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Language:
Português brasileiro
Series:
Part 1 of One Shot Leyren
Stats:
Published:
2021-09-19
Words:
7,495
Chapters:
1/1
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2
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13
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276

Try

Summary:

Sinopse: A história dessa one-shot se passa cinco anos após os eventos do episódio 3.14 Death Begins in Radiology. Leyla Shinwari descobre que a namorada a doutora Lauren Bloom subornou sua vaga na residência na ER na qual ela comandar no hospital New Amsterdam e após confrontá-la o ressentimento e a dor pela mentira a faz recorrer a sua outra oferta de residência indo para Spokane após terminar o relacionamento delas apesar dos constantes protestos da namorada. Era o pior dia da vida de ambas e apesar do coração partido a paquistanesa se concentrar na medicina pelos próximos anos sem se apegar a outras mulheres se fechando para relacionamentos apesar de eventuais encontros sexuais com outras residentes e mulheres que ia conhecendo enquanto se aperfeiçoava em seu campo. Após se tornar novamente uma atendente pediatra chegou a hora de voltar àquela cidade que significava tanto para si e onde havia deixado seu coração. Porém, apesar de não ter planos, tampouco coragem, de deixar o passado para trás e ir atrás da Lauren o destino iria colocar novamente a Bloom em seu caminho.

Work Text:

“Where there is a flame, someone’s bound to get burned
But just because it burns doesn’t mean you’re gonna die
You gotta get up and try, and try, and try”

Você já se perguntou o que ela está fazendo? Como tudo se tornou uma mentira?

Leyla suspira. Ela infelizmente tinha tanto tempo de sobra naquele hospital. Não queria jamais reclamar do excelente emprego que conseguiu em NY sabendo o quanto é difícil ainda mais para um recém médico saído da residência um posto dessa magnitude, apesar dela ter anos de experiências da sua época no Paquistão e nos campos de refugiados. O salário era incrível e não iria demorar para conseguir comprar um lugar seu próprio, e até por isso havia inicialmente planejado viver em um hotel enquanto buscava um apartamento, mas com os plantões foi protelando e já estava há quase quatro meses na cidade e ainda não deu esse passo importante em sua vida.
Era atendente da pediatria de um pequeno, mas promissor hospital privado que ficava em uma ótima localização na cidade que nunca dorme. A maioria dos seus pacientes eram crianças e adolescentes de alta classe que vinham ao local em busca de atestado médico por conta de um simples resfriado porque queria faltar a escola por conta de uma prova qualquer, e era as vezes desestimulante. O lugar era longe do tão fabuloso, premiado e incrível New Amsterdam que era o principal centro de saúde de NY e quem sabe do país. Lá era onde os casos mais interessantes e a verdadeira medicina era praticada e teve a oportunidade de por algum tempo vivenciar isso na pele e era sem dúvida uma das melhores épocas praticando medicina na América.

Mas, havia muita história envolvendo aquele hospital. E alguém especial. Alguém que o tempo não conseguiu apagar da sua pele tampouco do seu coração. Apesar de fazer quase 2000 dias que não ficavam frente a frente à distância, o silêncio e o fim não foram capazes de apagar Dra. Lauren Bloom da sua memória e diminuir o amor que sente pela morena. Sempre que as coisas iam de mal a pior em Spokane, sempre que pensava em desistir por ser anos mais novas que seus colegas e por toda aquela carga da residência estar lhe matando fisicamente e mentalmente eram aqueles olhos acolhedores que surgiam em sua mente e lhe dava forças para continuar.
No dia que finalizou a sua residência recebeu no hospital em Spokane um enorme buque de girassóis e inicialmente pensou ser da sua mãe que estava tão feliz por vê-la finalmente recebendo o aval para exercer sem “fiscalização” a medicina no país que a filha escolheu como sua casa e em tampouco tempo, apesar das tristezas e machucados, se tornou tão especial para a Shinwari. Mas, ao ler o pequeno bilhete fixado bem estrategicamente entre as suas favoritas flores...

Parabéns Dra. Shinwari por finalmente estarem lhe dando o que é seu por direito.
Você é uma profissional incrível e quer o futuro lhe reserve sempre o melhor.
Dra. Lauren Bloom

Ela havia lembrado ou melhor ela sabia que aquele era o seu dia D. Lauren havia mesmo de longe acompanhado sua trajetória e docemente lhe enviou aquelas flores, que eram a sua favorita e como sua ex-namorada a mulher tinha essa informação privilegiada. E apesar de informal aquelas palavras lhe tocaram de uma forma despertando aqueles sentimentos que passou tanto tempo adormecidos apesar de vez ou outra ter dado o ar da graça apenas para não fazer o sofrimento ser esquecido, principalmente para nunca fazê-la esquecer dela. A única mulher que conseguiu penetrar naquelas paredes que Leyla passou anos erguendo sem querer se machucar e no fim acabou tendo o destino que tanto lhe assustava, porém cada segundo ao lado daquela mulher havia valido a pena apesar de todo o sofrimento que Lauren Bloom causou em sua vida e ainda causava apesar de tantos anos.

A paquistanesa tinha excelente recomendações e podia ter se aventurado em qualquer parte daquele enorme país, mas voltou para Nova York e apesar de verbalmente ter dado a sua mãe e amigos que conquistou em Spokane diversas justificativas até plausíveis de porquê voltar para aquela cidade e aceitar um cargo em um hospital onde não havia expectativas de crescimento profissional no fundo Shinwari sabia quer voltou para aquela cidade por conta dela. Alguém quer podia muito bem ter seguido em frente e hoje em dia lembrar dela apenas como um erro passageiro ou uma aventura qualquer. Mas, seu coração não lhe deixou ir para outro lugar. Há anos atrás disse durante aquela discussão que pós fim a tudo entre elas quer poderia passar dias e anos mas que sempre voltaria para Lauren por amá-la sem haver necessidade de infringir a lei e quase colocar a carreira de ambas em risco, e sobretudo não tinha o porquê a médica arriscar a relação delas mentindo por meses a fio sobre como havia garantido sua permanência ao lado dela.

Leyla Shinwari sabia que havia voltado para NY porque aquele lugar era sua casa porque era onde estava o seu coração. E quatro meses já havia se passado sem ter tido a coragem de procura-la com a desculpar de agradecer pelas flores e quem saber finalmente perdoá-la por ter estragado o namoro delas, por não ter lhe dado alternativa que não fosse ir embora sem olhar para trás abrindo mão dela. Mas, coragem lhe faltava. Passou tantas vezes de táxi pela frente daquele imponente hospital onde Dra. Bloom era um mito a ser seguido e contemplado. Sua ER era considerada a mais bem equipada e não havia quem não quisesse ser atendido ali quando se acidentava na cidade porque sabia quer fosse o que fosse nas mãos da bela doutora e da sua equipe altamente competente conseguiriam superar. Ela até pensou em se candidatar a uma vaga de atendente na pediatria do fabuloso lugar, mas o Dr. Max Goodwin e a agora esposa Dra. Helen Sharpe comandavam aquele hospital e a conhecia, sabia sobre toda a história, e sobretudo eram amigos da Lauren e tudo isso tornava as coisas complicadas, principalmente pela forma como saiu daquele lugar anos atrás.
Ela nunca esteve tão perto da Bloom em anos e mesmo assim nunca se sentiu tão distante. Era uma loucura ter ido para aquela cidade e ter aceito esse emprego que lhe dava dores de cabeça e quer diminuía suas habilidades tão bem conquistada durante anos de treinamento médico. Mas, Leyla era uma covarde e sobretudo gostava de se martirizar. Por isso passava suas horas livres rodando na confortável cadeira que tinha em sua espaçosa sala enquanto se machucava relembrando a sua patética vida. O dia havia até sido um pouco produtivo com alguns pacientes que requeriam procedimento que a fizeram por algumas horas esquecer seus “monstros” e se concentrar na medicina. Porém, já era metade da tarde e tudo agora era vazio e monotonia. Muitos dos seus colegas usavam esse tempo para cuidarem de suas famílias saindo mais cedo do trabalho para se dedicar a quem se ama, contudo Shinwari não tinha ninguém naquela cidade, não mais.

Seu martírio é cessado quando escuta seu nome ser chamado no sistema de som do hospital...
Dra. Shinwari se apresentar na ER. Dra. Shinwari por favor se apresente na ER.
Finalmente uma consulta e esperava que essa lhe reservasse surpresas e lhe tirasse do tédio que comandava a sua vida.

 

Leyla empurra a porta adentrando na ER. E como toda ER era um caos só. Apesar de terem gastos muitos dólares tornando a estrutura do lugar própria para dar conforto para os pacientes com macas e equipamentos de última geração isso não tornava um departamento funcional. Até porque naquele lugar eles estavam em busca de lucro e não de ajudar o paciente. Sendo assim todas as vezes que entrava ali sentia saudade da ER de Spokane e especialmente uma que estava ali tão próxima. O médico responsável pelo lugar nunca estava presente e cabia aos demais que iam ali para consultas tratar rapidamente o paciente se possível passando o maior número de exames para o hospital lucrar e era essa “cartilha” quer a paquistanesa recebeu no seu primeiro dia no lugar, entretanto ela jamais passou um procedimento que não fosse realmente necessário não havia sido treinada dessa maneira e jamais se corromperia para isso, então tinha a plena certeza que talvez seu emprego ali fosse passageiro realmente.
Aquele “inferno” era muito bem gerenciado pelas enfermeiras. Que sem dúvida era a alma do lugar. Sempre doces e prezando o paciente apesar de tudo. Se aproxima de uma delas com um sorriso nos lábios.

-Ei Ashley – E as enfermeiras diferentes dos doutores sempre eram tratadas pelos primeiros nomes – Me chamaram para uma consulta? – Pergunta gentilmente.
-Ei Dra. Shinwari – E todas ali gostavam da pediatra que era sempre tão educada e gentil com elas diferentes dos seus colegas que sempre se colocavam em um pedestal maior – Chamamos sim – Diz a jovem sorrindo – Temos um garotinho que estava em uma excursão escolar no Zoo e teve uma crise de falta de ar – Conta a médica – Éramos o local mais próximo então a ambulância o trouxe – Complementa.
-Ele estar sem a família? – Pergunta Leyla.
-Com a professora na sala de diagnostico 06 a mãe já foi avisada e estar a caminho – Informa a enfermeira.
-E o prontuário? – Pergunta estendendo a mão.
-Desculpa doutora hoje aqui está aqueles dias – Diz a jovem suspirando – Vou conseguir agora mesmo e já levo –Complementa Ashley.
-Sem problema Ashley. Vou examiná-lo. Obrigada – E era por isso que a doutora Shinwari era a preferida das enfermeiras.
Leyla usava uma roupa cirúrgica rosa bebê que era a cor da pediatria e sobre ela um jaleco com seu nome estampado e em cima o logo do hospital brilhante, mas trazia broches de animais ao redor, os quais sempre eram como um item para quebrar o gelo com as crianças e tornar uma figura menos intimidante para elas. Se aproxima lentamente do leito 06 e a cortina estava aberta e havia sobre a maca um garotinho e em pé uma mulher loira ao telefone. Sorrir para o garotinho que tinha os fios morenos cacheados e os olhos castanhos e pareciam tão familiares para a médica, mas ela ignorou aquele aperto que sentiu em seu coração dando seguimento ao atendimento.
-Boa tarde sou a doutora Shinwari – Diz gentilmente a mulher que pede licença a ligação dando atenção a profissional – Vi examinar esse garotão – E o pequeno sorrir abertamente para ela sem sentir um pingo de medo como se fosse familiarizado com todo aquele ambiente.
-Claro doutora – Responde a professora – Ele tem asma – Revela a mulher cujo telefone toca novamente.
-Isso ajuda muito no diagnostico – Comenta Leyla – Vou verificar os sinais vitais dele e auscultar os pulmões –Informa a até aquele momento responsável pelo garoto.
-Claro. A mãe me autorizou a liberar qualquer procedimento que os médicos necessitarem para deixarem melhor – Informa a professora.
-Ótimo – E o celular da mulher continuava tocando sem parar – Se precisar atender não iremos sair daqui – Complementa docemente.
-Obrigada é da escola – Diz e se afasta para falar deixando Leyla a sós com o garotinho.
-Ei somos só nós garotão – Comenta sorrindo se aproximando delicadamente da criança –Mas, não irei te machucar – E sempre era cautelosa tentando ganhar confiança dos pequenos.
-Tudo bem eu confio nos médicos - Responde o pequeno com a voz falha pela falta de ar.
-Eu sou a doutora Shinwari – Se apresenta sorridente.
-Louis – Diz o pequeno e aquele sorriso era tão familiar – Mas, minha família me chama de Lou – Complementa puxando o ar.
-Belo nome – Elogia vendo os olhinhos dele brilharem – Quer contar para mim o que aconteceu? –Pergunta tirando o estetoscópio do pescoço.
-Estava correndo com o Andrew atrás ... do... pato – E era difícil para ele respirar – E faltou o ar, mas a vovó não colocou a bombinha na minha mochila – Explica em sua inocência infantil.
-Entendi – E se aproxima para auscultar os pulmões – Vou colocar isso nas suas costas para escutar seus pulmões não vai doer nada – Complementa Leyla.
-Tudo bem Dra. Shinwari – E Louis havia gostado daquele nome peculiar.

A médica delicadamente põe o aparelho podendo perceber a dificuldade que o oxigênio estava de circular nos pulmões dele. Verifica também que o coração do garotinho estava palpitando um pouco forte também. E ao ajeitar a camisa do pequeno que havia afastando para ouvir o órgão olha com mais detalhe para o Louis. Aqueles olhos, a forma como suas sobrancelhas estavam dispostas. Lhe lembravam ela. Sim agora podia nitidamente se recordar a quem aquele paciente lhe recordava. Será possível? Bem muitos anos se passaram. Mas, a possibilidade de algo dessa magnitude faz seu coração doer e o ar começar a ter dificuldade de passar em seus pulmões também.

-Doutora Shinwari – Diz Ashley que havia voltado com finalmente o prontuário do paciente e lhe tirado dos seus devaneios – Encontrei a ficha de admissão dele – E mexia no Ipad a mulher mais jovem – Ele se chama Louis Bloom – E precisou colocar as duas mãos sobre a maca porque suas pernas falharam naquele momento.
-Bloom? – Pergunta para saber se ela tinha mesmo escutado direito e não era apenas devaneio da sua mente insana.
-Sim. Louis Bloom – Repete a enfermeira. Mas, era um sobrenome comum em NY inclusive certa vez foram jantar em um restaurante quando namoravam e Lauren e ela riram do fato do chef do lugar se chamar Bloom – Doutora a saturação dele estar caindo – Diz e os números não eram mesmo ideais, pois estavam um pouco abaixo dos 90 e era uma criança.
-Por favor Ashley põe ele para inalar um pouco de oxigênio enquanto solicito uma seringa de corticoide mais uma rodada de nebulização com broncodilatadores – Informa deixando suas incertezas de lado e tomando a postura que lhe era exigida naquele momento ao começar a digitar na ficha do paciente as ordens.
Rapidamente a enfermeira faz o que era solicitado e em seguida vai buscar a medicação quer a doutora protocolou já que tinham o aval da professora responsável para começarem o tratamento, pois a saturação do pequeno estava caindo muito rapidamente e podia sentir o quanto isso era doloroso e desconfortável para o mesmo.
-Isso vai doer? – Pergunta olhando para a Ashley que colocava a solução na seringa –Eu não gosto de injeção – E o tom de voz do Louis era de desespero.
Leyla olha atrás da professora que havia novamente ido atender uma ligação.
-Ei Louis olhe para mim – Pede vendo que o pequeno não desgrudava o olhar da injeção e já tremia pelo medo - O que geralmente você faz quando tem medo de algo? – Questiona docemente quando o garotinho direciona a atenção a ela.
-Minha mama ... segura a minha mão... e me conta alguma história –E cada vez mais era nítido o desconforto na respiração dele deixando a médica cautelosa.
-Ei – Diz docemente – Você está seguro comigo – E põe as mãos sobre as pernas dele segurando as duas do pequeno fazendo-o direcionar toda a atenção a ela – Qual seu super herói preferido? Homem de ferro? – E começa a dialogar com o paciente enquanto Ashley que já era acostumada com esse tipo de situação ia se aproximando lentamente sem chamar atenção dele.
-Não – E faz uma careta divertindo a médica que deixa um riso baixo ecoar – Eu gosto do Capitão América e do Superman – Diz totalmente concentrado naquela conversa e esquecendo a seringa –A Mama gosta da Mulher Maravilha, mas ela é uma garota e garotas são fracas – Exclama fazendo Leyla encarar ele sem acreditar nisso.
-As garotas podem ser muito fortes – Responde na brincadeira a médica.
-Minha Mama diz o mesmo e que é feio falar isso então por favorzinho não conte a ela – Pede o Louis e realmente havia uma pitada de medo naqueles olhos castanhos cativantes.
Estavam tão concentrados um no outro que nem percebem quando a enfermeira aplicou a injeção no pequeno que acabou sendo bastante indolor para alegria da médica e é claro do paciente.
-Prontinho agora a enfermeira Ashley vai lhe ajudar com o nebulizador e logo estará bom para ir para casa – E passa a mão docemente nos cachos tão lindos daquele garoto que tanto lhe lembrava a mulher que ainda ocupa o seu coração.
-Doutora – Chama a enfermeira gentilmente – Preciso que libere no computador a medicação –E havia uma nova política no hospital quer alguns medicamentos só eram liberados depois quer o médico responsável acessava o sistema para quer houvesse um maior controle.
-Sim. Claro – E se afasta sem querer para fazer seu trabalho que estava simplesmente fora do comum desde que o pequeno Louis se tornou seu paciente.
Vai para a área das enfermeiras acessando rapidamente o sistema pelo computador que havia lá. Tenta se concentrar para não fazer nada errado apesar de seus pensamentos estarem tão tumultuados. Havia dado as costas ao leito 06. Terminava de colocar os últimos detalhes da prescrição quando escuta aquela voz, mas antes disso seu corpo inteiro já havia percebido a presença dela. Seu coração começa a bater com mais força e seu estômago dói. Suas pernas ficam bambas e precisou se apoiar com mais força contra a bancada. Era nítido no tom de voz o desespero e logo em seguida o alivio. Todo seu corpo queria lhe fazer virar para tirar aquela prova maldita, mas não tinha coragem. Suas mãos suavam e precisou apertá-las para acalmar um pouco. Era melhor continuar com a dúvida ou depois com mais calma olhar a ficha detalhadamente do paciente e tirar sua dúvida. Isso era mais fácil, seguro quer enfrentar seu fantasma.
-Doutora – E era a voz da professora gentilmente – Desculpe incomodar mais a mãe do Louis chegou e quer falar consigo – Informa – O pequeno a segurou e não a larga mais – Comenta empolgada demonstrando quer a mulher deveria ser uma excelente mãe ao menos aos olhos da professora.
-Claro – E pigarreou já que sua voz saiu rouca por conta daquele medo que percorria toda a sua pele.
Leyla respira fundo afinal ela não era uma fraca. Era uma mulher que durante muito tempo precisou ser forte para viver em um país onde era considerada uma aberração e que merecia a morte. Veio para um país estranho e teve que lutar para sobreviver e alcançar seus sonhos. E claro “ela” teve um papel importante e lhe ajudou quando mais precisou, porém Leyla Shinwari era uma guerreira e não seria um fantasma do passado que lhe tiraria o seu chão e a sua sanidade. Respira mais uma vez e vira sem prestar muita atenção na professora que continuava a falar.
-A Lauren é uma das poucas mães .... – Lauren! Isso sua consciência rapidamente captou.

Era ela sim. E mesmo quer não estivesse escutado ou ainda achasse que era apenas coincidência e que houvesse outra Lauren Bloom cujo filho veio parar na emergência do seu hospital, os seus olhos fixam naquela figura com aqueles cabelos soltos presos em um coque alto, uma jaqueta de couro e era nítido que usava a roupa cirúrgica do New Amsterdam, abraçando fortemente aquele lindo garotinho tomando nebulização mas cujos lábios se moviam conversando sobre algo com a mãe. Mãe! Sua Lauren Bloom havia se manifestado em sua frente. Linda como sempre foi. Afinal o tempo parecia nem ter passado para a bela doutora. Mas, havia algo diferente. Pelo visto o amor da sua vida seguiu em frente e se isso já não fosse ruim demais o destino a colocou aqui em sua frente e teria que lidar com isso nesse exato momento.

 

Lauren Bloom sentia seu peito querendo explodir. Havia recebido a ligação da professora do seu filho e largou tudo em sua ER, é claro confiava de olhos fechados em sua equipe para contornar a situação, para ir até onde o pequeno Louis estava sendo atendido. O transito era um inferno nessa hora do dia e o pobre motorista do táxi que a levava teve que ouvir lamentos de uma mãe desesperada que não via a hora de chegar no hospital onde levaram seu garotinho. O hospital particular para onde encaminharam o Louis era do outro lado da cidade bem distante do New Amsterdam por isso a ambulância o deixou lá, pois muito mais perto do zoológico onde a escola do filho havia nessa tarde ido fazer um passeio. Ela havia durante semanas negado ao filho a ida a esse passeio escolar com medo de quer algo dessa magnitude acontecesse, mas não conseguia dizer não quando aqueles olhinhos fofos lhe imploraram então cedeu e passou o caminho inteiro até o lugar se amaldiçoando por isso.

Entra com tudo no lugar, e nessas horas ter ido com a roupa cirúrgica veio a calhar já quer ninguém a freou e pode seguir em direção a ER sem ser barrada porque naquele momento só queria vê-lo, segurá-lo e garantir quer tudo estava realmente bem com seu garotinho. Avista a professora do pequeno e já podia visualizado recostado na maca e com uma máscara de oxigênio parecendo tão pequeno e indefeso.

-Louis! – Diz se aproximando da cama- Você está bem filho? – E passava as mãos sobre o garoto verificando se havia lesões externas e também porque precisava tocá-lo para ter certeza absoluta que o pequeno estava mesmo “bem”.
-Ele está bem Doutora Bloom – Responde a professora pelo garoto com uma voz acanhada já quer a mulher tinha uma presença absurda que deixava qualquer um intimidado – Estava correndo com os amiguinhos e de repente começou a sentir falta de ar, porém não encontramos a bombinha dele na mochila então achamos melhor chamar a ambulância e trazê-lo ao hospital- E não era a primeira vez que o pequeno Bloom tinha uma crise grave asmática na escola então os professores já sabiam como agir.
-A pneumologista dele resolveu trocar as medicações e minha mãe se atrapalhou essa manhã achando que eu tinha colocado a nova bombinha na mochila, mas tinha uma reunião cedo e lhe pedir para fazer isso– Mesmo sem necessidade achou que era prudente deixar claro a professora do filho que não era uma mãe relapsa – Ou seja, erro de comunicação – Finaliza – Mas, muito obrigada por trazê-lo – Pede educadamente.
-Não precisa agradecer doutora é nosso dever – Rebate gentilmente a professora.
-Você sabe se ele já está medicado e qual o tratamento que estão adotando? – E Lauren liga o lado médica e mãe leoa.
-A doutora que está cuidando dele já pediu que aplicasse a medicação – Responde a mulher mais nova – Ele recebeu uma injeção, está no oxigênio e estão preparando a nebulização – Informa.
-Saberia me informar qual medicação intramuscular ele recebeu? – Pergunta prontamente Bloom.
-Não doutora – Diz a professora.
-E qual a enfermeira ou médica que o atendeu? Preciso me informar sobre – Comenta Lauren querendo ir em busca de detalhes sobre o tratamento que o filho recebia enquanto sentia as mãozinhas do filho puxando sua jaqueta querendo atenção.
-Mama! Mama! –Chama Louis com a voz abafada pela máscara então põe a mãozinha tirando-a.
-Não filho! – Repreende Bloom – Deixa a máscara é para você respirar melhor – Informa docemente.
-Doutora fica ai com ele que estou vendo a médica ali e vou chama-la para você- Informa a professora.
-Se puder me fazer mais esse favor lhe agradeço imensamente senhorita Denver – Responde gentilmente Bloom.
E enquanto a mulher se afasta a doutora tentava acalmar o filho para quer não retirasse a máscara que era necessária.
-Filho fique quietinho. Não tire essa máscara por favor. Logo isso vai acabar e poderemos ir para casa – Tranquiliza o pequeno depositando um beijo na testa dele – Você assustou a Mama demais hoje – Deixa escapar sentindo aquele cheirinho de paz que sempre encontrava com o Louis que anos atrás se tornou o remédio para acalentar sua dor, tristeza e sofrimento.
-Desculpa Mama – Deixa escapar o pequeno triste porque assustou a mãe mesmo sem entender o que isso realmente significava, mas ele sabia reconhecer aquela voz triste na mulher e não gostava de quando ela soava assim.
-Não é sua culpa Querido – Diz Lauren abraçando-o mais fortemente e depositando mais uns beijinhos na testa dele – Não se preocupe com isso – Pede docemente.
E aquele momento mãe e filho é cessado quando a enfermeira Ashley se aproxima com a medicação para a nebulização do pequeno.
-Me desculpa interromper – Diz em direção a Bloom – Preciso colocar a medicação para a nebulização do paciente – Informa.
-Salbutamol? - Questiona Lauren ligando seu lado médica.
-Exatamente – Responde a jovem percebendo pela primeira vez a roupa azul escura que a mãe do paciente usava – Cirurgiã? – Pergunta curiosa.
-Não. Atendente de ER – Rebate – Doutora Bloom- Se apresenta gentilmente – Posso ver a ficha do meu filho? – Questiona apontando para o IPAD.
-Claro doutora – E entrega gentilmente enquanto diluía a medicação para ser aplicada ao garoto –A doutora Shinwari ...– E Lauren lia atentamente a lista de procedimentos adotados no filho desde a internação quando escuta a menção aquele sobrenome fazendo todo seu corpo ficar em alerta e sua garganta seca. Shinwari? Doutora Shinwari? Não podia ser mera coincidência.
-Shinwari? – Deixa escapar o questionamento sem nem perceber. Enquanto sua mente trabalhava em justificativa para aquilo não ser verdade. Não poderia ser a Leyla, a sua Leyla, que havia deixado de ser a sua há anos atrás por um erro imperdoável e todos os dias após ela ir embora se martirizava por ter estragado tudo com a melhor das mulheres.
E a médica levanta a cabeça para encarar a enfermeira e tirar sua dúvida afinal devia haver mais paquistanesas com o sobrenome Shinwari, mas quantas mais teriam se tornando pediatra como a sua Leyla? Quase que impossível. E apesar do seu coração já lhe dar certeza de quer era a morena que anos atrás entrou em sua vida conquistando cada parte de si seu cérebro lhe pregava uma peça querendo afastá-la das consequências de quer esse possível encontro poderia ter em sua vida.
-Oi Lauren! – E aquela voz lhe roubando a fala fazendo-a transpirar e naquele momento o ar escapar dos seus pulmões.
-Leyla? Oi – Responde prontamente e o sorriso se estende em sua face sem nem perceber- Estava me perguntando se a doutora Shinwari era mesmo você – Deixa escapar ainda sorrindo.
-Receio não haver outra doutora Shinwari pediatra ao menos não em Nova York – Rebate também sorrindo a paquistanesa sem nem perceber, mas aquela mulher tinha a capacidade de lhe tirar a consciência e a capacidade de auto proteção.
-Quando você voltou? – Deixa escapar curiosa Bloom.
-Uns quatro meses – Diz Leyla – Mas, queria falar comigo? Sobre o seu filho – E Lauren percebeu naquele tom a surpresa e o questionamento não velado. Não deveria estar sendo fácil para ex-namorada ter dado de cara com seu filho, pois se fosse o contrário Lauren tinha a plena certeza de quer estaria enlouquecendo de curiosidade e receios.
-Sim. Claro – E deixa as questões pessoais para depois, se houvesse um depois, afinal ali não era lugar e naquele momento a saúde do seu Louis era prioridade – Estava preocupada sobre o tratamento quer pudessem terem submetido ele. O Lou tem um histórico de ataque asmáticos, e geralmente é tratado em minha ER, mas dessa vez como aqui era mais perto o trouxeram e isso meio que me apavorou um pouco – Confessa suspirando.
-Entendo – Rebate docemente Leyla – Apliquei nele o protocolo sugerido para crise asmática – Informa – A saturação estava baixa então o coloquei prontamente em uma dose baixa de oxigênio e logo em seguida recebeu uma injeção de corticosteroide, hidrocortisona em uma dosagem mediana e solicitei também duas rodadas de nebulização com salbutamol – Complementa a doutora Shinwari.
-Você é a melhor em sua área Leyla então sei que o Louis está em boas mãos – Responde prontamente Lauren sem querer que a ex pense que duvida da sua capacidade médica – Agora que sei que é você a responsável por ele aqui estou aliviada – Confessa suspirando – Me desculpe se achou que pudesse estar duvidando da sua equipe ou do tratamento que estão dando ao meu filho, apenas é difícil – Complementa suspirando – Ser médica e mãe – E naquele momento a enfermeira mesmo curiosa por aquela relação que aparentemente havia entre a doutora e a mãe do paciente teve que se afastar para cuidar de outro, mas a professora estava ali em pé achando tudo aquilo muito interessante.
-Imagino – E a Leyla podia sim imaginar que ser mãe e médica não deveria ser algo realmente fácil. As duas se olhavam e havia tanta história entre elas e aqueles sentimentos ainda tão presente. Contudo, muito tempo tinha se passado e a paquistanesa sabia quer talvez fosse tarde demais para o amor entre elas. Suspira. E aquela troca de olhares sendo captada pela professora que continuava interessada percebendo que havia algo entre aquelas duas mulheres, além de uma mera amizade – Bem, ele está em boas mãos – Shinwari sentia seu peito ardendo e a constatação de quer a mulher que ainda ama tinha uma família e que isso não a incluía era doloroso demais. Precisa ir catar o que sobrou do seu coração e ser forte suficiente para seguir em frente.
-Podemos falar? Em particular? – Solta rapidamente Lauren ao perceber que a ex estava quase se afastando de novo. E demorou tantos anos para tê-la novamente em sua frente que não poderia deixa-la ir tirando conclusões precipitadas sobre a sua vida – Sobre o Lou – E de certa forma isso o envolvia – Senhorita Denver poderia ficar de olho nele só mais alguns minutinhos para quer possa dar uma palavrinha em particular com a doutora Shinwari? – Questiona gentilmente.
-Claro Doutora Bloom. Não se preocupe – Responde a professora – Podem ir que fico de olho no pequeno – Afirma sorrindo.
-Poderíamos? – Direciona novamente a palavra a Leyla que continuava hipnotizada pela ex-namorada então apenas afirma que sim com um balançar de cabeça – Ótimo – Rebate a morena esperançosa – Filho vou dar uma palavrinha com a doutora Shinwari e já retorno. Senhorita Denver estará aqui com você – E o pequeno que tomava a nebulização apenas consente com um balançar positivo de cabeça.
Bloom levanta da maca onde estava sentada com o filho e segue a ex-namorada até um pouco mais afastado do leito, mas onde ainda poderiam ver o Louis e a professora e conversar sem interrupções e ouvidos alheios prestando atenção.
-Sei que deve está ocupada não tomarei muito do seu tempo – Se desculpa Lauren um pouco nervosa e com medo de dizer algo que possa ferir e ruir mais ainda o que pudesse ainda existir entre elas.
-Tudo bem Lauren imagino que deve estar querendo ter bastante informação sobre o tratamento do seu filho – E de novo a médica percebeu a voz dela vacilar ao pronunciar aquilo –O pai dele também deve estar preocupado querendo mais informação – E Leyla tentou, mas foi mais forte do quer ela aquela incerteza e o medo do quer poderia encontrar mais ligado a nova vida da sua ex.
-Não há pai – Diz prontamente Bloom.
-Desculpa. A outra mãe – E pensou quer a ex após o fiasco da relação delas pudesse ter voltado a sair com os caras, mas pelo visto continuou com as mulheres.
-Tampouco há outra mãe. Só somos nós dois. Eu e o Louis – Deixa claro a americana chocando de certa forma a ex-namorada, mas fazendo seu coração palpitar feliz com isso.
-Não é da minha conta Lauren – E achou quer aquilo estava indo longe demais. Nenhuma delas devia satisfação uma a outra, não mais.
-Sei que não, mas eu quero contar – Deixa claro Bloom – O Louis não é meu filho – E aquela informação fazendo a médica abrir os olhos assustados – Quer dizer não biológico, apesar de compartilhamos DNA – Complementa suspirando – É filho biológico da minha irmã Vanessa – Confessa fazendo a paquistanesa encará-la curiosa – É uma longa história – Diz suspirando.
-Não precisa me contar nada se não quiser – Rebate Leyla – Mas, obrigada pela sinceridade – Complementa.
-Mas, eu quero – E Lauren queria explicar tudo. Devia isso a ela depois de esconder por meses um segredo que arruinou tudo entre elas anos atrás – Depois que você se foi – E quase ela quis dizer me deixou, mas não era justo com a ex porque a culpa havia sido exclusivamente dela –Uns três meses depois recebi uma ligação de um hospital em Chicago me dizendo que minha irmã estava internada em estado crítico. Chegando lá descubro que além de ter tido uma overdose que quase a matou estava grávida de quase seis meses e o pai do bebê morreu ao usarem um lote ruim de heroína – E aquilo ainda machucava bastante a Bloom – Ela estava grávida e usando e ambos corriam risco de vida. Então os trouxe para o New Amsterdam e foram dias difíceis até ambos estarem um pouco melhores. Mas, o Louis precisou ser tirado dela assim que completou os sete meses e passou o próximo mês lutando pela vida em uma incubadora enquanto vivenciava na pele as consequências da abstinência das drogas que a mãe usou durante a gravidez dele – E Leyla a olhava com compaixão.
-Sinto muito Lauren – Deixa escapar comovida.
-A Vanessa buscou ajuda finalmente percebendo que era isso ou a morte. Mas, se negava a ver o garoto ou ter qualquer contato com o filho. O renegou, pois era doloroso demais para ela – Conta com uma voz carregada de tristeza – Mas, não poderia deixar que aquele bebê sangue do meu sangue fosse entregue para o sistema de adoção. Ainda mais um bebê com problemas severos nos pulmões. Então fiz o que achei correto. Dessa vez em vez de fugir das responsabilidades da minha família tomei como lema da minha vida tornar a desse garoto a melhor possível. Me tornei a mãe dele porque em meu coração desde que segurei aquela mãozinha, enquanto ele lutava pela vida naquela incubadora, ele já era minha família – Afirma com um enorme sorriso enquanto olhava para o filho – E desde então a minha vida tem sido menos miserável – Confessa a ex – Somos eu e ele para tudo e contra tudo. Minha mãe me ajuda bastante e meus amigos do New Amsterdam também, porém basicamente somos somente nós –Comenta.
-E a Vanessa? Ela não quer mesmo saber do filho? – Questiona curiosa Leyla.
-Inicialmente peguei uma guarda provisória achando que após a reabilitação ela mudaria de ideia. Mas, esse dia nunca veio. A confrontei e ela me pediu que assumisse e me tornasse a mãe dele definitivamente quer prefere apenas ser a tia que as vezes vem visitar e o enche de guloseimas e presentes – Revela a paquistanesa – O Lou a adora, mas a Vanessa seguiu em frente tem uma nova e boa vida e há anos não usa mais então fico realmente feliz por ela – Complementa Bloom.
-Isso que você fez Lauren é louvável e nobre – Exclama Leyla realmente admirada pelo ato da ex-namorada.
-Eu o amo Leyla e ele é o meu filho! – Deixa escapar ainda admirando-o a médica em seguida encarrando a namorada e vendo aquele sorriso que tanto amava na paquistanesa estampado naqueles lábios os quais sentiam tanta falta de beijá-los.
O barulho do nebulizador avisando que a medicação havia finalizado ecoa fazendo as duas desfazerem daquele momento em quer ficaram se olhando revivendo o passado em suas mentes, mas sem pronunciarem uma palavra sequer ambas com medo de estragarem seja lá o que fosse isso que estava começando a nascer de novo entre elas.
-Bem melhor ir lá tirá-lo e verificar novamente seus pulmões – Diz meia sem jeito enquanto aquela mulher que ainda dominava sua mente e seu coração sorria para si.
-Sim claro – Rebate Lauren seguindo ao lado dela em direção ao leito onde o filho se encontrava.
A professora se despede tendo que agora realmente ir já que precisava retornar a escola. E mais uma vez Lauren agradece prontamente deixando claro o quanto estava grata. Ficam então apenas as ex-namoradas e o pequeno Bloom.
-Ei garotão – Diz docemente Leyla tirando a máscara ensacando e colocando lateralmente para quer pudesse ser novamente usada para a segunda nebulização – Respirando melhor? – E o pequeno diz que sim com um balançar de cabeça – Vou escutar novamente seus pulmões. Tudo bem? – Pergunta gentilmente.
-Ok doutora Shinwari – Responde o pequeno Louis.
A médica põe a ponta do aparelho nas costas do pequeno por dentro da camiseta que ele usava para auscultar os pulmões.
-Pode respirar fundo para mim garotão? – E o pequeno olha para a mãe que respira fundo mostrando ao Lou como se faz e ele imita prontamente – Muito bem. E agora tosse para mim – E ele força uma tose – Prontinho – E se afasta – Você foi muito bem Louis – Comenta parabenizando o garotinho – Os pulmões já estão limpos novamente – Diz a ex-namorada que solta um suspiro de alivio – Escute você mesma – E sabia que isso iria deixa-la mais tranquila então tira o estetoscópio do pescoço e entrega a Lauren.
Rapidamente a médica pega o aparelho da ex-namorada e ausculta o filho sentindo seu coração relaxa imediatamente.
-Obrigada Leyla – E agradece a médica.
-Não fiz nada demais – Responde com um sorriso a paquistanesa e nessa última hora havia sorrido mais do quer no último ano. Esse era o efeito Bloom em si – Ele ainda tem uma nebulização daqui quinze minutos, mas se quiser ir e deixar para fazer a mesma em casa posso liberá-lo – Comenta mesmo com o coração doendo de saber quer em breve ela sumiria e voltaria a sentir aquela saudade que já fazia habitação em seu coração nos últimos anos.
-Prefiro que esse garotão tome a mesma aqui para evitamos surpresas – Diz Lauren querendo tornar aquele tempo ao lado da mulher que passou anos tentando esquecer mais duradouro.
-Ele está indo bem – E passa os dedos docemente pelos fios rebeldes do pequeno que encarava as duas mulheres com leve curiosidade.
-Mama – E finalmente Louis se pronuncia agora que podia respirar melhor tornando o ato de falar menos doloroso – Fui um bom paciente né doutora Shinwari? – E olha para a médica que sorrir para sua a fofura infantil.
-Sim. Um paciente exemplar. Tomou a injeção sem uma lágrima – Revela e Lauren sorrir olhando da ex-namorada para o filho com alegria.
-Viu Mama tomei a injeção sem chorar! – Exclama Lou animado – Mereço um prêmio né doutora Shinwari? – E Bloom estava encantada em ver o quanto o seu filho havia se aperfeiçoado a mulher que ainda amava profundamente.
-Você acha que ele merece um prêmio doutora Shinwari? – Pergunta Bloom de forma divertida enquanto Louis olhava de uma para outra com um sorriso tão doce e encantador.
-Acho que sim – Responde a paquistanesa vendo o pequeno comemorar com uma dancinha levando ambas mulheres mais velhas rirem.
-E o que você quer meu Amorzinho? – Pergunta docemente a mãe enquanto afastava os cachos grudados no rostinho dele.
-Pizza!!! – Exclama o pequeno Bloom – Podemos ir comer pizza depois daqui? – Pede com aquele olhar que fazia a mãe dizer sim sem nem pestanejar.
-Claro Querido – Diz Lauren fazendo o garoto sorrir maravilhado depositando espontaneamente um beijo na bochecha da médica que suspira sentindo o quanto aquele garoto a amava apesar de seus desfeitos e erros.
-Doutora Shinwari – E Leyla que devia ir, mas não conseguia se afastar deles sorrir na direção do pequeno quando escuta o seu nome – Eu e a Mama adoramos pizza de abacaxi – E aquela revelação do nada fazendo a paquistanesa quase perder o equilíbrio colocando as mãos sobre a maca de modo a manter a compostura – A vovó odeia, mas nós gostamos muito né Mama? –E Bloom também estava sem palavras com aquela do filho que do nada trouxe um ponto que tinha uma história por trás tão importante para ela e a ex-namorada – A Mama diz que a faz lembrar alguém especial – E o Louis continuava a falar sem rodeios – E eu porque a Mama gosta – Complementa o pequeno – Doutora Shinwari você gosta de pizza de abacaxi também? – Pergunta Louis inocentemente.
-Gosto sim. Bastante – E a paquistanesa responde sem tirar os olhos da ex-namorada e Lauren pode ver nos olhos dela toda a importância que uma simples pizza de abacaxi tinha para elas.
-Que legal! Mama podemos convidá-la para comer conosco? – Diz o pequeno Bloom empolgado a mãe.
-Filho porque não faz o convite a ela – Rebate sorrindo a médica – Ela está bem ai em sua frente – Brinca querendo quer aquilo partisse do filho sem colocar todo o passado ainda doloroso delas no meio.
-Doutora Shinwari você quer ir comer pizza de abacaxi comigo e a minha Mama? – E por mais errado que isso pudesse ser, por mais que seu cérebro a alertasse do quanto era perigoso se aproximar de novo dela, ainda mais agora que havia mais uma pessoa entre elas – Por favorzinho! – E ele junta as mãos como se suplicasse com um bico fofo e como dizer não a esse pequeno projeto de Lauren Bloom em sua frente?
-Estou quase finalizando meu plantão então não vejo porque não ir com vocês – E ela era fraca demais. Se era difícil resistir a um Bloom aos dois era uma tarefa quase impossível para a paquistanesa.
-Eba! – Grita o pequeno animado enquanto a mãe sorria abertamente sem esconder a felicidade por aquilo.
Havia dado o tempo de descanso entre as nebulizações então se aproxima para colocar novamente o medicamento e pôr a máscara no pequeno para garantir que a asma era carta fora do baralho.
-Ei – E Lauren a chama docemente – Não se sinta obrigada a ir conosco posso ludibriar o Louis caso não seja essa a sua vontade realmente – E a última coisa que Lauren queria era força algo e acabar de vez com as chances de restabelecerem contato porque sentia falta da ex-namorada não apenas no lado romântico e sexual, porque em pouco tempo a paquistanesa havia se tornado sua amiga e confidente, mas retribuiu isso da pior forma que existia. Queria dessa vez não fazer nada de errado.
-Não se preocupe não estou indo forçada – Deixa claro Leyla – O Louis é um garotinho amável demais Lauren e não é nenhum esforço passar mais um tempo com ele – Afirma – E além do mais lhe devo pelas flores – E a médica sorrir.
-Você recebeu elas? – Questiona Bloom animada, afinal havia sido um tiro no escuro.
-Sim. Girassóis você lembrou! – Exclama a paquistanesa.
-Eu lembro de tudo relacionado a você Leyla, tudo! – Afirma e aquele olhar quase deixou a outra médica tonta.
-Bem. Vou em minha sala pegar minhas coisas, e volto daqui alguns minutos para assinar a alta do Louis e irmos. Tudo bem? – Pergunta Leyla docemente.
-Claro. Estaremos aqui a sua espera – E se afasta, mas era difícil tirar os olhos daquela mulher.
Assim, que a doutora Shinwari desaparece pela porta da ER Lauren se dar por satisfeita indo se sentar ao lado do filho que brincava em um joguinho em seu celular enquanto tomava a segunda nebulização.
-Obrigada filho – Deixa escapar sabendo quer mesmo sem saber o pequeno Louis havia dado um pontapé para ajudar a mãe a tentar reconquistar a mulher que ama.
Bloom tinha uma chance e não iria desperdiçar. Pediu tanto aos céus uma oportunidade para reaver aquele grande erro do passado e reconquistar a mulher que ama, e ele havia lhe dado. Enviou aquelas flores com uma pontinha de esperança quer a ex-namorada entrasse em contato para agradecer e assim poder restabelecer uma ligação com a paquistanesa. Contudo, o destino havia sido muito mais bondoso ao jogar a médica em seu caminho. De tantos hospitais naquela imensa cidade o Louis tinha que vim parar nesse e ser atendido pela Leyla? Se não é o destino lhe dizendo quer essa era sua chance de um recomeço iria tomar mesmo assim isso como um empurrão e tentar de todas as formas tê-la novamente em sua vida, nem que fosse apenas como amiga. A falta que Leyla Shinwari fez em sua vida todos esses anos deixou um buraco em seu coração que nem mesmo o filho que tanto amava conseguiu tapar.

A doutora Shinwari literalmente cai sobre a sua cadeira em sua sala e suava frio apesar da temperatura amena no interior do hospital. Voltou para a cidade na esperança de reencontrá-la e passou semanas sem coragem de ir até ela, mas quando menos esperou Lauren Bloom caiu em sua frente trazendo com ela um adorável garotinho. Teve tanto medo de quer a ex-namorada tivesse seguido em frente e tivesse uma família onde não caberia, mas foi surpreendida por um lindo menino quer lhe convidou para jantar pizza de abacaxi com eles. Pizza de abacaxi! Que lembra a mãe dele alguém especial. Lauren a considerava alguém especial. Será que ainda a amava da mesma forma? Será que havia ainda chance para recolherem os cacos do amor partido anos atrás e colarem juntas?

Ambas mulheres não sabiam o que uma simples pizza compartilhada poderia significar essa noite. Mas, tinham certeza de quer era a chance única de recomeçarem se assim for a vontade das duas. E o medo dominava ambas já quer não sabiam se a outra ainda estava disposta a enfrentar o mundo mais uma vez juntas. Poderiam tentar de novo?
Você tem que se levantar e tentar, e tentar, e tentar

“You gotta get up and try, and try, and try
You gotta get up and try, and try, and try”

Continua....

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