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Groselha

Summary:

Minho entende que Jisung sempre foi grande demais para permanecer em uma cidade pequena e, por mais que sinta saudades, sabe que ele tem seu trabalho em Seul como produtor, sua vida, paqueras recentes. O aniversário de Jeongin, entretanto, traz Jisung de volta à cidade, e Minho precisa ganhar coragem para contar que sua gravidez é fruto da última vez que os dois se viram.

[minsung | mpreg]

Notes:

atualizações lentas!! vai ter bastante smut. não contem comigo pra explicar biologia de nada, é só uma fanfic. o minho tá esperando um bebezinho do jisung e ponto

é só mais um plot curto que eu dei overthinking, essa porra já tá passando de 30k, eu perdi completamente o controle

ps: eu tirei o found family (ou pelo menos distorci até o ponto de bosta)

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: not a bad thing

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

Engravidar. Talvez fosse tudo o que Minho sempre quis, embora inconscientemente. Diante do espelho torto do corredor, Minho levanta devagar a borda do moletom com o mesmo cuidado de quem tenta olhar um gatinho sem assustá-lo. Está lá. É real. Breve terá um coração batendo, ou já bate? Sua cabeça pende para o lado, como se observar de outro ângulo alterasse a realidade, mas a protuberância arredondada permanece.

A descoberta foi igual as fases de um luto. Negação e raiva seguidos de um medo constante. Em seguida, a barganha com a deusa, com o cosmos, deuses, Beyoncé Knowles ou “seja lá o que rege o universo, por favor, por favor, não deixe isso acontecer comigo”. Por fim, a aceitação. Durou cerca de duas ou três semanas até, em uma abafada tarde de abril, Minho ser capturado por sua figura inchada no espelho no corredor.

O caos dos últimos dois meses fez sentido. As manhãs plantado na recepção da clínica se perguntando que diabo de gosto ruim é esse na boca para, vinte minutos depois, golfar na privada dos funcionários o que costumava ser seu almoço. Na terceira manhã de enjoos, sentado no chão do banheiro e espremendo as bochechas nos dedos, entrou na transição entre a barganha e a aceitação. Na quarta manhã, não foi trabalhar.

O enjoo frequente perdia o pódio de pior sensação apenas para os pensamentos atropelados: o que sua mãe diria? A certa altura pouco importava a reação dela, positiva ou negativa, o momento da reação sozinho dava calafrios. Seu patrão, o senhor Seo, lhe daria folgas e licença porque ele era um anjo compreensível. Vizinhos e conhecidos deviam ser como nos filmes: “Parabéns! Estou feliz por você!” Burburinho nas vielas, nas lavouras e no cais por um ou dois meses, e a vida continua. Seus amigos eram uma incógnita, seis vivências, seis reações, seis versões de Lee Minho, pois cada um o acolhia de uma maneira. Minho começou a sufocar seis vezes mais. Havia, entretanto, o pensamento mais surreal entre todos: outro ser humano.

O gesto simples de se olhar no espelho acalma seus nervos. Era como se todo o afeto do mundo estivesse comprimido dentro de si, mas, ao mesmo tempo, estivesse em todos os lugares. No bonito céu alaranjado lá fora, na TV esquecida no jornal das seis e no farfalhar suave das folhas. Vive no mundo, mas ele todo entra em desfoque enquanto contempla o mundo revelado debaixo de seu moletom erguido. A ponta do indicador traça uma linha por sobre a tez macia. Faz cócegas. É tarde demais para qualquer decisão, guardará aquela imagem serena na alma para sempre.

Do espelho torto, sobe o olhar pelo corredor. O chão gasto de madeira, o papel de parede colocado às pressas para esconder suas garatujas da infância e tentar vender a casa, sem sucesso. A família tentou sair da vila em Sangju uma vez, dez anos antes, a pedido da mãe, cujas raízes eram de Seul. Mas não conseguiram vender porque ninguém quer morar em um bairro com menos de cinquenta famílias e uma rodoviária fantasma.

Durante esses dez anos, sua mãe emudeceu, raramente dizia algo além de sim e não. Ia para as lavouras bem cedo, depois para a feira e para a cama, religiosamente, sem trocar uma palavra com Minho. Quem sabe um bebê… Sim, é o que falta nessa casa. Na monotonia da convivência com a mãe. O pai tinha o hábito de falar da hora que acordava até a hora de dormir. Desde que ele se foi, a única pessoa que falava em casa era o silêncio.

Um choque leve, repentino, toma a parte inferior da barriga e Minho reprime um sorriso ao estremecer. Você está aí, entendi. Outro ser humano. Que loucura. Lee Minho, como você é maluco. Então ele ri, ri e depois chora pela terceira vez na mesma tarde. É uma tarde e tanto. Prepara uma torta e se senta no mar de almofadas do banco da janela com um exemplar de Sonhos de Vinil, romance sobre o amor entre dois astronautas incapazes de conciliar a paixão com o desejo de viver em planetas diferentes. O livro foi o último recomendado por Jisung antes dele partir.

Lê-lo era como estar perto de Jisung mais uma vez. Saboreava as páginas devagar, lia na mesma lentidão que se prova um delicioso chocolate quente. Embora envolvido pelo enredo, cada virada de página era um pesar, como se memórias, aromas, toques e tons relacionados a Jisung desapareceriam depois do último ponto final.

Quando o caminhão do lixo vem ribombando no início da rua, berra: 

“Vem tomar um café!”

Chan pula do caminhão, o cabelo curto grudado no suor da testa e seu costumeiro semblante preocupado. Enfia a cabeça na janela com seu sorriso inconfundível, inspirando café fresco e massa adocicada. Torta de groselha.

“De folga no trabalho? Que bicho te mordeu?”

“Quis ficar em casa pra fazer café pra você,” Minho sorri amarelo ao entregar a xícara para o amigo, que se apressa em tirar as luvas.

“Conta outra, você não faz nada para ninguém além de si mesmo.”

“Isso não é verdade! Eu devia rezar para você engasgar.”

Dito e feito, na ânsia entre beber ou rir, Chan se engasga.

Lá da janela do motorista, Changbin acena, o sorriso abatido pelo dia ensolarado cheio de esforço. Sob o olhar semicerrado de Minho, Chan vira o líquido na garganta em uma velocidade desumana e logo já se despede.

“Obrigado, salvou meu dia!” grita quicando pela grama para se pendurar no caminhão, acenando.

“E você vai me ajudar a salvar a minha vida…” Minho responde baixinho e solta uma risada nervosa.

Envolto pelo aroma de groselha, Minho lava a louça assobiando. Fez uma carinha sorridente de strawberries na torta, ansioso pela chegada da mãe para contar que, em cerca de cinco meses, teriam um bebê. E, se talvez não fosse tudo o que sempre quis, certamente era o que precisavam.

 

[...]

 

É estranho, mesmo após formular a frase por dias, dizer as palavras em voz alta. Entretanto, mais estranho ainda é o semblante de Chan.

Dentro do peito de Chan, é como se o mundo inteiro se despedaça como uma taça de vidro no chão para, em milésimos de segundos, se recompor. Durante esse um segundo humanizado, apenas um e nem um pouco mais, Minho vê uma centelha de reação genuína em Chan, os cílios dele tremelicam. No segundo seguinte, ele leva a xícara de chá à boca e prova a bebida de caramelo tão amada por Minho, agora azeda.

“Quanto tempo?” Chan pergunta quando sua garganta decide que sufocá-lo não tem mais graça.

“Vinte semanas.”

Primeiro, Chan aperta os olhos da mesma maneira que alguém faz ao desconfiar de uma mentira. Em seguida, ri.

A risada faz Minho lembrar de quando tinham quinze anos e pulavam do ônibus da escola em movimento sendo amortecidos pelo matagal na beira da estrada. Apostavam corrida até a vila: apenas ele, Chan e Jisung, porque Changbin estudava na cidade, Jeongin era dois anos mais novo e Seungmin era educado em casa.

Pegavam a estrada de terra batida em direção a vila, imitando cenas do manhwa de ação da coluna no jornal. Minho era o primeiro a se despedir, sua casa era a primeira, cujo quintal mesclava ao início da trilha para a montanha. De frente, o casarão dos pais de Jisung. Eles se despediam de Chan ao mesmo tempo, cada um cortando para um lado, e Chan dava exatamente essa mesma risada, uma mescla entre a melancolia de se despedir dos amigos e inveja por eles continuarem tão perto mesmo após se despedirem. Como se aqueles dois compartilhassem, além da mesma parada na rua, algo do qual ele simplesmente não pudesse fazer parte.

A partir da risada de Chan, seus olhos conversam em silêncio. Quatro meses é o mesmo tempo que Jisung foi embora, dizem os olhos de Chan. Pois é, responde Minho, pigarreia, coça a nuca, sente enjoo no mar de palavras que eles não conseguem verbalizar. É exatamente isso que você está pensando. Chan não responde, porque já esperava, apenas se ergue e caminha para o banheiro.

Com a testa apoiada no vidro da lanchonete, Minho conta os pingos preguiçosos. Seis, sete e eles se tornam incontáveis. Um número miserável de passageiros se abriga no toldo imundo da rodoviária. Voltando com bolinhos, Chan se senta à sua frente. Oferece e, apesar de ser um dos sabores favoritos de Minho, o cheiro o faz querer sair correndo e ele recusa. Felizmente, Chan é bastante complacente, como sempre foi: não contesta, deixa estar.

“Você sabe que é a primeira coisa que vão perguntar.”

“Sei disso,” Minho responde distraído.

Pela paisagem embaçada, vê chegar outro ônibus. Estão na cafeteria da rodoviária, um dos lugares favoritos de Minho. Ele achava tão chique, as luminárias sobre as mesas, a luz baixa, o chão de madeira, como nas fotos do Pinterest. E, pela primeira vez, repara o quanto as atendentes eram gentis — gente de outra vila próxima —, isso, de alguma forma, toca seu coração. Quer chorar. Um simples pousar de uma joaninha o faz querer ir aos prantos.

“Vai contar para eles que seu bebê é do Jisung?” Chan diz.

Há recheio escorrendo por sua barba rala e Minho o encara como se ele fosse uma atrocidade pelo que falou. Estende a mão com um guardanapo e limpa ele, com rispidez no início, entretanto, seus movimentos ficam suaves. Ele está certo em perguntar, pois isso fará a mente de Minho maquinar uma desculpa nos próximos dias. E era ele quem estava ali, ao seu lado, oferecendo apoio. Não merecia maus tratos, bem, por enquanto. Isso também faz Minho se sentir mal e querer chorar.

Um cliente entra, arrastando para dentro um pouco de terra e uma corrente de ar frio que faz Minho se apertar em seu fino casaco. Observando seu movimento, Chan não hesita em perguntar:

“Também te deixa mais sensível ao frio?”

Minho assente, se abraçando para se esquentar.

“Mesmo que eu não estivesse grávido, nem todo mundo é o Superman igual a você que consegue passar frio e fome sem ficar doente.”

“Aprendi na marra no exército. Então, quem é o pai será a primeira coisa que eles vão perguntar. E não vão te dar sossego. Seungmin e Jeongin vão brigar, depois farão apostas. E Changbin… ele vai saber que eu sei e vai me perturbar. E eu não consigo mentir pra esse puto.”

“O que tanto importa nisso? Não faz diferença nenhuma. Quem liga para o pai? Lee Mingi, minha mãe, ela vai me ajudar, ela é o pai, ponto final. Ninguém costuma perguntar quem é meu pai, nem eu sei onde ele está e ninguém parece se incomodar com isso.”

“Ei, ei, meu bem, é um acontecimento para eles. Veja bem, você é o diabo, todo mundo acha que você é o diabo de Sangju. Se você engravida, as pessoas querem saber quem foi o corajoso, o Hércules da décima terceira tarefa, domando a megera. Apesar de ser meio óbvio.”

“Não é óbvio.”

“É.”

“É tudo, menos óbvio.”

“Se afogue o quanto quiser mentindo para si mesmo, mas eles sabem.”

“Basta me comunicar com eles. Eu digo, bem gentil, com jeitinho, que não me sinto à vontade falando sobre isso, eles entendem, não se fala mais no assunto.”

“Eles entendem? Claro, e no dia seguinte, Jesus Cristo desce dos céus, Chernobyl é habitável, a Lua explode e o Jisung volta a morar em Sangju.”

Chan está certo. Ambos sabem que eles nunca entendem. Carregam uma certa rigidez interiorana e uma insensibilidade própria deles, por pensarem, devido à intimidade cultivada desde a infância, conhecerem plenamente uns aos outros.

“E sua mãe?”

“Não disse nada. Foi para a cama resmungando que as coisas estão difíceis na plantação. No dia seguinte, disse que eu deveria ver o doutor Seo.”

“Você foi? Precisa ir ao médico, você sabe, as pessoas da cidade vão o tempo inteiro, nós não deveríamos ser diferentes.”

“Sim, porque elas têm opções. Acha que vou no doutor Seo, que é meu chefe e pai do Changbin? Em menos de dois minutos a vila inteira estará sabendo. Me poupe. Fui a Jullae.”

“Aquele lugar fedido? Meus pêsames.” Chan torce o nariz ao ouvir o nome. A vila Jullae, há poucos quilômetros, era onde a família de Jisung agia na bovinocultura e o lugar inteiro carregava um cheiro característico. Seu maior e único atributo era o aglomerado de bares frequentados pelos moradores das vilas ao redor e por Minho, Chan e seu grupo de amigos após tomarem a poção divina criada a partir de cerveja e soju. Três goles e eles conseguiam aguentar o fedor pelo resto da noite. O estômago de Minho embrulha em pensar no quão horrível será para seu olfato recentemente aguçado a experiência mensal de ir lá.

“Eu aguento.” Ele mente para Chan e para si mesmo.

“Ainda me pergunto como ele conseguiu.” Chan ri encarando o horizonte.

Parece ver bastante graça na situação, mas uma graça triste, torta e sem forma como o sorriso dele, a expressão dele, o que deixa Minho curioso. Quer perguntar algo a Chan, muito específico, mas ainda não sabe formular o quê.

“Conseguiu o quê?”

“Conquistar você. Ele, tão idiota. Você, Lee Minho, a megera domada.”

É certo que Chan não é do tipo que diz o que quer, nem o que seus amigos querem ouvir, mas o que julga necessário. As palavras tampouco surpreendem Minho, talvez os outros pensassem da mesma maneira e nada poderia fazer em relação a isso.

Conquista não é a palavra certa, Minho engole em seco. Gostaria de explicar, mas há detalhes enterrados que Chan não deve saber. Minho era outra palavra, ele era mais uma circunstância. Uma conveniência, como Jisung cuspiu para o vento na tarde fria em que partiu. A brisa empurrou as palavras para a mente de Minho como se tentasse enfiar roupas dentro de um pote. Desejou, com nenhum remorso, que o ônibus de Jisung quebrasse e ele congelasse na neve e, ao saber da notícia, ele diria que é conveniente.

Se junta a Chan para encarar o horizonte, onde uma pequena família desce as malas do ônibus. Provavelmente eram os únicos passageiros. Chan solta um suspiro que mancha o vidro, buscando por seu café antes de acrescentar:

“Sinceramente, acho que ele sempre te teve.”

 

[...]

 

A estrada principal da vila Sangju, sem saída, ruma somente a um local. Acima de uma colina onde se pode ver todo o lugarejo, está o bar e restaurante da família Yang. Em noites escuras de inverno, o varal de lâmpadas amarelas ao redor do bar se destaca entre as casinhas hanok sem muros.

Lá, todos os corações da vila se enlaçaram, enlaçam ou vão se enlaçar eventualmente. É o lugar onde os habitantes do lugarejo se encontram nos fins de semana e, para Minho e seus amigos de infância, crescidos ali, juntos, era quase um lar. Servia de abrigo para os momentos descontraídos, comemoravam os aniversários, fomentavam sessões barulhentas de banco imobiliário aos sábados e almoçavam aos domingos, tudo com o aroma de comida caseira das tias de Jeongin no plano de fundo. Falavam alto, subiam em cima da mesa, brigavam e também se resolviam.

Eles pensaram que os encontros diminuiriam conforme crescessem, mas isso não aconteceu. Com a maioridade, ganharam a bebida alcoólica e as músicas mais lentas começaram a fazer sentido para os corações partidos. Quando acontecia, transformavam o bar em um karaokê barulhento, porque era proibido chorar por amor por mais de vinte minutos. Regras da casa.

Um terço da figura de Minho se esconde em um largo sobretudo. Nem está a friaca necessária, mas a roupa larga lhe dá certa vantagem. Sua barriga está pequena, mas o formato é inconfundível, e ele precisa desse controle sobre o momento de contar.

De longe, ele vê a agitação das figuras, os ombros largos de Jeongin avançam sobre Changbin, por um momento parece uma briga, com Seungmin, o mais alto do grupo, entre eles. Até explodir em risadas que alcançam Minho junto aos primeiros momentos da música “Heartbeat”, do 2PM. Jeongin sempre diz que odeia essa música quando Changbin sugere e, no entanto, se estiver depois da terceira garrafa de soju, é o primeiro a dançar.

Observando essa brincadeira antes de se aproximar, estranha o nervosismo cultivado desde a manhã. São Changbin, Jeongin, Chan e Seungmin, seus amigos, não havia o que se preocupar. As luzes amareladas o envolvem, a sensação de familiaridade no ranger das escadas de madeira o deixa contente quando chega. É um show de cumprimentos e exclamações, pois, por mais que tenha a personalidade árdua, Minho é amado por eles, e eles preenchem os espaços em seu coração com abraços e sorrisos calorosos. Como de costume, Seungmin gruda em seu braço e não sai mais. Está grato e satisfeito por eles terem uma vida simples.

Há outros clientes nessa noite, gente de fora e alguns trabalhadores da lavoura descansando antes de voltar para outra vila. Além disso, para a surpresa de Minho, entre um grupo de meninas na mesa ao lado, vê Han Jian.

“Jian!” Minho pula em sua amiga, cobrindo o corpo pequeno dela em seus braços largos, o sobretudo a engolindo. 

São observados pelos colegas um segundo, em um misto de incredulidade e pagar para ver, afinal, todo mundo sempre apostou no final feliz romântico entre Jian e Minho, inseparáveis desde o primário. O bolo do final feliz desandou um pouco durante o preparo quando Jian foi para um colégio só para garotas em outra cidade, depois foi morar em Seul e raramente aparecia. Contudo, no coração dos dois, esses meses separados eram lacunas que enchiam com bastante afeto em um abraço apertado de um único minuto. Compartilhavam a confidência de uma vida inteira, uma ligação forte de amizade e o apego ao EXO. Entre eles, havia um amor incondicional e concordavam que, para eles, eles já eram um final feliz.

Na primeira hora, Minho é sequestrado para a mesa das meninas, no entanto, é uma amálgama inevitável: Chan e Seungmin arrastam e unem as mesas porque o céu vai explodir se Changbin não der em cima de Jian. Felizmente, depois de um bom tempo paquerando ela, Changbin decide que é mais interessante se juntar a Seungmin nos dardos e xingar ele toda vez que erra o alvo.

“Por que você não namora o Changbin logo?” Minho revira os olhos, se inclinando para roubar uma batata de Chan enquanto ele está de costas distraído com o jogo de baseball na TV. Uma das amigas de Jian está falando com ele, uma conversa unilateral, provavelmente dando em cima dele, pela maneira como Chan mostra zero interesse.

“Nah,” Jian põe a língua para fora e também rouba batatas fritas de Chan, as últimas. Ele terá uma surpresa quando se virar. “Não quero compromisso.”

“É bom enterrar a língua na goela dele, mas, na hora de namorar, foge. É de família.”

“Não fale como se não fosse você quem rejeitou Jisung.” Minho estende a mão para roubar mais, mas, ao ouvir as palavras de Jian, Chan se remexe na cadeira e o assusta. Jian, felizmente, falou baixo, o que não deixa o momento menos delicado. 

“Ressuscitando assuntos mortos, Han Jian? Você é uma verdadeira necromante de fofoca.”

“Disponha. E você sabe como Changbin é, com essa coisa de formar família para herdar. Ele é assim desde a adolescência.”

“Falando em formar família,” Minho suspira, as palavras saindo de sua boca contra sua vontade. Ao fundo, um cantor famoso dos anos 80 cujo nome todos eles têm na ponta da língua solta a voz em uma ballad. É a deixa perfeita quando todos mergulham em seus mundos e Minho se inclina na direção da amiga para sussurrar: “Preciso te contar uma coisa. Jian, eu…”

Antes de completar, Jeongin pousa na mesa seis canecas de chope transbordando. O ato, em si, não chama realmente a atenção de ninguém. No entanto, Minho leva um susto internamente por ter seu lapso de coragem interrompido. Com os lábios comprimidos, empurra o chope de volta para a bandeja. Isso, então, é que desencadeia uma exclamação.

“Lee Minho recusou uma cerveja, o quê?!” Jeongin arqueia as sobrancelhas.

Os outros três membros do grupo pararam em seus lugares e se viraram para olhar para eles. Normalmente, Changbin se juntaria a Jeongin em algum tipo de competição para fazer Minho beber, no entanto, quando ele dá o primeiro passo, Chan, sem virar a cabeça, lança a ele um olhar apreensivo que prende Changbin no meio do caminho como um superpoder. Chan pega tudo no ar e sintetiza.

Com uma desculpa qualquer, Chan se levanta. Ele tem esse olhar que diz a Minho para não se preocupar. Entende o quanto é importante o que vai dizer a Jian. Ela deveria ser a primeira a saber, antes mesmo de si, Minho apenas estava sem o novo kakao dela. Só por isso Chan teve o privilégio de ser o primeiro. Como se devolvesse a gentileza, pega Jeongin pelo colarinho e o arrasta para o estrado do karaokê.

“Ele está se guardando para a sua festa. Por que não conta para eles?”

Vaidoso em ter a atenção do pessoal, Jeongin começa empolgado um discurso sobre todo mundo sempre gostar das festas dele, o que é um consenso entre todos, embora ele use as palavras “festinha” e “só entre nosso grupo”, para, no dia, se deparar com a presença de todo mundo de Sangju, das vilas vizinhas e do cais na faixa de idade deles. 

“Dessa vez vai ser especial, porque é meu primeiro aniversário independente. Então, não chamei muitas pessoas.” Alguém solta um grito acusando-o do contrário. “Estou falando sério agora, só o Jisung e alguns colegas de outras vilas. Juro. Vou até colocar segurança na porta, fazer lista…”

Jeongin continua uma série de desculpas para ser levado a sério dessa vez, ou algo assim, mas Minho não se importa mais, está surdo desde que ouviu aquele nome. Se concentra em desejar, do fundo do seu coração, que ele esteja se referindo a outra pessoa. Mas é impossível. Há poucos com esse nome, e outros parâmetros o reduzem à Han Jisung: a maneira como Jian aperta sua palma quente por baixo da mesa, a olhadela rápida de Chan e a empolgação coletiva do grupo, alheios, e até dos clientes ao ouvirem a voz do rapper famoso.

“Então, o que você ia me contar?” Jian pergunta, esquecendo o discurso e, de repente, muito interessada na fofoca. Na verdade, queria apenas distrair Minho que, mesmo sem perceber, tem seus olhos arregalados.

“Não consigo acreditar que ele vem.” Minho baixa o olhar para o colo, onde suas mãos agarram o tecido da calça. As bochechas fervem, os cílios tremem. Está sufocando, e prefere culpar o sobretudo estupido do que admitir os efeitos de Jisung em si, piores do que o normal devido a sua sensibilidade de gestante.

“Vocês são amigos, não são? Por que ele não viria?” Jian dá de ombros, levando a tigela de sopa para perto da boca.

“Na última vez que nos vimos, ele prometeu nunca mais vir a Sangju. Ele me prometeu.”

“Surpresa, ele não é leal a você.” A amiga suspira triste, ares de quem gostaria de que fosse diferente. “Pode ser que ele esteja fazendo isso para te aborrecer, já que você rejeitou ele.”

“Droga, Jian, eu tinha planejado tudo. Ele nunca iria saber.” Mantendo a calma ao ouvir Jian questionar, Minho vira o corpo em direção a ela, não sem antes verificar que todos ainda estão distraídos, graças a Chan, que parece orgulhoso ao vê-lo, finalmente, conversando com a amiga. “A última vez que estivemos juntos, nós brigamos também, mas…” Como se estivesse mostrando drogas próximo a uma viatura, Minho puxa o sobretudo para o lado. “Também passamos a noite juntos,” diz baixinho, tanto que Jian pensa ter alucinado.

Mas, não. Ele realmente disse aquilo. A mão de Jian escorrega do apoio na mesa e a tigela de sopa fervendo vai direto para o braço de Minho. É de uma vez, queima como o inferno, ele tromba a cadeira para trás, arranca o sobretudo e sacode o braço. Jian arregala os olhos por um momento, como quem lembra de uma cena terrível de filme de terror. É suficiente para todo o bar direcionar a atenção a ele.

Chan chega rápido, pegando a peça do chão e sentando Minho de volta na cadeira, perguntando se ele está bem, se ainda dói. No entanto, é tarde. O grupo, lentamente, se põe ao redor dele de maneira que, dessa vez, nem mesmo Chan será capaz de contornar a situação.

“Você não tem nada para nos contar, Minho?” Jeongin pergunta.

“Deixa ele. Vai dizer quando quiser dizer.” reforça Seungmin. É inevitável, no entanto, um quê de desapontamento na voz, afinal, depois de Chan, ele é o mais próximo a Minho. Seungmin ajoelha ao seu lado. “Você se machucou?”

“Tá tudo bem, eu…”

“Desculpa, eu estraguei tudo.” Jian se lamenta.

“Não precisa, Jian, eu não fiz isso do melhor jeito, também.” Após uma longa lufada de ar e com todos os olhares em cima de si, Minho toma uma decisão. Com os olhos marejados, coloca uma mecha atrás da orelha para conter o nervoso e tenta dar um sorriso pequeno. “Bom… parece que vamos ter um mascote.”

“Oh!” Changbin solta a vogal bastante audível. Todo mundo sabe o quanto ele é louco por bebês e, agora, não é diferente. Da mesa, ele ergue o chope negado por Minho. “Então vamos bebemorar o bebê!”

Nem Jian consegue acreditar no quanto as bobagens feitas por Changbin caem como uma luva para aliviar o clima. Decidindo o assunto como encerrado, as pessoas voltam para seus afazeres como se nada tivesse acontecido, como assistir uma novela com um final ruim. Minho sente um alívio tão grande que logo se traduz em fome, mas é diferente, não é apenas seu estômago doendo, parece que aquilo está sugando ele em direção a barriga e precisa alimentá-lo antes que seja sugado para o eterno vazio.

Próximo a ele ainda estão Seungmin e Jeongin. Com as mãos nos bolsos, apesar do semblante tranquilo, Jeongin parece ter mil questionamentos, embora não pretenda externar nenhum. De braços cruzados e abraçando o próprio torso com ternura, Seungmin parece fazer de tudo para evitar o crescimento de um sorrisão bobo.

“Eu quero saber qual de vocês vai dar um amiguinho para o meu bebê.” Minho diz alto para que Changbin e Chan, de volta aos dardos, possam ouvir também.

Jeongin engasga com o ar. Preocupado, Seungmin lhe dá tapinhas nas costas perguntando se está tudo bem. Minho acha isso suspeito da parte deles, cuja natureza sempre fora apolar(era mais provável Seungmin tentar engasgá-lo ainda mais) e brigavam até pela cor do céu, mas, é obrigado a ignorar ao sentir a ardência de um beliscão.

“Você e você, caiam fora” Jian aponta para Jeongin e Seungmin, depois virando-se para Minho. “E você, mocinho, tem muito para me contar.”

Tudo o que Minho pode oferecer é um sorriso sem dentes e um olhar meio desesperado de alguém sem escolhas. Então, conversam sem ter hora para ir embora.