Chapter Text
「 Jungwon 🔮 」
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O sol já estava se colocando entre as montanhas que cercavam a pequena cidade de Rosewhisper ao mesmo tempo em que a lua nascia no horizonte do mar. O brilho alaranjado do pôr do sol, juntamente com o céu de um tom mais claro de azul se fundindo com o tom mais intenso de turquesa, deixa a paisagem outonal da cidade misteriosa, e ainda assim acolhedora. No ar, o cheiro de maresia se misturava aos aromas das bebidas quentes e dos doces típicos daquela época do ano. O vento frio obrigou a maior parte das pessoas a usar roupas quentes e casacos pesados.
Jungwon caminhava rapidamente pelas ruas irregulares de paralelepípedo. Mais uma vez o garoto havia se deixado levar pelos desvios de seu mais novo romance e quase perdera a hora. O bruxo de cabelos lilases e ondulados ainda não estava atrasado, mas sabia que se não andasse depressa chegar na biblioteca ao qual administrava em cima da hora. E se havia uma coisa que Jungwon não tolerava era a hipóteses de atraso em seus compromissos, mesmo aqueles que não faziam diferença se passassem um pouco do horário.
Naquela hora de fim de tarde na rua central de Rosewhisper estava começando a ficar mais movimentada. Híbridos de diversas espécies começaram a organizar suas barracas para o mercado noturno. Fadas pixies passandom flutuando por todos os lados, deixando um leve rastro brilhante para trás. Um grupo de feéricos afinava seus instrumentos musicais no mirante de madeira branca que ficava no lado sul da praça, colocando que naquela noite eles se apresentavam ali. Algumas crianças bruxas brincavam ao lado da fonte central da praça, e até mesmo um casal de vampiros já podia ser visto entre uma pequena multidão.
Como em qualquer outra cidade pequena, a praça da rua principal era o coração do comércio e lazer. Em volta dela estavam os pontos comerciais e culturais mais frequentados pela população: o mercado noturno, o antigo teatro, a loja de porções e feitiçarias que era administrada pela tia de Jungwon, a padaria e a sorveteria, e por fim, a biblioteca ao qual Jungwon trabalhava.
A biblioteca Moonlight foi construída pelos ancestrais de Jungwon quando a cidade não passava de uma vila remota à beira mar. Por fora, a fachada da construção de dois andares com tijolinhos claros, janelas em arco de vidro e emolduramento em madeira que eram envolvidas por trepadeiras dava a impressão de que a biblioteca era um espaço compacto e simples. Contudo, algumas vezes as aparências enganavam, e o Moonlight era um bom exemplo disso.
Jungwon desacelerou o passo quando já estava chegando na Moonlight, conferindo em seu relógio de bolso que a caminhada rápida de sua casa até ali havia o ajudado a chegar no horário de costume. Antes de entrar na biblioteca, o bruxo aproveitou para observar o mar um pouco mais abaixo, a rua principal começava perto das montanhas e terminava onde a areia começava, assim, era possível observar ambos os cenários da praça central, dependendo de qual direção orientada.
- Eu deveria separar um tempo pra fazer uma caminhada na praia... - O garoto murmurou para si mesmo. Jungwon estava passando por um bloqueio estressante criativo com o novo livro que havia começado a escrever, as ideias e tramas que normalmente fluíam com facilidade agora eram silenciosas. Talvez uma caminhada à beira mar o ajudasse a ter inspiração.
"Essa é a sétima vez que você fala isso só essa tarde"
Uma voz levemente exasperada soou com clareza na mente do bruxo. Jungwon olhou para baixo onde seu familiar já estava parado na porta da biblioteca, o olhando com os grandes e intensos olhos dourados e uma expressão entediada que os felinos dominavam com perfeição. Em momentos como aquele o garoto tinha a impressão de que Nix só não o arranhava pois era seu familiar, e não um gato comum.
Nix estava com Jungwon há exatos dez anos. Todo bruxo passando por uma cerimônia de ligação quando chegava aos doze anos: a cerimônia acontecida durante uma festa com todo o covil, onde a debutante demonstrava as habilidades mágicas que desenvolveram nos primeiros doze anos de vida e esperava que um familiar - seres antigos e misteriosos que assumiam formas animais - se identificassem com a essência de sua magia e se tornasse seu guardião.
Considerando a genética que Jungwon possuía, não foi surpresa para o garoto, e nem para o resto do seu covil, quando o gato cinza da raça persa e olhos de um dourado intenso caminhou até onde o jovem bruxo estava sentado: no centro de um círculo de velas e atração de flores, exatamente no meio de uma clareira. Nix havia se deitado sobre o seu colo, o encarado por alguns segundos, e então começando a proferir o encantamento da ligação em sua mente, os unindo.
A partir daquela noite, Nix nunca mais saiu do lado de Jungwon. A ligação entre um bruxo e seu familiar permitia que eles estivessem conectados até o final de suas vidas, eles eram capazes de se comunicar entre si mesmo através de longas distâncias, ver o que o outro via como se fosse um corpo só, sentir o que o outro sentido, e compartilharem energias e magias.
Nix havia se tornado o único que Jungwon conhecia tão bem quanto ele próprio, o único que o bruxo permitia ver todas as suas fraquezas. Contudo, ser tão íntimo assim de outro poderia ser cansativo às vezes, principalmente quando se era o familiar de um escritor dramático e com bloqueio criativo. Jungwon entendeu o humor ácido de Nix naquela tarde; No final, ele próprio estava mal-humorado por conta de sua incapacidade de conseguir inspiração.
O bruxo fez um breve carinho atrás das orelhas felpudas do gato como pedido de desculpas antes de destranar a porta da biblioteca. Nix podia parecer ranzinza por fora, mas sempre se derretia quando ganhava carícias, virando um verdadeiro gato dengoso - outro de muitos aspectos que ele dividia com Jungwon.
Assim que entrou em Moonlight, o garoto foi tomado pelo familiar e aconchegante cheiro de livros e madeira, sentindo um peso sendo aliviado de seus ombros apenas por estar em seu favorito local no mundo, cercado por histórias, conhecimento e silêncio.
Diferente de sua fachada simples, a parte interna da biblioteca era descomunal; parecia um órgão vivo - e era, de certa forma. Da porta de entrada era possível ver coleções de estantes de livros, com alturas que as escadas só conseguiam alcançar até a metade das prateleiras, um dos motivos pelos quais apenas membros da família de Jungwon conseguiram administrar o local. A outra razão foi que a Moonlight havia sido feitiçada para auxiliar seus guardiões, porém acabou se tornando rabugenta, e começou a obedecer apenas a linhagem de seus fundadores - as vezes ela se recusava a abrir algumas portas para outras pessoas, ou impedia que os livros fossem retirados das prateleiras e até mesmo escondia os pertences pessoais dos clientes e só devolvia quando bem procurado.
O teto do Moonlight também foi feitiçado, assim como grande parte das coisas que pertenciam aos bruxos, e imitava o céu noturno com perfeição, mudando as constelações exibidas a cada estação - graças a uma magia antiga. Em algumas noites, era possível ver chuvas de meteoros ou cometas, quando a biblioteca estava de bom humor.
Além das estantes, várias portas, passagens e escadas levam para outros cômodos da biblioteca: salas de leitura privada, arquivos e almoxarifados, uma gráfica para a impressão de novos exemplares e outros milhares de salões com estantes de livros e espaços para descanso e contemplação. Diversas pessoas já haviam se perdido dentro do lugar, até que a avó de Jungwon decidiu abrigar fadas duendes na biblioteca - em troca de abrigo e proteção, elas ajudavam sempre que encontrassem alguém perdido entre os labirintos das salas.
Vários metros de distância da porta de entrada, praticamente no centro do imenso salão de recepção, ficaram uma das diversas escadas do Moonlight. Subindo os degraus da estrutura em formato de caracol, você chegava à área de informações e atendimento, onde ficava a mesa de trabalho de Jungwon. Dali de cima era possível ver quem entrava e saia da biblioteca, além de ficar em fácil acesso para aqueles que precisam de ajuda para encontrar.
Jungwon subiu para a escada, se aproximando de sua mesa e retirando a bolsa que carregava, a colocando dentro de um dos compartimentos do móvel de madeira escura. Dentro da bolsa havia apenas o caderno grosso de couro que o bruxo havia designado para escrever seu livro - o mesmo segue em branco e com algumas folhas arrancadas.
Suspirando em frustração, Jungwon desceu para o andar térreo, enquanto Nix sumia para algum outro cômodo, provavelmente indo tirar um cochilo em sua poltrona preferida. O bruxo entrou em um pequeno depósito logo ao lado da escada, onde os livros que os clientes pegavam e não guardavam novamente em suas estantes - e aqueles que eram devolvidos após o empréstimo - eram arquivados até que fossem devolvidos aos seus lugares.
No início da semana, antes do horário de abertura da biblioteca, Jungwon catalogou aqueles livros para depois organizá-los de volta em suas estantes. Acendendo as luzes flutuantes do depósito, o bruxo sonoro para a primeira pilha de exemplares, passando os próximos minutos recitando os títulos em voz alta, enquanto uma pena ia anotando as informações em um livro de ata que ficou sobre uma pequena escrivaninha.
Após terminar de catalogar e colocar os livros em um carrinho, o garoto saiu do depósito, seguindo para um dos corredores que levavam vários outros salões cheios de estantes. Todo bruxo nascia com compatibilidade para manipular um dos quatro elementos principais - terra, fogo, água ou ar -, o de Jungwon era o ar; graças a isso, ele conseguiu levitar os livros e armazená-los sem precisar se esforçar.
Sua habilidade em dominar o ar foi um dos motivos pelos quais a avó de Jungwon, matriarca da família e do covil, o designou como guardião da Moonlight. Outra razão foi o fato de o bruxo conhecer o lugar como se fosse sua própria casa. Quando criança, Jungwon havia passado mais tempo escondido entre aqueles que estavam brincando com outros da sua idade. Aos seis anos, o bruxo já estava passando mais tempo estudando e lendo em uma das salas privadas do que na mansão da família - desde cedo lutar para se moldar a um padrão que, anos depois, entendeu que não o cabia.
O pequeno Jungwon tentou desesperadamente se superar pois, diferente de todos os seus pais, amigos e membros do covil, ele era um mestiço. Segundo a sociedade, seu sangue não possuía um DNA puro e poderoso como o dos outros. Seu pai era um bruxo, e sua mãe uma híbrida de felino, ao nascer com essa mistura de raças Jungwon teve suas limitações - algo que algumas pessoas à sua volta fizeram questão de lembrá-lo em todas as oportunidades.
Até os doze anos, antes de firmar a ligação com Nix, Jungwon nem ao menos possuía magia suficiente para conseguir ocultar suas orelhas e rabo felino sem a ajuda dos encantamentos de sua avó e de seu pai. O garoto também não foi capaz de se transformar totalmente em sua forma animal, como os outros híbridos, permanecendo somente na primeira fase de transformação.
Os olhares de desprezo são até mesmo de curiosidade opressora que recebia sempre que saia de casa fazia que o mestiço - que havia sido uma criança tímida - se fechasse ainda mais para o mundo. Assim, a biblioteca passou a ser seu refúgio. Aos vinte e dois anos de vida, Jungwon já havia passado tanto tempo ali que poderia andar por aqueles estantes e labirintos de salas com os olhos vendidos e ainda assim não se perderia.
Perdido nas nostalgias que sempre o assolavam nos dias em que não se sentia particularmente bem, Jungwon havia providenciado para organizar todas as prateleiras que eu precisava. O bruxo voltou calmamente para o salão de entrada; apesar do turbilhão que eram seus pensamentos, sua expressão permanece branda e tranquila - como há muito tempo aprendendo a permanecer.
Enquanto o carrinho que o auxiliar mais cedo seguia sozinho de volta para o depósito, o bruxo ajeitava a plaquinha de "Aberto" na porta da biblioteca, ouvindo o baixo tilintar de um grupo de duendes que acomodava sob uma antiga árvore em um dos jardins do salão ao lado.
Jungwon voltou a subir para a área de suporte. Passando por sua mesa, ele caminhou até uma das grandes janelas de vidro na parede atrás do móvel, observando o céu agora totalmente escuro. O mestiço ficou surpreso e visto com a lua cheia de sangue que brilhava no firmamento - a cor carmesim, viva como sangue, fez um arrepio percorrer seu corpo sem motivo aparente. Sua avó sempre dizia que luas de sangue eram presságios de mudanças - eram elas boas ou não.
Jungwon, no entanto, nunca foi o tipo de pessoa que gostava de mudanças.
Decidido a não pensar demais em mais uma das muitas crenças de sua sábia matriarca, o bruxo abaixou o olhar para o pequeno cacto que ficou na soleira da janela. A planta estava seca e quase sem vida, apesar dos esforços do garoto para fazê-la voltar ao estado saudável que tinha quando ganhou seu melhor amigo.
Desde que Sunoo decidiu que queria trabalhar na biblioteca para ajudar Jungwon, anos atrás, o feérico vinha enchendo o lugar com diversas plantas e flores, tornando as estantes e o ambiente mais coloridos e cheios de vida. O espaço havia se tornado ainda mais acolhedor.
O cacto de Jungwon era a única planta que seu melhor amigo não tinha permissão para tocar e reviver - não porque a planta tivesse algum valor sentimental específico, já que Sunoo sempre fazia novas flores rem com seu dom feérico -, mas porque Jungwon se recusava a admitir que não possuía a capacidade de cuidar de um simples cacto. O perfeccionismo que o acompanhava desde os seis anos ainda permanecia.
- Jungwonie, vovó acabou de sair daqui! Aquela máquina maluca de tipografia deu problema de novo! - Como se foi invocado pelos pensamentos de Jungwon, a voz clara e reclamona de Sunoo ecoou pela sala, surgindo junto à sua figura magra e de olhos esverdeados marcantes. O cabelo liso do feérico estava em um tom azul-escuro, diferente do rosado que possuía quando saiu de casa mais cedo. - Ela cuspiu tinta e papel para todos os lados, manchou toda a minha roupa!
O tom irritadiço de Sunoo combinava com a coloração de seus cabelos - mais obscuro do que o habitual. Uma das particularidades feéricas de Sunoo era que o cor do seu cabelo variava de acordo com seu humor, não que ele precisasse disso para expressar o que sentia. O garoto sempre foi autêntico e expressivo, ao contrário de Jungwon.
- Deixa de ser dramático, hyung. - A voz de Ni-ki veio logo atrás. - Para nossa sorte, a Seulgi-nim estava lá quando aconteceu.
O híbrido de lobo possuía uma expressão entendida que exibia metade do tempo. Ainda assim, Jungwon conseguiu perceber o brilho brincalhão nos olhos pretos. Ni-ki passaria uma semana inteira provocando o feérico por causa daquilo. - Ela não só consertou a máquina, como também usou magia para arrumar suas roupas!
Seulgi, avó de Jungwon, havia resgatado Ni-ki de sua antiga matilha quando ele tinha apenas onze anos e, no ano seguinte, acolherá um Sunoo de quatorze anos e seus pais - a bruxa possui um coração benevolente e usou seus dons mágicos e a influência da família Yang para ajudar quem precisa. A propriedade onde Jungwon cresceu mais parecia um abrigo luxuoso.
E, de alguma forma, entre várias crianças e adolescentes resgatados, Sunoo e Ni-ki foram os que vieram a seguir o jovem Jungwon para todos os lados. O mestiço nunca foi de se abrir facilmente com outros além de sua avó e seu pai, porém a personalidade alegre e vibrante de Sunoo e o pequeno lobo alfa que o segue para todos os cantos em silêncio, como um patinho perdido, aos poucos acabaram conquistando seu coração.
- Vovó quase nunca vem à biblioteca... - Jungwon murmurou, mais para si do que para os outros. O bruxo se afastou da janela e encostou-se ao tampo da mesa, enquanto esperavam seus dois amigos subirem a escada. - Ela provavelmente pressionou que o tipográfico quebraria quando eu não estive aqui pra quebrar, por isso aconteceu.
Seulgi tinha o raro dom da clarividência. A senhora poderia prever o futuro através de sonhos, cartas de tarô ou até folhas de chá - e não era incomum que tivesse visões repentinas, no meio de uma conversa ou de alguma tarefa cotidiana. O estranho era anciã ter ido à biblioteca apenas por causa de uma máquina que qualquer bruxo da família poderia recuperar facilmente.
- Não hyung, Seulgi-nim veio aqui deixar um recado pra você! - Ni-ki explicou, se aproximando de Jungwon e afagando seus cabelos, bem onde ficou sua orelha felina. Apesar da aparência assustadora e intimidante, o ponto fraco do lobo sempre foram coisas fofas e animais pequenos - e, aparentemente, Jungwon se encaixava nas duas opções.
- Vovó veio deixar um recado? Aconteceu alguma coisa? - disse o bruxo, começando a se preocupar.
Jungwon não morava mais na mansão principal desde que atingiu a maioridade, ainda assim via sua família praticamente todos os dias. Por isso, para sua avó ir até a biblioteca às pressas só poderia significar que algo tinha acontecido... ou estava prestes a acontecer.
Um arrepio percorreu o corpo de Jungwon, pela segunda vez naquela noite.
- Na verdade, eu acabei não entendendo direito o que ela disse. - Sunoo franziu o cenho, confuso. O feérico já havia se acomodado em um dos sofás que ficava no canto esquerdo, onde Jungwon costumava ler e tomar chá quando a biblioteca estava tranquila. - Era algo relacionado com a lua de hoje... algo sobre mudanças?
- "Quando a lua se tingir de sangue, o destino abrirá um novo caminho. Diga a Jungwon que te prepare pronto para o novo, que abra seu coração para ele." - Citou Ni-ki, com a voz séria. - Foi o que ela pediu para avisar, hyung.
Os olhos do bruxo se arregalaram e ele ficou sem palavras.
Jungwon se lembrou de como, há poucos minutos atrás, observou a excêntrica lua e lembrou nas palavras de sua avó, decidindo ignorá-las. Agora, o coração batia acelerado. Precisava ir encontrar sua avó, naquele mesmo instante, eu precisava que ela explicasse o que aquela frase, que mais se parecia com uma profecia, designada.
No entanto, antes que pudesse tomar qualquer atitude, o sino dos ventos que pendia à porta de entrada do Moonlight tilintou, anunciando a chegada de alguém. Pela terceira vez naquela noite, um arrepio percorreu o corpo de Jungwon - porém, diferente do anterior, agora todos os seus sentidos bruxos despertaram juntos, o deixando levemente desnorteado.
Jungwon não precisou levantar a cabeça para saber que o recém-chegado era um vampiro. O sutil formigamento em sua nuca, resultado do sétimo sentido que todo bruxo possuía, era inconfundível - não havia apenas um vampiro por perto, como também o observava.
Jungwon tentou manter o olhar baixo, mesmo sentindo o peso da atenção sobre si. Todo o seu corpo reagia de forma anormal à simples presença do desconhecido; até seu lado híbrido, ao qual havia aprendido a dominar e controlar, parecia querer se revelar. O bruxo precisa usar uma porção extra de magia para manter escondidas suas orelhas, cauda e outras características felinas. Aquilo não acontecia desde que firmou o pacto com Nix.
Incapaz de resistir mais, o mestiço falou a cabeça, olhando lentamente em direção à porta. No instante em que fez contato visual com o vampiro, todo o ar deixou seus pulmões.
Parado em frente a frente tão familiar porta de madeira foi o mais bonito que Jungwon já havia visto em sua vida.
Contudo, o que o deixou realmente atordoado não foi apenas a beleza do rapaz, mas sim o par de olhos que o observava intensamente. As íris do desconhecido eram um tom de carmesim puro - tão vermelhas e finas quanto a lua de sangue que dominava o céu naquela noite.
