Marvin ver o máximo possível. Ver o brinquedo deslizando para dentro e para fora de Whizzer, imaginando que podia ser ele proporcionando aquele prazer.
O próximo passo foi aceitar Whizzer usar os brinquedos em Marvin. Marvin é péssimo em dizer o que quer, então é preciso estar atento e perguntar. É raro que ele tome a iniciativa, ainda mais com coisas consideradas "pouco másculas".
Mas não demorou muito para eles testarem isso também. Eles estavam estirados no sofá, se beijando, quando Marvin pediu para Whizzer usar "aquela coisa que parece um microfone e vibra" nele.
Marvin deitou no sofá, nu da cintura para baixo, deixando Whizzer se acomodar entre suas pernas. Suando de ansiedade e antecipação, como sempre fazia quando iam experimentar algo novo.
A vibração parecia um pouco ameaçadora, mesmo na potência mínima. Whizzer o tranquilizou, dizendo que não tinha perigo nenhum e que, se quisesse parar, bastava avisá-lo para desligar o brinquedo.
Marvin disse que ele não era um medroso. Ele consegue dar conta de Whizzer, então nada mais o abala.
O primeiro toque do brinquedo na pele de Marvin é em sua coxa. Só para ele ver como é. Então foi subindo, subindo e subindo até seus quadris empinarem involuntariamente. Whizzer riu e Marvin corou.
Sua respiração já estava ofegante quando o brinquedo tocou em seu pênis. As unhas do mais velho cravam no tecido do sofá e na pele de Whizzer. Quando o aparelho toca sua glande, ele uiva e joga a cabeça para trás.
"É tão bom, não pare, não pare..." é o que ele repete enquanto se contorce de prazer quando as vibrações aumentam em um, depois dois níveis.
Whizzer observa tudo com uma paixão um pouco sádica. Ele, intocado, controlando quanto prazer o amado vai sentir. É divertido.
Ele diz que Marvin só pode gozar se pedir direitinho, senão ele vai desligar e guardar o brinquedo. Em resposta, Marvin choraminga e implora, por favor, por favor, por favor, eu faço tudo que você quiser, por favor, tudo mesmo, e Whizzer aumenta ainda mais a intensidade. Marvin literalmente chora, duas ou três lágrimas escorrem do seu rosto enquanto ele soluça e arqueia as costas.
Whizzer finalmente cede e diz que ele pode gozar. Ele geme tão alto que talvez as vizinhas tenham escutado, talvez o síndico do prédio mande uma repreensão, mas nada importa quando ele tem Marvin chorando e reclamando de superestimulação lindamente, com rosto corado e barriga e coxas sujas de porra. Daria uma bela foto.
Eles se limpam com uma toalha úmida e se aconchegam de conchinha na cama. Whizzer lembra Marvin que ele prometeu "fazer tudo que você quiser, tudo mesmo". Marvin pergunta como ele quer gastar esse vale e Whizzer responde que eles deveriam almoçar no restaurante mexicano que inaugurou na rua de baixo qualquer dia. Eles riem, preguiçosos e sonolentos. Marvin diz que acha um preço justo a se pagar e ambos caem no sono.
Certo, Marvin não tem mais nenhum problema em Whizzer usar brinquedos sexuais e nenhum problema em usá-los. Mas ir a um sex shop é algo que ninguém pode convencê-lo a fazer.
Imagine se alguém descobre? Imagine se ele encontra um conhecido? Imagine se seu filho o vê? Imagine que humilhação? Imagine que cenário hipotético horrível que provavelmente não vai acontecer e, mesmo que aconteça, só vai virar uma situação constrangedora que os envolvidos só vão fingir que nunca aconteceu?
Mas, sinceramente, Whizzer não reclama. Porque, graças à sua aversão a adentrar qualquer loja voltada para produtos sexuais, às vezes Marvin faz a coisa mais sexy do mundo (na opinião de Whizzer, é claro): lhe entregar o cartão de crédito na mão e dizer "vai lá e compra o que quiser que eu pago".
Essa sequência de palavras quase o causa um orgasmo.
A compra da vez foi uma coleira. Uma coleira com guia, mais especificamente. Preta e de couro, bem bonita, e um pouco cara. Eles haviam mencionado pet play há um tempo, então veio em boa hora.
Marvin faz uma careta ao vê-la, mas Whizzer sabe que é só pose e ele logo cede. Eles conversam sobre os planos para a noite e Marvin expõe o pescoço para Whizzer colocá-la. A cor escura contrasta lindamente com a pele clara do homem, e ele fica ainda mais lindo nu, ajoelhado no chão com a cabeça apoiada na coxa de Whizzer, como um cachorrinho obediente. Eles ainda estão falando sobre limites, o que querem ou não querem fazer, mas Whizzer já descobre que Marvin se derrete quando ele o puxa pela coleira.
Whizzer ensina alguns truques ao amado, como faria com um cachorro de verdade. Senta, deita, rola, dá a pata, gira, e Marvin aprende muito rápido, esperto como é.
A noite termina com Whizzer lhe deixando o foder, já que se comportou tão bem. Whizzer se apoia na cabeceira da cama, com Marvin logo atrás, segurando seus quadris com uma força que provavelmente vai deixar marcas. O ritmo é feroz, febril, como o de um animal que não consegue se controlar.
Então Whizzer o puxa pela guia e o manda desacelerar. Quando Marvin está quase gozando e acelera sem querer, Whizzer puxa mais um pouco e manda-o desacelerar de novo. Ele faz isso até Marvin estar arfando e ofegando loucamente, como se tivesse acabado de sair de uma maratona.
"Quer gozar?" Ele pergunta, puxando a guia até Marvin tossir de sufocamento. Marvin acena rapidamente com a cabeça, de qualquer forma. "Então late."
Marvin, completamente desprovido de seu habitual sarcasmo áspero e senso de constrangimento graças ao subespaço, obedece. Não é bem um latido, parece mais um husky chorando ou um frango morrendo, mas é tão patético e adorável que Whizzer considera seu esforço.
"Bom garoto" Ele dá um último puxão, antes de Marvin gozar em um gemido alto, precariamente abafado por uma mordida no ombro de seu amado. Ele continua metendo mesmo depois do orgasmo, mesmo depois de sentir a dor da superestimulação, e Whizzer goza em sua própria mão, completamente satisfeito.
Eles se limpam, Marvin se deita na cama e se acalma. Whizzer acaricia seu rosto, dizendo que ele estava lindo e se comportou direitinho e que está morrendo de orgulho.
Quando Marvin já está mais consciente, eles começam a conversar. O que Marvin precisa (um abraço e um cafuné, por favor), como ele se sente (satisfeito e carinhoso, porém cansado) e tudo mais.
"Minha próxima compra vai ser um plug com rabinho, o que acha?" Whizzer pergunta enquanto brinca com o cabelo do namorado. Ele pode estar falando sério ou brincando, só depende de como Marvin interpretar.
Ele sorri, de olhos fechados, acomodado contra Whizzer.
"Compra um bem bonitinho. Sem olhar o preço. Eu pago."
