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Fandom:
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Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-09-13
Updated:
2026-01-03
Words:
12,331
Chapters:
7/?
Comments:
3
Kudos:
1
Hits:
66

The Ghost On The Shore

Summary:

James Potter é um jornalista que acaba se apaixonando pelo fantasma do garoto sobre o qual está fazendo uma matéria, depois que uma tempestade o obriga a se abrigar em sua casa. O fantasma de Regulus está preso na mansão onde cresceu, vagando sozinho por anos, até que um homem estranho entra em sua vida… ou melhor, em sua morte. Esse amor daria certo?

Notes:

Então. Minha primeira fanfic e eu estou muito nervosa sobre isso. Então se vocês encontrarem algum erro durante a história ou nas tags, por favor me avisem. Até porque eu não tenho alguém para ler isso antes de postar. E também eu não sei usar direito o AO3.
Mas sério, eu hesitei muito antes de postar isso e eu espero que vocês gostem.
Beijos

https://open.spotify.com/playlist/4urj1QVimJN242OcYSN0zB?si=hMYCLtwDSam-6oXbuHHd_A

(See the end of the work for more notes.)

Chapter Text

A brisa entrava pela janela do carro, deixando seus cabelos mais bagunçados que o normal; o ar estava gelado enquanto a noite caía. James batia os dedos no volante no ritmo da música — cujo nome ele não sabia — que soava baixo no rádio. O som de trovões chamou sua atenção; ele olhou para a janela à sua esquerda: relâmpagos cruzavam o céu acima do mar, que ele mal conseguia ver na escuridão. Não demorou muito para as gotas de chuva começarem a cair. James se apressou em fechar a janela ao seu lado quando a chuva começou a molhar o interior do carro.

A cada minuto que passava, a chuva ficava mais forte. James começou a ficar preocupado; o para-brisa não dava conta de tanta água e a estrada quase desaparecia na escuridão à frente. Ele se inclinou para a frente, o máximo que o cinto permitia, cerrando os olhos e tentando desesperadamente ver direito para onde estava indo, mas aquilo se tornava cada vez mais impossível.

James já tinha quase certeza de que não conseguiria chegar à pequena cidade naquela noite se a tempestade continuasse daquele jeito. Então encostou o carro na beira da estrada e o desligou; recostou-se no banco com as mãos ainda no volante, olhando ao redor. Ele não fazia ideia de onde estava. James bufou, batendo a cabeça no volante, e fechou os olhos. Ficou nessa posição pelo que pareceram séculos, apenas ouvindo o som da chuva forte e, se prestasse bastante atenção, também o barulho das ondas agitadas do mar.

James levantou a cabeça e respirou fundo. — Droga, Frank. Por que deixei você me convencer a fazer essa matéria? — resmungou, tirando os óculos e esfregando os olhos com as pontas dos dedos.

Uma semana antes, Frank havia chegado até ele e pedido que James tomasse o lugar dele naquela viagem porque estaria em lua de mel ou alguma merda assim.

— Por favor, James, são só três semanas e eu prometo que vou te recompensar — implorara Frank na pequena cozinha.

James brigava com a velha cafeteira, o rosto em uma carranca profunda. Droga: eram sete da manhã e ele só queria a merda de um café.

Com um suspiro alto, James desistiu do café por um segundo, virando-se para Frank, que estava encostado no balcão ao seu lado com o rosto esperançoso. James o encarou por alguns segundos antes de soltar um suspiro de derrota.

— Tudo bem. — Levantou os braços em rendição.

Frank abriu um grande sorriso e bateu as mãos. — Obrigado, James, sério, você é o melhor. Eu prometo que vou te recompensar — disse apressadamente, já se dirigindo para a porta.

— Frank, espere! — James chamou. O homem parou na porta, erguendo uma sobrancelha. — Eu nem sei para onde tenho que ir, ou do que se trata essa matéria — explicou James, apertando o nariz e fechando os olhos, já arrependido de ter aceitado.

— Não se preocupe, eu te darei todos os detalhes antes de ir embora — assegurou Frank. Ia sair da sala, mas voltou: — E de novo, obrigado, James; você salvou minha lua de mel. Albus não teria me deixado sair sem fazer este trabalho. — Revirou os olhos nessa parte.

— Tudo bem, Frank. Divirta-se com a Alice.

— Ah, eu vou. — Ele sorriu maliciosamente, piscando um olho, antes de sair, deixando James encarando a porta.

Que droga — pensou James. Só queria ir para casa, deitar em sua cama e dormir por pelo menos uma semana inteira. James estava quase saindo da cozinha, mas o apito da cafeteira voltando à vida fez-o virar rapidamente, com um pequeno sorriso. — Ah, graças a Deus.

— Essa matéria nem faz sentido — resmungou James, colocando os óculos de volta no rosto e acendendo a fraca luz do teto do carro. Virou-se para o banco do passageiro e pegou o mapa; se seus cálculos estivessem certos, então não poderia estar muito longe. Olhou por cima do mapa: a tempestade parecia ter piorado, e não havia a menor chance de ele chegar lá sem algum acidente.
Bafou, arremessando o mapa para o outro banco e soltando um bocejo enquanto apertava o volante o mais forte que pôde. Além de tudo, estava exausto. Com Frank fora, tivera que assumir mais trabalhos do que gostaria.

Já cogitava apenas dormir ali mesmo — que mal poderia acontecer? Não via um carro passar por horas. Estava sozinho. O único contra seria a dor no corpo ao acordar por ter dormido em uma posição horrível, mas não seria a primeira vez.

Desligou a luz do teto; a única iluminação ao redor vinha dos relâmpagos à distância. Tirou os óculos e os colocou no banco ao lado. Piscava mais lentamente, o sono quase o consumindo por completo, quando algo chamou sua atenção. Piscou rapidamente e inclinou-se para a frente. Tateou o banco em busca dos óculos e os colocou quando finalmente os encontrou.

Apertou os olhos, apenas esperando. E bem ali, quando outro relâmpago cruzou o céu iluminando o horizonte, pôde ver o que parecia ser a silhueta de uma casa. Arregalou os olhos, surpreso; não esperava encontrar uma casa no meio do nada — como não a havia notado antes?

Ligou o carro novamente e dirigiu em direção à casa. Ela ficava à direita da estrada, com grandes portões a guardando que, por algum motivo, estavam abertos.

James pensou se deveria entrar ou não; os donos poderiam não gostar, apesar de terem deixado os portões abertos. Olhou para eles por um tempo antes de dar de ombros: talvez fossem boas pessoas e o deixassem ficar por uma noite. Entrou; os faróis do carro revelaram a fachada da casa. James parou o carro, inclinando-se para frente para ver melhor. A casa era bem grande; ele observou com atenção, mas não havia nenhuma luz acesa — talvez já estivessem dormindo.

Pegou a mochila no banco de trás, segurando-a firme com uma mão enquanto a outra segurava a maçaneta. Hesitou um pouco, respirou fundo e saiu correndo do carro. Parou na porta da frente; a sacada o protegia da chuva, embora o curto tempo ali já o deixara encharcado. Bateu na porta e esperou alguns segundos, sem resposta. Bateu de novo; nada. Bom, talvez não tivessem ouvido por conta da chuva. Levantou a mão para bater mais uma vez, mas, antes que seus dedos tocassem a madeira, a porta se abriu — apenas uma fresta.

James inclinou-se para o lado tentando ver quem a abrira, mas não havia ninguém. Prendeu a respiração e empurrou a porta lentamente; ela rangeu alto ao se abrir.

Engoliu em seco e colocou um pé dentro da casa. — Olá! — gritou no meio do hall de entrada, mas não obteve resposta.

Não conseguia ver nada na escuridão, então tirou a lanterna da mochila. A luz não era muito forte, mas permitiu a James perceber o quanto a casa parecia abandonada há anos. Teias de aranha cobriam quase todas as paredes; apesar do abandono, todos os móveis estavam lá, intactos — dava a impressão de que os moradores haviam ido embora sem levar nada.

Algo naquela casa soava estranho; não sabia explicar, era uma sensação diferente. Começou a andar pelos cômodos: eram muitos, grandes salas tão cheias de coisas, mas que davam a James um sentimento vazio, como se faltasse algo. Talvez ele estivesse apenas com sono demais e precisasse urgentemente dormir.

Voltou ao hall de entrada, onde vira a escada para o segundo andar. Subiu os degraus devagar, sem ter certeza se a madeira velha não cederia com seu peso. A parede ao lado era repleta de retratos da família, pessoas de idades diferentes. Seus olhos pareciam julgá-lo a cada passo, o que o deixou desconfortável; então acelerou o passo e chegou ao topo sem que a escada desabasse.

No topo da escada havia um retrato maior: quatro pessoas na foto, provavelmente os antigos moradores. James parou para observá-lo. Olhou primeiro para a mulher, cuja postura perfeita a mostrava sentada em uma poltrona; seu olhar era tão frio que lhe causou arrepios. Desviou para o homem mais velho ao lado dela: indiferente, distante. Viu os filhos — deviam ter entre dez e doze anos. Olhou para o que parecia ser o mais velho: raiva. Raiva era tudo que James conseguia ver em seus olhos, como se ele tentasse queimar a câmera. Finalmente, virou o olhar para o mais novo e seu coração apertou. Estendeu a mão e passou o dedo gentilmente sobre a imagem do garoto. Deus, ele parecia tão triste — uma tristeza tão profunda que James quis entrar na foto e abraçá-lo para sempre.

Um arrepio na nuca tirou-o dos pensamentos sobre o pobre garoto. Lançou um último olhar ao retrato; eram tantas emoções diferentes, nenhuma boa. Pensou que talvez aquelas pessoas não fossem tão generosas a ponto de deixá-lo passar a noite.

Seguiu pelo corredor e parou diante da primeira porta. Havia um nome gravado nela: «Sirius», leu em sussurro. Abriu devagar. O que viu fez-no arregalar os olhos. Diferente do resto da casa, aquele quarto estava uma bagunça: objetos jogados e quebrados por todos os lados, como se alguém tivesse revirado tudo atrás de algo ou descarregado ali sua raiva. James sentiu o arrepio outra vez, desta vez percorrendo o corpo inteiro e deixando-o tremendo. Uma dor estranha no peito aumentou, fazendo-o tropeçar para trás e bater na parede do corredor. A porta se fechou com um baque assim que saiu. James ficou parado, encarando a porta fechada, olhos arregalados e respiração acelerada, levando a mão ao peito — a dor havia passado.

Endireitou-se e tentou respirar devagar. Algo estava errado naquela casa; pensou seriamente em pegar o carro e ir embora, mas estava tão cansado que provavelmente dormiria no volante.

Continuou pelo corredor em busca de um quarto que não estivesse destruído. Parou em frente a outra porta; parecia ter um nome gravado também, mas alguém tivera tentado apagá-lo de todas as formas.

Abriu essa porta e entrou devagar, permanecendo parado no meio do quarto por alguns segundos. Quando nenhuma dor ou arrepio o atravessou, relaxou um pouco. Olhou ao redor: havia pouca mobília, apenas uma cama com um criado-mudo ao lado, um armário e uma mesa com papéis, cadernos e livros jogados. Aproximou-se da mesa e passou a mão pelos papéis até que uma carta chamou sua atenção. Pegou-a e sentou-se na cama para ler.

— Para mãe e pai — começou, usando a luz da lanterna para enxergar as pequenas palavras. — Quando vocês encontrarem esta carta, provavelmente eu não estarei mais aqui. Estou cansado. Tentei ser o filho perfeito por anos, tentei ser quem vocês queriam que eu fosse. Pensei que, fazendo isso, vocês me amariam de verdade; pensei que seria suficiente, mas não foi. Nada do que eu fiz foi suficiente para ouvir vocês dizerem que me amavam ou que estavam orgulhosos. Estou cansado de implorar por amor, por atenção. Estou cansado da responsabilidade que colocaram em mim. Tentei encontrar razões para ficar, mas a única que eu tinha foi embora. Ser o que vocês queriam que eu fosse o tirou de mim. Nunca vou me perdoar por não tê-lo seguido no dia em que ele bateu a porta. Espero que um dia ele me perdoe; espero poder vê-lo novamente. E, apesar de todo o mal que nos causaram, eu ainda os amo. Queria poder dizer que tive uma boa vida, que sentiria falta dela ao partir, mas estaria mentindo. Espero encontrar na morte a paz e a liberdade que não tive em vida.
R. A. B.

James tinha lágrimas nos olhos quando terminou de ler. — Oh, pobre garoto — murmurou, soltando a carta na cama e tirando os óculos para esfregar os olhos. Levantou-se, pegou a carta e a colocou onde estava, ficando a encará-la por um tempo antes de respirar fundo. Procurou outra roupa na mochila, já que a que usava estava úmida. Vestiu-se e se jogou na cama: era confortável. Tentou não pensar muito no garoto a quem a cama pertencera, mas foi difícil. Pensou na vida que ele poderia ter tido; lembrou-se do menino do retrato, com olhos tão tristes — agora James queria mais do que tudo abraçá-lo.

Deixou a mente vagar em pensamentos sobre o menino até que o sono venceu e ele finalmente adormeceu.