Chapter Text
• Harry •
Minha mãe sempre me disse para encontrar alguém que fosse equivalente a mim, em todos os sentidos.
"Nunca se apaixone por alguém que coloque você em primeiro lugar. Encontre alguém que seja tão destemido e energético quanto você. Encontre alguém que faça você querer ser uma pessoa melhor."
Eu definitivamente encontrei minha cara-metade, o cara que transformou minha vida em um inferno e que vivia apenas para discutir comigo. Alguém cuja boca eu queria tapar com fita adesiva... ou com um beijo.
Meu namorado, meu ex-estagiário, Louis Tomlinson. Um cretino irresistível.
Pelo menos, era assim que eu o enxergava na época em que eu era um cego idiota, perdidamente apaixonado por ele. Eu certamente encontrara o homem que me fazia querer ser uma pessoa melhor, e estava encantado com aquele garoto destemido. Acontece que, na maioria dos dias, eu mal conseguia ficar mais de dois minutos a sós com ele.
Minha vida resumida: finalmente conquistar o garoto; nunca conseguir ficar com ele de verdade.
Eu passara a maior parte dos últimos dois meses viajando em busca de um bom espaço para a filial que a Styles Media Group está abrindo em Nova York.
Louis tinha ficado em Londres, e embora nosso recente – e raro – fim de semana juntos na cidade tivesse sido cheio de amigos, tardes ensolaradas e lazer, o tempo que passamos sozinhos simplesmente não fora o bastante. Encontramos vários amigos o tempo inteiro, desde a manhã até depois da meia-noite, e voltamos exaustos para meu apartamento, mal conseguindo tirar nossas roupas antes de transar em um clima silencioso e sonolento.
A verdade era que o sexo – que com o passar do tempo se tornara mais íntimo e selvagem, nos permitindo só o mínimo de sono – nunca parecia ser suficiente.
Eu esperava sentir, em algum momento, que tínhamos estabilizado nossa vida sexual, encontrado uma rotina sólida. Mas isso nunca aconteceu. Eu permanecia em um constante estado de saudade e desejo. E as segundas-feiras eram os piores dias. Nas segundas havia reuniões o dia inteiro e todo o trabalho da semana pela frente: um trabalho melancólico e desprovido de Louis.
Ouvi a familiar cadência dos passos batendo no chão de ladrilhos e ergui a cabeça enquanto esperava a impressora terminar de imprimir alguns documentos. Como se tivesse ouvido minha súplica interna, Louis Tomlinson se aproximou de mim, vestindo um cardigã de lã vermelha e uma calça azul-escuro justa. De manhã, quando saí para preparar a reunião das oito horas, aúnica coisa que ele estava vestindo era um pálido raio de sol que entrava pela janela do quarto.
Segurei um sorriso e tentei não parecer desesperado demais, mas eu nem deveria ter me dado ao trabalho. Ele conseguia ler todas as minhas expressões.
– Então você encontrou a máquina mágica que pega o que você faz no computador e coloca num pedaço de papel, usando tinta – ele disse.
Coloquei a mão no bolso da calça, mexi em algumas moedas e senti uma pontada de adrenalina ao ouvir o tom provocador em sua voz.
– Na verdade, descobri essa maravilhosa invenção no meu primeiro dia aqui. Acontece que eu gostava dos momentos felizes de silêncio quando eu mandava você sair da minha sala para buscar documentos em outro lugar.
Ele avançou sobre mim, com um sorriso largo e olhos maliciosos.
– Filho da puta.
Sim, porra. Venha para mim, garoto. Dez minutos na sala de xerox? Eu posso facilmente alegrar o seu dia em dez minutos.
– Você vai ter que suar muito hoje à noite – ele sussurrou ao dar um tapinha em minhas costas e continuar andando até o corredor.
Fiquei olhando sua bunda enquanto dava uma reboladinha e esperei que ele voltasse para me torturar mais um pouco. Mas não voltou. Só isso? É só isso que eu recebo? Um tapinha nas costas, uma conversinha assanhada e uma rebolada?
Pelo menos hoje vamos ter nossa primeira noite inteira juntos em semanas.
Fazia mais de um ano que tínhamos nos apaixonado, e ainda não tivemos mais do que um fim de semana sozinhos desde a viagem para Los Angeles. Suspirei e puxei meus papéis da impressora. Nós precisávamos de umas férias.
De volta à minha sala, deixei os papéis na minha mesa e olhei a tela do computador, que, para minha surpresa, mostrava uma agenda quase vazia. Eu trabalhara até altas horas nos últimos dias apenas para chegar em casa mais cedo hoje e ficar com Louis, então, com exceção da reunião da manhã com o RH, minha agenda estava livre. Porém, Louis estava claramente ocupado em sua nova posição.
Eu sentia falta de tê-lo como meu estagiário. Sentia falta de mandar nele o dia inteiro. E realmente sentia falta dele retrucando minhas ordens.
Pela primeira vez em meses, eu tinha tempo de sentar em minha sala e literalmente não fazer nada. Fechei os olhos e centenas de pensamentos passaram pela minha mente em questão de segundos: a vista dos escritórios vazios em Nova York pouco antes de eu sair para o aeroporto. A perspectiva de empacotar tudo em meu apartamento. A perspectiva muito mais favorável de arrumar tudo em um novo lar com Louis. E, então, meu cérebro seguiu seu caminho favorito: a visão de Louis nu em todas as posições possíveis.
O que me fez pensar em uma de minhas lembranças favoritas de nós dois: a manhã seguinte à sua apresentação. Depois que admitimos não estar mais apenas transando casualmente, mas interessados em algo mais, surgiu uma tensão e tivemos uma de nossas maiores discussões. Eu não o via há meses, então apareci de surpresa em sua apresentação final do MBA, para vê-lo arrasar. E ele arrasou.
Mas depois disso, apesar de tudo que dissemos na sala de reuniões, ainda havia tanta coisa para conversar. A realidade de nossa união ainda parecia algo muito novo, e eu não sabia direito em que página estávamos.
Assim que chegamos na calçada, eu olhei em seu rosto: olhei para os olhos, os lábios, o pescoço, que ainda estava um pouco vermelho dos beijos que eu dera alguns minutos atrás. A maneira como ele passou a ponta do dedo em uma marca que eu havia deixado enviou um impulso elétrico do meu cérebro direto para o meu pau: a conversa está ótima, mas está na hora de levá-lo para casa e fodê-lo de jeito no colchão.
Mas eu não sabia se estávamos na mesma página quanto a isso.
À luz do dia, ele parecia estar prestes a desmaiar. É claro que estava. Conhecendo Louis, ele provavelmente se preparara e aperfeiçoara a apresentação pelas últimas setenta e duas horas direto, sem dormir. Mas eu não o via fazia tanto tempo... será que eu poderia me controlar e esperar que ele fosse para casa descansar? Se ele só precisasse tirar uma soneca, eu poderia ficar por perto e esperar, não é? Eu poderia me deitar ao seu lado e me tranquilizar sabendoque ele realmente estava ali e que nós estávamos acertando os ponteiros e então... Faria o quê? Acariciaria seus cabelos?
Que merda. Será que eu sempre fui um esquisitão assim?
Louis jogou no ombro a bolsa do computador, e o movimento me tirou dos meus pensamentos. Mas, quando foquei os olhos novamente, vi que ele estava olhando o horizonte, na direção do rio.
– Você está bem? – perguntei, abaixando o olhar para encará-lo.
Ele assentiu com um pequeno sobressalto, como se tivesse sido flagrado.
– Estou bem... só me sentindo sobrecarregado.
– Um pouco atordoado?
Seu sorriso exausto despertou um sentimento amoroso em meu peito, mas a maneira como lambeu os lábios soltou uma faísca mais abaixo no meu corpo.
– Eu estava tão triste pensando que não te veria hoje. E de manhã andei o caminho inteiro entre o escritório e aqui pensando como seria estranho fazer isso sem você, ou o Des, ou qualquer pessoa da Styles Media. E então, você apareceu, e claro que acabou me irritando, mas também me fez rir – ele inclinou a cabeça e estudou meu rosto. – A apresentação aconteceu exatamente do jeito que eu queria, e depois vieram as ofertas de trabalho... e você. Você disse que me amava. Você veio.
Ele estendeu o braço e pousou a palma da mão em meu peito. Sei que podia sentir meu coração batendo com toda a força.
– Minha adrenalina está baixando e agora eu só... – Louis afastou a mão e fez um aceno antes de deixá-la cair como se estivesse totalmente sem energia. – Não sei como a noite de hoje vai funcionar.
Como a noite iria funcionar? Eu sabia exatamente como iria funcionar. Nós conversaríamos até anoitecer, depois transaríamos até o sol nascer. Estendi o braço e envolvi seu ombro. Deus, era tão bom abraçá-lo.
– Deixa que eu me preocupo com isso. Agora vou levar você para casa.
Dessa vez, ele balançou a cabeça, voltando a se concentrar no momento.
– Tudo bem se você tiver que voltar para o trabalho, nós podemos...
Franzi a testa e grunhi:
– Não seja ridículo. São quase quatro horas. Não vou voltar para o trabalho. Meu carro está aqui e você vai entrar nele.
Seu sorriso se acentuou nos cantos. As ruguinhas nos cantos dos olhos fizeram sua aparição gloriosa.
– E eis que surge o Styles Mandão. Agora eu definitivamente não vou com você.
– Louis, eu não estou brincando. Não vou deixar você sair da minha vista até o Natal.
Ele apertou os olhos debaixo do forte sol de junho.
– Até o Natal? Isso parece tempo demais para você me deixar amarrado no porão.
– Se você não gosta desse tipo de coisa, nossa relação pode não ser a coisa certa para você, afinal de contas... – eu provoquei.
Ele riu, mas não respondeu. Em vez disso, aqueles profundos olhos azuis me encararam, sem piscar e difíceis de interpretar.
Eu me senti desacostumado a nossos joguinhos, e mal conseguia esconder minha frustração.
Coloquei as mãos em seu quadril e me inclinei para dar um pequeno beijo em sua boca. Merda, eu precisava de mais!
– Vamos agora. Nada de porão. Apenas nós dois.
– Harry...
Eu o interrompi com outro beijo, paradoxalmente relaxado por essa pequena discussão.
– Meu carro. Agora.
– Tem certeza que não quer ouvir o que eu tenho a dizer?
– Certeza absoluta. Você pode falar o quanto quiser quando eu tiver seu pau firmemente enterrado na minha garganta.
Louis concordou e me acompanhou quando eu tomei sua mão e gentilmente o puxei em direção ao estacionamento. Porém, sorriu misteriosamente durante todo o caminho.
Durante toda a viagem até seu apartamento, ele passou a ponta dos dedos pela minha coxa, lambeu meu pescoço, passou a mão por cima do meu pau e descreveu a boxer vermelha que tinha vestido pela manhã, quando pensou que seria bom um impulso na autoconfiança.
– Sua confiança vai se abalar se eu rasgar essa boxer? – perguntei, me inclinando para beijá-lo quando paramos em um semáforo vermelho. O carro atrás de mim buzinou justo quando estava ficando bom: quando seus lábios davam lugar a mordidinhas e seus gemidos preenchiam minha boca, minha cabeça – merda –, meu peito inteiro. Eu precisava tirar sua roupa e montar nele.
A subida no elevador foi selvagem. Ele estava aqui, puta merda, ele estava aqui, e eu tinha sentido tanta saudade dele! Se dependesse de mim, aquela noite duraria três dias. Ele tomou um impulso e eu o ergui, encaixando suas pernas ao meu redor e pressionando meu pau duro nele.
– Vou fazer você gozar muito – eu disse.
– Humm, promete?
– Prometo.
Impulsionei meu quadril contra ele e Louis quase perdeu o fôlego ao sussurrar:
– Certo, mas antes...
As portas do elevador se abriram e ele se livrou de mim, colocando os pés de volta ao chão. Com um olhar hesitante, seguiu na minha frente até seu apartamento.
Senti um frio na barriga. Não estivera aqui desde o dia em que enganei o porteiro para ele me deixar subir e falar com ele, na época em que estávamos separados. Eu acabara tendo essa a conversa toda do lado de fora do apartamento. Agora, me sentia estranhamente ansioso. Em nossa noite de reconciliação, eu queria sentir apenas alívio, e não ficar pensando em tudo que perdemos nos meses longe um do outro. Para me distrair, abaixei a cabeça, chupei a pele debaixo de sua orelha e comecei a abrir o zíper da sua calça enquanto ele procurava as chaves.
Ele abriu a porta com força e se virou para mim.
– Harry... – ele começou a falar, mas eu o empurrei para dentro até pressioná-lo contra a parede mais próxima, silenciando sua voz com minha boca. Merda, ela tinha um gosto incrível, uma mistura da limonada que estivera tomando com o familiar sabor de menta suave e lábios famintos e macios. Meus dedos começaram apenas provocando na parte de trás da calça, mas eu logo perdi a delicadeza e quase arranquei o zíper ao puxar o tecido inteiro para o chão, imediatamente subindo minhas mãos até seu blazer. Por que diabos ele ainda está vestindo essa coisa? Por que não está completamente nu?
Debaixo de sua camisa, os mamilos endureceram sob meu olhar vidrado, e aproximei um dedo para circular aquela perfeição. Ele ofegou profundamente, chamando atenção dos meus olhos.
– Senti falta disso. Senti falta de você.
Sua língua molhou rapidamente os lábios.
– Eu também.
– Merda, eu te amo.
Quando beijei sua garganta, seu peito subiu e desceu rapidamente, e eu não sabia como prosseguir, não sabia como ir mais devagar. Será que eu deveria tomá-lo aqui mesmo, rápida e furiosamente, ou deveria carregá-lo até o sofá, ajoelhar e apenas saboreá-lo? Pensara sobre isso por tanto tempo – imaginando cada cenário possível – e neste momento me sentia paralisado diante da realidade: ele finalmente estava aqui, em carne e osso.
Eu precisava de tudo. Precisava sentir seus gemidos e sua pele, precisava me perder no conforto de sua mão me envolvendo, precisava observar a gota de suor que descia em sua sobrancelha enquanto ele me cavalgava, mostrando o quanto também sentira minha falta. Eu perceberia a maneira como quebraria seu ritmo quando estivesse perto do clímax, ou como me apertaria quando eu dissesse seu nome com aquele sussurro que ele tanto gostava.
Minhas mãos tremeram quando abri cuidadosamente um botão da camisa.
Uma pequena parte do meu cérebro racional ainda funcionava e me alertou para não destruir a roupa que ele usara na apresentação.
Além disso, eu também queria saborear o momento. Queria saboreá-lo.
– Harry?
– Humm? – abri outro botão e corri a ponta do dedo por sua garganta.
– Eu te amo – ele disse, com olhos arregalados e as mãos tocando meus braços. Meus dedos perderam a força e eu quase parei de respirar. – Mas... você vai odiar o que tenho para dizer.
