Chapter Text
MINGYU
Abri os olhos lentamente, focando o olhar no teto.
Cocei a cabeça e suspirei alto. A noite de ontem parecia um delírio em minha mente. Seokmin me provocou de propósito, me masturbou e gemeu meu nome. Mordi meu lábio. Não posso pensar demais nisso senão vou ficar duro, e está cedo demais para isso. Nem era uma aula, nós só… fizemos o que deu na telha. Uma agitação estranha enjoava meu estômago, me deixando um tanto ansioso. Fechei os olhos, suspirando mais uma vez ao lembrar das palavras de Seokmin.
“Eu não imaginei o Jeonghan. Eu pensei em você.”
Meus dentes doeram com a força que eu trinquei a mandíbula. A mera ideia de Seokmin ter pensado em mim enquanto se masturbava pela primeira vez me deixava louco. Queria ter visto, minha vontade era de ser todas as primeiras vezes do Seokmin. Mordi a unha do meu polegar, pensativo. Não havia muito mais para “ensinar” para Seokmin, logo vamos chegar na última lição: o sexo com penetração. Me controlei para não rir histericamente.
Decidi levantar da cama para espantar os pensamentos confusos que começavam a adentrar minha mente. Chega, não são nem 08h00 da manhã! Tomei um banho e fui fazer meu café. Enquanto esperava o pó diluir, olhei meu celular. Inúmeras notificações de aplicativos e redes sociais variados, escolhi ver minhas mensagens primeiro. Hm… tinha um pessoal me chamando para uma festa, não sei se quero ir, prefiro ficar com Seokmin. Se bem que faz um tempinho que não vou a uma festa assim… vou ter que ir, senão vão encher meu saco. Confirmei minha presença.
Soonyoung me chamou para passar um tempinho na casa dele, ele estava tentando juntar o grupo para uma saída tranquila: filmes e fofocas. Topei na hora, espero que todos consigam ir. Despejei café numa xícara e comecei a beber enquanto fazia minha comida — ovos mexidos. Comi assistindo um vídeo no Youtube. Eram quase 09h00 da manhã quando fui no apartamento de Seokmin. Ele abriu a porta e o cheirinho de seu sabonete adentrou minhas narinas.
— Oxe, acordou cedo — falei, entrando. — Até tomou banho.
— Soonyoung me chamou pra ir pra casa dele, aí eu queria ficar pronto já — Seokmin respondeu, simples. — Ele te chamou também?
— Yep. Já tomou café?
— Meus biscoitos de queijo estão assando ainda. Você… vai fazer algo essa noite?
Pisquei, virando meu rosto para encará-lo. Seu tom de voz estava tímido, e seus olhos me evitavam.
— Por que? — Abri um sorriso de canto.
— Tira esse sorrisinho besta da cara — ele resmungou, colocando leite em sua caneca de café. — É só pra saber mesmo.
— O que foi? — Me apoiei na pia ao seu lado. — Quer aprender outra coisa hoje?
Seokmin mordeu o interior da bochecha, ainda sem me encarar.
— B-boquete — ele sussurrou. — Queria aprender a fazer um boquete.
Pai amado. Ainda não me acostumei com esse jeito mais direto de Seokmin. Desde que estipulamos uma “safe word”, ele parecia menos receoso de tentar algo comigo. Estou aprendendo na marra que isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque gosto de ver Seokmin mais confiante, ruim porque está começando a mexer demais comigo.
— Hm… — Corri meus olhos pelo seu rosto avermelhado. — Você quer fazer em mim, ou quer que eu faça em ti?
— Prefiro fazer em você, enquanto você me diz o que fazer — Seokmin murmurou, misturando o café com leite.
— Você gosta de ser mandado, hein?
— Para. — Ele me bateu, arrancando uma risada minha. No entanto, engasguei quando seus olhos, finalmente, viraram até mim. — É que… você tem um jeito com as palavras… eu gosto.
Minha garganta fechou, me impedindo de responder. Assenti, fingindo tranquilidade, e toquei a ponta de seu nariz com o meu indicador.
— Que bom! — minha voz saiu mais fina que o normal. — Bom saber… acho que seus biscoitos estão prontos.
— Eu fiz um pouquinho a mais, se você quiser — Seokmin disse, tirando a forma do forno.
— Own, você pensou em mim! — zombei.
— Eu sempre penso, besta — Seokmin riu.
Meu coração errou uma batida. Abaixei a cabeça, rindo sem graça. Nos sentamos ao redor da mesinha de centro e comemos juntos, aproveitei para puxar um assunto qualquer.
— Você não me respondeu — Seokmin disse, de repente, mudando o assunto que conversávamos.
— Hm? — perguntei, pegando outro biscoito.
— Você vai fazer algo hoje à noite?
— Ah… vou sim. Me chamaram para uma festa. — Engoli o biscoito com dificuldade. — Desculpa, Minnie.
— Tudo bem — ele suspirou. — Você… pode me ensinar antes de ir.
Ergui as sobrancelhas, surpreso.
— Você não quer deixar pra amanhã? Assim teremos mais tempo.
— Ah, mas… — Seokmin fez um bico, contrariado. Soltei uma risadinha.
— Viu meu pau uma vez e já tá doido pra colocar na boca?
— Para de falar assim! — Seokmin me empurrou, irritado. — E seu pau não é lá essas coisas, pode abaixar a bola.
— Diz o cara que tá querendo me mamar a todo custo.
— Argh! — Seokmin agarrou meus ombros, enfurecido, e me empurrou para o chão. — Vou te esganar!
Minha barriga doeu de tanto rir enquanto eu o observava subir em cima de mim e apertar meu pescoço de leve, me xingando. No entanto, a graça acabou quando seus polegares apertaram um local específico, me deixando zonzo. Abri a boca, respirando pesado, e toquei sua cintura.
— Seok… — tentei falar. Parecia ter ar em minha cabeça ao invés do meu cérebro.
— Ah! — Seokmin me soltou, aflito. — Desculpa! Te machuquei?
Pisquei, ofegante. Meu rosto pegou fogo quando senti um formigamento abaixo do umbigo. Já me enforcaram no sexo antes, mas nunca foi muito minha praia. Até hoje, pelo visto.
— N-não — consegui falar. Dei um tapinha na sua coxa. — Levanta.
Seokmin não se mexeu. Oh, merda.
— Você gostou? — ele riu.
— Não. Levanta, bicho.
Seokmin rebolou em meu colo, não consegui segurar o gemido.
— Não é o que parece.
Nos encaramos por alguns segundos, em silêncio. Por fim, puxei seu pescoço e o beijei. Seokmin abraçou meus ombros e rebolou outra vez. Desci minha mão até sua bunda e a apertei, ajudando com os movimentos. Seokmin apalpou meu peito, em específico o que tinha o piercing, e gemi contra sua boca. Revirei os olhos quando ele começou a chupar minha língua. Porra, desse jeito nunca vou me acostumar com esse novo lado de Seokmin, ele sempre me surpreende.
— Você quer mesmo me mamar, né? — ri, ofegante.
— É a lição do dia. — Seokmin rebolou mais forte, se apoiando em meus ombros. Ele franziu a testa e gemeu baixinho, fechando os olhos. Meu pau pulsou com a cena.
— Aham. — Mordisquei seu lábio. — Levanta, então.
Seokmin abriu os olhos, animado, e fez o que eu mandei. Sentei no sofá e senti meu cérebro se encher de ar novamente quando Seokmin se ajoelhou entre minhas pernas.
— O que eu faço? — ele perguntou, erguendo os olhos até mim.
Respirei fundo, cobrindo a boca com a mão. Minha perna esquerda tremeu, e eu tive que me controlar para não gozar ali mesmo. Jesus, nunca fiquei com tanto tesão por causa de um boquete quanto agora.
— Ah, sim — Seokmin voltou a falar. — Criar o clima, né?
Para meu desespero, ele começou a apalpar meu pau sobre o jeans. Segurei seu pulso, soltando uma risada nervosa.
— O clima já foi criado, Seok, não se preocupe. Hm…
Engoli em seco, pensando no meu próximo passo. Aproveitei para tentar me acalmar também, do jeito que estou, é capaz que eu goze no instante que Seokmin botar a língua para fora. Que estranho! Eu não costumo ficar desse jeito, normalmente eu me controlo bastante. No entanto, é como se toda a minha experiência não valesse de nada, e, pela primeira vez, me senti… Deus do céu… Inseguro! Sim, loucura, não é? Logo eu me sentir inseguro? Com Seokmin ainda por cima!
Mas… talvez o fato de ser Seokmin é o que esteja me deixando nervoso. Tenho vontade de ser todas as primeiras vezes dele, porém, também quero ser o melhor. Quero servir de base para todos os próximos caras que Seokmin se relacionar.
Quero que Seokmin perceba que nenhum deles será tão bom quanto eu.
Jesus, esse pensamento fez meu pau pulsar outra vez. Balancei a cabeça, levando minhas mãos até o botão da minha bermuda, quando o som do meu celular tocando me interrompeu. Troquei um olhar com Seokmin.
— Ignora — Seokmin disse, erguendo as sobrancelhas.
Peguei o celular mesmo assim, recebendo um grunhido de desaprovação de Seokmin. Era Soonyoung, eu atendi.
— Oi — falei, limpando a garganta.
— Minghao topou! — Soonyoung comemorou. — Ele já tá vindo, vocês podem vir também.
— Vocês…? — perguntei.
— Sim, você e o Seokmin — Soonyoung disse como se fosse óbvio.
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Ele simplesmente deduziu que estávamos juntos, e, por coincidência, estávamos mesmo. Meu estômago se revirou, nervoso.
— Ok, estamos indo — falei e desliguei a ligação.
— Indo onde? — Seokmin franziu o cenho.
— Pra casa do Soonyoung.
— Já?
— É, ele chamou. O Hao tá indo também.
— Hm… Você vai assim? — Seokmin encarou minha pelve.
Cocei o queixo ao ver meu pau marcando a bermuda.
— Você também não tá muito diferente, bonitinho. — Rocei a ponta do meu pé na ereção de Seokmin. Recebi um tapa forte na canela.
— Não ouse — ele resmungou. Soltei uma risada.
— Vou dar um jeito nisso aqui lá em casa. Daqui a pouco eu volto pra gente ir pra casa do Soony.
— Você não quer ajuda?
Encarei Seokmin, que ainda estava ajoelhado entre minhas pernas, e mordi o lábio.
— Melhor deixarmos pra amanhã, pode ser? — Toquei seu rosto, acariciando sua bochecha. — Hoje temos muitos compromissos.
— Você tem muito compromisso — Seokmin rebateu, mas suspirou, assentindo. — Tudo bem, então.
Sorri e voltei para casa. Meu orgulho chora por eu admitir isso, mas não demorou muito para resolver meu “problema”. Seokmin demorou mais que eu. Tentei não pensar demais nisso. Por fim, entramos no meu carro e fomos até a casa de Soonyoung. Seokmin foi cantando o trajeto todo, e eu o acompanhei, parando apenas para rir quando ele errava alguma letra. Fazer as coisas com ele sempre é mais divertido, até mesmo uma breve viagem de carro.
— Que festa é essa que você vai? — ele perguntou enquanto procurava uma música na playlist do meu celular.
— É na casa de uma amiga — respondi.
— Eu conheço?
— Não. O nome dela é Sana.
— Hm… — Seokmin ergueu uma sobrancelha. — Gaon acabou de perguntar se você vai.
Me remexi no assento, nervoso.
— Responde que sim.
— Eu não vou encontrar um nude aleatório na conversa de vocês, não, né? — Seokmin me encarou de soslaio.
— Se você rolar pra cima, talvez — brinquei.
Seokmin bufou e digitou algo, provavelmente a mensagem para Gaon.
— Ele quer saber se você pode passar pra buscar ele.
— Hm… acho que vai ficar complicado, eu ainda tenho que voltar pra casa mais tarde pra me arrumar — murmurei, balançando a cabeça. — Eu dou um jeito, responde pra ele que sim.
— Não — Seokmin rebateu. — Se fica difícil pra você, então você não vai.
— Mas, eu…
— Não — Seokmin disse, severo. Minha voz sumiu, e eu arrisquei olhar em sua direção. Nunca o vi tão sério em toda minha vida. — Para de ser teimoso e me escuta.
Comprimi os lábios, voltando a olhar para frente. Meu coração parecia um tambor.
— Tá bom.
Seokmin suspirou, satisfeito, digitou algo no meu celular e deu play em uma música. Senti minha cabeça se encher de ar outra vez, eu gostava quando Seokmin era mandão assim. São raras as vezes que isso acontece, ele é bem passivo na maioria das vezes. Porém, de uns tempos para cá, esse comportamento vem se mostrando mais recorrente. Gosto de pensar que era por minha causa e das aulas.
Chegamos no prédio de Soonyoung. Ele havia se mudado para um apartamento bem maior e espaçoso. Hm… pensando bem, não sei exatamente com o quê ele trabalha. Interfonamos na portaria e subimos logo em seguida. Soonyoung abriu a porta, sorridente.
— Bem-vindos, queridos!
O apartamento cobria o andar todo. A sala de jantar e a sala de TV eram uma só, gigantesca. Havia uma porta que levava para a cozinha na esquerda, junto da sacada; e um acesso para os quartos na direita, imagino eu — não sei com precisão, já que a porta estava fechada. Minghao estava deitado com as pernas para cima no sofá, bem relaxado.
— Meu Deus, e eu com minha kitnet xoxa e capenga — Seokmin murmurou, maravilhado.
— Seu momento chegará, amigo. — Soonyoung deu um tapinha no ombro do outro.
— Tô até agora tentando fazer ele me falar o nome do sugar daddy dele — Minghao disse. Fui me sentar ao seu lado.
— Sugar daddy, nada! — Soonyoung colocou as mãos na cintura. — Conquistei esse lugar com meu dinheiro suado!
— Que trabalho é esse pra eu enviar meu currículo? — Seokmin brincou.
Soonyoung riu, fazendo pouco caso, mas não respondeu.
— Vocês querem beber alguma coisa?
— Temos bebidas alcoólicas? — Minghao perguntou. — Tô precisando de uma birita.
— O que foi? — perguntei, colocando suas pernas em meu colo.
— O chefe do Seokmin me tentando — ele resmungou.
— Eita! — Seokmin se deitou no tapete felpudo da sala, ao lado do sofá. — O que ele fez?
— Ele continua respondendo meus stories, comentando e curtindo minhas coisas — Minghao suspirou. — Mas… ele tá mais criativo.
— Ih — soltei uma risadinha. — Tá amolecendo, Hao?
— Ugh, não fala! — Minghao cobriu o rosto com as mãos.
— Bloqueia ele então, ué — Seokmin disse, zombeteiro.
— Não dá, ele é muito bonito — Minghao choramingou.
— Você tá é querendo dar pra ele, isso sim. — Belisquei sua perna, ganhando um chute leve no ombro como resposta.
— Bem que eu notei que o Jun não tá mais me perguntando de ti — Seokmin riu. — Ele conseguiu o que queria, então.
— Soonyoung, traz logo a cachaça! — Minghao gritou, arrancando risadas altas minhas e de Seokmin.
O dia correu de forma tranquila, eu adoro passar o tempo com eles. Ficar entre amigos é a melhor coisa do mundo, eu não preciso me forçar a nada, muito menos me esconder atrás de uma máscara. Eu posso ser só eu, sem peso na consciência. Momentos como esse são raros, porém, é o que me motiva a continuar.
Assistimos um filme de terror bem farofa em homenagem aos velhos tempos. Mesmo sendo uma forçação de barra, ainda me arrancou uns gritos de susto. Seokmin também se assustava, agarrando meu braço e escondendo o rosto. Nessas horas, eu esquecia meu medo, focando apenas em consolar Seokmin. Soonyoung também pulava de medo, agarrando meu outro braço. Minghao foi quem mais se divertiu, rindo dos nossos gritos apavorados.
Estávamos numa pausa de 5 minutos para repor a pipoca, quando me levantei do sofá.
— Onde é o banheiro, Soony? — perguntei.
— Primeira porta à direita no corredor. — Ele apontou para o acesso aos outros cômodos da casa, o qual estava fechado.
Abri a porta de correr e encontrei o banheiro. Após alguns minutos, me preparei para voltar para a sala quando algo me chamou a atenção. O corredor era pequeno, contendo apenas três portas (uma delas sendo o banheiro que acabei de usar). Numa das portas, uma luz roxa brilhava pela fresta. Não consegui me conter, entrei naquele quarto.
O local era muito bem decorado, com pôsteres de anime nas paredes, as quais tinham uma cor delicada de rosa; pequenas estantes com action figures de vários personagens diferentes e alguns livros e mangás; uma luz led roxa que deixava o lugar com um aspecto mais misterioso; e um sofá grande que parecia bem confortável. No entanto, o que realmente me chamou atenção foi a mesa com um setup gamer magnífico, com direito a uma tela de computador gigantesca, webcam de alta qualidade, headphones de gatinho, CPU colorida e um mousepad todo decorado.
Estava abismado com aquele quarto. Não sabia que Soonyoung gostava tanto de coisas assim, acho que ele se daria bem com Wonwoo. Ok, já chega. Xeretei demais, tenho que voltar. Fui dar meia-volta quando notei uma prateleira ao lado da porta. Engasguei com a minha própria saliva ao perceber que aquela estante estava repleta de dildos de tudo quanto é tamanho e forma.
De repente, senti uma mão agarrar minha camisa e me puxar para fora daquele quarto. Arfei assustado e observei Soonyoung fechar a porta, me encarando de olhos arregalados.
— O que caralhos você fazia aqui dentro? — ele sussurrou, aflito.
— Vi a luz roxa — murmurei, apontando para a fresta no chão, na qual a luz ainda passava por ela.
— E você achou de bom tom entrar no quarto dos outros sem pedir? — Soonyoung me repreendeu.
— E-eu pensei que não era nada demais — tentei me justificar. — Somos amigos, eu achei que…
— Pois achou errado! — Soonyoung me interrompeu. Ele estava irritado, mas seus olhos brilhavam em desespero, como se fossem explodir em lágrimas a qualquer momento.
— Soony — falei com cuidado — é com isso que você trabalha?
Ele comprimiu os lábios e abaixou a cabeça, em silêncio. Interpretei como um sim.
— Por que você nunca…
— Vocês todos têm trabalhos “respeitosos” — ele murmurou, acanhado. — Eu… sei lá, eu…
— Ei, nada disso — falei, colocando as mãos em seus ombros. — Somos seus amigos, Soonyoung, nunca te julgaríamos. Deus do céu, eu sou dono de uma sex shop, ora!
Soonyoung riu, piscando para afastar as lágrimas.
— Desculpa…
— Relaxa, ok? — Abracei o coitadinho. — Não precisa pedir desculpa.
— Alô? — Minghao disse, abrindo a porta. — Que demora é essa? Eu quero terminar o… Uai? Soonyoung, você tá chorando?
— Hein? — Seokmin entrou no corredor na mesma hora. — O que aconteceu?
Soonyoung fungou e me soltou.
— Eu tenho um Onlyfans.
Uau, ele lançou a bomba de uma vez. Não sei porque estou surpreso, Soonyoung é muito 8 ou 80. A reação dos outros foi engraçada. Minghao franziu a testa, estupefato, deixando o queixo cair. Seokmin arregalou os olhos.
— Quê? — Seokmin gritou. — Desde quando?
— Faz uns meses já…
— Esse é seu trabalho suado que te ajudou a comprar esse apê gigantesco? — Minghao perguntou.
— É… — Soonyoung encolheu os ombros, inseguro.
— Sem julgamentos, pessoal — falei, colocando as mãos nos bolsos.
— Não, não é isso! — Minghao se corrigiu. — É só que… então eu tava meio certo, né? Você tem um sugar daddy! Ou melhor, vários sugar daddies…
— Eu falo que tenho um Onlyfans, e você tá mais preocupado em provar seu ponto? — Soonyoung riu.
— Mas é claro! — Minghao cruzou os braços.
— Por que não falou nada antes? — Seokmin perguntou.
— Receio, eu acho. — Soonyoung torceu a boca. — Como eu disse pro Mingyu, vocês têm trabalhos respeitosos, sabe? Tive medo de vocês pensarem menos de mim…
— Besteira — Minghao o repreendeu. — Somos seus amigos, jamais te julgaríamos.
— É o que eu falei — concordei, e Seokmin assentiu com a cabeça.
— Obrigado, gente — Soonyoung sorriu, alegre. — Fico aliviado.
— Como funciona, aliás? — Seokmin disse, curioso. — Você grava vídeos ou faz lives?
— Um pouco dos dois — Soonyoung abriu a porta do quarto roxo. — Vocês querem ver?
— Os vídeos? — Minghao piscou, sorridente.
— Meu “escritório” — Soonyoung rebateu.
— Ah…
Soltei uma risada alta, entrando no quarto roxo outra vez.
— De agora em diante, compre os dildos na minha loja, tá? — falei, encarando a estante de pintos de borracha. Notei que havia outros brinquedos também.
— Tá bom — Soonyoung riu.
— Caralho, olha esse! — Seokmin pegou um dildo com o formato de tentáculo.
— Ficou interessado? — brinquei. Seokmin me encarou de soslaio, suas orelhas se avermelharam.
— T-talvez.
Tentei ignorar os inúmeros pensamentos impróprios que percorreram minha mente.
— Que quarto fofinho — Minghao disse, observando o local. — O que tem nesse armário aqui?
— Meus cosplays — Soonyoung respondeu. — Querem ver?
— Você vai vestir? — Minghao sorriu.
— Nem, é mó trabalheira colocar essas roupas.
— Ah…
— Você que escolhe os cosplays? — perguntei.
— Não, eu faço uma enquete no site e meus seguidores escolhem — Soonyoung explicou.
— Você já usou isso aqui? — Minghao disse, chamando nossa atenção.
Ele tinha aberto o guarda-roupa e segurava um pequeno biquíni com estampa de vaca. Segurei a risada.
— Sim, semana passada. — Soonyoung arrancou da mão de Minghao. — Não sai pegando as coisas assim, bicho.
— Caramba, tem até fantasia de empregada — Seokmin disse, com a cabeça dentro do armário. — Que legal.
— Deixa eu ver! — Corri até ele, fuçando nas roupas.
— Cuidado pra não quebrarem nada! — Soonyoung disse, nervoso.
— Meu Deus, você já fez cosplay da Ravena? — Minghao tapou a boca.
— Pior que meus assinantes gostaram muito desse…
— Você usa seu nome real? — Seokmin perguntou.
— Não, tá doido? — Soonyoung balançou a cabeça. — Meu nome lá é Hoshi.
O que era para ser um dia de filmes e fofocas, virou um dia de “xeretar as fantasias do Soonyoung”. Foi engraçado. Soonyoung começou a nos contar abertamente sobre seu conteúdo, ele parecia gostar do que fazia. No fim da tarde, tive que ir embora para me arrumar para a festa. Seokmin resolveu ficar, disse que Minghao o levaria de volta para casa. Ele parecia bem interessado no trabalho de Soonyoung. É engraçadinho, Seokmin passou quase 30 anos sem dar uma foda para qualquer coisa sexual, e agora, de repente, ele quer saber e fazer de tudo. Ainda bem que é comigo que ele quer experimentar.
Por fim, me despedi de todos e fui. Cheguei em casa, tomei banho e comecei a procurar o que vestir. Seria uma festa casual com um clima de festa universitária, pois várias pessoas da faculdade da minha amiga compareceriam. Resolvi ir simples: camisa branca, jaqueta jeans e uma calça preta. Penteei meu cabelo e avisei para Sana que estava indo. Seokmin havia me mandado uma foto com Minghao e Soonyoung. Aquilo me fez sorrir. Quase desisti de ir para a festa, queria ficar com eles.
Queria ficar com Seokmin.
Cheguei no destino depois de uns 15 minutos. A casa de Sana ficava num bairro residencial famoso, era quase uma mansão. Pude ver pelas janelas que o lugar já estava cheio de gente. Desci do carro e caminhei até a entrada. Um segurança abriu a porta para mim, me cumprimentando com um aceno de cabeça. Sorri e entrei.
O grave da música fez os ossos da minha costela tremerem, e as luzes me deixaram tonto por um segundo. Suspirei, extasiado, e comecei a procurar por rostos conhecidos. Encontrei a anfitriã, a qual me chamou com a mão quando me viu.
— Finalmente! — Ela me abraçou. — Você deu uma sumidinha, Gyu! Faz um tempo que eu não te vejo.
— Pois é, tava recuperando as energias — dei uma desculpa qualquer. — Como você tá?
— Tô ótima — ela sorriu. — Tô namorando!
— Sério? Quem?
— A Jeongyeon! Você conhece?
— Sim… Mas, espera, ela não tava namorando a Nayeon esses dias?
Sana deu de ombros, sorrindo sapeca. Jesus, essas lésbicas… Eu ia fazer um comentário, mas fui interrompido por um corpo chocando com o meu.
— Gyu! — Gaon beijou meu rosto. — Que saudade!
— Oi, vida — soltei uma risadinha.
Sana jogou um beijo na minha direção e se misturou na multidão. Gaon puxou meu rosto e me beijou. Senti o gosto da vodca em sua língua.
— Saudade de te ver nas festas — ele murmurou contra minha boca.
— Hm… — Dei outro beijo nele.
Gaon ficou pendurado em mim durante toda a festa. Conversei com várias pessoas, dancei, beijei, só não bebi — estava dirigindo. Normalmente, estar nesse tipo de lugar me causava uma estranha sensação de conforto. A música alta, corpos suados e dançantes, toques e carícias… Tudo isso preenchia o vazio que me assolava. No entanto, dessa vez, eu me sentia diferente. O que antes eu sempre procurava, agora começava a me irritar.
Gaon dançava colado em mim, sua bunda roçava em minha pelve sedutoramente. Ele beijava meu pescoço, sussurrava o que queria que eu fizesse com ele mais tarde naquela noite. Eu não consegui retribuir. Ao invés disso, me afastei dele e sorri, sem graça.
— Essa noite não, Gaon — murmurei, acariciando seu rosto. — Acho que já vou embora.
— Mas tá cedo! — Gaon disse, contrariado. — Agora que é meia-noite.
— Desculpe, meu bem — suspirei. — Não tô no clima.
— Hm… Ok, então. Desde que você me compense depois. — Gaon sorriu, abraçando meus ombros.
Forcei um sorriso e o beijei. Me despedi dele e de Sana, e fui embora. Mordi a unha do meu indicador, pensativo. Uma agitação se instalou no pé do meu estômago, e foi se intensificando a cada rua que eu virava. Tudo que eu não senti na festa, eu senti no instante que toquei a campainha do apartamento de Seokmin. Ele abriu a porta, surpreso. Ao fundo, pude ver a TV ligada.
— Ué, chegou cedo — Seokmin murmurou. — Errou a porta de novo, é?
— Você ainda quer aprender a fazer um boquete? — falei, respirando pesadamente.
Seokmin entreabriu os lábios, me encarando.
— Você tá bêbado?
— Não.
— Então eu quero.
Empurrei seu corpo, devagar, para dentro do apartamento. Fechei a porta atrás de mim e prensei Seokmin contra a parede da sala. Ele ofegou, surpreso, e agarrou minha cintura. Segurei seu rosto e me inclinei, juntando nossos lábios. O êxtase foi instantâneo. Meu corpo inteiro pareceu acender, tal qual uma árvore de natal. O gosto de Seokmin me entorpecia mais do que qualquer bebida que já tomei. Pressionei meu joelho entre suas pernas, recebendo um gemido baixo como resposta. Me afastei, respirando fundo, observei seu rosto.
Seokmin tinha as sobrancelhas franzidas e as pupilas dilatadas. Passei meu polegar sobre seus lábios úmidos e engoli em seco quando Seokmin abocanhou meu dedo, chupando-o em seguida. Sorri, sentindo meu pau doer de tesão.
— Abre a boca — mandei, recolhendo meu dedo.
Seokmin obedeceu, colocando a língua para fora. Enfiei dois dedos em sua boca, e Seokmin fechou os olhos, chupando e lambendo toda a extensão deles. Esfreguei minha ereção sobre a de Seokmin, gemendo baixinho. Tirei meus dedos de sua boca e o puxei até o sofá. Me sentei, e ele se ajoelhou entre minhas pernas, igual hoje mais cedo. Porém, diferente de antes, ele se inclinou e lambeu minha ereção por cima da calça.
— Seokmin… — gemi, delirante. Segurei seus cabelos e pressionei seu rosto contra meu pau. Minha boca salivou com a ideia de vê-lo me chupando.
— Me diz o que fazer — Seokmin disse, ofegante. Suas mãos agarravam minhas coxas com força.
Tirei minhas calças e as joguei longe, meu pau saltou para fora da cueca, já escorrendo pré-gozo. Seokmin entreabriu a boca, respirando pesado, os olhos cravados em meu membro. Aquela cena estava me deixando maluco. Comecei a me masturbar e bati a cabeça na boca de Seokmin.
— Lambe — mandei.
Seokmin piscou, erguendo os olhos até mim, e esticou a língua, encostando a ponta na cabeça molhada do meu pau. Gemi, sôfrego, quando ele dançou o músculo pela área sensível, circulando sua forma.
— Segura — falei, movendo minha mão até seus cabelos.
Seokmin segurou a base e desceu a língua por toda extensão do meu pau, subindo em seguida. Tudo isso sem tirar o olhar de mim. Porra, eu estou tão excitado que conseguia me sentir latejando contra a língua de Seokmin.
— Você pode me masturbar enquanto chupa — murmurei, ofegante.
Seokmin mexeu a mão ao mesmo tempo que abocanhou a cabeça do meu pau, chupando-a em seguida. Revirei os olhos, sentindo minhas pernas tremerem em êxtase. Seokmin começou a alternar entre chupar e lamber, sem parar de subir e descer a mão. Cacete, não acredito que estou quase gozando. Segurei os cabelos de Seokmin com força, erguendo minha cintura do sofá. Arregalei os olhos ao ouvir um som de engasgo.
— Seokmin! — falei, puxando seu rosto para cima. — Seokmin, desculpe!
Ele tossiu, surpreso.
— Tudo bem — sua voz saiu rouca. — Eu não tava esperando.
— Desculpa, me deixei levar…
— Você estava gostando?
— Eu estava era quase gozando — ri, sem graça.
— Hm… — Seokmin tocou minha mão em seu rosto, descendo os olhos até meu membro. — Por que parou, então?
— Eu te fiz engasgar, ora.
— Mas eu não falei “girassol”.
Prendi a respiração por um segundo. Já tivemos uma conversa parecida antes, aparentemente Seokmin gosta da ideia de engasgar. Lembrar disso me fez perder a razão.
— Vai colocando mais na boca devagar — murmurei, empurrando seu rosto até meu pau. — Quando for lamber, faça movimentos circulares.
Seokmin assentiu e fez o que eu mandei. Gemi um tanto alto ao sentir sua língua dançar sobre meu membro. Seokmin chupou minha glande e desceu a cabeça lentamente, engolindo meu pau aos poucos. Segurei seus cabelos com força quando senti a parte de trás da sua garganta. Seokmin fez um som de engasgo mais uma vez, e eu puxei sua cabeça.
— Relaxa a garganta — falei. Seokmin engoliu em seco, sem fôlego. — Respira pelo nariz. Sobe, depois desce aos poucos.
— Como você… — ele disse, sua voz falhou. Após limpar a garganta, ele tentou de novo: — Como você gosta?
Mordi meu lábio, acariciando seus cabelos.
— Lento — falei, empurrando sua boca até a cabeça do meu pau, esfregando meu pré-gozo em seus lábios. — E bem molhado.
Seokmin voltou a me chupar, subindo e descendo a cabeça lentamente, alternando, de novo, entre lamber e sugar meu membro de leve. Senti sua saliva escorrer por minha extensão, chegando até suas mãos, que voltaram a me masturbar. Joguei a cabeça para trás, gemendo alto outra vez. A boca de Seokmin era tão quente e molhada, e sua língua sabia os lugares exatos para lamber. Meu corpo deu um espasmo, me senti próximo de gozar outra vez. Comecei a ficar com calor. Tirei a jaqueta e a camisa, gemendo quando senti Seokmin agarrar meu peito com o piercing.
— Seokmin — choraminguei, segurando sua cabeça com minhas duas mãos. — P-para e relaxa a garganta.
Seokmin fez o que eu pedi, e comecei a enfiar meu pau mais fundo em sua boca. Fechei os olhos, ofegante, ao sentir a parte de trás da sua garganta outra vez. Seokmin engasgou, e a pressão do reflexo de sua garganta me fez gozar instantaneamente. Puxei sua cabeça e me masturbei, sentindo meu gozo pingar em meu abdômen. Seokmin tossiu, me fazendo encará-lo. Ele umedecia os lábios enquanto observava meu pau.
— É meio salgado — Seokmin murmurou. Sua voz rouca quase me deixou duro de novo.
— Desculpa, eu não queria gozar na sua boca.
— Não me importo — ele suspirou, descendo uma mão até sua ereção.
— Quer que eu te chupe? — ofereci.
Seokmin hesitou, pensativo. Ergui as sobrancelhas.
— Posso pensar e depois te falo?
— Que isso, Seokkie. Fica em paz — falei, me espreguiçando. — Se você não quiser, pode falar. Lembra de quando eu disse que você tem que ser sincero com seus gostos?
— Sim, é que… acho que hoje eu prefiro só fazer mesmo — Seokmin murmurou, se levantando. Sorri quando ele sentou em meu colo. — Já aprendi o que tinha que aprender.
— Entendi. — Desci os olhos até sua ereção. — O que você quer que eu faça, então?
— Fica parado — ele murmurou, tirando a bermuda do pijama e se encaixando sobre minha coxa.
Observei, hipnotizado, Seokmin se esfregar em mim. Suas mãos seguravam meus ombros com força enquanto ele usava minha perna para se satisfazer sozinho. Aquela foi a visão mais sexy que já presenciei em toda minha vida. Seokmin agarrou minha cabeça quando gozou, me puxando até seu peito. Fechei os olhos, ouvindo as batidas aceleradas de seu coração. A vibração adentrou meus tímpanos, me entorpecendo.
Eu me senti completo. Satisfeito.
— Ugh, vou ter que tomar outro banho — Seokmin reclamou.
— Eu também — murmurei, observando seu rosto após ele me soltar. A luz da sala brilhava atrás de sua cabeça, quase como uma auréola. — Posso dormir aqui hoje?
Seokmin me encarou. Seus olhos tinham um brilho diferente que fez meu coração dar um solavanco no peito.
— Claro que sim.
✘✘✘
— O Seokmin ainda é afim de mim?
Eu estava organizando um pedido feito pelo site da loja quando Jeonghan fez aquela pergunta. Congelei no lugar e desviei o olhar até ele. Jeonghan apoiava os braços no balcão com os olhos cravados no teto, mas eu pude perceber que seus pensamentos estavam longe.
— Por que você quer saber disso? — perguntei.
— Tô lembrando do jeitinho dele no clube no fim de semana passado — Jeonghan riu. — Fofo.
Rangi os dentes, respirando fundo.
— Ele… te superou.
— Sério? — Jeonghan desviou os olhos até mim.
— Sim… Tipo, ele não é mais afim de você romanticamente — tentei explicar, minha garganta doeu com o esforço.
— Mas fisicamente…?
Torci a boca.
— Sim.
— Bom saber — Jeonghan sorriu.
— Como assim? — Franzi a testa. — E o Seungcheol?
— Cansei daquele idiota. — Jeonghan estalou a língua. — Fica me fazendo de bobo, me dando esperanças, pra no final arregar. Já chega, eu tenho meus limites. Agora vou querer quem me quer. Bom que eu te ajudo com as aulas práticas.
Tive dificuldade para respirar. Apenas assenti e voltei a organizar o pedido. Minha mente girava, ansiosa. Eu não precisava de ajuda, eu e Seokmin estávamos bem desse jeito, apenas nós dois. Ugh, que sensação horrível. Me fez lembrar do dia que Seokmin começou a namorar.
O som do sino da loja chamou minha atenção. Jihoon caminhou até mim, colocando o capacete no balcão junto do celular.
— Bom dia — Jihoon cumprimentou. — Preciso dar uma mijada.
— É aquela porta ali. — Jeonghan apontou para os fundos da loja, e Jihoon foi até lá. — É só esse pedido que ele vai levar, Mingyu?
— Não, tem mais umas caixas lá dentro — murmurei.
— Vou lá pegar.
E saiu. Suspirei, apoiando as mãos no balcão. As palavras de Jeonghan corroíam minha mente, me impedindo de pensar em qualquer outra coisa. Meus dentes começaram a doer de raiva. Eu não precisava de ajuda. Eu já sou o suficiente para Seokmin.
Não quero outra pessoa tocando no Seokmin.
Um som de notificação me tirou de meus devaneios. Baixei o olhar até o celular de Jihoon sobre o balcão, ele tinha recebido um e-mail. Sem querer, acabei lendo o conteúdo. Era um aviso que “Hoshi” havia aberto uma live. Hoshi? Onde eu já vi esse nome antes? Hoshi…
Espera, Hoshi?
Hoshi é o nome que Soonyoung usa em seu Onlyfans! Não é possível, quais as chances? Jihoon era assinante do Onlyfans de Soonyoung?
— O que você tá xeretando aí? — Jihoon disse, agarrando o celular.
Pisquei, alarmado, e voltei a fechar a caixa.
— N-nada…
Ele encarou a tela do celular por uns segundos, e depois estreitou os olhos na minha direção.
— Você viu?
— Vi, o quê? — Tentei me fazer de besta.
— Eu não me envergonho disso, tá?
— Não tem pra quê se envergonhar, cada um tem seus próprios hobbies — falei, concordando.
— Então você viu! — Jihoon apontou o dedo na minha direção.
— Tava na minha frente, como eu não veria? — me defendi.
— Que isso, gente? — Jeonghan apareceu com uma cesta cheia de caixas.
— Nada! — eu e Jihoon falamos em uníssono.
Jeonghan franziu o cenho.
— Ah, não, agora eu quero saber!
O sino da loja nos interrompeu. Seungcheol entrou e tirou o capacete enquanto se aproximava. Jeonghan largou a cesta sobre o balcão e voltou para os fundos da loja, em silêncio.
— Vixe — Jihoon murmurou. — O que você fez?
— Sei lá. — Seungcheol bufou. — Ele começou a me tratar assim do nada. Não consigo entender essa criatura.
— Do nada? — Ergui as sobrancelhas.
— É… — Seungcheol estreitou os olhos. — O que foi? Você sabe de algo?
— Não é meu lugar de dizer. — Dei de ombros e puxei a cesta. — Cada um pega uma metade pra entregar.
Mais tarde, enquanto fechávamos a loja, Jeonghan me cutucou.
— Você falou alguma coisa pro Seungcheol?
— Não, por quê? — respondi, trancando a porta e ligando o alarme.
— Ele tá me enchendo de mensagem — Jeonghan riu, desacreditado. — Sério, fico dividido entre querer beijar ele e meter um chute no saco dele. Não consigo entender esse maluco.
Soltei uma risadinha, os dois foram feitos um para o outro mesmo. Nos despedimos e entrei no meu carro. Recebi uma mensagem de Yewon, dizendo que sobrou comida da aula dela. Opa! Fui até seu dormitório na faculdade, ela me esperava na calçada.
— E aí — falei, descendo do carro. Abracei seu corpo com força, e Yewon grunhiu de dor.
— Um dia você ainda vai quebrar minhas costelas — ela resmungou.
— Que nada, você é forte — sorri. — Cadê o rango?
— Dessa vez fizemos carne ao molho madeira e purê de batatas. — Yewon me entregou duas marmitas. — Aqui, pra você e pro Seokmin.
Encarei os dois potes quentinhos, sentindo meu coração acelerar.
— Pra mim e pro Seokmin…
— Sim…? — Yewon ergueu uma sobrancelha.
Não sei por que estou tão agitado com isso. Yewon sempre ou colocava comida o bastante para duas pessoas ou organizava dessa forma, dividindo em duas porções. Balancei a cabeça e a abracei de novo.
— Obrigado, maninha querida. Te amo.
— Claro que ama — ela riu. — Manda um beijo pro Seokmin. Tchauzinho!
Acenei e entrei no carro. Por fim, cheguei em casa e fui direto para o apartamento de Seokmin. Levei um susto quando a minha porta foi a que se abriu.
— Tô aqui, bobo — Seokmin sorriu.
Entrei em meu apartamento e coloquei as marmitas sobre o balcão.
— Cortesia da nossa querida Yewon — anunciei. — Ela te mandou um beijo.
— Ai, como eu amo essa menina. — Seokmin fingiu chorar. — O cheiro tá uma maravilha.
Observei seus olhos brilharem, ansiosos. Meu coração doeu no peito, Seokmin é adorável.
— Vou tomar um banho — falei. — Me espera!
— Não prometo nada!
Ele me esperou. Terminamos de jantar e fomos assistir TV. Nada de novo, seguimos nossa rotina de sempre. No entanto, durante o episódio, me vi desviando o olhar até Seokmin. Ele estava apoiado na parede, relaxado, com as pernas abertas. Eu não estava muito diferente. Meu coração acelerou quando ele riu de algo que os personagens disseram na série. Senti minha visão embaçar por um segundo. Jesus, o que há de errado comigo hoje? Por que estou tão emotivo?
Estiquei minha mão até o rosto de Seokmin e acariciei sua bochecha.
— Seokmin — murmurei. — Eu amo você.
Seokmin me encarou, surpreso.
— Do nada, assim?
— Não posso mais demonstrar meu amor pelo meu melhor amigo?
Seokmin riu, balançando a cabeça, e tocou meu pulso.
— Também amo você, Mingyu.
A vontade de chorar demorou a passar.
✘✘✘
— Eita, Joshua! Vai com calma — falei, vendo meu amigo encher o próprio copo com mais soju.
— Me deixe, preciso afogar as mágoas — ele resmungou, bebendo um gole grande.
— Ele tá assim já faz dois dias — Wonwoo suspirou. — Trombei com ele no estacionamento e meu ouvido virou penico por quase duas horas.
— Cruzes — Seokmin murmurou.
Estávamos reunidos na casa de Seokmin. Tínhamos pedido frango frito e macarrão num restaurante para jantarmos.
— Mas o que aconteceu? — perguntei. — É a primeira vez que eu te vejo desse jeito.
— A culpa é minha — Joshua lamentou. — Eu sabia que não deveria me envolver com pais dos meus alunos.
— Como é? — Seokmin quase pulou da cadeira.
— Você pegou um pai de um aluno seu? — Arfei, embasbacado.
— Caramba… — Wonwoo tapou a boca, surpreso.
— Ele veio todo manso, sabe? — Joshua bebeu mais um gole. — Me elogiando, puxando assunto, e quando vi…
— Ele era bonito? — perguntei.
— Isso é relevante? — Seokmin rebateu.
— Claro que é! Se for pra sofrer, que seja por alguém bonito!
— Concordo. — Wonwoo assentiu.
— Ele era lindo, obviamente — Joshua bufou. — Ele é divorciado e compartilha a guarda da menina com a mãe dela. Começamos a sair, tudo muito intenso e romântico. Só que, tal qual um episódio de novela mexicana, eu peguei ele com outra pessoa!
— Como? — Seokmin perguntou, curioso.
— Fui fazer uma surpresa na casa dele, já que eu tinha o dia de folga e ele trabalha home office, e quando chego lá… — Joshua bebeu o restante do soju. — Um twink sem camisa abre a porta, perguntando se eu sou o entregador do restaurante.
— Meu Deus, eu já li um yaoi parecido — Wonwoo riu.
— Não é pra rir! — Joshua resmungou.
— Mas vocês tinham algo sério? — perguntei.
— Tava implícito, ora. Nos víamos quase todo dia!
— Mas… vocês comunicaram algum rótulo?
Joshua ficou em silêncio por alguns segundos, e, então, fez cara feia para mim.
— É óbvio que você sairia na defesa dele, né?
— Ei! — Ergui as mãos em rendição. — Eu não tô defendendo ninguém! Só tô dizendo que você não pode cobrar algo que não foi cobrado de você também. E outra, o que te impede de sair com outro cara?
— Eu não tenho tanta facilidade de chegar em alguém, Mingyu — Joshua suspirou.
— Mingyu tem razão, em partes — Seokmin falou, após um tempo em silêncio. — Mas eu entendo sua frustração, Joshy. Ele devia ter falado desde o início que não queria nada sério e sobre esse outro ficante.
— Ugh, odeio esse termo — Joshua resmungou.
— Eu ainda acho que você tem que sair com outra pessoa — murmurei. — Se quiser, eu arranjo alguém pra ti.
— Ok. — Joshua bateu o copo na mesa após beber mais um grande gole de soju. — Eu aceito.
Um suspiro baixo chamou minha atenção. Desviei o olhar até Wonwoo, ele observava o copo cheio com uma expressão entristecida. Estiquei minha perna até a dele, fazendo-o me encarar. Ergui uma sobrancelha, questionando sua cara de enterro, e ele negou com a cabeça. Encarei Joshua, o qual listava para Seokmin seu tipo de homem, e voltei a encarar Wonwoo. Sorri quando meu amigo arregalou os olhos, desesperado.
— Quem sabe, né, Joshua — falei, me fazendo de besta. — Às vezes a pessoa certa tá bem do seu lado.
Joshua piscou, e, ao invés de encarar Wonwoo que estava sentado ao seu lado direito, ele virou o rosto para o lado esquerdo, na direção de Seokmin. Meu sorriso sumiu.
— Eu jamais ficaria com alguém pelas suas costas, Joshua. — Seokmin colocou a mão no peito.
— Ah, Seokkie, eu sei. — Joshua o abraçou. — Você é um doce!
Lancei um olhar para Wonwoo. Ele sorria, bobo, encarando a cena. Ah, melhor que nada. Após jantarmos e bebermos mais um pouco, Wonwoo e Joshua foram embora. Wonwoo saiu com Joshua pendurado em seus ombros, todo feliz. Resolvi ficar para ajudar Seokmin a limpar as coisas.
— Pronto. — Me espreguicei.
— Fiquei com dó do Joshua — Seokmin murmurou, sentado ao redor da mesinha de centro. — Deve ser muito ruim descobrir que não é o único.
Sentei ao seu lado, abraçando meus joelhos.
— Se não tem rótulo estabelecido, então não há porque segui-lo.
— Fácil você falar isso — Seokmin riu, amargo.
Me arrastei até ele e apoiei minha cabeça em seu ombro.
— As coisas não precisam ser complicadas, Seok. Não há como saber das intenções de alguém se elas não foram comunicadas.
Seokmin suspirou, jogando a cabeça para trás.
— Você tem razão, mas não consigo pensar assim. Uma vez com alguém, é só com aquela pessoa que eu vou ficar. Com ou sem rótulo.
Mordi meu lábio, pensativo.
— Entendi.
— Aliás, sobre a próxima aula…
— Sim?
Seokmin ficou em silêncio. Ergui a cabeça e o encarei. Tentei não sorrir ao ver seu rosto todo vermelho.
— Acho que tá na hora de usarmos o dildo verde — ele murmurou, baixinho.
— Mas você já usou — falei, me apoiando na mesinha.
— Você entendeu, Mingyu!
— Não entendi, não.
Seokmin me chutou, e eu ri alto.
— Quero aprender a enfiar o dildo em mim — ele resmungou. — Melhor?
Suspirei, satisfeito.
— Sim. Que dia?
— Sábado — Seokmin disse. — Esse fim de semana você é meu, ok?
Um calor desconhecido por mim tomou conta do meu corpo. Abri um sorriso sem graça e assenti.
— Ok.
✘✘✘
— Você disse que ia compensar aquela noite! — Gaon reclamou do outro lado do telefone.
— Gaon, eu já falei que hoje não dá — suspirei, cansado. — Eu tenho compromisso.
— E esse compromisso é mais importante do que eu?
— Sim — respondi sem pensar.
Seokmin sempre vinha em primeiro lugar, sem espaço para contestação.
— Você é um canalha, Mingyu! — Gaon gritou. — O que foi? Cansou de mim, é?
Cocei a cabeça, frustrado. Por que ele estava agindo desse jeito?
— Gaon, é só hoje…
— Não, não é só hoje — ele rebateu. — Você não vai mais nas festas e toda vez inventa uma desculpa pra não me ver, isso quando você resolve me responder!
— O que você quer que eu fale? — Puxei os cabelos, começando a me irritar.
— Eu quero que você me escolha!
Fiquei em silêncio. Escolher? Não tem o que escolher. A resposta já está, e sempre esteve, bem nítida em minha mente.
— Eu já disse, Gaon — murmurei, sério. — Hoje não. Eu te aviso qualquer coisa.
— Mingyu!
Desliguei a ligação, silenciando o número de Gaon em seguida. Passei as mãos em meus cabelos e respirei fundo. O que eu mais gostava da minha relação com Gaon era a liberdade, apenas nos satisfazíamos sem cobrança alguma. Porém, de uns dias para cá, Gaon virou um grude. Estava em todos os lugares, me impedindo de conhecer gente nova. E agora, veio com esses papos de “escolher”. Eu até poderia escolhê-lo em outra ocasião, mas essa, em específico, estava fora de cogitação.
Me sentei no meu sofá/cama e esperei a mensagem de Seokmin. Ele disse que me avisaria a hora certa de ir até seu apartamento. Meu celular vibrou e eu o peguei instantaneamente, murchando ao ver que era apenas Jeonghan.
_____
jeonghanie: meu amigo vai se apresentar num drag show fim de semana que vem
jeonghanie: bora?
jeonghanie: já tô marcando com muuuuita antecedência pra tu não inventar desculpa
não vai chamar o seungcheol?
jeonghanie: não quero saber mais desse canalha
vixe
problemas no paraíso?
jeonghanie: nunca foi um paraíso pra começo de conversa
jesus
jeonghanie: e aí você vai ou não heinnnnn
uai
tenho que ver com o seokmin primeiro
jeonghanie: não seja por isso chama ele também :D
_____
Aquilo me deixou pensativo e ansioso. Minha vontade foi de negar, mas hesitei. Nesse meio tempo, Seokmin me mandou mensagem me chamando até seu apartamento. Guardei o celular e fui. Quando Seokmin abriu a porta, senti o cheiro de seu sabonete. Ele estava com os cabelos molhados e usava apenas uma camisa grande e cueca boxer.
— Demorou, hein? — brinquei, entrando no apartamento.
— Eu tava… me preparando — ele murmurou.
Soltei uma risadinha e sentei na cama, me arrastando até a parede. Observei Seokmin se sentar na outra ponta do colchão, encolhido.
— Foi uma sensação engraçada — ele disse, cutucando o joelho.
— Você gostou? — perguntei.
— Não sei. Só fiquei curioso mesmo… Tipo, qual seria a sensação de algo… maior.
Coloquei as mãos em meu pescoço, tentando me acalmar.
— Sei… Bom, pela minha experiência…
— Ai. — Seokmin revirou os olhos.
— Com a técnica certa, há quem diz que dá pra gozar só com estímulo na próstata. — Balancei os dedos. — E pra sua sorte, eu tenho muita técnica.
Seokmin ficou em silêncio por uns segundos.
— Ah, sim…
Franzi a testa, cruzando as pernas.
— Seokkie, se você não estiver mais no clima…
— N-não é isso — Seokmin me interrompeu. Seu rosto estava vermelho. — Eu… só estou nervoso. Eu nunca… enfim…
Suspirei, sentindo meu coração doer. Abri os braços, e Seokmin veio até mim, me abraçando.
— Vamos devagar, aos pouquinhos. Dedos primeiro, depois o dildo. Pode ser?
— Aham — Seokmin murmurou.
— Lembra da palavra, né? — falei, acariciando seus cabelos.
— Sim.
— Então, ótimo. Quando você estiver pronto, a gente começa.
Me apoiei na parede e continuei abraçado a Seokmin. Ele, então, se afastou e me encarou por alguns minutos. Meu coração acelerou sob seu olhar. Havia algo diferente no brilho de suas íris que me deixou mole. Não tive muito tempo para pensar nisso, Seokmin me beijou logo em seguida. Foi um beijo casto, logo ele voltou a me encarar. Eu não conseguia respirar direito. Puxei o cós da sua camisa e a tirei, acariciando sua cintura em seguida.
— Tudo bem? — perguntei.
— Sim — ele murmurou. — Tira a sua também.
Fiz o que ele pediu. Sua mão foi diretamente até meu piercing.
— Vem cá — falei, sorrindo de canto. Espasmos correram pelo meu corpo quando Seokmin apertou meu mamilo. — Você tem fetiche em piercing?
Seokmin congelou no lugar, tirando a mão do meu peitoral como se tivesse queimado os dedos.
— N-não! Claro que não!
— Desde que eu botei esse piercing você não tira a mão dele — ri baixinho. — Tá tudo bem, Seok. Todos nós temos fetiches.
— Você tem? — Seokmin me encarou. Fiquei tímido sob seu olhar.
— Isso é papo pra outro dia. Você pode chupar se quiser.
— Chupar o que?
— Meu piercing.
Seokmin entreabriu a boca e arregalou os olhos, surpreso.
— S-sério?
— Sim, Seokkie, é por isso que… — minha voz falhou por um momento — que estamos… fazendo isso, né?
Seokmin engoliu em seco e desviou o olhar até meu piercing. Suspirei, arrepiado, quando sua boca se fechou ao redor do meu peito. Passei as mãos em seus cabelos, gemendo baixinho ao sentir sua língua brincar com o piercing. Fechei os olhos e apoiei a cabeça na parede, meu pau pulsou quando Seokmin chupou meu mamilo. Seus dentes roçaram na joia, me fazendo dar um espasmo. Abri os olhos, soltando um gritinho quando Seokmin me mordeu.
— Não morde com força — reclamei.
Seokmin soltou o piercing e subiu até meu rosto, agarrando minhas bochechas. Depois, me beijou com força. Sua língua escorregava pela minha com fervor, amolecendo meu corpo por inteiro. Corri minhas mãos por suas coxas, apertando e arranhando sua pele. Seokmin arrastou o quadril sobre mim e gememos juntos.
— Calma — falei, me afastando de Seokmin com muito custo. — Acho melhor eu ficar por cima dessa vez.
Seokmin respirou fundo e ficou me encarando por um tempo. Por fim, ele assentiu, tímido.
— Tá bom.
Seokmin saiu de cima de mim e deitou-se no colchão ao meu lado. Comprimi os lábios e me encaixei entre suas pernas. Observei nossos membros semi-eretos quase se encostarem, fiquei tonto por um segundo. Seokmin apoiou as coxas sobre as minhas, e mordeu o lábio, incerto.
— E aí? — ele perguntou.
Pisquei, tentando me recompor. Acorda, Mingyu! Você é o experiente aqui! Respirei fundo e arrastei minhas mãos sobre seu torso.
— Devagar, lembra? — murmurei, me inclinando sobre ele.
Desde que começamos as aulas, sempre era Seokmin quem ficava por cima. Vê-lo por este ângulo, os seus olhos ansiosos erguendo-se até os meus, fez meu coração palpitar. Beijei seu pescoço enquanto apalpava sua pele. Seokmin respirou pesadamente e abraçou meus ombros, jogando a cabeça para o lado e dando mais espaço para meus beijos. Movimentei minha cintura devagar, roçando nossas ereções. Senti Seokmin abrir mais as pernas e tentei não perder o foco.
Soltei um pouco mais do meu peso sobre Seokmin, colocando meus dois braços um de cada lado de sua cabeça para me apoiar. Voltei a beijar seus lábios, saboreando seus gemidos baixos. Fiz pressão contra sua pelve, esfregando nossas ereções com mais força. Seokmin gemeu mais alto, arranhando minhas costas. Grunhi, me arrepiando com a sensação de suas unhas em minha pele. Mordi seu ombro e dei outra estocada, meu pau pulsava de tesão. Seokmin entrelaçou as pernas na minha cintura, colando ainda mais as nossas pelves.
Ergui a cabeça para encarar Seokmin. Ele tinha os olhos fechados e o rosto contorcido numa careta de prazer. Sua boca entreaberta ainda brilhava por causa do beijo que lhe dei. Senti meus movimentos falharem, aquela visão me excitou muito. Seokmin é lindo.
— Seokmin — sussurrei, roubando um beijo dele — vira de costas.
Sentei sobre minhas coxas e esperei. Seokmin piscou, desorientado, mas fez o que eu mandei.
— Eu… — minha voz falhou. — Eu vou tirar sua cueca, ok?
— Ok — Seokmin murmurou contra o travesseiro.
Respirei fundo e puxei o cós da sua cueca, jogando a peça de roupa no outro lado da cama. Mordi o lábio, observando a bunda de Seokmin. Era grande, arqueada, moderadamente mais clara do que seu tom de pele. Tive que me controlar para não mordê-la. Apalpei suas nádegas, massageando a pele macia devagar. Seokmin arfou, virando o rosto até mim.
— Não gostou? — perguntei. Entretanto, não parei com a massagem.
Seokmin voltou a enfiar o rosto no travesseiro.
— Continua — ele murmurou, tímido.
Sorri nervoso, e peguei o lubrificante sobre a cabeceira ao lado da cama. Despejei uma boa quantidade sobre sua bunda e espalhei o gel pelo local. Engoli em seco e alisei sua entrada com a ponta dos dedos. O corpo de Seokmin ficou rígido. Acariciei suas costas, tentando acalmá-lo.
— Tá tudo bem, Minnie — falei, suave.
Coloquei mais lubrificante só por precaução. Me inclinei sobre o corpo de Seokmin, tentando entrar em seu campo de visão. Seokmin virou o rosto até mim e me encarou, nervoso. Voltei a acariciar sua entrada, tentando relaxá-lo. Seokmin fechou os olhos, suas bochechas brilhavam em vermelho. Me aproximei e beijei seus lábios de leve.
— Relaxa pra mim — sussurrei, mordiscando sua boca. — Prometo que vai ficar gostoso.
Seokmin suspirou, voltando a me encarar.
— Não gosto dessa posição.
— Oh. — Pisquei. — Por que?
— Não consigo te ver — ele resmungou. — Me incomoda.
Meu coração doeu no peito. Ai, ele é adorável.
— Desculpe, Seok. Eu normalmente preparo meus parceiros nessa posição, então… Pode virar de volta pra cima.
Seokmin bufou e virou o corpo, me encarando com uma expressão azeda.
— Ih, qual foi? — Ergui uma sobrancelha.
— O que? — Seokmin franziu a testa.
— Essa cara aí de quem comeu e não gostou. O que foi?
— Nada.
— Não mente pra mim, não, filho. Olha a posição que você tá.
Seokmin revirou os olhos e colocou as mãos sobre a barriga.
— Não… menciona suas… outras relações — ele murmurou. — Não agora, pelo menos.
— Hm… — suspirei, roçando meu nariz em seu ombro. — Desculpe.
— Continua — Seokmin disse, exasperado.
Me posicionei de volta entre suas pernas e puxei sua cintura para ter mais visão da parte de trás. Seokmin soltou um gritinho, agarrando o lençol.
— Que isso?
— Eu preciso ver pra saber o que eu tô fazendo, ora — ri, voltando a afagar sua entrada. — Relaxa.
— Eu tô relaxado — Seokmin disse, entredentes.
Estalei a língua e resolvi masturbá-lo. Seokmin gemeu e agarrou meu pulso.
— E-eu pensei… Você ia só…
— Seokmin — falei, calmo — teu cu não passa nem agulha, quem dirá meu dedo. Tô tentando te ajudar a relaxar!
— Não fala assim! — ele me repreendeu.
Suspirei e o soltei, fazendo sua cintura cair de volta no colchão. Apertei a ponte do nariz, tentando pensar numa solução.
— Mingyu?
Eu o encarei e meu coração falhou uma batida. Seokmin estava sentado, colado na parede, encolhido. Seus olhos, arregalados e aflitos, me encaravam. Oh, céus. Seokmin não é igual meus outros parceiros, não posso tratá-lo da mesma forma. Ele não tem experiência, não é a toa que está tão tenso. Me arrastei até ele, devagar, e toquei seu joelho.
— Minnie… — sussurrei.
— Você sacou o problema, né? — Seokmin abaixou a cabeça. — Eu… eu vou entender se você não quiser mais continuar com as aulas…
— Seokmin — falei, firme, chamando sua atenção. — Não há nada de errado em ficar nervoso com sua primeira vez. Não tem problema algum. Eu só… estou acostumado com um pessoal mais experiente. Me desculpe.
Seokmin me encarou por uns instantes. Por fim, ele tocou minha mão sobre seu joelho.
— Tá tudo bem, Gyu.
— Não, não tá — falei, frustrado. — Você… Você não é igual a eles. Você é diferente.
Seokmin apertou meus dedos. Ficamos nos encarando pelo que pareceram horas. Meu coração batia tão forte que eu já não escutava mais nada. Eu sentia uma pressão estranha em minha garganta, como se algo quisesse sair a todo custo, porém, estava sendo impedido. Ergui uma mão até o rosto de Seokmin e acariciei sua bochecha.
— Deita — falei, me deitando no colchão.
Seokmin fez o mesmo, ainda sem tirar os olhos de mim. Me aproximei dele e entrelacei nossas pernas. Estávamos tão próximos que seu nariz se roçava no meu. Arrastei minhas mãos até entre suas nádegas e deslizei meus dedos ao redor de sua entrada. Seokmin arfou baixinho, segurando meu bíceps como reflexo.
— Tá tudo bem — murmurei, esfregando nossos narizes. — Sou só eu.
Seokmin respirava fundo com os olhos cravados nos meus. Eu não conseguia desviar o olhar dele, fascinado pelo brilho de suas íris e suas expressões de prazer. Por fim, consegui enfiar um dedo. Seokmin entreabriu a boca, apertando mais ainda meu braço. Me inclinei e o beijei, enfiando mais meu dedo, procurando.
— T-tá doendo — Seokmin gemeu, franzindo o cenho.
Parei de mexer.
— Me avisa quando eu puder continuar — sussurrei.
— O que você tá fazendo?
— Procurando sua próstata, besta.
— Ah…
Ficamos em silêncio nos encarando por mais um tempo, até que Seokmin se remexeu.
— P-pode continuar.
Após procurar por mais um tempo, finalmente encontrei. Comecei a acariciá-la de leve, observando as reações de Seokmin. Ele mordeu o lábio e fechou os olhos, arranhando meu braço.
— Meu Deus — Seokmin gemeu.
— Quer que eu pare? — perguntei, preocupado.
— N-não — ele ofegou. — Só que… essa sensação… é i-intensa…
Abri um sorrisinho, mudando o ângulo da minha mão. Seokmin soltou um gemido alto.
— É bom, né? — murmurei, roçando meu nariz em sua bochecha. — Vai ficar melhor ainda. Vou enfiar outro dedo, ok?
— Uhum — Seokmin murmurou, ofegante.
Lentamente, fui enfiando meu indicador. Seokmin apertava meus dedos, me deixando tonto. Comecei a imaginar como seria enfiar meu pau nele. Minha cintura se mexeu sobre a perna de Seokmin involuntariamente.
— Você é tão apertado — falei, respirando fundo. Me inclinei e observei meus dedos sumirem dentro dele. Seokmin não respondeu, apenas gemeu alto. — P-posso ir mais rápido?
— Sim — Seokmin disse, manhoso.
Engoli em seco e acelerei meus movimentos. Notei que Seokmin mexia a cintura junto de mim, indo de encontro aos meus dedos. Um som alto de pele se batendo preencheu o lugar. Mordi meu lábio, começando a me esfregar na perna de Seokmin.
— Vou enfiar outro dedo — avisei.
Seokmin não parava de gemer, aquilo estava me deixando louco. Meus três dedos deslizavam para dentro com facilidade agora, eu os mexia dentro de Seokmin, o abrindo para algo maior. Caralho, eu quero tanto foder Seokmin. Meu pau doía dentro da minha cueca de tanto tesão.
— Ah, Mingyu — Seokmin gemeu no meu ouvido. — Não para!
Evoquei toda força dos meus ancestrais para conseguir parar de mexer a mão.
— Não! — Seokmin choramingou.
— O dildo — falei com dificuldade. — Cadê?
— Na gaveta — Seokmin murmurou, tirando o dildo verde da cabeceira.
Me levantei para pegar o lubrificante e passar no brinquedo, quando senti a mão de Seokmin sobre minha ereção.
— Você tá duro — ele disse, respirando fundo.
— Como eu não ficaria? — tentei brincar. Afastei a mão de Seokmin e voltei a me deitar do seu lado. — Ok, vou enfiar o dildo agora.
Seokmin assentiu e abraçou meus ombros, ficando sobre mim. Sua perna se entrelaçou em minha cintura, e sua cabeça se alojou na curva do meu pescoço. Eu conseguia sentir seu pau sobre o meu. Engoli em seco e esfreguei o dildo entre suas nádegas. Seokmin gemeu e começou a chupar meu pescoço. Puta merda, preciso manter o foco.
— Seokmin — resmunguei. Minhas mãos tremiam. — Para, eu preciso…
— Enfia logo — ele sussurrou, manhoso.
Apoiei meu rosto em sua cabeça, delirante. Enfiei o dildo aos poucos, Seokmin tremeu sobre mim. Ele agarrou meus cabelos e mordeu meu pescoço. Não segurei o gemido, sentindo meu corpo amolecer. Comecei a mexer o dildo, deslizando-o para dentro e fora de Seokmin. Revirei os olhos quando Seokmin começou a se esfregar em mim, meu corpo deu um espasmo. Um barulho molhado reverberou pelo apartamento, junto do ranger da cama. Só então que notei que minha cintura também se mexia.
Abracei Seokmin com meu outro braço, enfiando meu rosto em seus cabelos. Seu cheiro entorpeceu todos os meus sentidos, me deixando ainda mais delirante. Acelerei os movimentos do dildo, me deliciando com os gemidos altos de Seokmin.
— Liga a vibração — ele disse, engasgado.
Fiz o que ele pediu. Seu corpo deu um espasmo forte, quase como uma convulsão. Seokmin voltou a morder meu pescoço, sua cintura se esfregava com força contra a minha. Foi um milagre eu não ter deixado o dildo cair, eu sentia minhas forças se esvaindo assim como minha razão. Porra, se eu estou mole desse jeito só de ver ele sendo fodido, imagina quando eu realmente foder Seokmin?
Esse pensamento me fez soltar um gemido alto. Seokmin gemeu em resposta, lambendo minha pele.
— Não para, Mingyu! — ele implorou.
E eu não parei. Pelo menos, não até ele gozar. Seu corpo arqueou, ficando imóvel por um segundo, antes de tremer por inteiro. Senti o líquido quente do seu gozo escorrer pelo meu abdômen, enquanto observava sua cintura rebolar contra o dildo. Gozei logo em seguida, Seokmin ficava tão sexy quando chegava em seu ápice.
— Ah, chega — ele gemeu, segurando meu pulso.
Desliguei o dildo e o joguei do outro lado da cama. Me estirei no colchão e encarei o teto, ofegante. Seokmin se remexeu até deitar completamente sobre mim, apoiando a cabeça em meu peito.
— Caralho, é bom mesmo — ele murmurou, rindo baixinho.
— Eu te disse — sorri, afagando seus cabelos.
— A sensação é diferente quando é um pau de verdade?
— Sim, é mais intenso.
— Hm… — Seokmin suspirou. — Só espero não passar vergonha.
— Como assim? — ri, confuso.
— Tipo, se um dildo já me deixou assim, quem dirá quando for o negócio real. Espero que o cara não se importe…
— Pera, Seokmin — eu o interrompi, me sentando. Seokmin ergueu a cabeça para me olhar. — Do que você tá falando?
— Essa é nossa última aula, né? — Seokmin murmurou, incerto. — Eu já… bom, já tá na hora de colocar em prática.
Deixei meu queixo cair, desacreditado.
— Você… quer perder sua virgindade com um desconhecido?
— Não era esse o intuito das aulas? — Seokmin se sentou, me encarando como se eu fosse doido.
— Não! Quer dizer, sim, mas… Eu pensei que…
— Você já fez demais por mim, Gyu — Seokmin sorriu. — Eu… acho que tô pronto.
Nunca me senti tão miserável em toda minha vida.
— Ah… que bom, Seok. Eu… — As palavras saíam com dificuldade da minha boca. — Eu fico feliz.
— É — Seokmin sorriu, sem graça. — E… não vai ser com um desconhecido. Eu… tava pensando no Jeonghan. Ele me chamou pra sair.
Correção: agora me sinto mais miserável do que antes.
— Quando? — falei, engasgado.
— Ontem, ele me mandou mensagem no Instagram — Seokmin sorriu, bobo.
Eu não conseguia respirar. O vazio que há dias tinha desaparecido, começou a me engolir por inteiro.
— Que bom — murmurei, tentando sorrir. — Quando vocês vão sair?
— Amanhã!
Um zumbido estridente me ensurdeceu.
— Lembra do que eu te ensinei, hein — ri, dando um tapinha em seu ombro. — Não vai fazer besteira.
— Vou tentar! — Seokmin riu. — Você quer tomar banho primeiro?
— Por favor, minha roupa tá toda lambrecada.
Seokmin riu e assentiu.
— Vou arrumar sua roupa, então. Tem uma toalha extra pra ti lá já.
Ao fechar a porta do banheiro, meus olhos encheram-se de lágrimas. Por que estou chorando? Me encarei no espelho. Odiei aquela pessoa que me encarou de volta. Eu sabia porque estava chorando, só não queria admitir. Não posso admitir. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Gaon, marcando de encontrá-lo amanhã.
✘✘✘
Passei o dia inteiro com Gaon.
Saí de casa de manhã e fui até a casa dele. Transamos. Depois fomos almoçar e encontrar alguns amigos. Quando voltamos para casa de Gaon, transamos de novo. Normal, sempre fazíamos essa mesma rotina quando nos víamos.
No entanto, naquele dia, não teve um segundo em que eu não pensei em Seokmin.
O que ele estava fazendo? Para onde ele e Jeonghan foram? Jeonghan estava tratando ele bem? Eles iriam transar? A mera ideia fazia meu estômago revirar. Eu odiava não saber das coisas, principalmente se Seokmin estivesse envolvido. Ele parecia tão tranquilo, sou só eu que estou tendo esses pensamentos estranhos?
— Gaon — falei, encarando o teto. Estávamos deitados na cama.
— Hm? — ele respondeu.
— Acho melhor pararmos de nos encontrar.
O corpo de Gaon ficou tenso na mesma hora. O garoto se ergueu do meu peito e me encarou, desacreditado.
— O que? Por quê?
Suspirei e me levantei, procurando pelas minhas roupas.
— Você tá muito grudento esses dias.
— Não tô, não!
— Tá sim — ri, irônico. — Faz meses que eu não transo com mais ninguém além de você porque você me monopoliza em todos os lugares. Nosso acordo não foi esse.
— Eu nunca te proibi de ficar com outras pessoas! — ele rebateu.
— Você afugentou todo mundo que chegou em mim na festa da Sana, Gaon. — Coloquei minha cueca e minha bermuda.
— Argh! — Ele veio até mim, seus olhos estavam cheios de lágrimas. — Eu pensei que… você estivesse satisfeito só comigo!
— Pensou errado — murmurei. Gaon me empurrou com força, irritado.
— Você é um babaca, Mingyu! Como você tem coragem de falar isso depois de… depois de passar o dia inteiro comigo?
Dei de ombros, olhando meu celular para conferir as horas. Uau, são quase 22h00. Preciso ir embora.
— Eu signifiquei algo pra você? — A voz de Gaon estava embargada.
Não respondi, apenas o encarei. Gaon fora apenas o que todo o resto do mundo era: uma distração. Um alívio breve para sanar a falta daquilo que eu realmente queria. Gaon abraçou o próprio corpo, triste.
— Ok… Mas, antes de você ir… podemos transar uma última vez?
Seus olhos cheios de lágrimas me encararam, suplicantes. Meu coração retumbava com força em meu peito quando eu disse:
— Não.
Gaon me deu um tapa na cara e me mandou sair da casa dele aos gritos. Cheguei no meu apartamento cansado e com uma imensa vontade de chorar. Levei um susto ao ver Seokmin sentado no balcão, me esperando com uma sacola de papelão.
— Ei! — ele reclamou. — Você não vê suas mensagens, não?
Pisquei e peguei meu celular, tirando do modo “Não perturbe”. Seokmin havia me ligado três vezes e mandado inúmeras mensagens.
— Desculpa, tinha silenciado as notificações — falei, sem graça. — Pensei que ficaria fora até mais tarde.
— Não, eu cheguei até cedo — Seokmin suspirou. — Sobrou comida do jantar, então eu trouxe pra você.
Meu coração doeu tanto que me esqueci como se respira por um instante.
— Como… como foi o encontro? Vocês…
— Foi ótimo! — Seokmin sorriu. — Jeonghan me levou num restaurante muito bonito, ficamos conversando por horas.
— Hm…
— Ele… — Seokmin corou. Quis bater a cabeça na parede. — Ele me chamou pra casa dele, mas… eu neguei.
Pisquei, confuso.
— Negou?
— É. — Seokmin deu de ombros. — Eu percebi que minha necessidade de perder a virgindade era mais pra provar algo pros outros do que pra mim mesmo. Eu gosto de ir devagar, conhecer a pessoa primeiro, e não há nada de errado nisso. Você… me ajudou a ver isso, Gyu. Obrigado.
Um alívio imensurável tomou conta de mim, quase me fazendo chorar de vez. Assenti e o abracei com força, sentindo o cheirinho suave do seu sabonete.
— Não tem nada de errado em você, Seokmin — murmurei, me afastando para olhá-lo nos olhos. — Nunca teve.
— Agora eu sei — ele riu. — Aliás, Jeonghan me chamou pra um drag show semana que vem. Você também vai, né?
— Sim. — Soltei Seokmin e me sentei ao seu lado. — Ele me falou pra te chamar, eu esqueci.
— Você tem o cérebro de um peixinho dourado mesmo.
Soltei uma risada cansada. Seokmin franziu a testa, correndo os olhos pelo meu rosto.
— Você tá bem, Gyu? Por que sua bochecha tá vermelha assim?
— Ah, não é nada — fiz pouco caso. — Gaon me deu um tapa porque terminei as coisas com ele.
— Você… terminou com ele? — Seokmin arregalou os olhos.
— Sim — suspirei, encarando a sacola de papelão. — Qual o rango? — Seokmin não respondeu. Ele encarava o balcão, em silêncio e pensativo. — Seokmin?
— O-oi! — ele disse, piscando. — Ah, a comida! Hm… é uma carne ao molho. Tá uma delícia.
Torci a boca, tentando afastar a imagem de Jeonghan e Seokmin juntos num restaurante chique.
— Não tô afim de carne hoje… — Apoiei a cabeça no balcão e fiz um bico. — Faz miojo pra mim?
Seokmin riu exasperado, e passou a mão em meus cabelos.
— Faço.
Fui dormir um pouco menos miserável naquela noite.
✘✘✘
— Por que você não me disse que chamou o Seokmin pra um encontro? — falei, entrando na loja.
Jeonghan ergueu as sobrancelhas, terminando de abrir o caixa.
— Bom dia pra você também, bonitão.
— Me responde.
— Porque eu sabia que você ia ficar esquisito — Jeonghan resmungou. — O Seokmin não é só seu, tá? Libera ele pra nós famintos também.
— Você nem gosta dele de verdade! — rebati.
— E você gosta? — Jeonghan me encarou.
Fiquei em silêncio. Meu amigo riu, balançando a cabeça.
— Não se preocupe, não fizemos nada. Ele é das antigas, pelo visto. Não me importo, eu tô precisando de algo calmo na minha vida mesmo.
Não consegui responder. Minha garganta arranhava tanto que minha voz se recusava a sair. Resolvi limpar a loja e mudar de assunto. O dia correu tranquilo, até a parte da tarde.
Veja bem, é comum casais comprarem na minha loja. Sabe, para apimentar a relação ou experimentar novos fetiches, coisas do tipo. Normalmente, as compras são feitas on-line, eram raras as vezes que um casal vinha à loja física, e, quando acontecia, era muito engraçado. Era um show de vergonha e timidez, às vezes de ambos, outras vezes de apenas um do casal; de todo jeito, eu me divertia horrores.
Dessa vez, no entanto, eu não iria me divertir.
Meu rosto azedou quando o sino da loja tocou e um casal entrou, casal este composto por um ex de Seokmin. Céus, quais as chances? Seokmin namorou apenas dois caras em toda vida dele, e um deles escolheu logo minha sex shop para comprar. Pelo menos era Eunwoo. Dos demônios, ele foi o menos pior.
— Quer que eu atenda? — Jeonghan ofereceu ao ver minha cara de desgosto.
— Se puder — resmunguei, indo para o caixa.
Infelizmente, meu olhar encontrou o de Eunwoo. Ele sorriu e caminhou até mim, largando seu parceiro com Jeonghan. Me controlei para não deixar meu descontentamento óbvio.
— Mingyu! — ele disse, se apoiando no balcão. — Que mundo pequeno.
— Pois é! — ri, educado.
— Você trabalha aqui?
— Sou o dono.
— Uau — Eunwoo comentou, surpreso. — E você tá bem? Faz tempo, né?
— É faz um tempo mesmo. Eu tô bem.
— Como vai o Seokmin?
Não consegui segurar minha irritação depois dessa.
— E pra quê você quer saber dele?
Eunwoo franziu a testa, se afastando do balcão.
— Não estou entendendo o porquê dessa hostilidade toda.
— Você destrói o coração dele e depois vem todo manso querer saber como ele está? — bufei, cruzando os braços.
— Eu me importo com Seokmin, Mingyu. Sempre me importei.
— Pra quem largou o Seokmin só porque ele não quis dar mais um passo na relação, tô vendo o quanto você se importa.
Eunwoo tamborilou os dedos no balcão, soltando uma risada ácida.
— Eu não sei o que Seokmin te disse sobre nosso término, mas definitivamente não foi por esse motivo.
— Chega dessa conversa. Vai lá com seu namorado. — Estalei a língua. — Espero que com ele você não faça nenhum tipo de chantagem emocional.
— Não, agora você vai ouvir. Eu não vou permitir que você me difame desse jeito! — Eunwoo se inclinou na minha direção. — O fato de Seokmin não se sentir pronto nunca me incomodou. Eu estava disposto a esperar o tempo que fosse, pois eu o amava mais que tudo no mundo. Só que percebi depois que esse amor não era recíproco.
— Como não? — Me controlei para não erguer a voz, irritado. Ainda me lembro do quão devastado Seokmin ficou depois do término com Eunwoo, do quanto ele elogiava o cara, repetindo várias vezes que ele era a pessoa certa. Como Eunwoo tinha coragem de falar uma coisa dessas?
— Sim, ele não me amava de verdade, Mingyu. Pelo menos, não tanto quanto amava você.
Minha voz sumiu. Encarei o rosto de Eunwoo sem conseguir reagir.
— Você sempre era prioridade pra ele — Eunwoo riu, amargo. — Não nosso relacionamento, muito menos eu. No nosso aniversário de namoro, eu preparei uma surpresa, mas Seokmin disse que não poderia me encontrar porque… — Eunwoo balançou a cabeça, como se aquilo ainda o irritasse. — Porque vocês iam jantar juntos. Foi nesse momento que eu percebi que eu nunca te superaria. Eu nunca seria prioridade pro Seokmin. Foi por isso que eu terminei com ele.
Meu coração retumbava em meu peito, sapateando desesperadamente. Entreabri a boca, incrédulo, ainda sem saber o que falar. Eunwoo suspirou e cruzou os braços
— Espero que resolvam logo essa tensão, ou sei lá o que é, entre vocês. Pelo bem de quem for os seus futuros parceiros.
Nem vi quando ele e o namorado foram embora. Jeonghan me cutucou, curioso.
— Quem era o cara?
— Ex do Seokmin — murmurei, ainda atônito.
— Ah, agora entendi porque você ficou todo eriçado — Jeonghan riu. — Parecia um cachorro marcando território.
Não consegui nem xingá-lo. As palavras de Eunwoo ecoavam em minha cabeça, me impedindo de pensar direito. Meu coração batia tão forte que pensei estar prestes a ter um ataque cardíaco. Acho que nunca senti um êxtase tão grande em toda minha vida. Tive que colocar a mão sobre a boca numa tentativa de esconder meu sorriso enlouquecido.
— Oxe, que cara de maluco é essa? — Jeonghan franziu a testa.
— A vida é muito bonita, né? — gargalhei. Mesmo sem entender de onde aquela euforia veio, resolvi aproveitá-la.
— Jesus, virou o Coringa.
No fim do dia, voltei para casa saltitante. Fiquei ainda mais feliz quando vi Seokmin deitado na minha cama/sofá.
— Minha mãe entregou uma sopa de kimchi que sobrou do fim de semana — Seokmin disse, apontando para o balcão.
Fui direto até ele, me jogando sobre seu corpo.
— Ai, cacete! — Seokmin bateu em meu braço. — Que isso?
— Tô feliz — falei, esfregando meu rosto em seu peito.
— Oxe — Seokmin riu, segurando meus cabelos. — Bateu a meta do mês na loja?
Apoiei minha bochecha em seu peitoral e o observei. Seu rosto estava amigável como sempre, com um sorrisinho simpático e olhos curiosos. Quis mordê-lo, e foi o que eu fiz.
— Mingyu! — Seokmin gemeu. — Porra, esqueci que você é tipo um cachorro quando tá alegre. Ai, meu ombro…
Ri alto e o abracei. Minha vontade era de nunca mais soltar Seokmin. Queria ficar junto dele para sempre.
— Vamos comer — Seokmin falou, dando batidinhas em minhas costas. — Anda, tô com fome.
Nos sentamos um do lado do outro no balcão e começamos a comer.
— Aliás — falei, de repente. — Você lembra do Jihoon?
— Lembro. — Seokmin bebericou a sopa.
— Ele assina o Onlyfans do Soonyoung.
Seokmin começou a tossir.
— Como você sabe disso?
— Eu sem querer vi uma notificação no celular do Jihoon — soltei uma risadinha. — Quais as chances, né?
— Quais as chances mesmo, porque o Soonyoung tá afim do Jihoon! — Seokmin tapou a boca. — Caramba, imagina só!
— Será que a gente faz alguma coisa? — perguntei.
— Vamos pensar primeiro — Seokmin ponderou. — Acho válido a gente contar pro Soonyoung.
— Isso. — Assenti, animado.
Passamos horas fazendo planos mirabolantes para juntar Jihoon e Soonyoung. Eu poderia ficar ouvindo Seokmin falar por horas. Cada movimento que ele fazia, eu observava atentamente, não tirei meus olhos dele por um segundo. Ele era tudo que eu via e ouvia.
Era o paraíso.
✘✘✘
— Vamos! — Seokmin me puxou. — Se não a gente atrasa!
— Calma — resmunguei, me olhando no espelho uma última vez.
O drag show seria numa boate. Decidi me arrumar um pouco mais hoje. Coloquei uma camisa com um decote profundo e esbanjei no perfume.
— Ok, vamos — falei, sorridente.
Deixei que Seokmin me puxasse para fora do meu apartamento. Tranquei a porta e esperei o elevador chegar. Encarei Seokmin, ele estava ansioso, trocando o peso do corpo de um pé para o outro. Ele usava uma camisa branca com uma jaqueta quadriculada por cima, bermuda marrom e um cordão no pescoço. As mangas da jaqueta estavam dobradas, mostrando seus braços, e seus cabelos estavam jogados para trás. Torci a boca e me aproximei dele.
— O que foi? — Seokmin ergueu os olhos até meu rosto.
— Você tá muito bonito — murmurei.
Seokmin sorriu, me empurrando com o ombro.
— Valeu. Você também tá muito bonito. E cheiroso.
— Eu tento.
O elevador chegou e entramos. Quando as portas se fecharam, abracei Seokmin e enfiei o rosto em seu pescoço.
— Mas você tá carente esses dias, viu? — Seokmin riu, afagando meus cabelos.
— Não ligo. — Esfreguei meu rosto em sua pele.
Seokmin não disse nada, apenas me manteve perto de si. Meu coração batia rápido, feliz. Fomos até a boate no meu carro. Jeonghan nos esperava na entrada.
— Mais um minuto e a gente perdia o início dos shows — Jeonghan resmungou, mas logo sorriu quando viu Seokmin. — Oi, Seokkie!
Tentei não fazer uma careta com o apelido. Seokmin sorriu e o abraçou.
— Oi, Jeonghan!
— Vamos entrar? — falei, me colocando no meio deles.
Jeonghan me encarou de soslaio, mas não disse nada. A boate era bem grande, cheia de mesas e um open bar. O show começou no instante em que nos sentamos.
— Vocês querem beber algo? — Jeonghan perguntou.
— Sim, por favor — Seokmin respondeu.
— Eu tô dirigindo — expliquei.
— Beleza, já volto — Jeonghan disse e se levantou, indo em direção ao bar.
Seokmin observava o show maravilhado. Eu não conseguia tirar meus olhos dele. As luzes coloridas dançavam em seu rosto, o deixando ainda mais brilhante. A música não passava de um barulho de fundo, eu escutava apenas suas risadas e seus barulhinhos animados. Passei tanto tempo de olhos fechados que, agora que os abri, não desejo enxergar nada além de Seokmin. Como pude ser tão cego? Como pude ignorar esses sentimentos tão intensos?
Não sinto mais o vazio de sempre, porque, finalmente, encontrei minha completude. E ela estava do meu lado todo esse tempo.
— Prontinho! — Jeonghan voltou, sorridente. — Pedi um drink docinho porque você não gosta do gosto de álcool, Seok.
— Obrigado, Han! — Seokmin devolveu o sorriso.
Suspirei, correndo os olhos pelo salão, e levei um susto ao ver Seungcheol numa mesa com uma pessoa desconhecida. Ele sorria e conversava com o homem, relaxado e tranquilo. Nunca o vi daquela forma.
— É o Seungcheol ali? — pensei em voz alta sem querer.
— Hein? — Jeonghan quase pulou da cadeira. — Cadê?
Apontei na direção do homem, e Jeonghan ficou vermelho de raiva. Quase vi fumaça saindo de suas orelhas.
— Filho da puta — ele rosnou.
— O que aconteceu? — Seokmin perguntou, preocupado.
— Ele me deu um fora pra encontrar outro. — Jeonghan deu um gole grande em sua bebida. — Arrombado, desgraçado, cachorro!
— Quem? — Seokmin franziu o cenho.
— Seungcheol — falei.
Fiquei com receio da reação de Seokmin. O cara que você está saindo está com ciúmes de outro bem na sua frente. É uma situação bem chata ao meu ver. No entanto, para minha surpresa, Seokmin apenas suspirou e acariciou o braço de Jeonghan.
— Não fica assim, Han. Ele não te merece.
— Você tem razão, Seokkie. — Jeonghan levantou da mesa. — Vou pegar mais bebida pra gente.
— Ok!
— Ei, vai com calma — murmurei, tocando o braço de Seokmin.
— Tá de boa. — Seokmin ergueu o polegar.
— Não te incomoda o Jeonghan claramente estar afim de Seungcheol? — perguntei, apoiando o corpo na mesa.
— Não. — Seokmin deu de ombros. — Não pretendo ter uma relação séria com ele, então…
Soltei uma risada desacreditada.
— Uau, você mudou, Seok.
— Obrigado! — ele sorriu, orgulhoso.
O show durou duas horas. Ao final das apresentações, Jeonghan e Seokmin estavam bêbados. A boate continuou tocando música e servindo bebidas, algumas das drag queens continuaram no local.
— Vamos dançar! — Jeonghan puxou Seokmin, quase tropeçando nos próprios pés.
— Mas o Gyu vai ficar sozinho — Seokmin reclamou.
— Vem dançar com a gente então, Gyu — Jeonghan sorriu, bobo.
Ri baixinho do jeito besta dos dois e assenti, sendo puxado por Seokmin. No entanto, meu sorriso sumiu quando Seokmin se encaixou entre mim e Jeonghan. Ele abraçou os ombros de Jeonghan e colou seu quadril no meu. Jeonghan sorriu e segurou a cintura dele, desviando o olhar até mim. Franzi a testa, incomodado com aquela afronta, ao mesmo tempo que o roçar da bunda de Seokmin me deixava desnorteado. Seokmin e Jeonghan dançavam ao som da música, grudados. Eu não conseguia me mexer.
Senti meu estômago revirar quando Jeonghan beijou Seokmin.
O som da boate foi abafado por um zumbido estridente em meus ouvidos. Seokmin retribuiu o beijo instantaneamente, para meu horror. Eu não conseguia respirar, minha garganta fechou. Perdi até o equilíbrio. Entrei em crise ao ver a mão de Jeonghan descer até a bunda de Seokmin.
— Ei! — Agarrei o pulso de Jeonghan. — O que vocês estão fazendo?
— Quer participar, Gyu? — Jeonghan disse, tropeçando nas palavras, com um sorrisinho sarcástico no rosto. Seokmin beijava sua bochecha, alheio ao embate.
Minha respiração ficou pesada. Puxei o rosto de Seokmin e o beijei com força, encarando Jeonghan com raiva. Seokmin gemeu e me beijou de volta, ainda sem soltar Jeonghan.
— O que…? — Seokmin piscou, desnorteado, após eu o soltar.
— Que tal a gente ir para um lugar mais privado, hm? — Jeonghan acariciou o rosto de Seokmin.
— Tá bom — Seokmin sorriu.
— Vocês estão caindo de bêbados, não é uma boa ideia — intervi, irritado.
— Então vem com a gente. — Jeonghan segurou minha mão.
— É, Gyu — Seokmin sorriu.
Fiquei tão atônito que não tive outra reação a não ser assentir. O que estava acontecendo? Seokmin não disse que queria conhecer Jeonghan primeiro? Por que ele concordou com isso? Ele sabe o que vai acontecer? A não ser que… Será que os dois estavam se encontrando durante a semana? Não… Não pode ser, eu saberia. Seokmin me contaria.
Dirigi até a casa de Jeonghan no piloto automático. Seokmin estava do meu lado, rindo, enquanto Jeonghan o abraçava por trás do assento, sussurrando algo em seu ouvido. Meu estômago fervia de ódio. Rangi os dentes ao ver os dedos de Jeonghan adentrarem a camisa de Seokmin, tocando sua pele.
Tocando o meu Seokmin.
Subimos até o apartamento de Jeonghan rapidamente. No instante que eu fechei a porta, Jeonghan prensou Seokmin contra meu corpo e o beijou. Seokmin roçou a bunda em meu pau enquanto beijava Jeonghan. Segurei sua cintura, encarando a forma que suas bocas se moviam. Eu que o ensinei a beijar daquele jeito. Eu.
Puxei o queixo de Seokmin e o beijei. Senti seu corpo amolecer contra o meu. Mordisquei seu lábio, orgulhoso, mas voltei a ficar azedo quando vi Jeonghan apalpar o peitoral de Seokmin sobre a roupa.
— Vamos pra cama, vem — Jeonghan riu.
Eu os segui até o quarto e me mantive em pé ao lado da cama. Observei Seokmin deitar-se com Jeonghan sobre si. Ele ria, animado, enquanto Jeonghan beijava seu pescoço. Suas pernas se abriram, e ele gemeu quando Jeonghan deu uma estocada. As mãos de Jeonghan corriam pelo seu corpo, apalpando com gosto. E Seokmin deixava. Finalmente me toquei do que iria acontecer.
Seokmin vai transar com Jeonghan. Vai transar com alguém que não sou eu. Ele vai mostrar todas aquelas reações para outra pessoa. Seokmin vai gemer o nome de outra pessoa.
Lágrimas subiram até meus olhos, embaçando minha visão. Não. Não, eu não quero isso! Não suporto nem a ideia! Não quero Seokmin com outra pessoa. Eu quero Seokmin comigo. Ninguém saberia tratá-lo tão bem quanto eu.
Ninguém o amaria tanto quanto eu.
— Girassol — falei, num fio de voz.
Seokmin congelou sob Jeonghan. Seus olhos, agora arregalados, me encararam. Pisquei duas vezes, deixando algumas lágrimas caírem no processo. Por fim, me virei e saí do quarto e da casa de Jeonghan. Ao chegar na calçada, me sentei no meio fio e soltei o choro. A rua estava silenciosa e vazia, então meus soluços ecoavam pelos muros.
Céus, meu peito doía tanto. Acho que nunca senti uma dor igual àquela. Demorei para entender o que eu sentia, e agora já é tarde demais. Seokmin nunca será meu, e eu vou ter que vê-lo se apaixonar por outra pessoa. Não sei se vou aguentar. Antes eu até daria um jeito, mas agora que a verdade veio à tona, a dor vai ser difícil de suportar.
Acho que o sentimento sempre esteve ali, porém, eu me fiz de cego com medo de estragar tudo que construímos. Reprimi todos os desejos e todos os impulsos, tanto que se tornou algo corriqueiro. Comecei a fazer sem perceber. Não se apegue demais, vá sempre só até o limite, nunca passe da linha. Foi assim que o vazio se criou, como uma constante lembrança de que eu nunca teria o que eu realmente desejava.
No entanto, depois da conversa que tive com Eunwoo, eu me permiti ter esperanças. Eu me permiti sentir. Talvez daríamos certo, talvez Seokmin perceberia que eu posso ser tudo que ele precisa.
Talvez poderíamos realmente ficar juntos para sempre.
— Mingyu! — Seokmin parou ao meu lado, ofegante.
Ergui a cabeça até ele. Meus olhos ardiam pelo choro. Comecei a sentir uns pingos caírem em meu rosto. Olhei para o céu e percebi que este estava marrom pelas nuvens carregadas.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntei, minha voz saiu fanha por conta do nariz entupido.
— Você disse a palavra — Seokmin disse, aflito. — O que aconteceu? Você tá bem?
Eu normalmente não gostava de preocupar Seokmin, mas, depois de tudo o que aconteceu, eu já não estava mais pensando direito naquela noite.
— Não, não tô — rebati, me erguendo do chão. — Eu não quero que você perca a virgindade com Jeonghan ou qualquer outra pessoa.
— C-como assim? — Seokmin me encarava com os olhos arregalados.
— Eu quero tirar sua virgindade, Seokmin! — falei, voltando a chorar. — Eu não quero ninguém te tocando ou te beijando. Eu quero ser o único na sua vida.
— Mingyu, eu não tô te entendendo…
— Eu amo você, Seokmin! — explodi. — Desde sempre, desde que assoprei as velas do seu aniversário de 6 anos. Por isso que não suporto a ideia de te ver com outro. Eu amo você!
Seokmin deixou o queixo cair, atônito. Ficamos em silêncio por muito tempo, apenas um encarando o outro. Até que eu cansei de esperar.
— Fala alguma coisa — resmunguei.
— Ah, bom, eu… — Seokmin gaguejou. — E-eu também te amo, Mingyu. Você é meu melhor amigo…
— Não é desse tipo de amor que eu estou falando, e você sabe — eu o interrompi. — Eu quero namorar com você.
Seokmin arfou, dando um passo para trás.
— M-mas… não dá, somos amigos… N-nós não podemos…
Eu pude ouvir meu coração quebrando em milhões de pedacinhos. As lágrimas voltaram aos meus olhos. A este ponto, os pingos haviam se transformado numa chuva fina.
— Essa é sua resposta? — falei, num sopro.
Seokmin ficou em silêncio, me encarando. Seus olhos tinham um brilho sôfrego, e suas mãos tremiam, agarradas no cós da blusa. Começávamos a nos encharcar com a chuva, o vento frio me fazia arrepiar.
— Seokmin, eu não… — solucei, chorando de novo. — Eu não consigo mais te olhar de outra forma.
— Mingyu… — Seokmin esticou a mão até mim, mas me esquivei do seu toque.
— Não — falei firme. — Eu cansei de fingir. Eu falei a palavra justamente porque não aguento mais fingir que isso tudo não me machuca. Te ver com Jeonghan foi como uma facada no peito.
Seokmin abriu a boca, mas nada saiu. Não sabia dizer se ele estava chorando ou se eram as gotas de chuva escorrendo pelo seu rosto. Ele parecia tão perdido, tão desesperado, que quase joguei tudo para o alto e corri até ele. Queria abraçá-lo e tranquilizá-lo, porém, a lembrança de seu beijo com Jeonghan me impediu. Respirei fundo e dei as costas para ele sem nem olhá-lo uma última vez.
Fui até meu carro e arranquei de lá. Me permiti ser um babaca e deixar Seokmin para trás. No entanto, a culpa logo veio, junto da angústia de saber que nunca ficaremos juntos. Comecei a chorar compulsivamente no volante. Chorei tudo que reprimi por todos esses anos, tal qual uma barragem quebrada. Não vou voltar para casa hoje, não consigo. Estacionei na frente da casa de meus pais e toquei a campainha várias vezes. Meu pai abriu a porta irritado, porém sua expressão se suavizou ao me ver todo encharcado e miserável.
— Mingyu? — ele disse, preocupado.
— Quem é, querido? — minha mãe disse, espiando por trás do ombro de meu pai. — Mingyu? Meu Deus, você tá pingando! Sai da chuva!
Entrei, cabisbaixo. Logo, minha mãe apareceu com uma toalha grande a jogou sobre meus ombros.
— O que aconteceu, filho? — meu pai perguntou, cuidadoso.
E então, voltei a chorar igual um bebê, desejando que aquela noite nunca tivesse acontecido.
