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Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Series:
Part 1 of Beautiful Bastard
Stats:
Published:
2020-07-31
Completed:
2020-08-09
Words:
67,388
Chapters:
23/23
Comments:
14
Kudos:
43
Bookmarks:
10
Hits:
1,862

Beautiful Bastard • larry

Summary:

[FINALIZADA] Louis Tomlinson tem apenas um único problema: seu chefe, Harry Styles. Ele é exigente, insensível, sem consideração - e completamente irresistível. Um belo cretino.
Styles acaba de retornar da França para assumir um cargo importante na empresa de comunicações de sua família. Mas o que ele não poderia imaginar era que a pessoa que o ajudava enquanto ele estava no exterior era essa criatura doce, linda, provocadora e totalmente irritante que agora ele tem de ver todos os dias.

Notes:

"Beautiful Bastard" é uma adaptação e foi publicada originalmente em 2018, no Wattpad. Por inúmeras razões, estive ausente e levei comigo minhas histórias. Não pretendo voltar a publicá-las no Wattpad, mas me parece injusto deixá-las no escuro e longe das pessoas que leram, gostaram e me apoiaram quando a publiquei.

Essa e todas as minhas histórias originalmente postadas no Wattpad serão transferidas aqui para o Archive e espero que ainda possam agradar alguns corações como um dia fizeram.

Chapter 1: Um

Chapter Text

• Louis •

 

Eu sempre busquei ser bem-sucedido.

Minha mãe sempre dizia que a melhor maneira de aprender uma profissão é observando alguém exercê-la.

"Para conseguir chegar ao topo, você precisa começar lá embaixo", ela me dizia. "Seja indispensável, a pessoa sem a qual o seu chefe não pode viver, seja o braço direito. Aprenda tudo sobre o seu mundo."

Eu me tornei indispensável e, definitivamente, me tornei o braço direito. Acontece que, neste caso, frequentemente o braço direito queria estrangular o pescoço daquele maldito.

Meu chefe: o Sr. Harry Styles.

Meu estômago embrulha só de pensar nele. Alto, bonitão e completamente cruel. Ele era o babaca mais egocêntrico e convencido que eu já tinha conhecido. Eu ouvia algumas colegas do escritório fofocando sobre suas escapadinhas e ficava pensando se um rosto bonito era tudo o que ele precisava... Um rosto e O CORPO.

Eu tive minha quota de homens desagradáveis nos últimos anos. Namorei alguns no colegial e, depois, na faculdade. Mas esse foi o campeão.

- Olá, Sr. Tomlinson! - Styles estava de pé ao lado da porta da minha sala, que servia de recepção para o escritório dele. Sua voz estava melosa, mas era uma doçura toda errada... como mel que foi congelado e agora começava a rachar.

Depois de derramar água no meu celular, receber uma pancada na traseira do meu carro em plena avenida e ter que esperar a polícia por quase uma hora, a cereja do bolo era aguentar o mau humor do sr. Styles. Pena que ele não tem nenhum outro tipo de humor.

Eu respondi o "Bom dia, sr. Styles" de sempre, esperando que ele respondesse com o seu habitual aceno de cabeça. Mas quando tentei passar, ele murmurou:

- Bom dia? Será que você não quer dizer "boa tarde", sr. Tomlinson? Que horas são nesse seu mundinho?

Eu parei e encarei de volta seu olhar gelado. Ele era bem mais alto do que eu, e, antes de trabalhar para ele, eu nunca tinha me sentido tão pequeno. Eu precisava levantar o queixo para olhar em seus olhos e ele claramente sentia satisfação com isso, deixando escapar um certo brilho naqueles olhos verdes.

- Tive uma manhã meio desastrosa. Fique tranquilo, não vai acontecer outra vez. - eu disse, aliviado por minha voz sair sem tremer. Nunca me atrasei antes, mas é claro que ele tinha que fazer uma cena na primeira vez que aconteceu. Passei por ele, guardei minha pasta e o casaco no armário e liguei o computador. Tentei fingir que ele não estava ali, de pé na frente da porta, assistindo a cada movimento meu.

- Uma "manhã desastrosa" é uma ótima descrição para o que tive que passar na sua ausência, Tomlinson. Fiz o seu trabalho e o meu nesta manhã. Tenho certeza de que mesmo com uma manhã desastrosa, você conseguiria chegar às oito. Tem gente que começa a trabalhar antes mesmo do café da manhã.

Levantei a cabeça para encará-lo enquanto ele me julgava com os braços cruzados acima do peito – tudo por eu estar apenas uma hora atrasado. Então desviei os olhos, para não ficar encarando a forma como o terno escuro e bem cortado envolvia seus ombros largos. No primeiro mês em que trabalhamos juntos, houve uma convenção e fiz a besteira de visitar a academia do hotel – dei de cara com ele sem caminha e todo suado ao lado de uma esteira. Ele tinha o rosto que qualquer modelo gostaria de ter e o cabelo mais incrível que já vi em um homem. Cabelo de quem acabou de transar. Era assim que as garotas do andar debaixo chamavam aquele cabelo e, de acordo com elas, aquele título era bem-merecido. A imagem dele passando a camiseta no peito suado ficou marcada na minha memória.

Mas é claro, ele teve que estragar o momento abrindo a boca: "É bom ver que finalmente está tomando interesse em cuidar do seu corpo, sr. Tomlinson."

Filho da puta.

- Desculpe, sr. Styles. Eu entendo o sacrifício que foi para o senhor usar o fax e o telefone. - eu disse, deixando escapar um pouco de veneno na voz – Como eu disse, não vai se repetir.

- Exatamente, não vai mesmo. - ele respondeu, com o sorriso pretensioso firme no lugar. Se pelo menos ficasse de boca fechada, ele poderia ser perfeito. Um pedaço de fita adesiva resolveria o problema. - E só para você não se esquecer desse pequeno incidente, eu gostaria de ver a situação completa de nossos três projetos: Schaffer, Colton e Beaumont, na minha mesa. Até as cinco. E então você vai compensar a hora perdida dessa manhã simulando uma apresentação para o Papadakis na sala de conferência às seis.

Meus olhos se arregalaram enquanto eu o assistia ir embora, batendo a porta do escritório. Ele sabia muito bem que eu havia apenas começado esse projeto – que também seria minha tese no mestrado. Ainda teria meses para preparar os slides depois que os contratos tivessem sido assinados... o que não havia acontecido. Ainda não tinham nem sido rascunhados. Agora, com tudo mais jogado no meu colo, ele queria que eu arrumasse uma apresentação em... sete horas e meia. Ótimo, sete horas e meia, se eu pulasse o almoço. Abri o arquivo do projeto e comecei a trabalhar.

Enquanto as pessoas começavam a sair para o almoço, eu fiquei colado na minha mesa com meu café e um pacote de salgadinho que peguei na máquina. Normalmente eu trazia comida de casa, ou saía junto com os outros estagiários para almoçar, mas naquele dia o tempo não era meu amigo. Ouvi a porta abrir e olhei com um sorriso no rosto enquanto Liam Payne entrava. Liam e eu fazíamos parte do mesmo programa de estagiários, mas ele trabalhava no setor financeiro.

– Pronto para almoçar? - ele perguntou.

– Vou ter de pular o almoço. Hoje está sendo um dia infernal – eu disse, como quem pede desculpas, e o sorriso dele mostrou um pouco de malícia.

– Dia infernal, ou chefe infernal? - ele sentou na beira da minha mesa. - Ouvi dizer que ele estava meio bravo hoje de manhã.

Respondi com um olhar de cumplicidade. Liam não trabalhava para ele, mas sabia tudo sobre Harry Styles, afinal, com seu conhecido pavio curto, ele era uma lenda viva no escritório.

- Mesmo se existissem dois de mim, não seria possível terminar tudo isso a tempo.

- Não quer mesmo que eu traga alguma coisa – seus olhos se moveram em direção à sala dele. - Tipo, um assassino de aluguel? Ou um pouco de água benta?

Tive de rir.

- Não, tudo bem.

Liam sorriu e saiu.

----------

Eu tinha acabado de terminar meu café quando senti aquele incômodo típico de quando você está sendo observado. Pensei que talvez Liam tivesse voltado, mas estava errado. Olhei para cima e percebi Harry me observando sério. Meu rosto rapidamente esquentou.

- Desculpe, sr. Styles, eu...

- Preciso que vá até a sala do Willis e me traga a análise de mercado da Beaumont – ele ajeitou a gravata, olhando para seu reflexo em minha janela. - Você acha que consegue fazer isso, Tomlinson?

Ele estava me menosprezando. Fazia isso a cada oportunidade que tinha.

Agora faltam apenas quatro meses para eu conseguir meu diploma e dar o fora daqui, pensei. Olhei para cima para encontrar seus olhos.

- Pode deixar, vou pedir a Liam para trazer...

- Isso não foi uma sugestão – ele me interrompeu. - Quero que você vá pegar os documentos – Ele olhou para mim por um instante antes de se virar e voltar para sua sala. Qual a merda de problema dele? Era realmente necessário bater a porta como um adolescente temperamental?

Peguei meu casaco e comecei a andar até o escritório adjunto, que ficava em outro prédio. Quando voltei, bati à porta dele, mas ninguém respondeu. Tentei girar a maçaneta. Estava trancada. Ele provavelmente estava dando uma rapidinha com alguma princesa do administrativo enquanto eu corria por aí feito um louco. Enfiei o envelope pardo na abertura do correio, esperando que os papéis se espalhassem por toda a parte e ele tivesse de se abaixar para arrumar tudo. Seria merecido. Até gostei dessa imagem dele de quatro no chão, juntando os documentos. Por outro lado, conhecendo a pessoa, ele provavelmente iria me chamar naquele buraco para limpar a bagunça enquanto ele assistia.

----------

 

Quatro horas mais tarde, eu tinha terminado a atualização das contas, meus slides estavam praticamente em ordem e eu estava quase rindo histericamente pensando no quão terrível o dia tinha sido. Mas tive de passar um tempo planejando o assassinato do garoto do xerox. Um trabalho simples, foi tudo o que pedi. Faça umas cópias, encaderne umas folhas. Era pra ter sido uma coisa fácil. Entrar e sair. Mas não, levou duas horas. E agora eu estava atrasado!

Corri através dos corredores escuros do prédio, que já estava vazio, com o material da apresentação quase caindo debaixo do braço, e olhei para o relógio. Seis e vinte. O sr. Styles ia me comer vivo. Eu estava vinte minutos atrasado e, como aprendi naquela manhã, ele odiava atrasos. "Atraso" era uma palavra que não existia no Dicionário para Cretinos de Harry Styles. Também não havia "coração", "bondade" e "compaixão". Muito menos "pausa para o almoço" ou "obrigado".

Então lá estava eu, apressado pelos corredores vazios. Correndo para encontrar meu carrasco.

Respira, Louis. Ele pode Sentir o cheiro do medo.

Quando me aproximei da sala de conferências, tentei acalmar minha respiração e diminuí o passo, até voltar a andar. Um rastro de luz brilhava debaixo da porta. Ele definitivamente estava lá, esperando. Com cuidado, tentei arrumar o cabelo e as roupas, aproveitando para alinhar os documentos em meus braços. Respirado fundo, bati na porta.

– Entre.

Entrei no espaço bem iluminado. A sala de conferência era enorme. Ficava no 18 andar e uma das paredes era coberta por janelas de vidro que iam do chão ao teto, oferecendo uma vista espetacular da cidade. O anoitecer escurecia o céu lá fora e arranha-céus pontuavam o horizonte com suas janelas iluminadas. No centro da sala, ficava um grande e pesada mesa de madeira e, na ponta mais distante – encarando na minha direção – estava o sr. Styles. Estava sentado lá, com o casaco do terno pendurado no encosto da cadeira, a gravata solta, as mangas branquíssimas da camisa enroladas até a altura dos cotovelos, exibindo uma porção de tatuagens nos braços musculosos, o queixo apoiado nas postas dos dedos. Seus olhos pareciam penetrar os meus, mas ele permaneceu calado.

– Eu peço desculpas, sr. Styles. - eu disse, minha voz ainda ondulando por causa da voz entrecortada. - A impressão levou... - Parei. Desculpas não ajudariam nessa situação. Além disso, eu não deixaria ele me culpar por algo que estava além do meu controle. Ele podia ir para o inferno. Com minha coragem recém-descoberta, ergui o queixo e caminhei até onde ele estava.

Sem olhar em seus olhos, coloquei uma cópia da apresentação diante dele na mesa.

- Posso começar?

Ele não respondeu, apenas ficou encarando minha postura, que tentava demonstrar coragem. O que seria bem mais fácil se ele não fosse tão lindo. Em vez de dizer alguma coisa, ele fez um gesto em direção aos papéis, pedindo que eu continuasse.

Limpei a garganta e comecei a apresentação. Enquanto eu passava pelos diversos aspectos da proposta, ele se manteve em silêncio, olhando fixamente para sua cópia do texto. Por que estava tão calmo? Eu sabia lidar com seu mau humor, mas aquele silêncio ensurdecedor? Aquilo estava me deixando nervoso. Eu estava inclinado sobre a mesa, explicando um grupo de gráficos, quando aconteceu.

- O cronograma deles para o primeiro resultado é um pouco ambi...- parei no meio da frase, com o ar preso na garganta. A mão dele pressionou gentilmente a parte debaixo das minhas costas e então começou a descer até parar na curva da minha bunda. Nos nove meses em que trabalhávamos juntos, ele nunca havia me tocado intencionalmente.

Naquele momento, foi definitivamente intencional.

O calor da sua mão queimou através da minha calça e chegou até a pele. Cada músculo do meu corpo ficou tenso e senti como se minhas entranhas estivessem virando água. Que diabos ele estava fazendo? Meu cérebro gritou para que eu tirar aquela mão dali e dizer que ele nunca mais me tocasse daquela forma. Mas meu corpo tinha outras ideias. Meus mamilos endureceram e apertei meu queixo em respostas – outras coisas estavam começando a endurecer também. Enquanto meu coração batia forte no peito, pelo menos meio minuto se passou, e nenhum de nós disse nada quando a mão dele se moveu para a minha coxa e começou a acariciar. Nossas respirações e os barulhos abafados da cidade lá embaixo eram os únicos sons que pairavam no ar da sala de conferências.

- Vire-se, Tomlinson. - sua voz calma quebrou o silêncio e eu ajeitei minhas costas, com os olhos grudados à frente. Vagarosamente, eu me virei, enquanto ele passava a mão pelo meu corpo. Eu podia sentir a maneira como ele esticou a mão, tocando com a ponta dos dedos toda a extensão das minhas costas, até pressionar seu polegar contra a pele macia dos meus quadris. Nossos olhos se encontraram e ele me observava atentamente.

Podia ver seu peito subindo e descendo. Cada respiração mais profunda e pesada do que a última. Um músculo tremeu em seu queixo quadrado quando seu polegar começou a se mover, me acariciando lentamente de um lado para o outro, os olhos ainda grudados nos meus. Ele estava esperando que eu o interrompesse. Tive muito tempo para afastá-lo ou até me virar e ir embora. Mas haviam muitas sensações dentro de mim que eu precisava digerir antes de reagir. Nunca tinha me sentido assim, nunca imaginaria que um dia me sentiria assim em relação a ele. Eu queria dar um tapa no rosto dele... e depois puxá-lo pela gola da camisa e lamber seu pescoço.

- No que está pensando? - ele sussurrou, os olhos zombando de mim e, ao mesmo tempo, demonstrando uma enorme ansiedade.

- Ainda estou tentando descobrir. - Foi a única resposta que consegui dar.