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Ele estava sozinho. Aguiar já estava acostumado com isso, em todas as memórias que tinha, depois de sua irmã, depois de sua Mestra, era só isso que ele conhecia: solidão. As coisas pareceram mudar com os mascarados, mas novamente, foi só temporário. A conexão que teve com Labirinto desde que se encontraram na delegacia se apagou diante da paixão que nasceu entre o ocultista e Jae; o carinho de irmão com Henri se abalou com a discussão daquela manhã sobre comida; e apesar de Kemi ter se tornado algo próximo de uma figura materna, a ligação deles não estava nem perto de ser tão forte quanto o que ela tinha com outras pessoas do grupo, e provavelmente até com Eloy.
Aguiar acordou no meio da noite, Jae insistiu em unir três camas para que elu, Labirinto e Aguiar pudessem dormir mais próximos, ela estava na cama do meio e nem se mexeu quando ele se levantou e saiu da casa. Aguiar sentia que não estava nem perto de descansado, mas ao mesmo tempo todo o sentimento de impotência e as perdas da noite rondavam sua cabeça. Henri contou o que os vampiros queriam ao atacar o circo: vingança. A culpa também o corroía, foi ele quem matou Sabara, ele ajudou Henri a empalar a cabeça dela na estaca. Era culpa dele. Alê, Franco, Dalmo. Então era ele quem teria que resolver isso.
Parecia que ele não tinha rumo quando saiu andando da casa, e por boa parte do tempo ele realmente não sabia. Sua mente mal registrou a ponte que levava para o mercado dos Transtornados ao lado dele enquanto ia em direção a cidade, nem nas casas do próprio vilarejo. Até que o som de passos ativou seus instintos, de um lado estavam as casas da cidade abandonada, do outro o desfiladeiro. Os passos vinham do lado oposto e eram pesados, com propósito. Aguiar se escondeu atrás da parede de uma das últimas casas e oculto até mesmo da luz da lua, viu a forma musculosa e curvada de Eloy indo em direção a uma passagem que se abria no topo do cânion. Só então Aguiar percebeu que o caminho levava a uma colina e no topo dela uma imponente igreja, ao invés da cruz tradicional em seu telhado estava o símbolo de sangue. Era claro agora: ele e Eloy tinham o mesmo destino, a mesma ideia absurda de burra.
— Ei, cachorrão!
Aguiar viu o reflexo das spikes na focinheira de Eloy, ele realmente estava em uma missão suicida contra os vampiros. O baterista se virou para ele em um movimento, o rosnado baixo abafado pela máscara soou perigoso, claramente sendo pego de surpresa pela presença estranha. Levou alguns segundos para ele perceber quem estava ali, Eloy franziu o cenho confuso, mas mudou seu caminho para se aproximar do delegado.
— Aguiar? Que que ‘cê tá fazendo aqui, porra?
Vendo agora, fora da adrenalina da batalha, Eloy com a máscara era assustador. Não só pela aparência de maníaco da máscara combinada à roupa de paciente de sanatório, ou os movimentos erráticos de uma batida que nunca terminava, mas aqueles malditos olhos brancos eram perturbadores e estranhamente fascinantes. Do tipo que é difícil tirar os olhos. Aguiar bufou uma risada e deu de ombros.
— Acho que o mesmo que você. — Ele apontou para a igreja. — Mas agora não sei se é uma boa ideia ainda…
Eloy parou a alguns passos de Aguiar, pelo movimento de sua cabeça, Aguiar imaginou que o baterista tinha desviado o olhar, sua expressão era pensativa antes de acenar positivamente com a cabeça—um rosnado assertivo foi a confirmação para Aguiar, já que a cabeça de Eloy estava sempre em movimento—como se algo na fala de Aguiar fizesse sentido.
— Só sobrou a gente… pra proteger eles.
— É, e se a gente for eles não vão ter ninguém, então…— Aguiar suspirou. — É melhor a gente voltar.
O ritmo do pé de Eloy ficou mais rápido, assim como o movimento da cabeça dele, como se a batida em sua mente acelerasse. Aguiar não sabia se ele estava discordando ou só ficando mais agitado. De repente Aguiar começou a se preocupar com o quão perto eles estavam da base dos vampiros.
— Não dá. — Eloy não falou, ele grunhiu. Raiva escorrendo pela máscara. — Eu não vou conseguir dormir sem pelo menos derramar um pouco do sangue deles, eu- eu não consigo dormir, Aguiar.
A máscara não abafou a forma como ele rosnou o nome de Aguiar, de alguma forma pareceu que ela ampliou o som.
— Eu fecho os olhos e só consigo ver eles, o jeito eles estavam, destroçados, devorados. Eu. quero. SANGUE!
Por sorte Eloy não chegou a gritar, mas ele estava perigosamente perto. Aguiar não pensou duas vezes antes de agarrar a fivela na frente da roupa de Eloy e o puxar em direção a cidade.
— Me solta, PORRA!
— Cala a boca, caralho!
Eloy tentou fazer Aguiar o soltar, e o delegado não conseguiu levar o baterista para tão longe quanto ele gostaria, aparentemente a máscara o deixava mais forte do que o normal. Aguiar estava realmente preocupado com a atenção que eles estavam atraindo, ele esperava que por algum milagre o som viajasse melhor pelo lago do que pelo caminho até a igreja. Quando Eloy não conseguiu se livrar de Aguiar, tentando o empurrar para longe e puxando a faixa de sua mão, ele mudou a estratégia e puxou a própria mão para trás, pronto para acertar um gancho de direita no olho de Aguiar que desviou por pouco. Por um milissegundo Aguiar pensou se não merecia o soco. Eloy atacou novamente, dessa vez por baixo, desferindo contra o estômago de Aguiar que conseguiu bloquear e com isso sentiu a força do baterista.
— Caralho. Desculpa, cachorrão.
Ele disse enquanto tirava a própria máscara do bolso lateral da mochila, Aguiar desviou de outro ataque de Eloy, e no movimento colocou a máscara. Com o sentimento revigorante e a adrenalina voltando ao seu corpo pela segunda vez naquela noite, ele mesmo começou a rosnar, talvez fosse o cansaço de sua mente, mas agora a influência da máscara estava mais forte, aos poucos ele simpatizava com a sede de sangue, mas com a consciência que lhe restava e a força concedida pela máscara conseguiu puxar o pitbull dos Psikolera para dentro de uma das casas.
— Calma, cara! Eu sei. Eu sei o que cê tá sentindo, e acredita, não chega perto do ódio que eu tô!
Eloy tinha ido ao chão com a força do confronto deles, ele podia ter segurado um carro no braço naquela noite, mas a experiência de quase morte claramente impactou sua performance. Ele levantou com um rosnado nervoso, partindo pra cima de Aguiar na tentativa de passar por ele, ou tirá-lo de seu caminho, mas o Mutilador Noturno não recuou.
— Se é vingança que cê quer, então pode me matar!
Aguiar segurou Eloy pelos bíceps, os músculos por baixo de suas palmas se contraindo com a força que o músico fazia contra o assassino. Aguiar viu a confusão voltar pro rosto de Eloy, e um dos espasmos de sua cabeça ser mais enfático, um sinal claro de “como assim?”.
— Os vampiros foram no circo atrás de vingança. Porque eu matei alguém do grupo deles. Eles tavam lá por causa da gente, por minha causa.
Ele arfava mais que Eloy agora, admitir em voz alta deveria doer, talvez ainda fosse, mas com a máscara ele só sentia raiva. As mãos de Eloy o soltaram devagar, hesitantes, Aguiar não tinha visto o Psikolera tão quieto com a máscara, sua cabeça ainda se mexia, mas era um movimento mínimo, como se ele estivesse se esforçando muito para suprimir os instintos da focinheira.
— Você sabia?
A voz de Eloy estava ainda mais grave, perigosamente baixa e acompanhada de um grunhido no fundo da garganta.
— Que eles iam aparecer por isso, vocês sabiam??
— Claro que não, porra! Eu não teria ido pros Couraças se eu soubesse!
Eloy mexeu a cabeça de uma forma que lembrava muito os tiques de Labirinto, Aguiar teve que segurar um rosnado com a visão. Talvez ele estivesse mais afetado por Labirinto e Jae do que imaginava.
— Não é sua culpa então. — Eloy disse entre dentes, quase como se estivesse tentando convencer a si mesmo. — Eles que tem que pagar.
— E é verdade, mas desse jeito eles só vão conseguir ganhar mais um. Você disse que queria sangue, eu tô oferecendo o meu.
De repente, Aguiar se sentiu analisado sob o olhar vazio de Eloy. O baterista bufou por trás da máscara e tentou passar por Aguiar de novo, dessa vez realmente parecendo mais calmo.
— Isso não vai fazer você se sentir menos culpado, cara.
Aguiar entrou na frente dele com um passo para a esquerda.
— Talvez eu só precise da distração.
Aguiar ouviu as palavras abafadas por trás da própria máscara ecoarem pela casa abandonada. Eloy já não sabia sobre o que Aguiar estava falando. Nem o delegado tinha reparado em como suas palavras fizeram o ar mudar entre eles, mas quando percebeu sua mente o convenceu de que era exatamente para onde deviam ir.
— E você também. A gente precisa esquecer o que aconteceu, pelo menos por um tempo…
Aguiar não desviou do soco dessa vez, o impacto quase tirou a máscara de seu rosto e ele cambaleou para trás alguns passos até Eloy o agarrar pela gola do colete vermelho.
— Esquecer? Eles eram meus irmãos. Você pode não se importar com a sua equipe, mas eu perdi parte da minha família hoje. Eu nunca vou esquecer.
Eloy não estava falando, ele rosnava perto do rosto de Aguiar, o Mutilador Noturno podia imaginar a respiração quente batendo em seu rosto se não fossem as máscaras entre os dois. Ele riu, não pelo soco, Aguiar não era tão parecido com Henri assim, mas por que o que mais ele poderia fazer? Eloy tinha razão. Mas o baterista não gostou de sua reação e desferiu outro golpe contra seu rosto. Aguiar se perguntava se ele não estava machucando a própria mão batendo na máscara.
— Melhor?
A pergunta de Aguiar veio com gosto de ferro, o sangue escorrendo de sua boca, passando por seu queixo e manchando o pescoço. Eloy hesitou novamente, ele arfava confuso, suas mãos relaxando e apertando em volta do colete de Aguiar. Ele negou com a cabeça, ou a música em sua cabeça mudou de ritmo, Aguiar decidiu confiar na primeira possibilidade.
— Sabe, tem um jeito melhor de descontar isso aí sem fuder minha cara… quer dizer…
Aguiar disse soltando um risinho irónico e Eloy bufou, balançando a cabeça de novo. Um rosnado baixo foi todo o aviso que Aguiar teve antes de ser prensado com força entre a parede em suas costas e a muralha do corpo de Eloy em sua frente. A posição não era nem um pouco confortável com a mochila, arpão e espada nas costas de Aguiar. O músico conseguiu posicionar a perna direita entre as duas de Aguiar e empurrou o corpo uma vez contra o do assassino, devagar mas forte, como se estivesse saboreando a sensação. Eloy afundou o rosto no pescoço de Aguiar e ele pode sentir o ar quente saindo da abertura da focinheira, os primeiros spikes arranhando e pressionando contra sua pele, o suor umedecendo o sangue seco onde as faixas não cobriam, os grunhidos e rosnados de Eloy enquanto ele continuava a se mexer estranhamente devagar, e a perna entre as suas tremendo com o esforço controlado.
— Porra…
Ele não esperava ficar excitado tão rápido, não desse jeito, pelo menos. Suas mãos subiram para os bíceps de Eloy, seus dedos se enrolando nos cadeados ao lado de seus braços. O baterista tinha as mãos apoiadas na parede em cada lado da cabeça de Aguiar, quando elas começaram a bater de forma rítmica ele percebeu que Eloy não tinha silenciado a música em sua cabeça. Uma nova estava começando. A velocidade dos movimentos dele aumentou junto das batidas, e Aguiar se viu os espelhando, o corpo curvado de Eloy alinhou seus membros fazendo os dois grunhir de prazer enquanto se esfregavam um no outro. Aguiar não pôde deixar de rir ao perceber o quanto eles pareciam dois cachorros no cio.
E o pior nem era Eloy se esfregando contra o pau de Aguiar atrás do próprio prazer, ou o som de seus grunhidos e rosnados, que não deviam ser tão excitantes quanto Aguiar sentia, mas a maldita batida rítmica que Eloy seguia com a perna entre as do Mutilador Noturno, ele não sabia se era tão bom para o baterista, mas para Aguiar estava sendo enlouquecedor. E perfeito para o que ele precisava.
— Caralho… porra, cara…
Aguiar gemeu, a mão voando para a bunda de Eloy para puxar o baterista para ainda mais perto, o outro braço quase cruzando as costas dele, agarrando o ombro musculoso. Eloy também decidiu explorar o corpo do delegado, primeiro puxando seu pescoço e a focinheira pressionando do outro lado. Aguiar se perguntou se Eloy podia sentir seu cheiro através da máscara, faria sentido visto que ele mesmo podia farejar vítimas independente da sua máscara de hockey. A outra mão de Eloy empurrou o colete e uma das alças da mochila de Aguiar de seu ombro, o assassino entendeu a mensagem rápido e logo as armas em suas costas e a mochila encontraram o chão, a peça vermelha caindo por cima. Aguiar nem sentiu Eloy tirando seu machado do coldre, mas ouviu o barulho metálico ecoando pela casa quando a arma foi jogada para o lado. Aguiar sorriu por trás da máscara.
— Me desarmando desse jeito… vai botar seu pistolão pra fora também?
Ele deveria saber que citar a Kemi nesse momento não seria a melhor ideia, mas foi mais forte que Aguiar, e como resposta ele sentiu uma mão agarrando seus cabelos pelo couro cabeludo e segundos depois o impacto de sua cabeça contra a parede.
— Fica quieto.
Eloy rosnou grudando a máscara na de Aguiar que via estrelas por motivos completamente diferentes de segundos atrás, mas não menos prazeroso para ele. Aguiar grunhiu de dor, ou prazer, era difícil até mesmo para ele dizer.
— Por que? Tá tentando imaginar outra pessoa?
Outro rosnado, e o delegado sentiu uma mão pesada em seu ombro o empurrar para baixo, forçando suas pernas já fracas a dobrarem até ele se ajoelhar, parte dos escombros da casa destruída pressionando através da calça, a outra mão de Eloy foi para o topo de sua cabeça e por um segundo Aguiar se preocupou ao sentir a máscara em seu rosto deslizar para o lado, mas ela parou de girar antes de revelar seu rosto por completo.
— É isso que você quer, né? Que eu te faça calar a boca?
Aguiar riu, a metade de um sorriso sarcástico encarando Eloy de baixo, a lua cheia brilhava por cima do ombro do baterista. Aguiar não tinha percebido quando entraram que o teto da casa tinha desmoronado quase por completo.
— ‘Cê pode tentar.
Eloy aceitou o desafio pressionando Aguiar contra a parede com um joelho em seu peito, as mãos ocupadas em colocar o pau para fora. Aguiar umedeceu os lábios e engoliu a onda de saliva que inundou sua boca. O que talvez não tenha sido a melhor ideia quando Eloy meteu o cacete boca a dentro e garganta abaixo em um movimento, nem um reflexo poderia ter preparado o delegado, ele engasgou e tossiu algumas vezes depois do baterista ter dado espaço. Aguiar não precisou ouvir o grunhido pra saber que também não foi tão bom pro Psikolera, ainda tinha parte da máscara no caminho e ele sentiu seus dentes arranhando a pele tanto na entrada quanto na saída. Apesar disso, Eloy não parecia menos excitado.
— ‘Cê não queria dar uma de putinha? Agora aguenta.
Aguiar sorriu de novo e abriu a boca o máximo que podia, colocando a língua pra fora, ignorando o ardor atrás de seus olhos e o incômodo na garganta. Os dedos de Eloy tinham apertado em volta de seus cabelos de novo e o assassino podia sentir os espasmos da mão dele, a batida parecia diferente de novo. Foi Aguiar quem abocanhou o pau de Eloy na segunda vez, sugando o comprimento com dedicação, mas sem o tomar tão fundo quanto a primeira estocada, sua boca fez um bom trabalho em produzir mais saliva, o resto de sangue que ele tinha sentido mais cedo também ajudou na lubrificação, pelo menos no começo. Eloy guiava os movimentos de Aguiar de forma rasa, mas os grunhidos rítmicos do baterista diziam que ele estava gostando.
Respirando pelo nariz, Aguiar fechou os olhos e começou a mover a cabeça em um movimento contrário do de sua mão que ajudava no boquete, enquanto isso sua mão esquerda subiu pela perna exposta de Eloy, a fenda sendo funda o suficiente para Aguiar sentir a coxa poderosa relaxando e se contraindo sob sua palma. Eloy puxou o cabelo de Aguiar duas vezes rápido em direção ao seu corpo, soltou por um segundo, puxou mais duas e segurou o rosto do delegado contra sua virilha por mais alguns segundos antes de começar uma sucessão de estocadas fortes contra a garganta de Aguiar. Ele teve dificuldade para não engasgar de novo, e arfou como um cachorro nos cinco segundos de descanso que Eloy o presenteou até começar outra sequência de investidas, até enfim relaxar a pegada. Aguiar aproveitou o momento para sentar nos próprios calcanhares ofegante, mas não deixou de estimular o pau do baterista com a mão, quando olhou para cima buscando o rosto de Eloy encontrou olhos brancos o encarando de volta, a cabeça balançando de um lado para o outro e o peito arfando de forma mais controlada que Aguiar, a respiração saindo da máscara em bufadas que pareciam muito que ele estava cantando sem a voz.
Aguiar sentiu quando o próximo ataque estava vindo, Eloy agarrou seu cabelo alguns segundos antes de puxar ele para perto de novo, dando tempo o suficiente para Aguiar inspirar pelo nariz e preparar para engolir o cacete abaixo. As estocadas tinham o mesmo ritmo que as anteriores, mas agora Aguiar estava pronto, Eloy pôde empurrar ainda mais fundo, ele segurou a cabeça de Aguiar com as duas mãos pra manter ele no lugar, o nariz esmagado contra a pele do músico, Eloy o soltou por sete segundos, mantendo a cabeça de Aguiar pressionada contra a parede e depois deu mais oito estocadas fortes até estabelecer um ritmo menos brutal, sua cabeça batendo contra a parede todas as vezes. Não que Aguiar estivesse reclamando, quando ele falou sobre Eloy foder a cara dele não era uma piada, era algo que ele precisava. O Mutilador Noturno abriu a própria calça e com um pouco de dificuldade tirou o próprio pau latejando para ter um pouco de alívio.
A pica em sua língua estava ficando mais pesada e Aguiar podia sentir o gosto salgado de pré-gozo. Eloy grunhia, mas mesmo estando perto ele voltou a acelerar o ritmo como das últimas vezes, dessa vez o ataque durou muito mais que das outras vezes, e Aguiar não sabia se ele queria que acabasse logo ou que Eloy nunca gozasse. O ritmo diminuiu, Eloy deu uma estocada, e outra, e mais três, antes de soltar Aguiar de vez e se afastar, segurando a base do próprio pau com força, o membro brilhando com saliva que ainda estava conectada aos lábios de Aguiar, que limpou com a parte de trás da mão. Ele não podia dizer que não estava impressionado com a estamina do baterista.
Um rosnado grave trouxe Aguiar de volta à realidade, Eloy agarrou o pulso da mão que ainda segurava sua coxa e puxou para cima, quase tirando Aguiar do chão com a força. Aguiar reclamou, mas não puxou o braço de volta, por algum motivo Eloy parecia ainda com mais raiva que antes. Ele começou a soltar as fivelas das munhequeiras de couro do assassino, primeiro de um braço e depois do outro. Aguiar olhou para as tiras no chão irritado, ia ser um saco colocar tudo de volta se o baterista pretendia despir ele por completo.
— Não precisa disso, cara-
Começou a dizer com a voz rouca quando Eloy moveu para tirar as correias de seu bíceps de forma brusca, o músico o interrompeu encaixando a mão na máscara do Mutilador Noturno e empurrando-a de volta pro lugar com força.
— Cala a boca, porra.
Aguiar pensou que se não fosse a máscara Eloy muito provavelmente já teria esbofeteado sua cara umas cinco vezes. Ele terminou de soltar a fivela de seu braço direito, mas ao invés de jogá-la no chão como as outras, Eloy agarrou os pulsos de Aguiar com uma das mãos e amarrou a correia em volta deles com força, ganhando um chiado em resposta. Eloy puxou as mãos deles para perto e aproximou o rosto do de Aguiar.
— Se tocar em mim de novo… eu abro um buraco nessa casa… só pra te amarrar nela.
Ele devia sentir indignidade, raiva ou até achar engraçado, mas a ameaça mexeu com Aguiar de uma forma que fez seu pau espasmar, ele quase queria testar o quão sério Eloy estava falando, mas um instinto interno fez ele puxar as mãos presas contra o próprio peito e inclinou a cabeça para o lado, desafiando Eloy a dar a próxima ordem.
— Vira.
Aguiar hesitou, a realidade do que estava prestes a acontecer o atingindo. Sua respiração se acelerou e ele virou de costas para Eloy, os pelos de seu corpo se arrepiando e Aguiar não sabia se era por ansiedade ou antecipação. O baterista colou o corpo no do delegado, a pica ainda dura dele pressionando contra a bunda de Aguiar, as mãos de Eloy subiram pelo corpo do assassino, subindo pelo abdômen, uma parou em seu peitoral direito, a outra continuou até o pescoço de Aguiar, apertando um pouco em volta da garganta já dolorida antes de continuar o caminho para cima para segurar a máscara de hockey e a levantar o suficiente para a mão cobrir a boca de Aguiar. A outra se moveu de novo, dessa vez para baixo até alcançar a calça de Aguiar, ele ignorou completamente o pau latejando do Mutilador Noturno e puxou a peça mais para baixo, o cós não passando do início de suas coxas, apesar dele saber que Eloy já tinha revelado o que ele queria.
— Cospe.
Com a respiração pesada Aguiar reuniu o máximo de saliva que conseguiu e mirou nas pontas dos dedos de Eloy, já que o resto da mão dele estava coberta de bandagens, por um segundo Aguiar sentiu uma pontada de culpa, o baterista e Kemi realmente pareciam um par perfeito, e aqui estava ele prestes a dar pro cara. A mão sumiu da frente de Aguiar e segundos depois duas estavam separando suas nádegas enquanto a cabeça babada de um pau pressionava contra sua entrada. Aguiar se forçou a relaxar respirando fundo algumas vezes, mas Eloy não ofereceu tempo algum para que ele pudesse se acostumar com a intrusão. Por sorte, não era a primeira vez do delegado, a dor veio, mais aguda e prolongada do que ele estava acostumado, mas não era nada novo, e na verdade era algo que ele abraçava. Quando Eloy entrou por completo, o peito de Aguiar já se expandia e contraia com arfadas pesadas. O baterista grunhiu e tirou tudo, levando a mão de volta para a boca de Aguiar.
— De novo.
O Mutilador Noturno se perguntou se Eloy estava começando a se preocupar com ele, com um sorriso, ao invés de cuspir, ele lambeu as pontas dos dedos do músico, que hesitou por meio segundo e deu de ombros.
— Seu funeral, cara.
Ele ainda passou os dedos úmidos no pau e voltou a penetrar o assassino com estocadas curtas até colar a virilha contra a pele de Aguiar, novamente seguindo um ritmo fantasma. Um gemido alto escapou do assassino quando o baterista começou a estocar ainda mais rápido do que quando estava fodendo sua garganta. Eloy não soltava nenhum som além de arfadas pesadas que a máscara transformava em rosnados, de tão concentrado em seus movimentos. O ritmo abrandou, apesar dele ainda alcançar fundo dentro de Aguiar, o atrito da pele de Eloy quase seca era agonizantemente prazerosa, os dois gemeram em uníssono e isso pareceu agradar Eloy que soltou um rosnado de aprovação antes de começar com estocadas pesadas.
— Porra…
Aguiar precisou apoiar as mãos amarradas na parede para conseguir se manter de pé. Eloy puxou seu quadril para trás e empurrou uma mão contra suas costas, o fazendo abaixar ainda mais o tronco. O ajuste da posição fez com que Eloy atingisse a próstata de Aguiar, o assassino não se importando mais com a dor, mas tentando ao máximo manter seus gemidos em forma de grunhidos. O baterista segurou a barra da cinta que Aguiar usava em volta da cintura para ajudar no movimento, empurrando contra ele ao mesmo tempo que o puxava para trás com a mesma força. Em um momento, Aguiar reconheceu o ritmo em que estava sendo fodido. O desgraçado o estava comendo enquanto Custer tocava em sua cabeça.
— Caralho, mano… que tesão do caralho, porra
Aguiar começou a se mover também, apesar de ser excitante ser manuseado como Eloy quisesse, perceber o que estava passando pela cabeça do músico atiçou o delegado o suficiente para que até ele ouvisse a música. Os dois se moviam como um, o Mutilador Noturno preferiu usar o próprio rosto como apoio na parede para que pudesse usar mãos para aliviar a dor em seu pau, seu braço também seguindo o ritmo entre eles.
Eloy se entregou completamente para a música, além de ser fodido no ritmo, Aguiar sentiu o ardor de um tapa em sua bunda, seguido de outro e vários mais, como se Eloy tivesse encontrado sua nova bateria, a força derrubando a máscara da cabeça de Aguiar. Os grunhidos do maior estavam cada vez mais cheios de ar e no exato segundo em que Aguiar imaginou que a música estava acabando, Eloy tirou a pica de dentro dele e gozou no chão entre as pernas dos dois. Aguiar seguiu logo depois, a dor em suas nádegas e o rosnado em suas costas o empurrando completamente para o precipício. O baterista se afastou alguns passos, Aguiar ouviu do fundo de sua mente um zíper se fechando e com um clique suave a respiração de Eloy soou como o de uma pessoa de novo. Aguiar olhou para trás para ver o músico guardando a focinheira, o cabelo grudando em seu rosto que estava completamente vermelho.
— E-eu… — ele esfregou o rosto e sentou no chão se jogando contra a parede. — porra, cara…
Aguiar concordou com a cabeça e colocou seu membro para dentro antes de puxar sua calça para cima, as mãos ainda amarradas. Quando ele fechou o zíper, olhou em volta para suas coisas espalhadas pelo chão e com um suspiro começou abrir a fivela em seus pulsos com os dentes. Eloy ainda não olhava para ele, e Aguiar imaginava que seria assim por um bom tempo.
— Ia perguntar se se sente melhor, mas acho que seria uma pergunta meio burra, né?
Disse voltando a colocar seus adereços, seus pulsos estavam vermelhos e com alguns pontos queimados. Eloy bufou de onde estava e balançou a cabeça negativamente.
— Se eu falar que tô pior ‘cê vai querer me mamar de novo?
Aguiar riu. Pelo menos ele parecia bem o suficiente para fazer piadas. O delegado pensou onde seria o melhor lugar pra ficar e preferiu se sentar no chão próximo a parede onde tudo aconteceu, de frente para Eloy do outro lado, e logo ao lado da piscina de porra misturada dos dois.
— Olha, eu não sou o melhor nisso, mas acho que foi melhor do que se a gente tivesse se matado tentando lutar com os vampiros. Então acho que é um ponto positivo: a gente tá vivo… talvez com mais culpa do que antes, mas vivo.
Eloy bufou outra risada, mas pareceu concordar, apesar de não oferecer uma resposta verbal. Aguiar notou como ele aparentava estar pensativo, o baterista estava desenhando na poeira no chão da casa desmoronada.
—... A Kemi não precisa saber… tipo, foi só coisa do momento, não significa nada, então não tem porque a gente fazer disso um circo.
E essa era a grande verdade da vida de Aguiar, todos os momentos que ele vivia com outras pessoas não significavam nada para elas. Os momentos não eram importantes e nem ele. Era algo com o que ele já estava acostumado. Eloy franziu o cenho e negou com a cabeça de novo antes de soltar um suspiro.
— Ela disse que eu não preciso mentir pra ela, cara. Eu também acho que é melhor do que viver com isso, se ela não me quiser mais… vai só ser consequência.
Aguiar podia sentir o arrependimento e medo na voz dele, e o delegado podia simpatizar com o sentimento. Ele duvidava que Kemi iria querer terminar o que quer que eles tinham, ela já parecia apaixonada pelo cara, e se fosse preciso, Aguiar levaria a culpa pelo baterista, ele era um cara maneiro e Kemi merecia ser feliz.
— Ahm… valeu, aliás… eu sei que não é bem o que você pretendia, mas me ajudou pra caralho, então… valeu.
Ele disse um tanto envergonhado, apesar de não ter significado nada para Eloy, Aguiar realmente precisava de um pouco da atenção, mesmo que ele saísse dolorido e cheio de hematomas. Eloy deu de ombros.
— Foi você quem me tirou do caminho pros vampiros, cara, eu que devia agradecer.
O olhar de Eloy ainda não encontrava o de Aguiar, o mais alto se levantou e bateu um pouco as roupas para limpar do pó, apesar do delegado duvidar que isso iria ajudar ele a ficar mais limpo com todo o sangue, suor e porra impregnado nele. Aguiar se levantou também, mas parou ao pegar sua mascara, algo sobre ela parecia diferente, ou talvez fosse ele que a estava vendo sob novos olhos. Eloy passou por ele para encarar a noite e Aguiar terminou de se armar, prendendo o machado no coldre. O baterista ainda tava do lado de fora quando ele saiu, como se o esperasse.
— Então… até amanhã, pra pegar esses filho da puta.
O ódio na voz de Eloy quase suprimiu o constrangimento, Aguiar forçou um sorriso e concordou com a cabeça.
— Até, mano.
Ele deu um tapinha no ombro de Eloy que pulou como um cão assustado recebendo carinho pela primeira vez. Aguiar ignorou, acenou com a cabeça e seguiu seu rumo mancando de volta para a mansão.
(...)
Aguiar acordou com a cabeça latejando, a casa já estava toda iluminada, mas não era possível que fosse tão tarde quanto parecia. Os outros já estavam acordados, Labirinto e Henri estavam mexendo com algumas sucatas, provavelmente se preparando para arrumar algo na casa, Jae e Pomba pareciam estar preparando algo na cozinha e Kemi não estava em nenhum lugar que ele pudesse ver. Aguiar percebeu o olhar curioso de Jae quando ele levantou da cama que seria de Dalmo, quando voltou ele preferiu não deitar ao lado do outro assassino de novo, só não parecia certo.
O delegado tentou ao máximo não mancar enquanto saia da casa, seu chute era que Kemi estava no ponto de vigia que ela e Dalmo tinham construído no dia anterior, e por sorte era exatamente onde a sniper estava. Ele imaginou que ter que subir escadas com a dor que sentia ao se mover era a punição por talaricar a parceira de equipe, quando subiu para o posto de controle Kemi estava usando seus binóculos para procurar algo.
— Ei…
— E aí, dorminhoco. Passou da hora hoje ein? A gente só deixou porque ‘cê carregou a gente ontem.
Aguiar sorriu, era bom quando Kemi estava de bom humor, sempre parecia que ela iluminava todo o ambiente. Depois das desgraças da noite anterior, Aguiar temia que ela ainda estaria desesperançosa com tudo.
— Valeu. Eu… eu queria falar com você, tem como?
Kemi tirou os olhos dos binóculos para virar para Aguiar com uma sobrancelha levantada. Aguiar conseguiu sentir as defesas dela se levantando, apesar dele ser quem estava quase se ajoelhando para se desculpar.
— Eu meio que dei pro Eloy ontem…
Silêncio. E então:
— QUE? — Kemi virou completamente para ele. — Não… como assim?
Ela riu incrédula, e depois seu rosto amigável se desfez de raiva. Lentamente ela começou a puxar a arma em suas costas.
— CALMA! Não significou nada! A gente tava de máscara, nenhum dos dois tava pensando direito, e as coisas só meio que aconteceram, a gente só precisava extravasar a raiva. Me desculpa, mesmo. E o pior que nem foi culpa do Eloy, eu que fiquei provocando ele, o cara nem queria…
Aguiar se afastou com as mãos levantadas
— COMO ‘CÊ QUER QUE EU FIQUE CALMA, AGUIAR?? ‘CÊ COMEU A PUTA DO ESCAPAMENTO, AGORA DEU PRO MEU MACHO, QUE PORRA É ESSA??
O delegado realmente imaginou que as coisas poderiam ficar só entre os três e que mais ninguém precisaria saber do que aconteceu, mas é claro que ele devia imaginar que Kemi não reagiria com discrição.
— Desculpa, cara! Não tem o que eu possa te dizer, aconteceu, porra! Mas não teve sentimento nenhum, eu juro. E ele ficou todo arrependido depois, ele disse que ia te contar, eu só não queria que ele te falasse primeiro e você viesse atrás de mim perguntando porque eu não falei antes
Kemi fazia que não com a cabeça freneticamente, era quase um espelho do próprio Eloy usando máscara. Com uma olhada para trás, Aguiar percebeu quatro pares de olhos curiosos olhando pelas janelas da casa.
— E como caralhos vocês dois se encontraram do nada, Aguiar??
Aguiar abriu a boca para responder, mas hesitou. Ele não queria ter que explicar os pensamentos insanos que rondaram as cabeças dos dois caras mais fortes que sobraram na aliança dos grupos. Kemi começou a levantar a sniper de novo e Aguiar se rendeu.
— A gente tava indo pros vampiros! — ele suspirou. — Eu não tava conseguindo dormir, mas eu tava cansado pra caralho e, obviamente, eu não tava pensando direito e eu só fui… Eloy meio que tava passando pela mesma coisa porque a gente acabou se encontrando no caminho… O que foi bom! Porque se não tivesse acontecido os dois estariam mortos agora.
Ele decidiu morder a língua quando a frase “então de nada, por ter salvo seu namorado” passou por sua cabeça, Aguiar já estava na corda bamba o suficiente. Kemi pensou por alguns segundos, e então abaixou a sniper, e suspirou, e olhou Aguiar diretamente nos olhos antes de dizer.
— Tá, então agora ‘cê vai ter que dar pra mim.
A mente de Aguiar entrou em curto circuito.
— Que?
— É isso aí. Ou ‘cê vira marmita, ou ‘cê vira presunto
E ela levantou a sniper de novo de forma ameaçadora. Quando se jogou no portal dos Psikolera, Aguiar não esperava se envolver em dois trisais. Apesar que ele ainda não tinha certeza se Labirinto o queria na relação com Jae. Ele também não sabia se Eloy iria querer na relação com Kemi, mas ao mesmo tempo, Aguiar sabia que o baterista faria qualquer coisa se significasse a Kemi continuar com ele. O Mutilador Noturno bufou uma risada e sorriu para a loira que ainda o olhava desafiadora.
— Sim, senhora.
