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Grace jogou a cabeça para trás, o corpo estremecendo ao sentir os caninos da ruiva roçarem a pele sensível de seu ombro. Um suspiro involuntário escapou de seus lábios quando sentiu a cintura ser envolvida e apertada por dedos longos e ávidos. O toque firme enviou um arrepio violento por sua espinha, fazendo seu coração acelerar e suas pernas fraquejarem.
Por um instante, Grace fechou os olhos, absorvendo o calor que emanava de Daniela. A proximidade era intoxicante, o perfume da mulher atrás de si a envolvia em uma névoa de desejo, tornando cada vez mais difícil lembrar-se de qualquer motivo pelo qual deveria se afastar.
“D-Da-Dani...” A loira sussurrou, odiando como sua voz havia vacilado. Ela precisava se manter firme. “Sua m-m-ãe está esperando...”
Ao contrário do que Grace esperava, Daniela não se afastou. Tampouco afrouxou o aperto em seu quadril. Pelo contrário, a ruiva intensificou o toque, puxando o corpo da loira para colar totalmente contra seu, eliminando qualquer espaço entre eles.
“Eles podem esperar...” Daniela sussurrou enquanto as palavras eram acompanhadas por um sorriso.
Grace sentiu a língua quente da outra deslizar deliberadamente pela sua nuca, subindo até a extremidade da jugular, que pulsava forte em alerta. Novamente, os dentes afiados de Daniela mordiscaram de leve a sua pele, alternando uma dor aguda com o alívio logo em seguida, quando a ruiva passava a língua para acalmar o lugar ferido.
Grace agradeceu aos céus por estar de frente para a parede. Assim, sua esposa não veria o rubor intenso que queimava em suas bochechas.
“Daniela... por favor...” O protesto de Grace saiu mais como um sôfrego, quase como um pedido de “continue por favor.” Suas mãos espalmaram-se contra a parede fria de pedra para não cair enquanto sua bunda se esfregava na frente do centro do amada inconscientemente.
A Dimitrescu soltou uma risada baixa, um som rouco que vibrou diretamente contra a lateral da cabeça de Grace. Suas mãos subiram do quadril para a costela da loira, os dedos traçando o contorno de seu corpo com uma familiaridade possessiva.
Minutos antes de se encontrar naquela situação vulnerável, Grace estava no quarto, penteando calmamente os cabelos de Emily logo após o banho, preparando-a para descerem juntas. Lady Dimitrescu era implacável com horários, especialmente quando se tratava de jantares em família e a última coisa que Grace queria era irritar a matriarca do castelo e, ocasionalmente, sua sogra.
Mas todos os seus planos de pontualidade ruíram no instante em que Daniela a interceptou no corredor.
A Dimitrescu mais nova havia a encurralado, pressionando seu corpo contra a parede mais próxima com urgência, obviamente querendo sexo rápido em um corredor qualquer, onde qualquer pessoa poderia passar. Não que Grace achasse ruim. No fundo, ela sabia que tinhas certas tendências exibicionistas e gostava do perigo. Mas uma coisa era visitar Daniela em sua sala particular e ser colocada de quatro sobre a mesa de madeira escura, outra completamente diferente, era arriscar-se em um corredor do castelo, onde todos e especialmente Alcina e as irmãs de Daniela pudessem escutar com suas audições aguçadas pelo megamiceto.
“Dan-Daniela... a Emily já desceu...” Grace tentou argumentar mais uma vez, sua voz falhando lamentavelmente enquanto sua esposa a girava de frente, prensando-as contra a parede. Os dígitos da ruiva agarraram uma de suas coxas com firmeza, suspendendo-a ao redor de seu próprio quadril. “Se alguém nos ouvir...”
“Por favor... Viata mea.”
Grace piscou, atordoada.
Há segundos, Daniela exalava uma aura extremamente mandona e sexual. Agora, ela a encarava com olhos pidões, como um cachorrinho carente, enquanto acariciava a pele de sua perna com a ponta dos dedos. Chegava a ser engraçado a forma como Daniela se portava diante dela, e exibia uma diferença gritante de como agia com qualquer outra pessoa, incluindo suas irmãs. Para o mundo, Daniela era uma criatura sádica que podia matar usando apenas as mãos, que se alimentava de carne humana e se desfazia em um enxame de moscas ruidosas atrás de suas vítimas. Mas com Grace? Ela era dócil, extremamente manhosa, cuidadosa e gentil.
“Eu senti sua falta o dia inteiro.” Daniela divagou, abrindo um bico infantil nos lábios enquanto continuava o carinho suave na coxa nua de Grace. “Mamãe está me deixando ocupada desde que chegamos. Acho que ela ainda está brava porque eu saí do castelo... Mas, mesmo assim, deveria ser um crime o que ela está fazendo. Me manter longe de você? Um absurdo.”
Grace olhou para a esposa, sentindo uma mistura de afeto e resignação. O pior era que o drama de Daniela tinha um fundo de verdade. Desde que as duas haviam decidido se mudar para a cidade, Alcina tinha ficado extremamente raivosa com a ruiva. O que era um choque, já que Daniela sempre fora a filha favorita, aquela que podia fazer o que bem entendesse sem sofrer grandes consequências.
A viagem de volta ao castelo deveria ser um momento de paz. Aproveitando as férias escolares de Emily, Grace e Daniela planejaram passar um tempo na vila e apresentar a criança oficialmente à família. Elas secretamente sabiam que a presença da neta seria uma ótima forma de amaciar o coração de Alcina e pedir desculpas pela partida. De certa forma, quase todos já haviam aceitado as duas de volta, menos obviamente, Alcina. A matriarca permanecia irredutível. Desde que pisaram ali, ela tentava manter Daniela ocupada com tarefas intermináveis, garantindo que a filha ficasse o mais longe possível de Grace. Era um castigo mesquinho, a punição de uma mãe possessiva por ter visto seu passarinho sair do ninho.
Olhando para o bico emburrado de Daniela, Grace suavizou a expressão. Ela levou uma das mãos até o rosto da ruiva, acariciando sua bochecha com o polegar.
“Eu também senti sua falta, meu amor.” Grace sussurrou, cedendo um pouco à carência da esposa. “Mas se nós nos atrasarmos mais, o castigo da sua mãe vai ser trancar você na masmorra até o fim das férias.”
Daniela pareceu ponderar por um instante, assentindo com uma expressão tristonha. Grace conseguiu notar o exato momento em que a ficha da ruiva caiu: ela não conseguiria o que queria ali e precisava agir como uma adulta, esposa e mãe responsável. Seus ombros caíram de leve com a constatação, mas a frustração durou apenas alguns segundos.
Quase instantaneamente, a animação caótica de Daniela retornou. Com um sorriso repentino, ela envolveu a cintura de Grace e a ergueu do chão de uma vez, fazendo a loira prender as duas pernas ao redor de seu quadril por puro reflexo. A ruiva a girou no ar pelo corredor, soltando uma risada gostosa e sem fôlego.
“Então você vai receber uma visita no meio da noite” Decretou a Dimitrescu, os olhos brilhando com uma promessa audaciosa enquanto o enxame de moscas vibrava compartilhando sua excitação. “Não importa quantas portas a mamãe tranque ou quantas faturas da vinícola ela me mande revisar... Hoje você vai ser a minha janta.”
Daniela falou com um sorriso de orelha a orelha, deslizando Grace de volta para o chão. Antes que a loira pudesse se recompor, a ruiva desceu a mão e desferiu um tapa estalado e firme em sua bunda.
A coitada da Grace transformou-se instantaneamente em uma poça de vergonha. Suas bochechas queimaram em um tom carmesim que rivalizava com o cabelo da esposa, e tudo o que conseguiu emitir foi um gaguejar desconexo enquanto tentava ajeitar a própria roupa e recuperar a dignidade perdida. Daniela apenas piscou para ela, completamente satisfeita com o efeito que causava.
Grace terminou de ajeitar o colarinho com as mãos trêmulas, tentando recuperar a compostura enquanto descia a escadaria de madeira. Quando entrou no imenso salão de jantar, percebeu que todos já estavam posicionados. Daniela já estava sentada, exibindo uma postura completamente diferente de antes.
A família já estava reunida. Bela girava distraidamente os talheres, Cassandra estava de braços cruzados com um olhar mortal observando todos ao redor, Donna mantinha-se recolhida na cadeira com Angie sentada em seu colo já agitada. Emily estava acomodada em uma cadeira alta, balançando as perninhas no ar enquanto brincava com seu urso favorito. E, na ponta, a imponente silhueta de Lady Dimitrescu dominava o ambiente. No exato momento em que Grace pisou no salão, os olhos dourados e cortantes de Alcina cravaram-se nela.
“Vocês se atrasaram.” A voz de Alcina ecoou, grave e perigosamente calma, enquanto ela girava o líquido carmesim em sua taça de cristal. “Acredito que vocês devem estar cientes das regras que ainda temos aqui, espero que com a mudança vocês não tenham esquecido disso.” Respondeu afiada, encarando as duas mulheres por baixo da aba do seu chapéu. “Posso saber o que estavam fazendo?”
“N-n-nós... bem, acontece que...”
Grace começou imediatamente a gaguejar, sentindo o suor frio brotar na nuca. Seus olhos vagaram desesperados para Daniela em busca de apoio.
Alcina ergueu uma sobrancelha perfeitamente desenhada, demonstrando zero paciência para o nervosismo da nora.
Antes que a loira cavasse um buraco ainda maior, Daniela interveio. Com um sorriso cínico de orelha a orelha, a ruiva apoiou os cotovelos na mesa e olhou para mãe.
“Estávamos apenas nos arrumando para o jantar, mamãe. Queríamos estar impecáveis para a senhora.”
Grace assentiu freneticamente com a cabeça, rezando para que a mentira colasse.
